quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Museu Senzala Negro Liberto – Redenção, Ceará



Situado às margens da CE-060, na entrada do municípios de Redenção, o Sítio Livramento abriga o Museu Senzala Negro Liberto, um canavial, e a unidade de produção da aguardente Douradinha. O sítio foi construído em 1873, pela família Muniz Rodrigues.  
O marco histórico deste engenho é a concessão  de cartas de alforria a todos os negros cativos, em 25 de março de 1883,  cinco anos antes da assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel.


O museu, criado em 2003, é composto por casa grande, senzala, canavial, a moageira e uma lojinha (Mercado da Sinhá). Este conjunto arquitetônico colonial é original e encontra-se em boas condições de conservação.
Na área, encontram-se a original casa grande dos senhores do engenho, a senzala, o canavial e o antigo maquinário de fabricar a cachaça Douradinha.
A casa grande possui uma característica especial que a diferencia de outras no Brasil. A casa grande e a senzala encontram-se sob o mesmo teto, sendo que a senzala localiza-se no subsolo desta.
Engenho



Outra atração é o Engenho Grande. Neste há uma máquina de moagem de cana-de-açúcar fabricada na Escócia em 1927. Ele ainda funciona entre os meses de agosto a dezembro, produzindo entre 8 a 15 mil litros de caldo de cana por dia para a produção de cachaça e é ainda ecológico, pois funciona a vapor e utiliza o bagaço da cana-de-açúcar como combustível.

Casa Grande


O casarão foi construído no século XVIII.  Abriga móveis antigos do final do século XIX, utensílios antigos, fotos da família Muniz Rodrigues e histórias da época da escravidão. Nas salas do casarão são conservados objetos doados ou dos antigos donos.



Um deles é uma peça do século passado que servia para engarrafar a cachaça e colocar a tampa de cortiça. Outras peças históricas são um pilão de pedra e um tabuleiro cristalino pertencente à família de Juvenal de Carvalho, um dos donos do casarão, que era usado para descascar e triturar arroz, milho e café. Existem ainda uma coleção de cédulas antigas da época da abolição e documento de compra e venda de escravos. 


Senzala




A senzala era local de descanso e de castigo dos escravos. Aqui eles eram chicoteados e, como eram muito altos - tinham cerca de 1,80 metro - precisavam ficar deitados. Quanto mais rebeldes, mais no fundo ficavam, um cômodo úmido, mas parecido com um túnel, de teto baixo, com uma única e estreita entrada de ar com grades. 
No cubículo escuro, eram colocados cerca de dez escravos que, quando desobedeciam ou se tornavam rebeldes, eram chicoteados e torturados psicologicamente.





Nos pequenos e escuros cubículos da senzala viviam cerca de 100 escravos. Eles eram obrigados a entrar ali às 18 horas e sair às 6 horas. Dormiam no chão, em cima de esteiras de palha. Em cada cômodo, encontram-se os instrumentos de tortura, como as correntes, algemas e gargalheiras. Essas últimas serviam para prender o escravo na parede pelo pescoço. Tinha até para criança e adolescente.

Qualquer barulho ou conversas entre eles era motivo para serem castigados. Muitos ficavam à noite presos em algemas nas paredes, de braços para cima. Na senzala, também foi conservado o tronco onde os negros ficavam imobilizados e apanhavam com chicotes que tinham lâminas de ferro.  


Quando algum tentava fugir, ficava no tronco durante nove noites, quando era chicoteado e depois recebia um banho de água e sal.  Outro tipo de castigo eram as algemas usadas pelo feitor (administrador da fazenda) para prender os escravos na parede. Eles ficavam de braços para cima, e muitos com os pés sem tocar no chão.

A passagem interna da senzala para a casa grande era por dentro do banheiro do senhor do engenho. Era uma porta forte e estreita e paredes muito largas para que os escravos não invadissem o casarão. Na sala da mucama - escrava jovem que era escolhida para auxiliar nos serviços caseiros -, tinha um janelão onde o senhor do engenho apontava a escolhida e uma porta por onde as preferidas entravam para a casa grande.

