quinta-feira, 2 de abril de 2026

Bens Tombados pelo Patrimônio Histórico-Cultural-Arquitetônico

 tombamento é um ato administrativo de restrição de uso imposto pelo Poder Público (federal, estadual ou municipal) para proteger bens móveis ou imóveis com valor histórico, cultural, arquitetônico ou ambiental. Ele impede a destruição ou descaracterização, mas não altera a propriedade, permitindo venda ou aluguel, conforme definição do IPHAN. A seguir, alguns bens que foram objeto de tombamento nos níveis municipal, estadual e federal, localizados em Fortaleza. 

 


Solar dos Guimarães – Palácio do Bispo – Paço Municipal – Palácio João Brígido


O terreno já foi parte de uma sesmaria pertencente à Confraria de Nossa Senhora de Assunção em 1681, em terras localizadas entre o Rio Ceará e a Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção. Em data incerta, foi vendido para o comerciante português Antônio Francisco da Silva, ascendente da família Albano. Depois foi adquirido pela família Cruz Guimarães, outro poderoso clã da cidade. Em 1860, devido à proximidade com a catedral, o governo imperial comprou a propriedade por 60 mil réis para ser a sede do Bispado de Fortaleza.

Por mais de 100 anos serviu como morada episcopal, quando o conjunto arquitetônico passou por algumas reformas e novos blocos foram acrescentados.  Em 1973 foi vendido pelo arcebispo Dom José de Medeiros Delgado ao prefeito Vicente Fialho (1971/1975), para abrigar a sede da Prefeitura de Fortaleza. Para conseguir vender o casarão, Dom Delgado recorreu ao Vaticano, devido a falta de autorização local. Conseguido o apoio, foi passada a edificação, com área de mais de dois mil metros quadrados, incluindo o casarão e o bosque no entorno.  

O imóvel é denominado oficialmente de Palácio João Brígido, em homenagem ao político e jornalista João Brígido dos Santos (1829-1921). Fica na Rua São José, 1 – Centro. Tombamento Municipal de 2005.

Palacete Jeremias Arruda - Sede do Instituto Histórico, Geográfico e Antropológico do Ceará 


O prédio foi construído entre 1919 e 1920 para residência do comerciante Jeremias Arruda, projeto do arquiteto João Saboia Barbosa. Adquirido pela Prefeitura de Fortaleza, vários órgãos funcionaram no local, dentre os quais a Prefeitura de Fortaleza e o Ginásio Municipal Filgueiras Lima. Hoje é a sede do Instituto do Ceará. Fica na Rua Barão do Rio Branco, trecho Praça do Carmo. Tombamento Estadual em 2019.

Banco Frota Gentil


Inaugurado em 07 de fevereiro de 1925, na esquina das ruas Floriano Peixoto e Senador Alencar, construído por José Gentil Frota de Carvalho, e projeto do engenheiro João Saboia Barbosa. A edificação se insere no contexto do ecletismo arquitetônico, muito em voga na capital cearense durante as três primeiras décadas do século XX. Atualmente o prédio abriga uma agência do Banco Itaú. Tombamento Estadual em 1995. 



O Palacete foi concluído em 1907 para abrigar a família do coronel Antônio Frederico de Carvalho Motta, situado na antiga Rua da Cadeia, atual General Sampaio, inicialmente em terreno medindo cerca de 700 m².Possui estilo eclético, numa mistura de elementos neoclássicos e art nouveau. Reformado e ampliado por volta dos anos 1920, foram mantidos os seus traços gerais. Depois da ampliação a área construída passou para 1.344,20 m².

Apesar de ser objeto de tombamento pelo IPHAN desde 1983, o palacete está fechado e sem nenhum tipo de manutenção desde que o Museu das Secas, que funcionou no imóvel de 1985 a 2004, fechou as portas. Mas deixou no local a documentação que compunha o seu acervo, como documentos do projeto e construção do Açude do Cedro, a primeira grande obra hídrica do Brasil, presente do imperador Pedro II ao Ceará. O que se pode deduzir é que, como quase todos os tombamentos patrimoniais de Fortaleza, o Palacete Carvalho Motta é só mais um que está na fila do tombamento de fato, cujo processo, já se encontra bem adiantado.

