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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Bairro Jangurussu

 Até o final da década de 1970 a área que hoje corresponde ao bairro Jangurussu era o aterro sanitário da cidade.  A ocupação da área começou ao redor do aterro, por famílias migrantes em busca de moradia e trabalho, dando origem às primeiras comunidades do território. No entorno do lixão, várias comunidades foram se formando, dando origem à Favela do Jangurussu, conhecida por "Favela do Lixo".



Mas o processo de assentamento da população que mais tarde daria origem ao Jangurussu começou bem antes, quando o território recebeu as primeiras incursões organizadas para Messejana, de acordo com o historiador Paulino Nogueira. O nome se deve a um sítio de propriedade de Urbano de França Alencar que existiu no início da povoação, nos séculos XVIII e XIX, denominado Jangurussu, que se estendia da estrada Guarani, na antiga BR-116, ao Rio Cocó; e da entrada do Mondubim, atual avenida Perimetral, até o Sítio Ancuri.



A desativação do aterro em 1998, deu espaço para o surgimento de conjuntos habitacionais e a inúmeros projetos de urbanização.  O primeiro a ser construído no local, de acordo com registros históricos locais e estudos acadêmicos, foi o Conjunto Maria Tomásia, empreendimento de grande porte com 1.126 unidades habitacionais, implantado no processo de estruturação e urbanização oficial do bairro, com entregas iniciais no final da década de 2000 e início de 2010.


Outro grande habitacional da área, o Conjunto José Euclides foi concluído em duas etapas nos anos 2017 e 2018, com 2.992 unidades divididas em blocos com 16 apartamentos cada. Entregue inicialmente sem escolas, creches ou linhas de ônibus, os moradores se uniram para lutar por seus direitos.

O Residencial Luiz Gonzaga I e II, localizados na Rua Estrela de Ouro, o Luiz Gonzaga original foi inaugurado em novembro de 2019. Em novembro de 2025, foi autorizada a construção do Luiz Gonzaga II, vinculado ao programa Minha Casa, Minha Vida – Entidades, com 536 novas moradias e investimentos conjuntos da União, Estado e Município.


Atualmente o Jangurussu é o bairro mais populoso de Fortaleza com 70.651 habitantes, de acordo com o Censo do IBGE de 2022. Em termos percentuais, o Jangurussu concentra 2,9% da população da capital. Fica na Regional 9 e faz limites com Messejana, Passaré, Ancuri, Pedras e Conjunto Palmeiras. Tem muitos problemas na área de infraestrutura, apesar das muitas conquistas. 


Açude do Jangurussu


As obras do Açude Jangurussu foram concluídas em 1922. A barragem foi construída nas terras do Sítio Jangurussu, então pertencente a João Francisco Ribeiro Neto, numa área rural próxima a Messejana. 

Nesse período o IFOCS hoje DNOCS intensificava a construção de pequenos e médios açudes estratégicos no Ceará para combater os efeitos das secas. As águas do açude eram usadas para consumo, pesca, lavagem de roupa e lazer dos moradores. 

Muitos açudes desta fase eram pequenos reservatórios rurais, destinados mais ao suporte regional do que ao abastecimento urbano. Atualmente o açude Jangurussu apresenta altos índices de poluição, oferece risco de rompimento da barragem e armazena águas impróprias para consumo.  



Fontes: 

Tudo foi a gente indo atrás: histórias e memórias de uma moradora indígena sobre o Jangurussu. Autoras: Marília Duarte Guimarães e Laís Regina de Oliveira Alves. Disponível em <file:///C:/Users/mfati/Downloads/stephanie_ce,+Portugu%C3%AAs-PDF%20(2).pdf>

DO ESPAÇO CONCEBIDO À PRODUÇÃO DO COTIDIANO EM FORTALEZA-CEARÁ: a experiência do conjunto habitacional Maria Tomásia, no bairro Jangurussu. Dissertação de Mestrado de SHARON DARLING DE ARAÚJO DIAS. Disponível em 

< https://www.uece.br/wp-content/uploads/sites/60/2020/02/sharon_dias_dissertacao.pdf >

