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terça-feira, 26 de maio de 2026

A VelhaTatajuba: Uma Vila sob a areia

 A Vila de Tatajuba, localizada no município de Camocim, a cerca de 350 km de distância da Capital, visitada por centenas de pessoas todos os dias, destino turístico daquela parte do litoral oeste do Ceará, não é a vila original. Sob as areias quentes da antiga Vila, distante algumas centenas de metros da atual, estão as ruínas de dezenas de casas de pescadores e de moradores de uma comunidade tradicional que foi soterrada por dunas móveis, abundantes naquela região. O fenômeno ocorreu entre os anos 1970 e 1980.


Igreja de São Francisco, na Velha Tatajuba, durante o soterramento

A vila foi construída no início do século XX, numa área de dunas móveis que se movimentam naturalmente. Foi soterrada paulatinamente, porque foi construída numa área de dunas, caracterizada pelo deslocamento da areia, devido ao vento forte e constante e a ausência de vegetação.

Quando o processo de soterramento teve início, a então Vila de Tatajuba era um lugarejo em franco desenvolvimento, com igreja, escola, posto policial, posto de saúde e alguns comércios. Não se sabe ao certo o número de moradores atingidos, mas sabe-se que à época a vila tinha mais moradores do que a antiga Vila Serrote, atual Jericoacoara.





A igreja foi a primeira a sentir os efeitos da ação do vento. Diariamente os fiéis retiravam do seu interior, uma fina camada de areia que cobria a nave e o altar. Depois o processo foi se acelerando e todos os objetos foram sendo retirados, imagens, bancos, sino e outros objetos. Em seguida, a escola, o posto de saúde e dezenas de casas também desapareceram, em uma das ocorrências naturais naquela região do Ceará, a exemplo do já ocorrera com a Igreja de Almofala, no ano de 1898, situada no município de Itarema, litoral Oeste.


A Igreja da Conceição, na Praia de Almofala em Itarema, foi soterrada por uma duna e passou 40 anos sob a areia. Depois que o vento a desenterrou, foi restaurada e tombada pelo IPHAN 

Após a antiga vila desaparecer sob a areia, os moradores buscaram abrigo em comunidades vizinhas, formando o que hoje intitula-se como distrito de Tatajuba, reconhecido em 12 de novembro de 2025, por Lei Municipal 1716/2025. Em 1978, as últimas famílias abandonaram a velha Tatajuba e partiram em busca de áreas nas proximidades.  

Aquela região está inserida em uma Área de Proteção Ambiental (APA), determinada pela Lei Municipal Nº. 559/94 e que foi redefinida em abril deste ano. Marcada por dunas, lagoas e próxima ao mar, ela também faz parte da Rota das Emoções, famoso destino turístico que também inclui Jericoacoara e o Delta do Parnaíba. O território com mais de cinco mil hectares é composto por quatro vilas: Tatajuba, Baixa Tatajuba, Vila Nova e São Francisco.

O soterramento da vila de Tatajuba foi somente um capítulo dessa história. Após a ocorrência ambiental na década de 80, os moradores se depararam com outro problema. Em 2001, eles descobriram que o terreno onde estão as quatro vilas foi comprado por uma grande empresa de turismo e, na época, as terras não eram regularizadas.



Havia um projeto para construção de um condado ecológico para receber turistas, com resorts, piscinas e  com cinco campos de golfe. Isso significava que todas as pessoas que moravam nas quatro vilas, principalmente nas vilas mais próximas da praia, teriam que sair, ou seriam expulsas. Foi aí que a Associação dos Moradores entrou com dois processos na Justiça para interditar qualquer tipo de projeto de empresas e anular as matrículas.

A questão durou mais de 20 anos e ainda está em processo de resolução. O reconhecimento das terras ocorreu em setembro de 2023, quando o Instituto do Desenvolvimento Agrário do Ceará e a Defensoria Pública da União, fecharam acordo para que a maior parte da terra pleiteada fosse doada. Com isso, ficou sob a tutela do Estado o perímetro onde as comunidades vivem e trabalham. A propriedade, agora pertencente ao Estado, tem um total de 2.459.734 hectares.