Palácio Senador Alencar – Assembleia Provincial – Museu do Ceará 


A obra foi iniciada em 25 de outubro de 1856, com projeto de Adolfo Herbster, em estilo neoclássico, ficando determinado que o edifício abrigaria a Assembleia Provincial. A partir de 1865 os serviços de finalização ficaram a cargo do engenheiro Adolfo Herbster (até então estavam sob responsabilidade do engenheiro José Antônio Seifert). A obra foi finalmente entregue no dia 3 de março de 1871. O palácio da assembleia permaneceu sem uma denominação oficial até fins da década de 40, quando entrou em debate a escolha de um nome para o edifício. O nome do senador José Martiniano de Alencar, foi proposto e aceito por unanimidade, como patrono da Assembleia Legislativa do Ceará.

A Assembleia Provincial, mais tarde Assembleia Legislativa funcionou a partir de 1871 e permaneceu no Palácio Senador Alencar até o dia 10 de maio de 1977, quando se mudou para o novo endereço na Avenida Desembargador Moreira. Depois passou a sediar o Museu do Ceará, e está há anos em reforma. Fica na no quadrilátero entre as ruas São Paulo (frente principal), General Bezerril, Floriano Peixoto e Travessa Morada Nova. Tombado Federal pelo IPHAN em 1973. 




O velho Palácio da Luz foi construído com auxilio de mão-de-obra indígena, para servir de residência ao capitão-mor Antônio de Castro Viana. Em 29 de setembro de 1802, a câmara municipal pediu ao Príncipe Regente que mandasse arrematar o imóvel, ficando a câmara obrigada a pagar o seu valor com as sobras que pudesse ter anualmente. 

Em 1809, o então governador Luís Barba Alardo de Menezes passou a ocupar o edifício que pertencia à câmara municipal. Em 12 de março, 26 de abril e 30 de junho de 1810, a câmara oficiou ao governador, pedindo-lhe o prédio, uma vez que era necessário que tivesse uma casa para suas sessões e guarda de arquivos. Tudo em vão.  Como não obtivesse solução a respeito, a câmara fez uma representação ao Príncipe Regente, se queixando que o governador se apoderara da casa que lhe pertencia.

E o imóvel permaneceu como residência oficial dos governadores do Ceará até 1963, quando a sede do governo foi transferida para uma casa na Avenida Barão de Studart. Além de sede do governo estadual, o Palácio já abrigou a Biblioteca Pública, e a Casa de Cultura Raimundo Cela. Fica na Rua do Rosário s/n, Centro. Tombamento Estadual de 1983.


Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção – Forte Schoonenborch


O forte é o imóvel mais antigo de Fortaleza, com 377 anos. Nasceu antes da cidade. Construído durante a segunda invasão holandesa no Ceará em 1649, quando aqui chegaram ao todo, 298 homens sob o comando de Matias Beck. Após o desembarque e à improvisação dos abarracamentos, seguiu-se o que era mais indispensável: a construção de uma fortaleza de proteção: contra os índios e contra inimigos vindos do mar.

O local escolhido foi o monte chamado Marajaitiba. Ao sopé do monte corria o riacho Marajaik (atual Pajeú), que forneceria água fresca e limpa. Além disso, o morro estava próximo à praia, defronte ao porto, onde ficavam os navios da expedição. Era, portanto o local ideal, militarmente estratégico e topograficamente favorável. Deram-lhe o nome de Forte Schoonenborch, em homenagem ao governador holandês de Recife.

Depois da retirada dos holandeses, e de posse dos portugueses, a edificação recebeu o nome de Forte de Nossa Senhora da Assunção. Era uma construção precária, até ser reconstruída em alvenaria em 1816, se transformando de fato numa fortaleza, graças à ação do Governador Manuel Inácio Sampaio, e ao projeto do engenheiro Silva Paulet. Tombamento Federal IPHAN em 2008.

Capela de Santa Teresinha


Construção iniciada em 14 de novembro de 1926, e inaugurada dois anos depois, em 1928.  Está localizada no Bairro Moura Brasil, na Avenida Presidente Castelo Branco, local dos antigos abarracamentos promovidos pelo governo local para manter sob controle os retirantes que fugindo da seca, se dirigiam para a capital. Com a expansão da cidade, surgiu o projeto de construção da Avenida Castelo Branco, na década de 70, que previa a remoção dos moradores como de fato ocorreu, e a demolição da capela, o que não foi concretizado em virtude dos protestos e das manifestações populares.  O projeto foi alterado e o templo permaneceu no local.

