quinta-feira, 26 de maio de 2011

A Ocupação Holandesa no Ceará


os fortes foram construídos para vigiar o oceano e defender o local de invasores estrangeiros

Entre 1630 e 1654 os holandeses dominaram o Nordeste. 
Seus objetivos, formulados pela Companhia das Índias Ocidentais eram, sobretudo, de controlar a região produtora de cana-de-açúcar, além de, explorar a terra em busca de outras riquezas. 
Assim, após fracassarem  na conquista da Bahia (1624-25), dominarem Pernambuco (1630), estenderam seus domínio para outras capitanias como Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. 
A ocupação do Ceará pelos flamengos visava igualmente ao estabelecimento de um posto de apoio logístico para conquista do Maranhão (que também despertava interesse dos holandeses), bem como a manutenção da capitania de Pernambuco, à medida que se afastavam cada vez mais os portugueses dos centros produtores de açúcar. 
Havia, ainda, interesses na extração de produtos minerais, principalmente sais, âmbar e especialmente prata, que supunham, fosse abundante no Ceará. 

enseada do Mucuripe, local de desembarque dos holandeses

Em outubro de 1637, 126 homens, comandados  por George Gartsman desembarcaram no Mucuripe, dirigindo-se para o forte do Siará em companhia de diversos índios, em plena animosidade com brancos portugueses.  
Os indígenas buscaram essa aliança com os holandeses como uma tática, para manterem suas terras, e se livrarem das opressões impostas pelos lusitanos. O forte português ocupado por apenas 33 soldados sob as ordens de Bartolomeu Brito, logo caiu, ante a força do ataque dos holandeses. 
Estava desfeito o império luso no Ceará, ainda que temporariamente.  
No forte conquistado, ficaram 45 homens liderados por Hendrick Van Ham, enquanto Gartsman conduzia os portugueses prisioneiros para o Rio Grande do Norte. Posteriormente, em 1640, o comando do forte passou para Gedeon Morris de Jorge, um dos grandes estrategistas da ocupação holandesa no Ceará. 

Barra do Ceará, local da construção do Forte de São Sebastião

Os holandeses, no entanto, logo perceberam a inexistência de atrativos econômicos na terra, ainda que tenham explorado áreas salineiras – usando mão-de-obra indígena escrava.  A reação indígena foi contundente diante dos maus tratos: em 1644 invadiram e destruíram o Forte de São Sebastião, trucidando todos os holandeses.
 Cinco anos depois os holandeses retornaram ao Ceará, agora sob o comando de Matias Beck. Essa segunda invasão ocorreu num momento de decadência  do domínio flamengo no Nordeste, verificando-se mesmo em Pernambuco, violenta insurreição. 
Portanto, necessitando de recursos, trataram de reconquistar o Ceará, novamente em busca das ricas minas de prata.
Matias Beck buscou uma reconciliação com os indígenas, dando-lhes muitos presentes. Mandou erguer na Colina Marajaitiba, às margens do Riacho Pajeú o Forte de Shoonenborch, cujo nome era uma homenagem ao governador do Brasil-Holandês. 
Os holandeses passaram os cinco anos seguintes procurando minérios em terras cearenses – em Itarema, na Ibiapaba e em Maranguape, mas não obtiveram sucesso com essa empreitada. 
Com a seca de 1651-54 e, principalmente, com a rendição holandesa em Pernambuco, o forte cearense ficou quase esquecido.  Os índios locais, incitados por nativos fugidos de Pernambuco, passaram a se indispor com os holandeses e a não mais aceitar a presença de qualquer branco na terra. 

Mapa de Matias Beck "Planta do Forte Schoonenborch da Bahia de Mucuriba e do Monte Itarema, situados no Ceará, aos 28 de abril de 1649. (arquivo Nirez) 

Por esse motivo, chegaram a matar alguns soldados e a sitiar o Forte Schoonenborch.  Finalmente, conforme o acordo de rendição entre flamengos e lusitanos, em 1° de junho de 1654, Matias Beck e seus soldados deixaram pacificamente o Ceará.  
Ao mesmo tempo os portugueses, através de um novo capitão-mor, Álvaro de Azevedo Barreto, retomaram a colonização, começando por mudar o nome do forte para Fortaleza de Nossa Senhora de Assunção.
Em 1656, o Ceará foi desligado do Estado do Maranhão, ao qual estivera sujeito desde 1621 e passou a ser subordinado a Pernambuco, situação que se manteria por 143 anos, até 1799, quando a capitania ganhou autonomia.  

fonte:
História do Ceará, de Airton de Farias
Geografia Estética de Fortaleza, de Raimundo Girão

4 comentários:

  1. Muito interessante, achei ótimo saber um pouco mais sobre a história do meu Ceará.

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  2. Obrigada pela disponibilização do conteúdo.

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  3. Incrível como os blogspot.com tem conteúdo superior ao dos sites formais.

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