Os moradores vivem da pesca e do turismo em grande escala, em razão dos atrativos naturais da paisagem e da proximidade com a Vila de Jericoacoara, um dos maiores destinos turísticos do Brasil. A atual Vila São Francisco foi construída em cima das ruínas da antiga Tatajuba.

Fonte G1 - Fotos G1, Diário do Nordeste e Fortaleza em Fotos

publicação Ceará em Fotos



segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

A Seca dos Três Setes no Ceará

 


A tragédia já se anunciava desde o ano anterior. O ano de 1876 foi chuvoso durante os três primeiros meses, depois, de junho a dezembro, não caiu uma gota d’água. Em janeiro de 1877, apenas uma neblina e baixíssimos índices de pluviosidade nos meses seguintes. Em março os sertanejos já estavam alarmados e em abril, perdidas as esperanças de inverno, começou o êxodo de habitantes do sertão para o litoral.

O gado morria à falta de aguadas, as lavouras se extinguiram e a provisão de viveres, conservada como reserva de muitos sertanejos, pouco a pouco se esgotaram. De setembro em diante a fome era geral, os socorros públicos, mal administrados, não chegavam regularmente aos locais mais afetados. Quem possuía algum bem ou valor, desfazia-se dele em troca de algum gênero de primeira necessidade.

As poucas aguadas, como açudes e poços cavados nos leitos dos rios em épocas de chuvas, evaporaram-se. Mesmo as pessoas consideradas mais abastadas, receosas de ficarem bloqueadas e sem comunicação com o litoral, longe de qualquer auxílio, fugiram, abandonando suas casas, animais e fazendas. O sertão virou um deserto.

O governo, totalmente desarticulado, recusou enviar recursos para o interior, forçando desta forma, as pessoas a procurarem o litoral. O êxodo tornou-se geral. Para Fortaleza, Aracati, Sobral, Granja, Camocim e outros povoados, afluíram milhares de pessoas. Em todos esses municípios, a população, de um dia para o outro, estava multiplicada; e como faltasse casas para abrigar tanta gente, ficavam ao relento, debaixo de árvores ou amontoados em sítios estreitos. As consequências não demoraram: doenças, prostituição, vadiagem, saques, e todos os seus efeitos, que se desenrolaram frente às cidades, antes tranquilas, agora em estado de puro desespero.

O ano de 1878 chegou, e a província continuava mergulhada no caos, mas com grandes esperanças que o ano novo trouxesse de volta as chuvas que salvariam o Ceará. De janeiro a junho caíram apenas 503 mm. A última chuva foi em 26 de junho. Depois dessa data, o céu conservou-se sem nuvens, azul e límpido.

Perdidas as esperanças de inverno, o abandono do sertão foi completo; vilas inteiras, lugares antes prósperos, ficaram vazias ou com duas ou três casas habitadas, e estas mesmo porque o governo, já mudado e melhor estruturado para lidar com o problema, envidara todos os esforços para socorrê-las. (Júlio de Albuquerque Barros, foi presidente da província do Ceará, de 08/03/1878 a 02/07/1880.

Fazendas de criação, com 200, 300 e 500 cabeças de gado, ficaram reduzidas a nada. Os fazendeiros que tentaram a retirada do gado para o Piauí, acabaram perdendo para as moléstias, furtos ou extravio. Pelas estradas morreram famílias inteiras de fome e sede, e muitas que conseguiram atingir o litoral, chegaram tão fragilizadas, que caiam agonizantes pelas calçadas e praças da capital e de outras cidades que conseguiam chegar.

A emigração para o Amazonas, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo foram incrementadas, centenas e milhares de cearenses foram apinhados no convés de vapores e navios que demandavam aquelas províncias, sem o mínimo de cuidados e sofrendo toda sorte de privações.

Dos fins de 1878 até meados de 1879, uma violenta epidemia de varíola atingiu proporções nunca vistas. Em mais de um dia o número de vítimas na capital excedeu a 1000 pessoas. Muitos mortos ficaram insepultos, não havia local nem quem realizasse os sepultamentos. Havia então na capital cerca de 180 mil pessoas, 100 mil em Aracati, e na mesma proporção, nas localidades próximas à Fortaleza, como Pacatuba, Arronches, Granja e Camocim.