O Museu Senzala Negro Liberto fica em Redenção, cerca de 60 km de Fortaleza. 

fonte:
Wikipédia
museu senzala negro liberto

fotos: Rodrigo Paiva

sábado, 6 de agosto de 2011

Baturité - CE

Imagem de São João Nepomuceno, padroeiro da cidade de Baturité , localizada na Praça da Matriz, centro.

População: 33.321 habitantes (IBGE 2010)
Área do Município: 308, 579 km²
Densidade demográfica: 107,98 hab/km² 
Distância de Fortaleza: 106 km
Localização: microrregião de Baturité, aos pés do Maciço de Baturité, Mesorregião do Norte Cearense 



Antes da fundação da cidade de Baturité, os índios Jenipapaos e Canindés - os primeiros habitantes - adoravam uma pequena imagem de Nossa Senhora da Assunção. A denominação de Nossa Senhora da Palma foi criada em 08 de maio de 1758, mas só foi instalada em 19 de junho de 1762.  A construção da Matriz foi iniciada às custas dos cofres públicos sob a direção de Francisco Xavier de Medeiros. Construída no Século XVIII, apresenta características do Barroco. É a única Paróquia na Brasil com esta invocação.
Hoje, a Igreja Matriz, encontra-se bastante modificada no seu interior. As reformas não respeitaram suas características originais, mas a população orgulha-se de seu templo bicentenário. A edificação encontra-se em lugar privilegiado, no centro da cidade, na  Praça da Matriz.




Região habitada por diversas etnias como os Potyguara, Jenipapo, Kanindé, Choró e Quesito, recebeu a partir do século XVII diversas expedições militares e religiosas. Com a expulsão dos holandeses, a coroa portuguesa iniciou o processo de ocupação definitiva das terras cearenses que se intensificou através da ocupação missionária pelos Jesuítas, a doação de sesmarias, busca de metais preciosos e a implantação da pecuária do Ceará. Em 1755, Baturité, ou melhor, Missão de Nossa Senhora da Palma, surge como uma missão tendo como finalidade aldear os índios da região.
Em 1759, com a expulsão dos Jesuítas, a missão foi elevada a condição de Vila com o nome de Monte-Mor o Novo d'América. Em 1791, nesta vila foi reunido aos Kanindé, Jenipapo, que já viviam na região,  um contingente de índios oriundos de missões em conflitos, como: os Jucá da Vila de S. Mateus, os Paiacu da Vila de Montemor-o-Velho e da Vila de Portalegre.


Monumento comemorativo ao centenário da Estação Ferroviária de Baturité. Trata-se  da 1ª locomotiva a vapor a fazer o percurso Fortaleza-Baturité no ano de 1882, conhecida por Maria Fumaça.



A estação de Baturité foi inaugurada em 1882, permanecendo oito anos como ponta da linha. Era ela o objetivo inicial da ferrovia. 
Por causa do clima ameno e da água em abundância, Baturité e outros municípios vizinhos serviram de refúgio para populações sertanejas de cidades como Canindé e Quixadá, que ali se abrigaram durante a Seca dos Três Setes (1777 a 1793).

Em 1824, Manoel Felipe Castelo Branco trouxe do Pará para Baturité, mudas de café, fato que trouxe transformações na atividade econômica e vida social local.
Na metade do século XIX, Baturité tinha como principal atividade econômica a cultura do café, chegando na época a deter 2% de toda a produção brasileira. Há relatos de que o café de Baturité era um dos mais apreciados nas cafeterias francesas. Com o crescimento da cultura do café surge a necessidade de uma via mais rápida de escoamento da produção para o porto de Fortaleza, que era feita via as precárias estradas da época.





Neste contexto, em 1870, um grupo de comerciantes lança a proposta de construir a primeira ferrovia no Estado,  que veio a ser a Estrada de Ferro de Baturité e um porto para Fortaleza. Em 1882, é inaugurada a estação ferroviária de Baturité, pela qual o café era transportado diretamente ao Porto de Fortaleza. Em 1921, com a expansão da estrada de ferro, o município recebe mais uma estação ferroviária, mais precisamente no povoado do Açudinho (hoje Alfredo Dutra). 


