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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

A Seca dos Três Setes no Ceará

 


A tragédia já se anunciava desde o ano anterior. O ano de 1876 foi chuvoso durante os três primeiros meses, depois, de junho a dezembro, não caiu uma gota d’água. Em janeiro de 1877, apenas uma neblina e baixíssimos índices de pluviosidade nos meses seguintes. Em março os sertanejos já estavam alarmados e em abril, perdidas as esperanças de inverno, começou o êxodo de habitantes do sertão para o litoral.

O gado morria à falta de aguadas, as lavouras se extinguiram e a provisão de viveres, conservada como reserva de muitos sertanejos, pouco a pouco se esgotaram. De setembro em diante a fome era geral, os socorros públicos, mal administrados, não chegavam regularmente aos locais mais afetados. Quem possuía algum bem ou valor, desfazia-se dele em troca de algum gênero de primeira necessidade.

As poucas aguadas, como açudes e poços cavados nos leitos dos rios em épocas de chuvas, evaporaram-se. Mesmo as pessoas consideradas mais abastadas, receosas de ficarem bloqueadas e sem comunicação com o litoral, longe de qualquer auxílio, fugiram, abandonando suas casas, animais e fazendas. O sertão virou um deserto.

O governo, totalmente desarticulado, recusou enviar recursos para o interior, forçando desta forma, as pessoas a procurarem o litoral. O êxodo tornou-se geral. Para Fortaleza, Aracati, Sobral, Granja, Camocim e outros povoados, afluíram milhares de pessoas. Em todos esses municípios, a população, de um dia para o outro, estava multiplicada; e como faltasse casas para abrigar tanta gente, ficavam ao relento, debaixo de árvores ou amontoados em sítios estreitos. As consequências não demoraram: doenças, prostituição, vadiagem, saques, e todos os seus efeitos, que se desenrolaram frente às cidades, antes tranquilas, agora em estado de puro desespero.

O ano de 1878 chegou, e a província continuava mergulhada no caos, mas com grandes esperanças que o ano novo trouxesse de volta as chuvas que salvariam o Ceará. De janeiro a junho caíram apenas 503 mm. A última chuva foi em 26 de junho. Depois dessa data, o céu conservou-se sem nuvens, azul e límpido.

Perdidas as esperanças de inverno, o abandono do sertão foi completo; vilas inteiras, lugares antes prósperos, ficaram vazias ou com duas ou três casas habitadas, e estas mesmo porque o governo, já mudado e melhor estruturado para lidar com o problema, envidara todos os esforços para socorrê-las. (Júlio de Albuquerque Barros, foi presidente da província do Ceará, de 08/03/1878 a 02/07/1880.

Fazendas de criação, com 200, 300 e 500 cabeças de gado, ficaram reduzidas a nada. Os fazendeiros que tentaram a retirada do gado para o Piauí, acabaram perdendo para as moléstias, furtos ou extravio. Pelas estradas morreram famílias inteiras de fome e sede, e muitas que conseguiram atingir o litoral, chegaram tão fragilizadas, que caiam agonizantes pelas calçadas e praças da capital e de outras cidades que conseguiam chegar.

A emigração para o Amazonas, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo foram incrementadas, centenas e milhares de cearenses foram apinhados no convés de vapores e navios que demandavam aquelas províncias, sem o mínimo de cuidados e sofrendo toda sorte de privações.

Dos fins de 1878 até meados de 1879, uma violenta epidemia de varíola atingiu proporções nunca vistas. Em mais de um dia o número de vítimas na capital excedeu a 1000 pessoas. Muitos mortos ficaram insepultos, não havia local nem quem realizasse os sepultamentos. Havia então na capital cerca de 180 mil pessoas, 100 mil em Aracati, e na mesma proporção, nas localidades próximas à Fortaleza, como Pacatuba, Arronches, Granja e Camocim.

Havia esperança de que o ano de 1879 viria a por termo a tanto sofrimento, mas foi só mais um ano de terríveis provações. Como pouco ou nada restava no interior, a seca não teve grande repercussão. A atenção se concentrou na capital, nos auxílios do governo, na acomodação dos emigrantes, na busca de soluções.


A população ficara reduzida talvez em um terço; cerca de 100 mil pessoas haviam falecido ou emigrado; o governo gastara 72 mil contos, fora os subsídios da caridade particular. A província ficou arruinada, sua principal atividade econômica, a criação do gado, quase foi extinta; a população ficou dispersa e reduzida; a flora e a fauna desapareceram em grandes áreas; só Fortaleza aumentou a população devido em parte ao fluxo de emigrantes e ao desenvolvimento do comércio.

As esperanças se renovaram com a chegada de 1880. Os dois primeiros meses foram desanimadores, o de março foi pouco chuvoso, em abril choveu bastante. A grande seca terminara.