Havia esperança de que o ano de 1879 viria a por termo a tanto sofrimento, mas foi só mais um ano de terríveis provações. Como pouco ou nada restava no interior, a seca não teve grande repercussão. A atenção se concentrou na capital, nos auxílios do governo, na acomodação dos emigrantes, na busca de soluções.


A população ficara reduzida talvez em um terço; cerca de 100 mil pessoas haviam falecido ou emigrado; o governo gastara 72 mil contos, fora os subsídios da caridade particular. A província ficou arruinada, sua principal atividade econômica, a criação do gado, quase foi extinta; a população ficou dispersa e reduzida; a flora e a fauna desapareceram em grandes áreas; só Fortaleza aumentou a população devido em parte ao fluxo de emigrantes e ao desenvolvimento do comércio.

As esperanças se renovaram com a chegada de 1880. Os dois primeiros meses foram desanimadores, o de março foi pouco chuvoso, em abril choveu bastante. A grande seca terminara.


Fonte: Documentos: Revista do Arquivo Público do Ceará: Ciência e Tecnologia/Arquivo Público do Ceará, v 1 – 2005/Fotos Memorial da Democracia e ANPUR.

quinta-feira, 28 de março de 2013

A Modernização pelos Trilhos


Acompanhando o crescimento da produção e do comércio, e para ele contribuindo igualmente, verificou-se na segunda metade do século XIX a ampliação dos meios e vias de transporte, de forma a dotar a província de melhores estruturas para o escoamento das mercadorias em direção ao litoral.

Placa comemorativa do 1° centenário da Estrada de Ferro de Baturité (foto Rodrigo Paiva)

Após alguns planos que não saíram do papel, em 1870, o governo provincial assinou com a Companhia Cearense da Via Férrea Baturité, um contrato para a construção de uma ferrovia ligando a capital à vila do mesmo nome. Tal companhia tinha como diretores o Pe. Thomaz Pompeu de Souza Brasil (O Senador Pompeu), Gonçalo Batista Vieira (Barão de Aquiraz), os comerciantes Joaquim da Cunha Freire (Barão da Ibiapaba) e Henrique Broochlehurst, sócio da firma R. Singlehurst e Cia – a popular Casa Inglesa – e o engenheiro José de Albuquerque Cavalcante.
Em 1873 foi inaugurado o primeiro trecho da EFB entre Fortaleza e o Arronches (atual Parangaba) e em 1876, o de Pacatuba. Havia planos para estender os trilhos até o vale do Cariri, mas desde o início o empreendimento teve problemas financeiros – daí os atrasos nas obras e os constantes auxílios do governo.

Os trilhos da Estrada de Ferro e a antiga Estação de Baturité (foto Rodrigo Paiva)

Em 1878, a Estrada de Ferro Baturité acabou encampada pelo governo imperial. Cinco anos depois os trilhos finalmente chegaram a Baturité. Posteriormente, sucederam-se prolongamentos em direção ao sul cearense, chegando ao Crato em 1926.
A Estrada de ferro trouxe benefícios à produção agrícola e ao comércio do Ceará, facilitando o escoamento da produção sertaneja (especialmente algodão e café) para Fortaleza e daí para os centros consumidores do além-mar, e transportando a bens industrializados para o interior. 
Em 1878, durante a calamitosa estiagem (1877-79) o governo imperial determinou com seus recursos a construção de uma outra ferrovia no Ceará, ligando Camocim a Sobral, na qual por caridade, foi usada a mão-de-obra sertaneja. O trecho Camocim-Granja foi inaugurado em 1881 e em dezembro de 1882, inaugurada a estação de Sobral.

Estação de Camocim da Estrada de Ferro de Sobral (foto Rodrigo Paiva) 

A construção da Estrada de ferro Sobral trouxe alguma prosperidade para Camocim em detrimento de Acaraú, em virtude da decadência da histórica rota comercial antes feita pelo porto desta cidade. O surto da borracha na Amazônia na década de 1880 provocou euforia no norte cearense – o porto de Camocim, por ser mais próximo da Amazônia viveu grande agitação, com o comércio e a saída de cearenses para aquela região.
Com a ferrovia, Sobral incrementou o controle sobre o centro-norte do Ceará e com os prolongamentos da EFS – para Crateús em 1912 e Ibiapaba em 1918 – influenciou mesmo áreas do Piauí e Maranhão.