Jornal O Povo https://mais.opovo.com.br/reportagens-especiais/cidade-

https://fortalezaembairros.fortaleza.ce.gov.br/bairro/jangurussu

Diário do Nordeste https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/ceara/acude-do-jangurussu-tem-mais-de-100-anos


sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Frei Tito

 Tito de Alencar Lima nasceu em Fortaleza no dia 14 de setembro de 1945, filho de Ildefonso Rodrigues de Lima e Laura de Alencar Lima. Foi o último dos onze filhos do casal, que já estavam com idade avançada quando ele nasceu, e cresceu entre o afeto, e os cuidados das irmãs mais velhas.

Começou a mostrar interesse pela política a partir dos 12 anos de idade, participando da Juventude Estudantil Católica (JEC), movimento de Ação Católica voltado para estudantes secundaristas, que unia a fé cristã ao compromisso social e à transformação política, influenciado por uma de suas irmãs.

Entre 1961 e 1962, estudou no Liceu do Ceará, participando da União Cearense de Estudantes Secundaristas. Nessa época, também se tornou congregado mariano, atuando nas comunidades pobres de Fortaleza, atuando na favela do Dendê, em Fortaleza.

Casa onde nasceu em Fortaleza, à Rua Rodrigues Júnior, 364

Em 1963 assumiu a direção da JEC e foi morar no Recife. Em 1966, ingressou no noviciado dos dominicanos em Belo Horizonte, e sendo ordenado sacerdote em 1967. A vivência na JEC moldou a trajetória religiosa e militante de Tito, aproximando-o de pautas de direitos humanos e da resistência contra o regime militar instaurado em 1964.

Mudou-se para São Paulo para estudar Filosofia na Universidade de São Paulo (USP). Em outubro de 1968, foi preso por participar do 30º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) em Ibiúna (SP). A reunião foi interrompida por uma operação policial, e Tito foi um dos 719 estudantes detidos. Fichado pela polícia, tornou-se alvo de perseguição pela repressão militar.

Preso em novembro de 1969, em São Paulo, acusado de oferecer infraestrutura a Carlos Marighella, político, escritor e guerrilheiro comunista, considerado um dos principais organizadores da luta armada contra a ditadura militar brasileira. Tito foi submetido à palmatória e choques elétricos, no Departamento de Ordem Política e Social (Dops). Em fevereiro do ano seguinte, quando já se encontrava em mãos da Justiça Militar, foi retirado do Presídio Tiradentes e levado para a sede da Operação Bandeirantes (Oban).


Durante três dias, bateram sua cabeça na parede, queimaram sua pele com brasa de cigarros e deram-lhe choques por todo o corpo, em especial na boca, “para receber a hóstia”. As autoridades queriam que Tito denunciasse quem o ajudara a conseguir o sítio em Ibiúna para o congresso da UNE e assinasse depoimento atestando que dominicanos haviam participado de assaltos a bancos. Tito tentou o suicídio e foi socorrido a tempo no hospital militar, no bairro do Cambuci.

Na prisão, escreveu sobre a sua tortura. O documento correu pelo mundo e se transformou em símbolo da luta pelos direitos humanos. Em dezembro de 1970, incluído na lista de presos políticos trocados pelo embaixador suíço Giovanni Bucher, sequestrado pela Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), Tito foi banido do Brasil pelo governo Médici e seguiu para o Chile. Sob a ameaça de novamente ser preso, fugiu para a Itália. De Roma, foi para Paris, onde recebeu apoio dos dominicanos. Traumatizado pela tortura, Frei Tito submeteu-se a um tratamento psiquiátrico. Nas ruas da capital francesa, ele “viu” o espectro de seus torturadores e cometeu suicídio.

No dia 10 de agosto de 1974, um morador dos arredores de Lyon encontrou o corpo de Frei Tito suspenso por uma corda pendurada em uma árvore. Foi enterrado no cemitério dominicano do Convento Sainte-Marie de La Tourette, em Éveux.