Outra tentativa de demolição da capela ocorreu algum tempo depois, com a execução do projeto do Hotel Marina Park.  A proposta era a construção de outra igreja, mais ampla e moderna, apta a receber pessoas de diferentes áreas da cidade. O projeto ganhou simpatias e teve o apoio da Paróquia a que estava subordinado o templo. À época, as atividades da Capela de Santa Terezinha estavam parcialmente suspensas, em virtude das obras que estavam sendo construídas no seu entorno. No entanto, mais uma vez a população se mobilizou contra a demolição do templo, agora com apoio da Câmara Municipal que apresentou um Projeto de Lei considerando a capela como bem patrimonial, de relevante interesse histórico e cultural para a cidade de Fortaleza. Tombamento municipal de 1986.




Construída em 1730, com donativos ofertados pelos fiéis da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, num local afastado da Vila, a Praça dos Leões. Como toda construção daquele tempo, a capela era feita de taipa e palha.

A igreja foi reformada em 1753 porque ameaçava ruir, sendo reconstruída com pedra e cal, e ficou improvisada como matriz entre 1821 e 1854, enquanto se reconstruía a Matriz de São José. Construída em estilo barroco é a igreja mais antiga de Fortaleza. No piso da igreja do Rosário se concentrava o maior número de sepultamentos no século XIX, com sepulturas anônimas, sem lápide, sem identificação. Como não havia cemitérios na época, os enterros eram feitos nas igrejas ou nas suas imediações. Após dois anos a sepultura era aberta e os ossos recolhidos em urnas que eram enterrados novamente. Hoje a única sepultura identificada é a do Major Facundo, que fica numa parede lateral da igreja. Fica na Praça General Tibúrcio (Praça dos Leões). Foi duplamente reconhecida como patrimônio histórico de Fortaleza: Tombamento Estadual de 1983 e Municipal em 2006.

Casa de José de Alencar


A Casa de José de Alencar está situada no Sítio Alagadiço Novo, antiga Vila Nova Real de Messejana da América, também chamada Vila de Nossa Senhora da Conceição de Messejana. O imóvel adquirido em 1825 pelo padre José Martiniano de Alencar, foi por nove anos o lar do escritor cearense José de Alencar. Mais remotamente, o local fazia parte da aldeia dos índios Paupina. O sítio abriga as ruinas do primeiro engenho de ferro a vapor do Ceará, sua inauguração em 1830,  foi o marco inicial da industrialização do Estado. No engenho eram produzidos cachaça, açúcar mascavo e rapadura.

Em 1965, durante a gestão do reitor Antônio Martins Filho, a Universidade Federal do Ceará, adquiriu  o sítio Alagadiço Novo e, na comemoração dos dez anos de criação da UFC, abriu a casinha da família Alencar à visitação pública, bem como o edifício-sede, que passa a abrigar o acervo museológico, artístico, antropológico, arqueológico, histórico e literário. Tombamento Federal - IPHAN  desde 1964.

Passeio Público – Praça dos Mártires


O Passeio Público foi inaugurado por volta de 1880. Foi projetado para ser o lugar representativo dos novos tempos que a cidade vivia, com a riqueza vinda do algodão e os novos usos e costumes ditados pela belle époque. Nenhum outro logradouro de Fortaleza era tão belo, tão confortável, tão iluminado. Tinha vista para o mar, bancos, coreto, jardins, lagos artificiais, estátuas de figuras mitológicas, árvores frondosas e grades. Era um éden a servir de passarela para o desfile de elegantes e palco para o exercício de uma sociabilidade europeizada. Não era à toa que o Passeio Público ficava lotado às quintas e domingos, dias em que as bandas tocavam. Inicialmente tinha 3 planos: o terreno do primeiro plano foi cedido a uma empresa inglesa para instalação da usina de luz e força da cidade; o segundo plano foi cedido ao quartel da Décima Região Militar. E o terceiro plano remanescente, foi tombado pelo IPHAN como patrimônio histórico em 1964.