Fonte: Documentos: Revista do Arquivo Público do Ceará: Ciência e Tecnologia/Arquivo Público do Ceará, v 1 – 2005/Fotos Memorial da Democracia e ANPUR.

quinta-feira, 4 de julho de 2024

O Bispo de Sobral: pela moral e os bons costumes

centro de Sobral (imagem internet)


A edição do jornal "O Correio", do dia 9 de outubro de 1919, inicia uma severa campanha pela moralidade em Sobral, protestando contra a prostituição na cidade, pedindo “saneamento radical contra o meretrício”, o que resulta em grande polêmica com o juiz Clovodeu Arruda, de ponto de vista bem mais flexível no assunto. O juiz via as prostitutas, a maioria oriundas de famílias muito pobres, como válvulas de escape da sociedade, pela proteção que ofereciam às moças ricas, menos assediadas pelos noivos e namorados, uma vez que eram bem atendidos na zona.

O jornal ainda denuncia os abusos cometidos por moças indecentes, danças provocantes como tango e o foxtrote, filmes que estimulam o lenocínio e o adultério, revistas e romances obscenos. Chama a atenção para a inércia das autoridades em punir os responsáveis por tais divulgações, e ignorar os endereços das decaídas, presentes em quase todas as travessas da cidade.

O jornal culpa a tecnologia a serviço do pecado, e responsabiliza “esses cobiçados automóveis, as tantas casas de pasto, lanternas elétricas que permitem a alguns galgar muros e telhados pelas misérias que nos envergonham e aviltam”. Ressaltava que senhoras e moças de mangas curtas ou vestidos decotados não deveriam ir às igrejas, receber sacramentos ou amadrinhar inocentes, bem como o uso de saias evasês e cabelos à la home.  

A campanha contava com o apoio do próprio bispo Dom José, que em artigo publicado no dia 22 de janeiro, dirige suas críticas aos hábitos das fiéis: “na igreja, a moça sobralense é só e toda de Deus; se por acaso lhe acode ao pensamento  a imagem do seu preferido, é só e para entrega-lo a mais e mais aos bons cuidados da Previdência Divina.”

Do outro lado, Deolindo Barreto, que durante muito tempo pusera seu jornal "A Lucta", a serviço do bispo, já se desentendera com ele por causa da campanha eleitoral. Por isso, dá vazão a seu espírito galhofeiro na matéria “JB pede noiva”

“tendo os virtuosos diretores da Igreja nesta cidade proibido as senhoritas de irem aos bailes, teatro, futebol, avenida e que os homens nos templos olhem para as mesmas...”

Apesar do olhar atento da igreja, o povo se divertia para valer, fosse no Grêmio ou  no Clube dos Democratas, nos passeios de bonde da estrada de Ferro até a Avenida da Cruz das Almas, e até em canoas, quando o Acaraú invadia a cidade, apesar do medo do inferno, e da vigilância do bispo, que ameaçava os pecadores. Inclusive porque, nem todos os padres pareciam concordar com tais crenças, e sempre apareciam alguns arranjos discretos, onde nasciam "sobrinhos", que mesmo não sendo oficialmente reconhecidos, eram assistidos financeiramente pela vida afora.

E havia muitos casos, uns escondidos, outros de domínio público que caíam na boca do povo e desautorizava a rigidez moral do bispo. Havia o caso do padre José Palhano, que tinha fama de conquistador e era acusado de receber a visita de amigas, altas horas da noite. A reputação do padre não chegou a ser afetada, nem mesmo depois da manchete do jornal "Diário do Povo", de Jáder de Carvalho, apontando o padre como protagonista de animados encontros amorosos em apartamento do Excelsior Hotel em Fortaleza. Muito menos pela agressão praticada contra um rapaz da sociedade, que queria namorar uma moça por quem o padre nutria uma paixão.

Ficou na lembrança de muitos a história do rapto de uma moça pelo então vigário de Coreaú. Os irmãos dela perseguiram o casal e testemunhas descreveram a figura do padre em fuga, "a batina negra esvoaçando ao vento, a cavalo, levando a noiva na garupa"; de repente estaca, no meio da estrada, saca o revolver e corre para fugir dos tiros desferidos pelos futuros cunhados.

Houve ainda o caso da diretora da Pia União das Filhas de Maria, moça de virtudes tão reconhecidas que, por autorização do bispo, mantinha em sua casa um gabinete espiritual para dar consultas gratuitas sobre assuntos religiosos. Era tamanho o respeito que desfrutava, que uma vez recebeu o encargo de preparar um jovem aspirante a seminarista, rapaz bronco de espírito, mas de bela compleição física. Em meio às aulas de religião, a carne falou mais alto. E a beata ao invés de colocar o jovem cristão nos assuntos divinos, encaminhou-o para sua cama. Casaram-se às pressas.

Alheio aos fatos, o bispo fechado em seus conceitos de céu/inferno, continuava firme contra a luxúria de seus fiéis. Homens não podiam entrar no Colégio Sant’Ana, a não ser padres ou professores idosos. As integrantes da irmandade “Filhas de Maria” sofriam ao serem obrigadas a vestirem roupas que lhes cobriam o corpo todo, naquelas altas temperaturas, sob o sol ardente de Sobral. O vestido era de mangas compridas e as meias iam até os joelhos; tinham ainda de usar combinação que cobrisse até três quartos do braço. Além disso não podiam frequentar nem o sereno das festas.