Convento dos Dominicanos, na França, onde Tito viveu seus últimos dias

Em 1983, o corpo de Frei Tito chegou ao Brasil. Cercado por bispos e um numeroso grupo de sacerdotes, Dom Paulo Evaristo Arns repudiou a tragédia da tortura em missa de corpo presente, acompanhada por mais de 4 mil pessoas. A atuação de Frei Tito, como padre dominicano, foi predominantemente de caráter político. 


Fontes: 

https://memoriasdaditadura.org.br/personagens/frei-tito-de-alencar-lima/

https://mpce.mp.br/pagina-personalizada/especial-80-anos-de-frei-tito/   

jornal O Povo - Fotos Internet

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Confederação do Equador - Por um Nordeste Independente

 Foi um movimento revolucionário contra o governo do Imperador Dom Pedro I, em razão de sua mudança de postura e dos ideais defendidos antes da Proclamação da Independência, em 1822. Passado menos de dois anos desse evento, a insatisfação com as decisões políticas de Dom Pedro I já eram percebidas em segmentos da população, em razão de um conjunto de medidas autoritárias adotadas pelo imperador.


Em novembro de 1823 dissolveu a Assembleia Constituinte por discordar das limitações que seriam impostas ao imperador, e impôs o seu próprio projeto político para o País.  A Assembleia Constituinte era formada por representantes eleitos das províncias para elaboração de uma constituição para o Brasil. Porém, Dom Pedro não aceitou os termos propostos, e optou por dissolvê-la.

Em março de 1824 o Imperador instaura o Poder Moderador na primeira Constituição do País, criando um quarto poder, exclusivo do Imperador, "chave" de toda a organização política brasileira, destinado a manter a independência, o equilíbrio e a harmonia entre os demais poderes (Legislativo, Executivo e Judiciário).




Confederação do Equador foi a principal reação contra essa política centralizadora. Teve origem na Província de Pernambuco com adesão do Ceará, e demais províncias do Nordeste. Os revolucionários pretendiam fundar uma nação republicana, independente do resto do Brasil.


A revolta no Ceará foi marcada pela participação ativa de figuras locais, como Pereira Filgueiras (José Pereira Filgueiras), Tristão Gonçalves (Tristão Gonçalves de Alencar Araripe), Padre Mororó (Gonçalo Inácio de Loiola Albuquerque e Melo), Pessoa Anta (João de Andrade Pessoa Anta), Francisco Ibiapina (Francisco Miguel Pereira Ibiapina), Azevedo Bolão (Luís Inácio de Azevedo Bolão), José Carapinima (Feliciano José da Silva Carapinima) e Martiniano de Alencar (José Martiniano de Alencar). 

Em janeiro de 1924, a Câmara de Campo Maior de Quixeramobim sob a influência do padre Mororó (Inácio Loiola de Albuquerque declarou excluído do trono do Imperador Pedro I e a queda da Dinastia Bragantina, proclamando a República com um governo que ficaria a cargo de Pereira Filgueiras. O movimento teve forte apoio popular e de certas elites no interior, como na região do Crato.

Em 18 de abril as lideranças rebeldes ocupam Fortaleza e convocam uma reunião da Câmara e das pessoas com mais posses da Vila, onde Tristão Gonçalves foi eleito presidente temporário do Ceará. A partir desse evento, a preocupação maior foi com os preparativos para enfrentar a reação do império.

A reação do Império começou por Pernambuco, as forças monarquistas entraram em Recife em 12 de setembro de 1824; houve massacre da população que viu com terror os saques, incêndios e fuzilamentos. Depois avançaram pelas vilas do Ceará, dizimando as tropas republicanas. Diante da derrota nos sertões cearenses, Tristão Gonçalves, presidente temporário do Ceará, foi obrigado a deixar Fortaleza e partir para Aracati, para combater um levante monarquista. A Divisão Naval do Império aportou em Fortaleza a 18 de outubro de 1824, sob o comando de Lorde Cochrane que exigiu o fim imediato da rebelião. O movimento resistiu até dezembro de 1824. Os Chefes do movimento revolucionário, foram presos ou mortos.