Prédio da Antiga Escola Normal


O prédio foi construído para abrigar a Escola Normal, iniciado em 1881 com base no projeto do engenheiro Henrique Foglare. Foi concluído em 1882, e inaugurado em 1884. Depois que a Escola Normal se mudou para a Praça Figueira de Melo, o prédio foi reformado e passou a abrigar o Grupo Escolar Norte e mais tarde pelo Grupo José de Alencar. O local já abrigou além dos estabelecimentos de ensino, a Faculdade de Medicina até 1954 e a Faculdade de Farmácia e Odontologia até 1987, quando passou a ser ocupado pelo IPHAN. Consta que o IPHAN se mudou para o Complexo Cultural Estação das Artes Belchior, na Praça da Estação. O prédio fica na Praça José de Alencar e é tombado como patrimônio do Estado desde 2006.




Fundação em 1910, no governo de Antônio Pinto Nogueira Accioly, construído e decorado por muitas mãos. Na inauguração, um grande concerto da banda sinfônica do Batalhão de Segurança, sob a regência dos maestros Luigi Maria Smido e Henrique Jorge Ferreira Lopes.

A estrutura metálica, em estilo art-nouveau, foi importada do Reino Unido, fabricada pela Casa Walter Max Farlane and Co., de Glasgow, Escócia; Jacinto Matos, (1882-1947) artista plástico pernambucano, pintou o teto e os florões no forro da sala de espetáculos; Rodolfo Amoedo, carioca, (1857-1941) pintou a moldura circular, acima do Pano de Boca. Os camarotes levam os nomes das obras de José de Alencar. Os nomes pintados sobre as grades são de autoria do artista cearense Ramos Cotoco (Raimundo Ramos de Paula Filho, 1871–1916). Paula Barros, artista natural do Pará pintou os retratos de Carlos Gomes e de José de Alencar no teto do foyer do teatro. Ainda no teto do foyer, as figuras em torno dos retratos e as figuras femininas foram pintadas por Ramos Cotoco. Os jardins foram inaugurados em 1974, com projeto paisagístico de Burle Marx. Tombamento Federal IPHAN 1964 

Sobrado Dr. José Lourenço


Foi o primeiro prédio de três pavimentos construído no Ceará, erguido na segunda metade do Século XIX pelo médico sanitarista José Lourenço de Castro e Silva(1803-1874), que utilizou o casarão como residência e consultório. Depois do falecimento do médico, o sobrado foi alugado e teve diversos usos, como a sede do Tribunal de Relação do Ceará, a prefeitura de Fortaleza, e nos altos, no tempo das pensões no centro, abrigou a Boate Marajó, na década de 1950. Depois o imóvel foi abandonado, ficou em péssimo estado de conservação, até ser restaurado em 2006 pela Secretaria de Cultura do Estado, que transformou o sobrado em Centro Cultural. Fica na Rua Major Facundo, 154, Centro. Tombamento Estadual em 2006.


Fontes: AZEVEDO, Otacílio. Fortaleza Descalça; reminiscências. Fortaleza: Edições UFC/PMF, 1980/GIRÃO, Raimundo. Geografia Estética de Fortaleza. Fortaleza: Imprensa Universitária do Ceará, 1959/Revista do Instituto do Ceará/Fortaleza, uma breve História/Revista porque Reportar/Revista Fortaleza/Jornal Diário do Nordeste. Fortaleza, uma breve história, de Artur Bruno e Airton de Farias/Fotos: Arquivo Nirez/Pinterest/Revista do Instituto do Ceará/Fortaleza em Fotos. 


terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Confederação do Equador - Por um Nordeste Independente

 Foi um movimento revolucionário contra o governo do Imperador Dom Pedro I, em razão de sua mudança de postura e dos ideais defendidos antes da Proclamação da Independência, em 1822. Passado menos de dois anos desse evento, a insatisfação com as decisões políticas de Dom Pedro I já eram percebidas em segmentos da população, em razão de um conjunto de medidas autoritárias adotadas pelo imperador.


Em novembro de 1823 dissolveu a Assembleia Constituinte por discordar das limitações que seriam impostas ao imperador, e impôs o seu próprio projeto político para o País.  A Assembleia Constituinte era formada por representantes eleitos das províncias para elaboração de uma constituição para o Brasil. Porém, Dom Pedro não aceitou os termos propostos, e optou por dissolvê-la.

Em março de 1824 o Imperador instaura o Poder Moderador na primeira Constituição do País, criando um quarto poder, exclusivo do Imperador, "chave" de toda a organização política brasileira, destinado a manter a independência, o equilíbrio e a harmonia entre os demais poderes (Legislativo, Executivo e Judiciário).