A cultura do café a partir de 1870 até a superprodução e a superoferta de café de 1929, impulsionou    a  economia e a vida social de Baturité, bem com a modernização da cidade. Na Belle Époque que Baturité vivenciou, que ainda é possível se ver na arquitetura colonial existente na cidade, foram inauguradas diversas obras. 




O prédio da antiga estação foi inaugurado em 1882, no governo de D. Pedro II

Após a desativação da linha férrea, as antigas dependências da Estação foram recuperadas e ocupadas: a estação de passageiros abriga o Salão de Artes Chico Sobrinho, com exposição e venda de peças de artesanato, enquanto no prédio da antiga administração - que segundo moradores, precisa de reparos - funciona o Museu da Cidade.

sites consultados:
IBGE
Wikipédia
http://www.baturite.ce.gov.br/home/index.php? 

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Antonio Diogo, Distrito de Redenção, Ceará

Igreja Matriz

O transporte ferroviário foi de fundamental importância para as localidades do interior do Estado. Enquanto ainda não era atravessado pelos trilhos, os lugarejos tinham sua imagem fortemente marcada pela ausência de uma dinâmica própria do desenvolvimento econômico, que chegaria mais tarde com o tráfego ferroviário.

A linha-tronco, ou linha Sul, da Rede de Viação Cearense surgiu com a Estrada de Ferro de Baturité, aberta em seu primeiro trecho em 1872 a partir de Fortaleza e prolongada nos anos seguintes. Quando a ferrovia estava na atual Acopiara, em 1909, a linha foi juntada com a E. F. de Sobral para se criar a Rede de Viação Cearense, imediatamente arrendada à South American Railway. Em 1915, a RVC passa à administração federal.

A linha chegou ao seu ponto máximo em 1926, atingindo a cidade do Crato, no sul do Ceará. Em 1957 passa a ser uma das subsidiárias formadoras da RFFSA e em 1975 é absorvida operacionalmente por esta. Em 1996 é arrendada juntamente com a malha ferroviária do Nordeste à Cia. Ferroviária do Nordeste (RFN). 



Estação de Canafístula, inaugurada em 1880, ao pé da Serra do Vento, entre Fortaleza e Baturité. Na década de 1940 o lugar passou a se chamar Antônio Diogo.    


Com a desativação da linha, o prédio da antiga estação, encontra-se atualmente com as portas lacradas, abandonado e cercado de mato rasteiro, esperando o momento certo de virar ruínas. O Distrito de Antônio Diogo está em vias de se tornar município,  uma vez que preenche os requisitos para tanto e o processo já está em andamento. Bem que os atuais gestores podiam começar pela preservação do patrimônio histórico e cultural da nova futura cidade.      


A Estrada de Ferro foi de grande importância para o desenvolvimento do Ceará e influenciou muito na criação das cidades por onde ela cruzava, não apenas fez surgir novos núcleos de povoamento, mas também fez surgir  novas ruas, novos traçados. 



A inauguração da Estação de Canafístula, movimentou o comércio local e todo tipo de mercadoria era trazido para se vender na chegada do trem, principalmente comidas típicas, frutas e peças de artesanato local, aproveitando a nova freguesia que chegava a bordo dos trens de ferro. As vendas feitas aos passageiros e visitantes, passaram a ser a principal fonte de renda de muita gente do lugar. Suas idas e vindas mexiam com tudo por onde passava, movimentava pessoas, cargas, lugares, vidas e sonhos.




Casas e ruas de Antônio Diogo, emolduradas pelo verde profundo da Serra do Vento, pertencente ao maciço de Baturité.

  Rua principal

Uma legítima bodega cearense, um dos últimos exemplares de um tipo de comércio que a modernidade tratou de banir da cena urbana.  

fotos: Rodrigo Paiva e Fátima Garcia 
foto da estação antiga: http://www.estacoesferroviarias.com.br

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Redenção - Ceará


Localização: Na região do Maciço de Baturité, a 88 metros acima do nível do mar. 
Distância de Fortaleza: 55 kilometros
População: 26.415 habitantes (IBGE 2010)
Área do Município: 225,592km²
Densidade demográfica: 117,09 hab/km²

Histórico




A região do sopé do Maciço de Baturité e ao redor das margens dos Rios Acarape e Pacoti, habitada por diversas etnias como os Potyguara, Jenipapo, Kanyndé, Choró e Quesito, recebeu a partir do século XVII diversas expedições militares e religiosas.
Com a implementação da pecuária no Ceará no século XVII, as terras de Redenção também foram beneficiadas com a agricultura da cana-de-açúcar. A partir do século XIX, os engenhos de Redenção passaram a utilizar a mão de obra de escravos africanos. Desta forma senzalas e pelourinhos vieram a fazer parte da paisagem urbana.