Tristão Gonçalves foi morto a tiros nas imediações do povoado de Santa Rosa, antiga Jaguaribara. Teve o cadáver mutilado e deixado insepulto. Dias depois o corpo foi encontrado e sepultado por correligionários.


Pereira Filgueiras temendo ser assassinado ou preso e torturado, acabou se rendendo, foi preso e conduzido ao Rio de Janeiro, mas morreu durante a viagem. 


José Martiniano de Alencar foi preso na Bahia, enviado ao Rio de Janeiro e negou envolvimento com a Confederação do Equador. Por se tratar de importante líder político do Nordeste, foi perdoado pelo imperador em 1825.

Foram condenados à pena de morte os revolucionários Padre Mororó, Pessoa Anta, Francisco Ibiapina, José Carapinima, Azevedo Bolão, Frei Alexandre da Purificação, Antônio Bezerra de Sousa, e José Ferreira de Azevedo. Os três últimos tiveram a pena comutada em degredo para a Amazônia. Antônio Bezerra de Sousa morreu antes, no Cariri.

Os condenados deveriam ser enforcados, mas como ninguém quis fazer o papel do carrasco, foram fuzilados em 1825, no antigo Campo da Pólvora, depois chamado de Praça dos Mártires. 


A derrota dos confederados no Ceará, com a execução em praça pública, fortaleceu o poder das capitais e das autoridades representantes do governo imperial, que passaram a se impor ainda mais sobre o interior, controlando a província com maior eficácia. 


Fontes:

Revista do Instituto do Ceará – Personagens da Confederação do Equador no Ceará, de Júlio Lima Verde Campos de Oliveira-2024

História do Ceará, de Airton de Farias 

Fotos da Internet

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Associação dos Merceeiros

 

A foto mostra o prédio original, rodeado de portas com varandas, piso alto, porões com as aberturas para a rua. Pela rua Major Facundo, passavam os trilhos dos bondes e sua fiação

associação dos Merceeiros foi fundada no dia 5 de abril de 1914, para proteger os interesses de pequenos comerciantes – retalhistas de secos e molhados, de estivas e miudezas. (retalhistas refere-se a pessoas ou empresas que vendem ou compram a retalho, ou seja, em pequenas quantidades ou unidades para o consumidor final. No caso, os bodegueiros). A Associação oferecia atividades de assistência de caráter social, instrutiva e financeira. Foi instalado no dia 10 de maio do mesmo ano, num pequeno prédio da Rua Floriano Peixoto, com status de Sociedade Civil, de caráter indissolúvel, sem fins lucrativos beneficente e filantrópica, sendo considerada de utilidade pública tanto pelos Governos Estadual quanto pelo Federal.


A Associação foi fundada no dia 5 de abril de 1914 por um grupo de 14 merceeiros, num pequeno prédio da rua Floriano Peixoto, com o fim de proteger os pequenos comerciantes naqueles tempos difíceis da Primeira Guerra Mundial

Em 1925 a Associação criou o Crédito Auxiliar dos Merceeiros (Sociedade Cooperativa de Responsabilidade Ltda), mais tarde, Banco de Crédito Auxiliar. A sede própria foi construída a partir de 1926, em uma casa pequena comprada de um bodegueiro associado e construída em etapas, com ajuda de associados que trabalhavam gratuitamente. Depois o imóvel foi ampliado a partir de uma casa desapropriada pelo governo e anexada à Associação. O prédio de arquitetura eclética tem características Art Décor, muito em voga nas construções dos anos 1930/40 em Fortaleza.

A Associação dos Merceeiros angariou grande número de sócios, e além de prestar assistência jurídica e médica aos associados, mantinha uma farmácia, criou um cinema, inaugurado no dia 1 de novembro de 1930 e uma escola de primeiro grau mantida em convênio com o governo do Estado. Em 1935, na sessão comemorativa do 5° aniversário, um incêndio destruiu as instalações do Cinema dos Merceeiros. Depois do sinistro, o cinema encerrou as atividades em definitivo.