Confederação do Equador foi a principal reação contra essa política centralizadora. Teve origem na Província de Pernambuco com adesão do Ceará, e demais províncias do Nordeste. Os revolucionários pretendiam fundar uma nação republicana, independente do resto do Brasil.


A revolta no Ceará foi marcada pela participação ativa de figuras locais, como Pereira Filgueiras (José Pereira Filgueiras), Tristão Gonçalves (Tristão Gonçalves de Alencar Araripe), Padre Mororó (Gonçalo Inácio de Loiola Albuquerque e Melo), Pessoa Anta (João de Andrade Pessoa Anta), Francisco Ibiapina (Francisco Miguel Pereira Ibiapina), Azevedo Bolão (Luís Inácio de Azevedo Bolão), José Carapinima (Feliciano José da Silva Carapinima) e Martiniano de Alencar (José Martiniano de Alencar). 

Em janeiro de 1924, a Câmara de Campo Maior de Quixeramobim sob a influência do padre Mororó (Inácio Loiola de Albuquerque declarou excluído do trono do Imperador Pedro I e a queda da Dinastia Bragantina, proclamando a República com um governo que ficaria a cargo de Pereira Filgueiras. O movimento teve forte apoio popular e de certas elites no interior, como na região do Crato.

Em 18 de abril as lideranças rebeldes ocupam Fortaleza e convocam uma reunião da Câmara e das pessoas com mais posses da Vila, onde Tristão Gonçalves foi eleito presidente temporário do Ceará. A partir desse evento, a preocupação maior foi com os preparativos para enfrentar a reação do império.

A reação do Império começou por Pernambuco, as forças monarquistas entraram em Recife em 12 de setembro de 1824; houve massacre da população que viu com terror os saques, incêndios e fuzilamentos. Depois avançaram pelas vilas do Ceará, dizimando as tropas republicanas. Diante da derrota nos sertões cearenses, Tristão Gonçalves, presidente temporário do Ceará, foi obrigado a deixar Fortaleza e partir para Aracati, para combater um levante monarquista. A Divisão Naval do Império aportou em Fortaleza a 18 de outubro de 1824, sob o comando de Lorde Cochrane que exigiu o fim imediato da rebelião. O movimento resistiu até dezembro de 1824. Os Chefes do movimento revolucionário, foram presos ou mortos.


Tristão Gonçalves foi morto a tiros nas imediações do povoado de Santa Rosa, antiga Jaguaribara. Teve o cadáver mutilado e deixado insepulto. Dias depois o corpo foi encontrado e sepultado por correligionários.


Pereira Filgueiras temendo ser assassinado ou preso e torturado, acabou se rendendo, foi preso e conduzido ao Rio de Janeiro, mas morreu durante a viagem. 


José Martiniano de Alencar foi preso na Bahia, enviado ao Rio de Janeiro e negou envolvimento com a Confederação do Equador. Por se tratar de importante líder político do Nordeste, foi perdoado pelo imperador em 1825.

Foram condenados à pena de morte os revolucionários Padre Mororó, Pessoa Anta, Francisco Ibiapina, José Carapinima, Azevedo Bolão, Frei Alexandre da Purificação, Antônio Bezerra de Sousa, e José Ferreira de Azevedo. Os três últimos tiveram a pena comutada em degredo para a Amazônia. Antônio Bezerra de Sousa morreu antes, no Cariri.

Os condenados deveriam ser enforcados, mas como ninguém quis fazer o papel do carrasco, foram fuzilados em 1825, no antigo Campo da Pólvora, depois chamado de Praça dos Mártires. 


A derrota dos confederados no Ceará, com a execução em praça pública, fortaleceu o poder das capitais e das autoridades representantes do governo imperial, que passaram a se impor ainda mais sobre o interior, controlando a província com maior eficácia. 


Fontes:

Revista do Instituto do Ceará – Personagens da Confederação do Equador no Ceará, de Júlio Lima Verde Campos de Oliveira-2024

História do Ceará, de Airton de Farias 

Fotos da Internet

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

A Gestão do Governador Sampaio

 Manuel Inácio de Sampaio e Pina Freire foi o quarto governador do Ceará no período colonial. Seu mandato de governador entre 1812 e 1820 foi um dos mais polêmicos, feito de realizações, autoritarismo, perseguições e repressões. Ficou famosa sua fidelidade ao governo central português. Hoje Governador Sampaio nomeia uma rua do Centro de Fortaleza.