Santa Casa de Sobral (imagem blog Sobral na História)

Colégio Sant'Ana (pinterest)


As senhoritas da sociedade encontraram uma saída para driblar as exigentes normas da igreja: inventaram umas mangas removíveis que cobriam os braços, apenas quando estavam na igreja. Ao saírem se descobriam, fugindo do calor insuportável.

Conta-se que Dom José resistiu bravamente à instalação do Rotary e do Lions Clube. Quando finalmente concordou que o Lions fosse fundado na cidade, estava já bem idoso. Recebeu uma comitiva formada por dirigentes da entidade e foi convidado a assistir à primeira reunião. A certa altura, para lisonjeá-lo, um dos visitantes disse que o bispo mandava na cidade. ao que Dom José respondeu 

– mando nada, quem manda é a Chica Agostinha. Fecho o cabaré dela na quarta e ela reabre no sábado.

 


Por mais de 50 anos Dom José – José Tupinambá da Frota  (1882 – 1959) – moldou Sobral à sua imagem e semelhança. Num extremo da cidade, edificou em dez anos de luta, a Santa Casa de Misericórdia, o melhor hospital da região; no outro fundou o Seminário, cujas acomodações abrigam a Universidade do Vale do Acaraú; montou o Colégio Sobralense para rapazes. Para viabilizar a Colégio Sant’Ana, cedeu o palácio episcopal, destinado a educação feminina, antiga residência do Senador Paula Pessoa. Instalou o Abrigo Coração de Jesus para acolher a velhice desamparada. Montou o Banco Popular de Sobral, depois BANCESA. Fundou o Correio da Semana e o Museu Diocesano.

Não contente com tudo isso, escreveu a história de Sobral. Nada passou despercebido ao gênio realizador de Dom José. Viveu e morreu se defendendo dos que lhe apontavam a ostensiva militância político-partidária.

 

Extraído do livro: Clero, Nobreza e Povo de Sobral, de Lustosa da Costa. Rio – São Paulo – Fortaleza: ABC Editora, 2004.     

sábado, 29 de setembro de 2018

A Arquitetura dos Sertões

Icó - Igreja de Nossa Senhora da Conceição do Monte

A luta dos povoadores no interior contra as várias nações indígenas, foi homérica. Trazidos pela esperança de encontrar campos de boas pastagens para a criação de gado, pois a região não oferecia as tentações dos latifúndios açucareiros, nem do ouro ou diamantes. Esses povoadores vinham da Paraíba, Pernambuco e de Alagoas, pelo sul, espraiando-se nas ribeiras ou vales dos rios, rumo da costa. 

Assim, o povoamento se fez do interior para o litoral. Fundaram as primeiras povoações que mais tarde, se tornariam vilas e cidades: Crato, Lavras da Mangabeira, Cachoeira, Icó. Ocuparam a região do Banabuiú, do Quixeramobim, e do Jaguaribe pelo curso do qual vieram até Aracati, quase na foz. Dali se espalharam para outros pontos do território.

O gado marchava à frente deles. Tomavam conta das terras e levantavam a casa grande de taipa da fazenda. Cercavam-se de agregados e vaqueiros, geralmente índios ou mestiços. Tinham poucos escravos, os necessários aos serviços domésticos. Dominavam como verdadeiros senhores feudais e, às vezes guerreavam entre si. Assim, iam se apoderando dos sertões imensos. E esses desbravadores escreveram o chamado Ciclo do Gado.

Em todos os ciclos da história brasileira, é a religião quem inspira e norteia a arte, pois é nas igrejas, capelas e conventos que ela se sublima. Os solares, os edifícios civis ou militares, sempre ficam em segundo plano. O Ciclo do Açúcar povoa de mosteiros e templos, a Bahia e Pernambuco. O Ciclo do Ouro coroa os montes de Minas Gerais com as capelas e igrejas, recheadas de talhas douradas. A arte do Ciclo do Gado é a mais humilde, toda a sua arquitetura se faz, pela falta da pedra apropriada para a obra, em simples alvenaria, na qual se executa uma ornamentação própria. Nem esculturas, nem cinzeladuras, nem obras de talha, nem ouro, nem mármore e nem azulejos. Os artistas anônimos obtêm com linhas, na combinação ingênua das curvas e dos ornatos rectilíneos, os efeitos decorativos.

Até agora, pouco se pesquisou sobre essa arte escondida, filha da pobreza dos sertões nordestinos e por isso, talvez, mais cheia de sentimento e de humanidade. Pouco se sabe ou mesmo nada se sabe sobre os seus autores. No entanto, onde ainda não foram desfiguradas, as suas construções de pedra e cal, ornamentadas com volutas e arrecadas de simples reboco, se mostram como documento vivo, de um passado absolutamente brasileiro, sem nenhuma influência do aventurismo interesseiro do diamante ou da produção de açúcar, que atraiu o holandês às nossas plagas e quase deixa em suas mãos heréticas, uma bela parte do velho Brasil. 