Estação de Sobral foi inaugurada em 1882 como ponta de linha da Estrada de ferro de Sobral (foto de 1957 do site estações ferroviárias do Brasil) 

A cidade conheceu igualmente uma fase de expansão urbana e aformoseamento (construção do Teatro São João, do Jockei Club, casas elegantes, etc.) em 1950, após muitas interrupções, se concluiria a estrada de ligação entre a EFS e a EFB, iniciada em 1910.
Além de várias estradas de rodagem abertas na segunda metade do século XIX entre as vilas, ampliou-se a navegação de cabotagem no litoral cearense. Até 1858, a única companhia marítima nacional a vapor que frequentava a província era a Companhia Pernambucana, a qual enviava um único navio aos portos locais. 

teatro São João em Sobral, inaugurado em 1875 (foto do site da prefeitura de Sobral) 

A partir de 1865 por contratos do governo cearense outras companhias começaram a fazer escalas nos portos do Ceará, como a Companhia de Navegação a Vapor do Maranhão, a do Rio de Janeiro e algumas companhias estrangeiras. Fortaleza assim passou a ter nos anos 1860, não só a primazia do comércio direto com a Europa, favorecida pelas linhas de vapores ingleses e pelo fechamento da Alfândega de Aracati em 1851, mas também com outras províncias  uma vez que seu porto foi incluído nas rotas que se estendiam para a região Sudeste, ligando-a aos mais importantes portos do País.

extraído do livro de Aírton de Farias
História do Ceará

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Os Comunistas no Ceará



Durante o truculento governo do presidente Artur Bernardes (1922-1926), quase todo em Estado de Sítio, a repressão atingiu em cheio o movimento operário no País. Após o encerramento do mandato de Bernardes, percebeu-se que a liderança da classe trabalhadora no Centro-Sul havia passado para os comunistas.  Em 1922 fora fundado no Rio de Janeiro o Partido Comunista Brasileiro – PCB – os quais começaram a buscar a unificação do movimento sindical brasileiro, então enfraquecido e disperso em várias associações e federações.
É do contato com essas lideranças nacionais que surgiriam a partir de 1926, os primeiros simpatizantes  do Partido no Ceará, os quais se reuniam na antiga sede da União dos Pedreiros do Ceará (próximo à Igreja do Coração de Jesus, em Fortaleza).
Em 1926 o recém-empossado presidente Washington Luís (1926-1930) baixou a autoritária Lei Celerada, cujo efeito prático foi o de por na ilegalidade o PCB. Daí o motivo pelo qual os comunistas, para driblar a repressão, começaram a fundar pelo país, organizações esquerdistas denominadas Bloco Operário e Camponês (BOC), que serviam de fachada para a militância. 
Foi por intermédio do BOC que se iniciou a atuação do partido no Ceará. No ano de 1927 o sindicalista José Joaquim de Lima, mais conhecido como Joaquim Pernambuco, foi ao Rio de Janeiro a fim de participar do Congresso da Confederação Geral do Trabalho – entidade concebida pelo PCB – de onde voltaria com a missão de organizar em Fortaleza o Bloco Operário e Camponês e, consequentemente, a seção cearense do Partido Comunista. Participaram ainda dessa empreitada José Borges da Silva, Antônio de Oliveira, Luis Gomes, Lúcio Sotero, José Francisco Mendonça, Antônio  Marcos Marrocos, Paulino de Morais, Clóvis Barroso e Lafite Barroso. 

 Manifestação cívica da União Operária Santa Tereza, formada pelos empregados da fábrica de tecidos Santa Tereza, em 1940, em Aracati (foto Diário do Nordeste).