A própria Associação, que já vinha enfrentando diversas dificuldades, encerrou as atividades na sua sede própria no dia 13 de agosto de 2018, devido a dívidas acumuladas em várias gestões. Desde então, o belo edifício de sua propriedade, permanece fechado. Dizem que a Associação reabrirá em novo endereço.


Atualmente o prédios dos Merceeiros encontra-se fechado, todo pichado e com placa de "Aluga-se" 

Algumas instituições de assistência a trabalhadores de classe encerram as atividades porque perderam suas finalidades. A Associação dos Merceeiros é uma delas. O seu público-alvo desapareceu com as novas práticas comerciais e de varejo, com o advento dos supermercados, que oferecem produtos fracionados de todas as formas. Assim, as  bodegas e pequenos comércios de antigamente foram praticamente extintos. A saída é se readaptar, identificar novo público e ampliar suas possibilidades, com novos serviços.


Fotos do Arquivo Nirez 

Publicação Fortaleza em Fotos/Fátima Garcia

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Colégios Religiosos Católicos

 Os colégios religiosos em atividade têm pontos em comum que se destacam: a antiguidade -- alguns são centenários; apenas um deles  tem menos de 50 anos de funcionamento -- e a estabilidade: funcionam em prédios próprios e no mesmo endereço. Um deles, o Imaculada Conceição é a segunda escola secundária mais antiga de Fortaleza, antes dela, só o Liceu do Ceará, fundado em 1845. Todos recebem alunos do Infantil ao Ensino Médio. Alguns deles funcionam em mais de uma unidade. 

Colégio Santa Isabel

Capela do Colégio Santa Isabel

Fundado em 1937, pela irmã Isabel Daniel, numa pequena sede na Praça São Sebastião. No ano seguinte mudou-se para sua sede atual, na Avenida Bezerra de Menezes. Vinculado à Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus. Fica na Avenida Bezerra de Menezes, 2840, São Gerardo

Colégio Santo Tomás de Aquino

O Colégio Santo Tomás de Aquino foi fundado no dia 07 de março de 1963, por iniciativa do pároco do Santuário de Fátima, Monsenhor Gerardo de Andrade Ponte, sob a denominação de Externato Santo Tomás de Aquino, contando, com apenas 52 alunos. O Colégio pertence à Paróquia de Fátima e é subordinado ao Conselho Paroquial Nossa Senhora de Fátima, sua entidade mantenedora. Localizado na Rua Mario Mamede, 750, Fátima. 

Colégio Santo Inácio

Colégio Santo Inácio fachada interna

Pertencente à Rede Jesuíta de Educação, o Colégio Santo Inácio Iniciou suas atividades educativas nos anos de 1955 e 1956 recebendo seus alunos em regime de semi-internato. No dia 1º de março de 1960, inaugurou a sua nova sede, localizada na Avenida Desembargador Moreira, 2355 – Dionísio Torres, onde permanece até os dias atuais. 

Colégio Imaculada Conceição

Colégio da Imaculada Conceição/Igreja do Pequeno Grande 

O Colégio da Imaculada Conceição funcionou a partir de 1867, num prédio construído para abrigar um hospital. Ao longo do tempo, o Colégio conquistou posição de destaque na educação das moças pertencentes a elite da cidade. Foi dirigido inicialmente por 19 irmãs de caridade, todas francesas. Entidade ligada à Ordem das Filhas de Caridade de São Vicente de Paula. Fica na Avenida Santos Dumont, n° 55, Centro.

Colégio Santa Cecilia

Sede antiga no Benfica do Colégio Santa Cecília

O Colégio Santa Cecília faz parte do Instituto das Religiosas da Instrução Cristã, congregação belga fundada em 1823 por Madre Agathe Verhelle. As religiosas Damas chegaram ao Brasil em 1896, estabelecendo-se em Olinda (PE), de onde se transferiram para Recife. Em Fortaleza, as Irmãs chegaram no início de 1952, onde vieram para continuar o trabalho de educação da juventude cearense, iniciado em 1911 por Dona Almerinda Albuquerque. Até 1959, o Colégio Santa Cecília funcionou no Benfica, e em  1960, instalou-se na Aldeota, na Avenida Senador Virgílio Távora, 2000.

