segunda-feira, 23 de maio de 2011

Colonização do Ceará: a Expedição de Martim Soares Moreno

Vista da Barra do Ceará vendo-se à margem do rio o Forte São Sebastião, desenho de 1645, de Frans Post.

Martim Soares Moreno nasceu em Portugal e chegou ao Brasil em companhia de Diogo Botelho, oitavo Governador-Geral do País.  Logo aprendeu a língua dos nativos e assimilou seu modo de viver, conquistou-lhes  a  confiança e por extensão, a amizade. 
 Tenente da guarnição do Forte dos Reis Magos,  Soares veio ao Ceará para combater os franceses, que estavam estabelecidos aqui.  Soares Moreno procurou garantir sua posição erguendo uma paliçada a titulo de fortificação. Corria o dia 20 de janeiro de 1612, quando batizou o forte com o nome de São Sebastião. 
Religioso, ergueu uma ermida em louvor a Nossa senhora do Amparo.  Um sargento e dezesseis soldados eram a guarnição do Forte. 
 Em 1613 foi convocado para combater a França Equinocial, no Maranhão, ao lado de Jerônimo de Albuquerque, que já havia se destacado na conquista do Rio Grande do Norte. Em Jericoacoara os portugueses construíram um forte de madeira que chamaram de Nossa senhora do Rosário, como base de operações, sendo Soares Moreno enviado para espionar as posições francesas no Maranhão.


          Forte São Sebastião, na Barra do Ceará em 1612 
                                     
Enquanto isso, em Jericoacoara  os portugueses enfrentaram e resistiram  a ataques promovidos por índios  e por piratas franceses comandados por Du Pratz.  Este procurara também, sem sucesso, conquistar o Fortim de São Sebastião, na Barra do Ceará.  
Após vários incidentes,  Moreno voltou ao Ceará, desta vez em definitivo, em 1621, agora como capitão-mor, titulo dado pela coroa portuguesa em reconhecimento aos serviços prestados. Moreno reencontrou o forte de São Sebastião quase destruído. 
Os soldados maltrapilhos, com soldos atrasados, e sofrendo constantes ataques de índios hostis. Remodelou-se então o que foi possível, tentando-se dinamizar a economia local e dando inicio a criação de gado vacum e o cultivo de cana de açúcar. 
Nos anos seguintes tornaram-se constantes os apelos de Martim Soares Moreno às autoridades lusas no sentido de obter ajuda para viabilizar a colonização. Tudo em vão. 
Em 1631, terminando seu período de dez anos como capitão-mor, cansado da falta de recursos, e da pouca atenção da Metrópole, retirou-se definitivamente do Ceará. Foi para Pernambuco combater os holandeses que então ocupavam o Nordeste. Depois, em 1848, já velho, partiu para Portugal. 
Nunca mais retornou ao Ceará.


a escultura de Corbiniano Lins que se encontra na Avenida Beira-Mar, representa a união de Martim Soares Moreno com a índia Iracema

Mesmo assim Martim Soares Moreno é considerado por parte da histografia conservadora como o fundador do Ceará, sendo homenageado como o guerreiro branco Martim no livro Iracema, de José de Alencar, de 1865. A obra está ligada à corrente literária  do romantismo do século XIX  e ao processo de construção da identidade  nacional brasileira. No Romance – do amor de Martim e Iracema nasceu Moacir – o primeiro cearense – ou seja, o índio idealizado, aculturado, aliado do colonizador. 

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