Foi o primeiro administrador a incentivar as artes e as letras no Ceará, promovendo outeiros ou serões literários; criou os Correios e a implementou as Alfândegas provisórias de Fortaleza, em 1812 e das cidades de GranjaSobral e Crato; construiu novos edifícios públicos, entre os quais o Mercado Municipal. Coube também ao governador Sampaio a recuperação do Forte de Nossa Senhora da Assunção, que se encontrava em estado precário e quase em ruínas. Sampaio contratou os serviços do engenheiro Silva Paulet que elaborou o projeto. Os fundamentos do edifício foram lançados pelo governador em 12 de outubro de 1812. A obra foi feita principalmente com donativos angariados pelo governador e seu antecessor Barba Alardo de Menezes, a quem, segundo João Brígido, coube a ideia de reedificar a fortaleza.

 A casa que pertenceu a José Antônio Machado e onde estiveram diversos órgãos públicos, foi a primeira sede dos Correios. Foi demolida para a construção do Fórum Clóvis Beviláqua. (Imagem Arquivo Nirez)

No quesito servilismo, mandou que a população da vila de Fortaleza festejasse com luminárias, por três noites consecutivas, o nascimento do filho de D. Pedro Carlos, o infante D. Sebastião de Bourbon e Bragança. Quando foi notificado da morte de D. Maria I (primeira rainha reinante de Portugal), em 15 de junho de 1816, determinou que todo povo da vila e distritos vestisse luto rigoroso por seis meses e aliviado por igual período. 

Dona Maria I, a louca. Rainha reinante de Portugal e Algarves, faleceu a 20 de março de 1816, no Convento do Carmo, no Rio de Janeiro (imagem wikipédia)

Atendendo que os pobres e os escravos não podiam atender rigorosamente a esta determinação, por questões econômico-financeiras, permitiu que os homens trouxessem no chapéu e as mulheres na cabeça, qualquer retalho preto. Os que se recusassem seriam punidos com 30 dias de cadeia, para cada vez que fossem pegos sem o distintivo.

Segundo historiadores o Sampaio foi o responsável pela prisão e tortura de Bárbara de Alencar, mantida prisioneira em uma pequena cela subterrânea da Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção. Além de Bárbara, outros membros da família Alencar foram presos, acusados de subversão pelo governador, devido ao envolvimento da família com a Revolução Pernambucana de 1817.

Prisão de Bárbara de Alencar no subterrâneo da Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção (imagem da internet)

O governador Sampaio deixou o Ceará em 12 de janeiro de 1820 para assumir o governo da Capitania de Goiás, por ordem do reino de Portugal, sendo substituído no Ceará pelo Francisco Alberto Rubin, Capitão de Mar e Guerra, Comendador da Ordem de Cristo, nomeado por decreto de 4 de julho de 1818.

O Manuel Sampaio permaneceu no posto de governador de Goiás, até 1822, data da proclamação da Independência do Brasil. Ao voltar a Portugal recebeu da rainha Maria II o título de visconde, tornando-se então o primeiro Visconde de Lançada. Casou-se, em 1 de fevereiro de 1826, com Helena Teixeira Homem de Brederode, com quem teve dois filhos. Manuel Sampaio nasceu em Bragança, Portugal em 1778 e faleceu em 1856.  

No período colonial, visando manter o controle e centralização da administração nas colônias, e mais tarde, visando o desenvolvimento, o Governo de Portugal instituiu o sistema de Capitanias Gerais, em vigor até 1821. A partir de 1821 as capitanias foram convertidas em províncias. O Governador Sampaio veio dentro desse contexto.  


Fontes: Ceará (homens e fatos), de João Brígido

Revista do Instituto do Ceará/Administração Manoel Ignácio de Sampaio

Wikipédia 


sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Associação dos Merceeiros

 

A foto mostra o prédio original, rodeado de portas com varandas, piso alto, porões com as aberturas para a rua. Pela rua Major Facundo, passavam os trilhos dos bondes e sua fiação

associação dos Merceeiros foi fundada no dia 5 de abril de 1914, para proteger os interesses de pequenos comerciantes – retalhistas de secos e molhados, de estivas e miudezas. (retalhistas refere-se a pessoas ou empresas que vendem ou compram a retalho, ou seja, em pequenas quantidades ou unidades para o consumidor final. No caso, os bodegueiros). A Associação oferecia atividades de assistência de caráter social, instrutiva e financeira. Foi instalado no dia 10 de maio do mesmo ano, num pequeno prédio da Rua Floriano Peixoto, com status de Sociedade Civil, de caráter indissolúvel, sem fins lucrativos beneficente e filantrópica, sendo considerada de utilidade pública tanto pelos Governos Estadual quanto pelo Federal.