Colégio Piamarta

A escola teve início no dia 25 de setembro de 1960 quando as aulas começaram com uma turma de vinte crianças, na sacristia da paróquia de Nossa Senhora de Nazaré. No ano seguinte foi iniciada a construção do prédio da escola, onde se encontra até os dias atuais, na Rua Padre João Piamarta, 161, Parreão. Estabelecimento dirigido pela Congregação Sagrada Família de Nazaré, fundada por São João Batista Piamarta.

Colégio Medalha Milagrosa

A escola surgiu em 1947, num antigo estábulo, que mais tarde foi transformado em sala de aula. Depois passou a atender crianças carentes do bairro Montese e adjacências, tendo a Sra. Adelaide Salvador como primeira professora. A Escola passa a funcionar regularmente em 1953. Entidade integrante da Rede de Educação Vicentina. Fica na Rua Padre João Piamarta, 415, Parreão.

Colégio Nossa Senhora das Graças

Sede no Benfica do Ginásio Americano 

O Colégio Nossa Senhora das Graças teve a sua origem no Benfica, com a denominação de Ginásio Americano. Em 1950, as Religiosas da Congregação das Filhas do Coração Imaculado de Maria – as Cordimarianas assumiram a direção do Colégio. Em 11 de fevereiro de 1958, transferiram-se para o bairro de Fátima, numa nova sede, a fim de atender as necessidades de novos alunos, de um bairro que nascia sob as bênçãos da Virgem de Fátima. Fica na Rua Monsenhor Otávio de Castro, 535, bairro de Fátima.

Colégio Shalon

Fundado em 13 de fevereiro de 1987, visando a educação infantil. Ao longo dos anos passou por diversas sedes e expandiu-se para os ensinos fundamental e médio. Fica na rua Oswaldo Cruz, 3401. Colégio vinculado à Comunidade Católica Shalon

Colégio Juvenal de Carvalho

Capela do Colégio Juvenal de Carvalho - 1931

O Colégio Juvenal de Carvalho, foi fundado em 26 de abril de 1933; está  completando em 2025, 92 anos de serviços prestados à sociedade cearense. O Juvenal de Carvalho é uma Unidade Educacional da Inspetoria Maria Auxiliadora e integra a maior rede católica de educação das Américas, a Rede Salesiana Brasil de Escolas. Fica na Avenida João Pessoa, 4279, Damas. 

Colégio Nossa Senhora Auxiliadora

Localizado na Avenida Imperador, 1490, Centro. Entidade da Rede de Educação Vicentina.

Colégio Salesiano Dom Bosco

 Fica na Avenida Antônio Sales, 116, bairro Joaquim Távora. Escola vinculada à Rede Salesiana Brasil de Escolas. 


pesquisa nos sites das escolas. fotos do Arquivo Nirez e da Internet

por Fátima Garcia 


quinta-feira, 14 de agosto de 2025

oficina do Urubu - Rede de Viação Cearense

  

A chegada do trem e da Estação da Estrada de Ferro Baturité representou um grande progresso para a cidade provinciana que era Fortaleza. E veio aos poucos, primeiro, uma estação improvisada, um percurso que foi sendo ampliado à medida que aumentavam os recursos financeiros e a demanda pelo transporte.