Com relação aos templos do sertão, segundo o professor Liberal de Castro, em boa parte, as igrejas paroquiais e outras igrejas de porte, iniciadas no século XVIII conheceram posterior conclusão. Sempre edificadas de modo parcelado, geralmente tinham como núcleo gerador pequenas capelas de fazendas ou de missões, ampliadas por sucessivos acréscimos. Essas adições tendiam a busca de um traço oitocentista, conseguida com uma planta final de desenho retangular, na qual a pequena capela primitiva, absorvida pelo conjunto, se transformava na capela mor da igreja ampliada.
Nesse processo de seguidos acréscimos, são raras as exceções, identificando-se como obras integralmente executadas no século XVIII, apenas a Igreja de Nossa Senhora da Assunção, em Viçosa do Ceará (iniciada em 1695), e a Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Almofala (primeira metade do século XVIII).

A Igreja de Almofala, localizado no norte do Estado, erguida perto do mar por uma irmandade local, encontra-se atualmente descontextualizada de sua ambientação original. Permaneceu quarenta anos soterrada pelas dunas, quando ressurgiu por força dos mesmos ventos que a haviam sepultado. Ao que se supõe, obedeceu a projeto de feição barroca, vindo da Bahia, com torre filiada às do convento lusitano de Mafra. 


Igreja de Nossa Senhora da Conceição de  Almofala 

A Igreja de Almofala foi concluída em 1712, levantada pelas antigas missões jesuítas sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição.

Na primitiva igreja da missão Jesuítica na Ibiapaba, praticamente refeita no século XIX, restaram talvez somente uma das torres e a capela-mor, em cujo forro subsiste um magnífico conjunto de doze painéis pintados com alegorias barrocas, dedicados às virtudes capitais e cardeais e aos sentidos humanos.


Igreja de Nossa Senhora da Assunção de Viçosa do Ceará

A mais antiga do Estado, construída pelos jesuítas, entre 1695 e 1700. Na época, os jesuítas catequizavam os índios Tabajaras e, para atraí-los à fé católica, esculpiram a imagem de Nossa Senhora da Assunção à imagem e semelhança das mulheres daquela etnia. Ao longo dos anos, a igreja – em estilo barroco e fachada eclética – foi sendo reformada e descaracterizada, perdeu o altar do coral, e houve a inclusão de cerâmicas em seus interior e pedras na fachada.

Muitas igrejas, embora guardassem nas fachadas traços de um barroco sertanejo, muitas tiveram seus espaços alterados por introdução de arcaria interna, por influência do plano matriz da capital. Filiam-se a essas expressões formais mistas, a Sé de Sobral, de Nossa Senhora da Conceição da Caiçara, a matriz da Expectação, em Icó, a Igreja do Rosário em Aracati, a matriz do Rosário, em Tauá, a de São José, na Granja e em Aquiraz, da Palma, em Baturité, de Santo Antônio, em Quixeramobim. Muitas dessas igrejas cearenses, mostram-se prejudicadas pelo desenho oitocentistas das torres, quase sempre piramidais, por vezes com perfis desproporcionais e até grosseiros. São elas:
    
Aquiraz – Igreja matriz de São José de Ribamar 

foto de Muhammad Said


Construída no século XVIII, por volta de 1713, é a segunda igreja mais antiga do Ceará. O templo apresenta ecletismo no estilo, predominando os traços barrocos e neoclássicos, frutos das várias modificações que passou ao longo dos anos. Alguns detalhes, ainda originais, impressionam por sua beleza e requinte. São eles, dentre outros; As três grandes portas almofadadas da entrada principal, o púlpito de madeira lavrada e os painéis pintados no forro da capela-mor, os quais provavelmente foram obras de índios catequizados. Destaca-se no nicho central do altar-mor a imagem do padroeiro São José de Ribamar, calçado de botas, relembrando o bandeirante audaz. O templo tem a planta em forma de retângulo, a coberta em telha canal com madeiramento aparente, sem forro na nave. Teve sua coberta e madeiramento recuperados em 1980, frente ao precário estado em que se encontravam. Apresenta em elevação, duas torres quadrangulares encimadas por pirâmides de base octogonal. Seu desenho é muito simples, mostrando “uma herança plástica das primeiras capelas nacionais de origem jesuítica, espalhadas por todo o Brasil e que teriam como provável fonte nordestina, a Igreja da Graça em Olinda.

Sobral – Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Caiçara
Igreja da Sé

Construção iniciada em 1746. Esta igreja, embora simbolicamente muito importante para a região, não teve uma construção muito sólida, pois com apenas 14 anos de construída já ameaçava ruir. Em 1762, por razões de segurança, foi demolida a capela mor e no ano de 1778 foi levantada ao seu lado a nova matriz que perdura até os dias atuais. À época da construção, Sobral já era uma próspera vila, e a igreja ficou conhecida como a Matriz da Caiçara. Sua história se funde com o povoamento de Sobral. A Matriz mistura elementos do estilo tardo-barroca (ou rococó) com acréscimos decorativos como movimento ondulatório nas cornijas, os frontões altos, tratamentos em relevos esculpidos e coroagem com bulbosos das torres. No pórtico frontispicial a construção tem acabamentos com acervos de pedraria em lioz, vindos de Portugal. Segundo Liberal de Castro, a Sé de Sobral conta com o frontispício mais elegante do Ceará. 