A Associação foi fundada no dia 5 de abril de 1914 por um grupo de 14 merceeiros, num pequeno prédio da rua Floriano Peixoto, com o fim de proteger os pequenos comerciantes naqueles tempos difíceis da Primeira Guerra Mundial

Em 1925 a Associação criou o Crédito Auxiliar dos Merceeiros (Sociedade Cooperativa de Responsabilidade Ltda), mais tarde, Banco de Crédito Auxiliar. A sede própria foi construída a partir de 1926, em uma casa pequena comprada de um bodegueiro associado e construída em etapas, com ajuda de associados que trabalhavam gratuitamente. Depois o imóvel foi ampliado a partir de uma casa desapropriada pelo governo e anexada à Associação. O prédio de arquitetura eclética tem características Art Décor, muito em voga nas construções dos anos 1930/40 em Fortaleza.

A Associação dos Merceeiros angariou grande número de sócios, e além de prestar assistência jurídica e médica aos associados, mantinha uma farmácia, criou um cinema, inaugurado no dia 1 de novembro de 1930 e uma escola de primeiro grau mantida em convênio com o governo do Estado. Em 1935, na sessão comemorativa do 5° aniversário, um incêndio destruiu as instalações do Cinema dos Merceeiros. Depois do sinistro, o cinema encerrou as atividades em definitivo.

A própria Associação, que já vinha enfrentando diversas dificuldades, encerrou as atividades na sua sede própria no dia 13 de agosto de 2018, devido a dívidas acumuladas em várias gestões. Desde então, o belo edifício de sua propriedade, permanece fechado. Dizem que a Associação reabrirá em novo endereço.


Atualmente o prédios dos Merceeiros encontra-se fechado, todo pichado e com placa de "Aluga-se" 

Algumas instituições de assistência a trabalhadores de classe encerram as atividades porque perderam suas finalidades. A Associação dos Merceeiros é uma delas. O seu público-alvo desapareceu com as novas práticas comerciais e de varejo, com o advento dos supermercados, que oferecem produtos fracionados de todas as formas. Assim, as  bodegas e pequenos comércios de antigamente foram praticamente extintos. A saída é se readaptar, identificar novo público e ampliar suas possibilidades, com novos serviços.


Fotos do Arquivo Nirez 

Publicação Fortaleza em Fotos/Fátima Garcia

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Colégios Religiosos Católicos

 Os colégios religiosos em atividade têm pontos em comum que se destacam: a antiguidade -- alguns são centenários; apenas um deles  tem menos de 50 anos de funcionamento -- e a estabilidade: funcionam em prédios próprios e no mesmo endereço. Um deles, o Imaculada Conceição é a segunda escola secundária mais antiga de Fortaleza, antes dela, só o Liceu do Ceará, fundado em 1845. Todos recebem alunos do Infantil ao Ensino Médio. Alguns deles funcionam em mais de uma unidade. 

Colégio Santa Isabel

Capela do Colégio Santa Isabel

Fundado em 1937, pela irmã Isabel Daniel, numa pequena sede na Praça São Sebastião. No ano seguinte mudou-se para sua sede atual, na Avenida Bezerra de Menezes. Vinculado à Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus. Fica na Avenida Bezerra de Menezes, 2840, São Gerardo

Colégio Santo Tomás de Aquino

O Colégio Santo Tomás de Aquino foi fundado no dia 07 de março de 1963, por iniciativa do pároco do Santuário de Fátima, Monsenhor Gerardo de Andrade Ponte, sob a denominação de Externato Santo Tomás de Aquino, contando, com apenas 52 alunos. O Colégio pertence à Paróquia de Fátima e é subordinado ao Conselho Paroquial Nossa Senhora de Fátima, sua entidade mantenedora. Localizado na Rua Mario Mamede, 750, Fátima. 