Estação João Felipe, na Praça Castro Carrera, Centro

Em 1925, já em poder da Rede de Viação Cearense, a rede ferroviária iniciou a construção de sua oficina, com projeto do engenheiro Emílio Henrique Baumgart. Era um projeto grandioso, composto de oficinas de montagem e reparação de locomotivas, reparação de carros e vagões, pintura de carros e vagões, fundição, ferraria, casa de força (termoelétrica), almoxarifado e administração. O projeto previa 12 pontes rolantes, formando um conjunto harmônico em 16 mil metros quadrados de área edificada com concreto armado

As novas oficinas da Rede Viação Cearense (RVC) foram inauguradas em 04 de outubro de 1930. O espaço estava apto para atender 125 locomotivas e 1200 carros de passageiros e carga. Foi considerada a oficina ferroviária mais completa do país, admirada por muitos como uma obra prima da engenharia nacional. Foi construída em terras do Sítio Santo Antônio da Floresta, doadas pelo coronel Antônio Joaquim de Carvalho, que tinha interesse em valorizar suas terras. O empreendimento ficou conhecido como “Oficina do Urubu” porque havia nas proximidades um grande aterro de lixo, que atraía muitas aves da espécie. A própria avenida era chamada informalmente de “Estrada do Urubu”, atualmente chama-se Avenida Francisco Sá.



Oficina do Urubu

Ao mesmo tempo que construía novas locomotivas e fazia manutenção em máquinas e equipamentos utilizados no funcionamento das locomotivas, as Oficinas do Urubu passaram a funcionar como centro de treinamento e habilitação de trabalhadores e espaço de formação de alunos aprendizes do SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial).

O Ensino profissional e Industrial foi instituído em 1937, pela Constituição promulgada no governo Getúlio Vargas, que definiu que as indústrias e os sindicatos econômicos deveriam criar escolas de aprendizes na esfera da sua especialidade. No Ceará, o nascimento do SENAI está ligado ao Centro Ferroviário de Ensino e Seleção Profissional de São Paulo. Dessa relação foi criada a Escola Profissional de Fortaleza, que tinha como diretor Antonio Urbano de Almeida, chefe das oficinas do Urubu, nomeado em 1943 administrador do SENAI Ceará. Em 1944, foi firmado plano entre a RVC e o SENAI para oferecimento de diversos cursos que foram ministrados nas oficinas da RVC.


oficina do Urubu

Assim, a nova oficina era local de trabalho, manutenção e construção das locomotivas, e espaço de formação dos aprendizes e alunos do curso do SENAI. A preocupação com a formação dos trabalhadores incluía como pano de fundo a necessidade de mão de obra qualificada para atender à crescente demanda da indústria nacional por operários, que além dos conhecimentos básicos precisavam deter, sobretudo, os conhecimentos técnicos para operar, consertar e fabricar o maquinário presente nas empresas.

Em 1951 denominou-se este complexo de Demostenes Rockert. A Rede de Viação Cearense (RVC) foi extinta em 1975, quando foi transformada em 2ª Divisão Cearense pela Rede Ferroviária Federal (RFFSA), que a havia incorporado em 1957. A RFFSA, por sua vez, foi extinta em 2007. Atualmente as antigas Oficinas do Urubu fazem parte da Ferrovia Transnordestina. Fica na Avenida Francisco Sá, 4289. 


 Fontes:

https://www.even3.com.br/anais/arte_patrimonio_industrial/220714-a-oficina-do-urubu-e-o-ensino-ferroviario--o-papel-do-senai-na-formacao-do-trabalhador-fortalezace-1928-1944/

LASTROS DE UM PASSADO INDUSTRIAL E FERROVIÁRIO EM FORTALEZA: O

PATRIMÔNIO CULTURAL EDIFICADO DAS “OFICINAS DO URUBU” TAINAH RODRIGUES FAÇANHA

file:///C:/Users/mfati/Downloads/2022_dis_trfa%C3%A7anha%20(1).pdf

https://mapacultural.secult.ce.gov.br/files/agent/27027/hist%C3%B3rico_do_museu_ferrovi%C3%A1rio_do_cear%C3%A1.pdf

https://www.ceara.gov.br/2024/01/07/museu-ferroviario-estacao-joao-felipe-e-destino-obrigatorio-para-conhecer-a-formacao-do-ceara/

Fotos Museu Ferroviário

quinta-feira, 13 de março de 2025

As Tribos indígenas representadas nas ruas da Praia de Iracema

 

Primeiro surgiu o Porto das Jangadas, um pedaço do litoral com grande concentração dessas frágeis embarcações que proviam o sustento de famílias da beira da praia. Depois virou a Praia do Peixe, que começou a ganhar importância a partir dos anos 20, com o início da construção de casas de veraneio, sinalizando o início da mudança que estava por vir. Então, por volta da metade da década, foi proposta uma mudança de nome que passaria a ser chamada de Praia de Iracema, em homenagem à índia Iracema, heroína do romance indianista, criação do escritor José de Alencar. A mudança foi aprovada por votação, com ampla maioria.