Icó - Igreja de Nossa Senhora da Expectação


O templo é a construção mais antiga de Icó, datada de 1709. Em 1728 passou a ser chamada de Nossa Senhora da Expectação do Icó, e mais tarde, apenas Igreja de Nossa Senhora da Expectação. Nas igrejas cearenses há raríssimos casos de sacristias perpendiculares ao eixo da igreja, como ocorre na Matriz da Expectação do Icó. O espaço interno sofreu alterações, como a abertura de arcadas para os corredores laterais. A igreja ainda conserva o sacrário original em talha, a prataria e imagens antigas. O retábulo original, entalhado por António Corrêa d’Araújo, natural da freguesia de São Miguel de Seide, já não mais existe.

Aracati – Igreja do Rosário


A Igreja de Nossa senhora do Rosário dos Brancos é uma construção dos primeiros anos do século XVIII, concluída na segunda metade do século XIX.  Segundo o livro da Irmandade do Santíssimo Sacramento, uma capela deu origem à igreja. Era coberta de palha, tinha a fachada de tijolos e as paredes laterais de taipa. Em sua estrutura física encontra-se uma porta central ladeada por duas outras entalhadas a ponta de faca e com almofadas em relevo. Na fachada podem-se observar os sinos, o relógio carrilhão e o registro da data de sua edificação escrita em romanos o ano de 1785. Seu interior é rico em obras de talha e imagens.  A exemplo da grande maioria das igrejas cearenses, a igreja de Nossa Senhora do Rosário se insere na lógica da organização espacial dos templos religiosos brasileiros com herança lusitana. A planta retangular apresenta nave central com corredores laterais que dão acesso à sacristia e ao consistório. Ao contrário da maioria das igrejas cearenses, a planta da Matriz do Aracati não foi alterada com a introdução de aberturas em arcos nas paredes dos corredores laterais que dão para a nave central. Como outras igrejas do Ceará, possui uma única torre, decorrente da falta de meios para a construção da segunda. A fachada é alinhada por cunhais e as três portadas marcadas com um trabalho de arenito baiano. Um frontão triangular com linhas curvas e volutas arremata o corpo principal da igreja. 


Tauá – Igreja do Rosário

foto do site férias tur - fotógrafo Aragão 


Situada à margem esquerda do rio Trici, a Igreja matriz de N. Sra. Do Rosário foi construída em 1762 e, em volta dela, cresceu a cidade de Tauá. Situada em terreno mais elevado, ainda se destaca na paisagem urbana, como ponto focal da Praça Dr. Alberto Feitosa lima. De desenho simples, com poucos ornamentos, a edificação possui planta retangular, nave principal e naves laterais ligadas à capela-mor por arcos plenos, possivelmente acrescidas em época posterior. Separando a nave principal das duas laterais, grossas paredes de 1,00m de espessura, formam quatro arcos plenos com detalhes em alvenaria de cada lado. Os altares são trabalhados em alvenaria e sobre a nave principal, existe uma abóbada em pedra bruta, característica marcante da construção, que a distingue das demais da região. A imagem da padroeira, no altar principal, foi importada de Portugal ainda na época da colônia. O forro do altar é executado em madeira, pintado de azul com detalhes na cor prata. A igreja não possui coro, destacando-se a abóbada da nave como significativo elemento arquitetônico do templo. 

Granja – Igreja de São José


foto Wikimedia Commons

A primitiva matriz de Macaboqueira (atual Granja) foi inaugurada no dia 8 de setembro de 1759, em louvor a São José. No dia seguinte foi criada e instalada a Confraria ou Irmandade do Santíssimo Sacramento. Ao longo dos anos passou  por várias reformas e ampliações. No ano de 1879, aproveitando a mão de obra de milhares de retirantes que se refugiaram em Granja, na grande seca de 1877/79, o templo passou pela maior das reformas: foram abertas 6 arcadas do corpo da igreja, e mais duas portas da frente, por existir somente uma, a principal; foram feitos os dois corredores, as tribunas soalhadas, as grades, soalhos e forrado o corpo da igreja; limparam e montaram todo edifício; colocaram grades de ferro e vidraças nas janelas do coro, reformaram o frontispício, colocaram nele cruz de ferro, relógio e construíram o patamar, dando tudo por concluído no princípio de 1880, quando terminou a terrível seca. 