Colégio Santo Inácio

Colégio Santo Inácio fachada interna

Pertencente à Rede Jesuíta de Educação, o Colégio Santo Inácio Iniciou suas atividades educativas nos anos de 1955 e 1956 recebendo seus alunos em regime de semi-internato. No dia 1º de março de 1960, inaugurou a sua nova sede, localizada na Avenida Desembargador Moreira, 2355 – Dionísio Torres, onde permanece até os dias atuais. 

Colégio Imaculada Conceição

Colégio da Imaculada Conceição/Igreja do Pequeno Grande 

O Colégio da Imaculada Conceição funcionou a partir de 1867, num prédio construído para abrigar um hospital. Ao longo do tempo, o Colégio conquistou posição de destaque na educação das moças pertencentes a elite da cidade. Foi dirigido inicialmente por 19 irmãs de caridade, todas francesas. Entidade ligada à Ordem das Filhas de Caridade de São Vicente de Paula. Fica na Avenida Santos Dumont, n° 55, Centro.

Colégio Santa Cecilia

Sede antiga no Benfica do Colégio Santa Cecília

O Colégio Santa Cecília faz parte do Instituto das Religiosas da Instrução Cristã, congregação belga fundada em 1823 por Madre Agathe Verhelle. As religiosas Damas chegaram ao Brasil em 1896, estabelecendo-se em Olinda (PE), de onde se transferiram para Recife. Em Fortaleza, as Irmãs chegaram no início de 1952, onde vieram para continuar o trabalho de educação da juventude cearense, iniciado em 1911 por Dona Almerinda Albuquerque. Até 1959, o Colégio Santa Cecília funcionou no Benfica, e em  1960, instalou-se na Aldeota, na Avenida Senador Virgílio Távora, 2000.

Colégio Piamarta

A escola teve início no dia 25 de setembro de 1960 quando as aulas começaram com uma turma de vinte crianças, na sacristia da paróquia de Nossa Senhora de Nazaré. No ano seguinte foi iniciada a construção do prédio da escola, onde se encontra até os dias atuais, na Rua Padre João Piamarta, 161, Parreão. Estabelecimento dirigido pela Congregação Sagrada Família de Nazaré, fundada por São João Batista Piamarta.

Colégio Medalha Milagrosa

A escola surgiu em 1947, num antigo estábulo, que mais tarde foi transformado em sala de aula. Depois passou a atender crianças carentes do bairro Montese e adjacências, tendo a Sra. Adelaide Salvador como primeira professora. A Escola passa a funcionar regularmente em 1953. Entidade integrante da Rede de Educação Vicentina. Fica na Rua Padre João Piamarta, 415, Parreão.

Colégio Nossa Senhora das Graças

Sede no Benfica do Ginásio Americano 

O Colégio Nossa Senhora das Graças teve a sua origem no Benfica, com a denominação de Ginásio Americano. Em 1950, as Religiosas da Congregação das Filhas do Coração Imaculado de Maria – as Cordimarianas assumiram a direção do Colégio. Em 11 de fevereiro de 1958, transferiram-se para o bairro de Fátima, numa nova sede, a fim de atender as necessidades de novos alunos, de um bairro que nascia sob as bênçãos da Virgem de Fátima. Fica na Rua Monsenhor Otávio de Castro, 535, bairro de Fátima.

Colégio Shalon

Fundado em 13 de fevereiro de 1987, visando a educação infantil. Ao longo dos anos passou por diversas sedes e expandiu-se para os ensinos fundamental e médio. Fica na rua Oswaldo Cruz, 3401. Colégio vinculado à Comunidade Católica Shalon

Colégio Juvenal de Carvalho

Capela do Colégio Juvenal de Carvalho - 1931

O Colégio Juvenal de Carvalho, foi fundado em 26 de abril de 1933; está  completando em 2025, 92 anos de serviços prestados à sociedade cearense. O Juvenal de Carvalho é uma Unidade Educacional da Inspetoria Maria Auxiliadora e integra a maior rede católica de educação das Américas, a Rede Salesiana Brasil de Escolas. Fica na Avenida João Pessoa, 4279, Damas. 

Colégio Nossa Senhora Auxiliadora

Localizado na Avenida Imperador, 1490, Centro. Entidade da Rede de Educação Vicentina.

Colégio Salesiano Dom Bosco

 Fica na Avenida Antônio Sales, 116, bairro Joaquim Távora. Escola vinculada à Rede Salesiana Brasil de Escolas. 


pesquisa nos sites das escolas. fotos do Arquivo Nirez e da Internet

por Fátima Garcia