O nome ampliado para o bairro, ganhou algumas ruas com nomes indígenas, em homenagem às inúmeras nações que habitaram as terras do Ceará e do Nordeste.

O Estoril fica na Rua dos Tabajaras

Não se sabe ao certo quantos povos nativos habitavam o Ceará quando da chegada dos primeiros conquistadores. Deviam ser numerosos, sobretudo porque nativos de capitanias vizinhas fugiram para esta capitania em busca de refúgio, uma vez que o Ceará foi uma das últimas áreas do atual Nordeste a ser conquistada pelos colonos nos séculos XVII e XVIII. Quando Pero Coelho alcançou atingiu a Ibiapaba em 1603, encontrou cerca de 70 aldeias indígenas. Denominação de algumas nações indígenas, lembradas nas vias da Praia de Iracema.

O bairro Praia de Iracema nos anos 80
    

Rua dos Ararius está localizada entre as ruas Gonçalves Ledo e historiador Guarino Alves. Por volta de 1700, os Ararius viviam no alto vale do rio Acaraú, próximo a suas nascentes, na região da serra da Ibiapaba.

Rua dos Cariris está localizada entre a Rua dos Tremembés e a avenida Almirante Tamandaré. Os povos Cariris tiveram participação marcante na “Guerra dos Bárbaros”. Habitavam o sul do Ceará e o sertão pernambucano.

A Guerra dos Bárbaros foi um conflito iniciado por volta de 1680, para combater o avanço dos colonos pecuaristas sobre as terras, escravizando e expulsando os povos nativos. As tribos indígenas do Rio Grande do Norte, Ceará, Pernambuco, Paraíba e Piauí se uniram numa grande aliança para enfrentar os invasores. A guerra durou quase 50 anos, se prolongando das últimas décadas do século XVII até a segunda década do século seguinte.   

Rua dos Guanacés – fica entre as ruas dos Ararius e dos Tremembés. Os Guanacés eram indígenas que se estabeleceram nas proximidades do município de Horizonte.

Rua dos Potiguaras se encontra entre as ruas dos Tabajaras e Groaíras. Eram indígenas que no século XVI habitavam a região costeira situada entre a foz dos rios Jaguaribe e Paraíba do Norte, que compreende os Estados do Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba.

Rua dos Cariris

Rua dos Tabajaras está situada entre o mar e a rua dos Potiguaras. Os Tabajaras viviam na Serra da Ibiapaba e deram boa acolhida aos missionários portugueses na época da colonização.

Rua Tijipió fica entre a avenida Almirante Barroso e a rua Dragão do Mar. A tribo Tijipió povoava o Estado de Pernambuco.

Rua dos Tremembés está localizada entre as ruas dos Guanacés e dos Cariris.  Os Tremembés habitavam a região que hoje corresponde aos municípios de Acaraú, Itarema e Itapipoca, dentre os quais o distrito de Almofala, em Itarema, é o mais conhecido.

Travessa Tupi está situada entre as ruas Historiador Guarino Alves e Tomás Lopes. É uma homenagem ao tronco linguístico ameríndio, formado pelos povos Tupi-Guarani, Mondukuru, Juruna, Arikén, Tupari, Romarâma e Mundé. No início da colonização europeia na América do Sul, os nativos pertencentes a esse tronco ocupavam vasto território, desde o rio Amazonas até o rio da Prata.

 

Fontes:

A Praia de Iracema dos anos 50/Jaildon Correia Barbosa/Fortaleza: Premius/2010

História do Ceará/Airton de Farias/Fortaleza: Edições Livro Técnico/2009.