Baturité – Igreja da Palma


O templo foi construído em meados do século XVIII, quando da fundação da antiga Vila Real de Monte Mor o Novo d’América, atual cidade de Baturité. Com arquitetura em estilo bizantino gótico com predominação no barroco, a igreja venera a padroeira Nossa Senhora da Palma, desde a criação da freguesia a 8 de maio de 1758. Em 1824, durante a adesão de Baturité ao movimento revolucionário conhecido por Confederação do Equador, a Matriz virou barricada, por ser o maior prédio do lugar. Um dos chefes do movimento, Tristão Gonçalves enviou 180 barris de pólvora, 220 carros de granadeiros, 3 barris de chumbo, um quintal de ferro e uma roda de aço, ficando toda essa carga guardada na Igreja Matriz, em cuja porta estavam sentinelas armadas. A igreja dispõe de duas naves, sete altares, três sinos e um grande relógio público. Comporta até 3 mil pessoas. No seu interior há ilustrações de cenas bíblicas em pintura a óleo, em estilo clássico, executadas por artistas da região. Hoje, a Matriz, encontra-se bastante modificada no seu interior. As reformas não respeitaram suas características originais, mas a população orgulha-se de seu templo bicentenário. A edificação encontra-se em lugar privilegiado, no centro da cidade, na  Praça da Matriz.

Quixeramobim – Igreja de Santo Antônio

foto Flick - Consuelo Lima

Foi fundada em 1755, pelo portuense capitão Antônio Dias Ferreira, que situando naquelas terras sertanejas, sua Fazenda de Santo Antônio do Boqueirão, logo tratou de erigir nas proximidades da sua casa, em 1730, uma pequena capela sob invocação de Santo Antônio de Lisboa ou Pádua. Vinte e cinco anos mais tarde, a capelinha arruinada era substituída pela igreja que seria a matriz da futura cidade, construída pelo mesmo Antônio Dias Ferreira, homem devoto, solteiro e dono de grande fortuna. Mas não teve o fundador da fazenda Boqueirão, e da Igreja de Santo Antônio, a ventura de ver esse templo elevado à categoria de matriz, a 15 de novembro de 1755. Falecera um ano antes, deixando as obras por terminar. Estas somente vieram a termo no ano de 1770, quando já criada a freguesia sob a direção do capitão João Francisco Vieira. Com suas duas torres e o frontispício neoclássico, a atual matriz de Quixeramobim conserva a estrutura fundamental da construção barroca do século XVIII, quando tinha uma única torre e o seu frontão ascendia em curvas simétricas. Mudou bastante sua forma; mas a alma do templo quase três vezes centenário continuou a mesma. 


A Capitania do Ceará não conheceu conventos ou instalações similares, que representaram centros valiosos de difusão da arte barroca no Brasil. O fato, aliado à pobreza da terra, justifica a ausência de obras realmente barrocas no Ceará. A Companhia de Jesus, a única ordem religiosa a se estabelecer arquitetonicamente no Ceará, permaneceu por tempo relativamente curto, com ação reduzida a conjunto missioneiros marcados por arquitetura efêmera. Como obra de vulto dos jesuítas, restaram apenas a já mencionada Igreja da Senhora de Assunção, em Viçosa do Ceará, praticamente refeita no século XIX, e as ruínas de um hospício em Aquiraz, fundado em 1717 e demolido em 1854, por ordem dos bispos de Olinda.   


Fontes:
Arquitetura no Ceará, o século XIX e algumas antecedências de José Liberal de Castro – Revista do Instituto do Ceará – 2014
À Margem da História do Ceará, de Gustavo Barroso - Imprensa Universitária do Ceará - 1962
fotos IPHAN e IBGE 



terça-feira, 30 de agosto de 2016

Acaraú - Fatos e Histórias Interessantes

Clube recreio Dramático Familiar, atual Biblioteca Pública Poeta Manoel Nicodemos

O Milagroso Feiticeiro

Viveu no Acaraú, nos idos de 1840, um pernambucano que desfrutava de enorme prestigio em toda a região. Era detentor de raro poder: curava mordedura de cobra. Não falhava nunca, por mais feroz que fosse o ofídio.

Religioso, meio profético, já em idade avançada, o curandeiro João Saldanha Marinho tinha o seguinte procedimento: ao portador que vinha pedir ajuda para alguém atacado por cobra ou outro animal peçonhento, entregava um objeto do seu uso (chapéu, uma peça de roupa, chinela, etc) e aconselhava: – menino, põe isto sobre o doente e ele ficará curado.

Quando lhe era possível lá se ia pelo mundo afora, ver o paciente. Diante do moribundo já sem esperanças, mordido de Cascavel, com febre alta e falando coisas desconexas, o velho pegava no pulso, fazia trejeitos, fechava os olhos, tremia e exclamava:  “levanta-te homem, nada temas. Caminhas, estás curado! ”.

O fato era contado por uma enorme legião de pessoas de destaque da região, até o padre afirmava que era verdade.

Rua D. Pedro II (1948)

O Médico da Lagoa do Mato

Nos tabuleiros do Acaraú, vivia um famoso curandeiro de nome Diogo Lopez de Araújo Costa. Nunca casou, mas em épocas diversas, conviveu com 7 mulheres que lhe deram 35 filhos que lhe fizeram a tradição. Ganhou fama de curandeiro depois de realizar curas milagrosas, sem nenhuma explicação da ciência.