Além do BOC fundado em Fortaleza em 1927, foram criados núcleos comunistas em Camocim, Aquiraz, Aracati e Quixadá, munícipios onde a economia não mais se limitava a atividades de subsistência. As três primeiras cidades, em graus diferentes, eram centros portuários, escoadoras de mercadorias para exportação, enquanto a última prosperava em função do comércio desde a construção do açude do Cedro, iniciada em 1884 e finda em 1906. 
 prédio onde funcionou o Centro Artístico Cearense, na esquina das avenidas Duque de Caxias e Tristão Gonçalves 

A propagação das ideias marxistas na década de 1920 entre o ordeiro e bem comportado operariado local assustou ainda mais os setores conservadores. Em meados de 1925, a Maçonaria (detentora da hegemonia do Centro Artístico Cearense) e a Igreja, que até então rivalizavam-se na disputa do movimento de trabalhadores locais, passaram a desenvolver uma aproximação tática, visando barrar a expansão comunista, como fica evidente na criação da Federação Operária Cearense, com o apoio daquelas instituições.

 Instituto Epitácio Pessoa em Fortaleza, sede da União dos Moços Católicos, que promovia conferências anticomunistas 

Lideres maçons e católicos começaram a comparecer juntos, por exemplo, por ocasião dos festejos do 1° de Maio, dentre outros eventos. O Centro Artístico torna-se palco de diversas conferências sobre a questão social, o que é inclusive, noticiado pelo jornal católico O Nordeste, como no caso da palestra ministrada em 1923, pelo advogado José Lino da Justa.
Com a mesma proposta de combate às esquerdas, a União dos Moços Católicos, promoveu exaustivas conferências anticomunistas em sindicatos e associações beneficentes.  A igreja incrementou a atuação dentro das fábricas, com as práticas de catequese e primeira comunhão dos operários. Os sermões nas paróquias, tendo como público alvo os trabalhadores, falavam de resignação e da pobreza como fonte de virtudes.  
  
 Camocim foi a primeira cidade do interior do ceará a possuir um comitê do Partido Comunista Brasileiro, inaugurado em 1927. Era conhecida como a Cidade Vermelha (foto jornal O Povo)
 
A tese é que os cearenses, cristãos e pacíficos, jamais poderiam adotar uma ideologia estrangeira, ateia e promotora de distúrbios e radicalismos. Passeatas foram organizadas pelos Círculos Operários Católicos com o sugestivo cântico “a fé católica do Ceará ao socialismo derrotará”. E a repressão ocorria. Jornais esquerdistas eram apreendidos. Em Camocim “a cidade vermelha” onde havia uma considerável mobilização do PCB, o líder sindical e comunista Francisco Teodoro Rodrigues foi preso em 1928 por ordem do delegado e prefeito locais, que proibiram a reunião dos trabalhadores. Rotineiramente a policia espancava socialistas, enquanto patrões os demitiam ou negavam emprego.
Com efeito, as pregações anticomunistas e o próprio domínio e repressão das oligarquias acabaram por limitar e reduzir a atuação e liderança do PCB no Estado. Apesar da radicalização ideológica esquerda/direita, os conservadores continuaram à frente do movimento operário, com suas pregações filantrópicas e de conciliação de classes. 
Isto fica evidente quando se percebe que a citada aliança entre Maçonaria e Igreja, apesar de suas bases frágeis, seria o alicerce para a criação em 1931 da Legião Cearense do Trabalho, a qual expressa muito bem a ideologia de extrema-direita e anticomunista no seio da classe operária do Ceará.


Fonte:
História do Ceará, de Aírton de Farias

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Camocim



População – 60520 habitantes (IBGE – estimativa para 2011)
Área da Unidade territorial – 1.139.206 km²
Densidade demográfica – 52,81 hab/km²
Localização – Mesorregião – Noroeste Cearense
Microrregião – Litoral de Camocim e Acaraú
Limites – ao Norte, o Oceano Atlântico;
Ao Sul – a cidade de Granja;
A leste – Jijoca de Jericoacoara e Bela Cruz
A Oeste – Barroquinha
Distância de Fortaleza – 350 km 


A região de Camocim permaneceu praticamente inexplorada até meados do século  XVI, quando se registraram as primeiras tentativas de aldeamento dos índios Tremembés, que dominavam a  costa cearense.  Em 1604, Pero Coelho de Souza passou por estas bandas,  rumo a Ibiapaba.