O povoado que deu origem à vila foi um distrito policial criado em 1842, mais tarde, em 1868, desmembrado de Baturité com o nome de Acarape. 



A freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Acarape,  deve sua criação à lei provincial nº 1.242, de 5 de dezembro de 1868, instituída canonicamente por Provisão de 24 de agosto de 1869.
No mesmo dia da criação do município era assinada uma lei autorizando o Presidente da Província a despender, anualmente, a importância de quinze mil réis com a libertação de escravos de preferência do sexo feminino. O fato parece ter influenciado no ânimo da população, que começou a se manifestar em favor da abolição da escravatura. 
No ano de 1871 foi criada a Câmara Municipal da cidade.




Interior da antiga senzala no prédio do Museu Senzala Negro Liberto
Construído em 1873, o sítio Livramento abriga o Museu Senzala negro Liberto,  composto por engenho, casa grande e senzala. Atualmente, lá funciona uma fábrica de aguardente que mantém preservada sua estrutura colonial histórica. O local é aberto à visitação todos os dias.  Fica localizado na Avenida da Abolição

Em 8 de dezembro de 1882, surgiu a Sociedade Redentora Acarapense composta de abolicionistas fervorosos e dirigida por Gil Ferreira Gomes de Farias (presidente), Antônio da Silva Ramos (procurador), R. A. Gomes Carneiro (2º secretário), Henrique Pinheiro Teixeira (1º scretário), Padre Luís Bezerra da Rocha (tesoureiro) e Deocleciano de Menezes(delegado).
Decorridos apenas 23 dias da criação desta Sociedade, o Acarape lançou no Ceará, no dia 1º de janeiro de 1883 a campanha  da Redenção, com protesto solene à existência senzala, bradando para todo o Brasil:  Nesta terra não há mais escravos, um gesto pioneiro, heróico e entusiasta, que lhe valeu a consagração nacional e a admiração do povo brasileiro, expressas no designativo com que então a cidade foi batizada: Rosal da Liberdade.


 Painel instalado no Museu Memorial de Redenção

Painel instalado no Museu Memorial de Redenção
O museu  faz parte do centro cultural que também abriga biblioteca pública e ilha digital, tem, em seu acervo, documentos históricos e raros como livros de compra e venda de escravos, objetos ligados aos escravos – inclusive instrumentos de tortura – peças de antigos engenhos, mobília, objetos sacros, entre outros. Fica na rua José Costa Ribeiro, 102


Em data de 23 de janeiro, a ata de sessão da Câmara registra a solidariedade dos vereadores e a proposta e aprovação de telegrama dirigido pela Comuna ao Imperador D. Pedro II, comunicando-lhe a extinção da Escravatura no município de Acarape.
Pela Lei provincial de 17 de agosto de 1889, o nome do município foi alterado, de Acarape para Redenção.


 Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, concluída em 1868


 Altar mor

Formação Administrativa

O Distrito foi criado com a denominação de Acarape por ato provincial de 1803-1842 e por lei provincial ou Resolução provincial nº 1242, de 05-12-1968.

Elevado à categoria de vila com a denominação de Acarape pela lei provincial nº 1255, de 28-12-1968, desmembrado de Baturité. Sede no núcleo de Acarape. Instalado em 21-08-1871.

Elevado à condição de cidade com a denominação de Redenção pela lei provincial nº 2167, de 17-08-1889.

Em divisão territorial datada de 17 de janeiro de 1991, ficou estabelecido que o município é constituído de 4 distritos: Redenção, Antônio Diogo, Guassi e São Geraldo.


Fotos:
Rodrigo Paiva e Fátima Garcia

Fonte:
IBGE
Wikipédia
Portal Redenção