Ficou cego aos 40 anos, mas continuou fazendo curas admiráveis. Morava na região de Lagoa do Mato, em casa vasta e hospitaleira, onde fundou um hospital no qual atendia muita gente, algumas vindo até dos longínquos sertões do Piauí. Tinha um dom quase sobrenatural para a cura de enfermidades: davam-lhe o pulso, e o famoso curandeiro Diogo ao ouvir as pulsações, identificava o mal que atormentava o paciente. Passava uma medicação, e em poucos dias, o doente estava pronto para outra.

O Imposto de Sobral

Igreja Matriz de N. S. da Conceição em Sobral

 Igreja Matriz de N. S. da Conceição em Acaraú

Um dos grandes negociantes da época das charqueadas da região era o capitão José Monteiro de Melo. Naquela época era homem de vastas posses, por isso, gozava de muito prestígio nas redondezas. Em 1806, uma febre lhe pôs fim a existência.  Crente fervoroso, o capitão deixou o melhor do seu patrimônio para Nossa Senhora da Conceição, padroeira da freguesia.

A notícia chegou a Sobral, causando grande alegria ao vicariato daquela cidade. Era um grande patrimônio: uma légua de terra (antigamente a medida era maior), com algumas benfeitorias, tudo adquirido do padre Basílio Francisco dos Santos, pelo preço de um conto e duzentos, pagos na melhor moeda portuguesa da época.

Os anos se passaram. Em 1822 é criada a freguesia de Acaraú. Sobral, porém, continuou por muitos anos usufruindo o lucro do patrimônio paroquial, até que em 1908, o padre Antônio Tomás, diligente e culto vigário local, rebelou-se contra o fato: não mais pagaria à freguesia de Sobral aquilo que pertencia a Acaraú por direito legítimo.

Padre Antônio Tomás

Foi um Deus-nos-acuda: houve reboliço, protesto, zanga, mas o festejado poeta não arredou pé. Foi mais longe. Consultou a população de Acaraú e levou a questão adiante. Enviou petição ao Arcebispo Núncio Apostólico do Brasil. Diante da exposição de fatos, não houve outra saída: D. Alexandre Barona concordou com o Padre Antônio Tomás e enviou resolução ao bispo do Ceará, D. Joaquim José Vieira. A uma coisa apenas ficava Acaraú obrigado, pagar uma indenização de três contos de reis à paróquia de Sobral.

Como acentua o historiador Nicodemos Araújo, ilustre filho de Acaraú, foi um grande serviço prestado pelo saudoso poeta à sua terra querida, por ele decantada no magnífico soneto “Acaraú”.  

fonte: Anuário do Ceará 
fotos: IBGE e O Povo 

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Sobral, a Princesa do Norte



Boulevard do Arco 
imagem: http://blogdafolha.blogspot.com.br/2012/07/sobral-real-e-distinta.html

A cidade de Sobral surge nas margens  do rio Acaraú, caminho natural das terras sem fim do vale do Acaraú, onde se ergueram, com o correr dos anos, na quadra da conquista do Siará Grande, arraiais, povoados e vilas, mais tarde transformadas em cidades.
Dizem os historiadores, baseados em documentação irrefutável, que a região foi povoada por famílias que vieram ter ao Ceará acossadas pelos atropelos  da guerra contra os holandeses. Um dos primeiros núcleos então formados foi localizado nas proximidades do riacho Guimarães, que em 1712, já possuía uma capela.
Em 1735 o Alferes Lourenço Guimarães de Azevedo, fundador do povoado, doava cem braças de boas terras ao patrimônio da capelinha, tendo em vista que o padre visitador, Lino Gomes Correia havia afirmado que, ou se doaria patrimônio à capela, ou a freguesia ficaria interditada.
Afora esse povoado, outro arraial, o de São José, se formou nas proximidades do local onde iria surgir a cidade de Sobral. Destes dois núcleos partiu o povoado de todo o vale do Acaraú, através do trabalho agrícola, do estabelecimento de fazendas de gado e da indústria da carne-de-sol (charque), muito comum nas redondezas. 

Rua de Sobral - 1924

De uma das grandes propriedades que se ergueu com cerca de pau a pique, enorme casarão e com centenas de empregados, nasceu a cidade de Sobral. Corria o ano de 1740. Em torno da casa grande da fazenda Caiçara, de propriedade do capitão Antônio Rodrigues Magalhães e sua mulher D. Quitéria Marques de Jesus, começou  a se formar o arraial. Foram surgindo pequenas casas de taipa.
Em 1742, o padre visitador vindo da povoação de São José, demorou-se na fazenda Caiçara e, diante da prosperidade do lugar, resolveu que ali deveria ser a sede do Curato de Acaraú, por ser mais ou menos o seu centro, sendo então edificada uma igreja.