Os portugueses chegaram  à região, a partir da segunda metade deste Século  com vários objetivos, dentre os quais, o reconhecimento completo da área, a partir de Tutóia no Maranhão até os limites finais entre Ceará e Rio Grande do Norte.
Deste momento histórico existem várias cartas topográficas datadas dos séculos XVII, que já descrevem a barra do rio Camocim, que foi catalogada com o nome de Rio da Cruz. 
Depois da segunda metade do século XVII, os jesuítas tinham o Camocim como porto e porta de entrada para a Ibiapaba. Dessa época surgiu ainda por parte dos portugueses o projeto de construir o Forte em Camocim com a intenção de proteger os assentamentos portugueses dos ataques dos índios, e impedir que outros povos europeus fizessem escambo com os nativos indígenas. Este projeto não foi adiante. 
A região do Camocim era o centro de apoio para as ações militares e religiosas por parte dos portugueses.
Entre 1838 e 1873, diversas famílias, inclusive algumas imigradas do interior, fixaram-se na região, atraídas pelo litoral, onde esperavam encontrar terras férteis. Aos poucos, desenvolveu-se o primitivo núcleo humano. 


Avenida Beira Mar

O Rio Coreaú desaguá na Praia do Farol de Trapiá, em Camocim
  
Distrito criado com a denominação de Camocim, por ato provincial de 02 de setembro de 1873; 
Elevado à categoria de vila com a denominação de Camocim, pela lei provincial nº 1849, de 29 de fevereiro de 1879, desmembrado de Granja. Sede no núcleo de Camocim.  
Elevado à condição de cidade com a denominação de Camocim, pela lei provincial nº 2162, de 17 de agosto de 1889.
Em divisão territorial datada de 17 de janeiro de 1991, o município é constituído de 3 distritos: Camocim, Amarelas e Guriú.

prédio da antiga estação da Estrada de Ferro Sobral. O ramal de Camocim originalmente foi o trecho inicial da E. F. do Sobral (Camocim-Sobral), aberto nos anos 1881 e 1882. Em 1909, toda a E. F. de Sobral foi juntada com a E. F. de Baturité para a criação da Rede de Viação Cearense. Atualmente o prédio é utilizado pela Prefeitura de Camocim.

Praça da matriz com o Cruzeiro

Igreja Bom Jesus dos Navegantes, construída  no começo do século XX, no lugar onde já existia uma antiga capela erguida pelos jesuítas. 

Igreja de São Pedro. Construída pelos fiéis e inaugurada em 29 de junho de 1942 

Igreja de São Francisco 

Praça Severiano Morel, no centro da cidade

Avião Xavante doado à cidade de Camocim pela Força Aérea Brasileira em comemoração ao centenário do primeiro voo autônomo realizado por Santos Dumont a bordo do 14 BIS. Fica na Praça Pinto Martins 


Praça Pinto Martins, construída em homenagem ao aviador Euclydes Pinto Martins, filho de Camocim, em comemoração ao centenário de cidade, em 29 de setembro de 1979.

O Aeroporto Pinto Martins  foi reformado e ampliado recentemente. O equipamento conta  com pista de pouso e decolagem com 1.200 metros de extensão por 30 metros de largura, uma Seção de Combate a Incêndio e balizamento noturno. O investimento no novo aeroporto é de R$ 5,2 milhões 

Praia do Farol

Manguezal


balsas que fazem a travessia sobre o Rio Coreaú para a Ilha do Amor e entre Camocim e o município de Jijoca de Jericoacoara 

Lago Seco

Usina Eólica na Praia de Maceió

Praia de Maceió

Trecho do Rio Acaraú

As principais fontes de água de Camocim são: Baía de Camocim, Lago Grande, do Boqueirão, da Moréia, Lagoa Cangalha e Inhanduba, Córrego da Forquilha, Rio Coreaú, Trindade, P. Maceió, Imburava. 
As praias da Tatajuba, do Guriú, dos Remédios e do Xavier são pertencentes ao município de Camocim e não ao município de Jijoca de Jericoacoara como muitos supõem, pelo fato de terem localização geográfica próxima e também por Jericoacoara ter um fluxo de turistas intenso, que acabam fazendo também esta rota.

fotos de agosto de 2012 
por Raquel Vianna, Rodrigo Paiva e Fátima Garcia

fontes:
Wikipédia
IBGE