 Matriz da Conceição, hoje Catedral da Sé 

Em 1746 o padre Antônio Carvalho Albuquerque dá início ao novo templo em louvor a N. S. da Conceição  e que seria a matriz do curato.  Em 1746 foi o padre Dr. João Ribeiro Pessoa, mandou edificar a Igreja matriz, hoje catedral, ao lado do antigo templo.  As obras foram iniciadas em 1778, com a mão-de-obra de índios tapuias, enviados de Viçosa.
A Carta-Régia de 22 de julho de 1776 determina ao governador geral de Pernambuco que se criasse mais uma vila no Siará Grande e que esta fosse localizada na povoação de Caiçara, que passaria a se chamar de Vila Distinta e Real de Sobral. A instalação ocorreu no dia 5 de julho de 1773, com território desmembrado de Fortaleza.  

     Câmara Municipal de Sobral

Sobral sempre participou dos movimentos cívicos e políticos de maior expressão  registrados no Ceará. Em 1817, quando o sul da província se agitava em torno das ideias republicanas, reflexo do levante pernambucano  de 6 de março, a Câmara de Sobral por seus membros, Francisco Joaquim de Sousa Campelo, Antônio José de Faria, Cristóvão Moreira Pontes, Custódio José Correia da Silva e Antônio Januário Linhares, dirigiu ofício ao governador da Capitania, Manuel Inácio de Sampaio, em que reafirmava os votos de fidelidade ao Império.
O movimento revolucionário que eclodiu em Pernambuco em 2 de julho de 1924, com o nome de Confederação do Equador , já havia lançado suas raízes no Ceará. Tanto é que, em Fortaleza, José Pereira Filgueira, comandante das armas, falando ao povo na Praça do Conselho (atual Praça da Sé), propusera a demissão do Presidente Costa Barros, que se retirou do governo após lavrar um protesto contra o acontecido. A escolha para seu substituto provisório recaiu sobre o tenente-coronel Tristão Gonçalves de Alencar Araripe.
Através de mensagens às Câmaras do Interior, Tristão Gonçalves  conclamava a população a aderir à ideia de formação de um governo confederativo das Províncias do Norte. Em Sobral, o Senado da Câmara se recusa a aprovar o projeto de constituição apresentado pelo Imperador, fazendo-lhe ver  que os cidadãos de todas as classes, decidiram não aceitar o projeto por contrariar os direitos e interesses do povo brasileiro. Aceitando a proclamação que Tristão Gonçalves fizera, a Câmara de Sobral a ela aderiu, voltando, entretanto, a jurar obediência ao imperador.


 prédio da Prefeitura em 1924

O presidente José Martiniano de Alencar chega a Sobral em 1° de dezembro de 1840, acompanhado de alguma força, com o objetivo de convencer o tenente- coronel  Francisco Xavier Torres e entregar o comando da força pública, a fim de evitar uma revolta das tropas ali sediadas para combater os balaios.  Na noite de 11 de dezembro o palacete do Senador Francisco de Paula Pessoa, onde se hospedara  José de Alencar, foi alvejado pela fuzilaria da tropa de Xavier Torres, entrincheirada no sobrado de Domingos José Pinto Braga, na mesma rua. Depois de várias horas de combate, triunfou a tropa governista, entregando-se o chefe do levante, Xavier Torres, a 10 de janeiro, nas proximidades de Baturité, ao coronel Antônio Barroso de Sousa, que o perseguia com numerosa tropa.



  Rua Senador Paula, durante a enchente de 1924 

A Vila de Sobral foi elevada à categoria de cidade em 12 de janeiro de  1841, com o título de Fidelíssima Cidade Januária do Acaraú (Lei 229 da mesma data sancionada pelo presidente José Martiniano de Alencar). O sucessor de Alencar, após um ano, mandou voltar o antigo topônimo Sobral (Lei 244 de 25 de outubro de 1842).
Sobral é sede de bispado desde 1915 instituído pela Santa Sé por decreto de 10 de novembro, sendo seu primeiro titular D. José Tupinambá da Frota, sobralense, sagrado em Salvador, Bahia, em 29 de junho de 1916.
Em divisão territorial datada de 2005, o município é constituído de 13 distritos: Sobral, Aprazível, Aracatiaçu, Bonfim, Caioca, Caracará, Jaibaras, Jordão, Patos, Rafael Arruda, Patriarca, São José do Torto e Taperuaba.  

 Enchente do Rio Acaraú em 1924

Demografia:
População (estimativa 2012) – 193.134 habitantes
População (Censo 2010) – 188.233 habitantes em 59.981 domicílios
Total de homens (2010) – 91.462
Total de mulheres (2010) – 96.771
Densidade demográfica (2010) – 88,67 hab/km²
Geografia:
Área do território – 2.122,989 km²
Clima – tropical quente semiárido e tropical quente semiárido brando com chuvas de janeiro a maio. 
Relevo – planície fluvial, depressão sertaneja e maciços residuais

Limites: Norte: Alcântaras, Meruoca, Massapê, Santana do Acaraú,
Leste: Miraíma, Irauçuba,
Sul: Santa Quitéria, Forquilha, Groaíras, Cariré,
Oeste: Mucambo, Coreaú   
Distância até Fortaleza – 240 km

fontes:
Enciclopédia dos Municípios Brasileiros - IBGE/1957
Anuário do Ceará 2013
fotos do IBGE e Arquivo Nirez