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terça-feira, 29 de agosto de 2017

As Nações Indigenas da Capitania do Ceará


Um século depois do início da ocupação da capitania do Siará, as tribos indígenas do centro cearense se ligaram aos povoadores dessa região, uma vez que já haviam sido ocupadas as extremas com Pernambuco, Paraíba e Piauí. Eram eles os Icós, Icozinhos, Calabaças, Chocós, Quipipaus, Cariris, Cariús, Jucás, Quixolôs e os Inhamuns, tapuias de língua travada, já então acometidos pela bexiga, sarampo e outras moléstias e também dizimados em larga escala pelos conquistadores. 
  
encontro entre indígenas e europeus - quadro de Rugendas
Os Cariús, que moravam pelo vale do riacho Cariús e do Rio Bastiões, lutavam contra os Cariris, que habitavam o vale do mesmo nome, ao sul, disputando a terra úmida dos brejos. Os Jucás viviam às margens do riacho Jucá, eram guerreiros e visavam particularmente aos brancos invasores. Os Quixolôs eram violentos e ladrões, e os Inhamuns que se estendiam entre os Quixolôs e os Jucás, nas margens do Jaguaribe, aldeados na Vila de São Mateus por frades carmelitas, eram os senhores primitivos daquele planalto. As mulheres Inhamuns, como as das demais tribos, em solteiras eram entregues pelos pais a estranhos que iam viver entre eles. Porém, depois de casadas eram fiéis a seus maridos.

Os índios cearenses não tinham espírito religioso definido, mas eram hospitaleiros, de modo geral. Acreditavam nos seus pajés, sacerdotes e feiticeiros; não tinham nenhum senso de propriedade, tudo era comum. E esperavam repousar depois da morte, em abundância e descanso, numa das aldeias que existiriam no centro da terra. Pouco afeitos ao trabalho, viviam pelas matas dos sertões, tinham as mãos isentas de calosidade, finas, como das pessoas que não trabalham. 

As Sesmarias era um sistema de doação de terras que visava a produtividade e o povoamento da colônia. Os Sesmeiros tinham prazo e tinham que dispor de meios para explorá-las.

Com a chegada dos brancos, dois séculos bastaram para exterminá-los. Perderam, pouco a pouco, as suas terras, reduzidas por Carta-Régia de 4 de junho de 1703, do Rei Pedro II. Aos indígenas, uma única concessão: uma légua de terra em quadro para cada aldeia, moradia e lavouras; espaço suficiente para uma igreja e um adro; terreno para o padre missionário, sua casa, pertences, inclusive criações domésticas; pagamento das côngruas ordinárias à custa da fazenda real.

Enquanto isso, um donatário tinha direito a centenas de léguas quadradas, e um sesmeiro, a três, quase sempre multiplicadas. Mas, cem famílias de índios, só podiam dispor de uma légua. Em fins do século XVII e princípios do XVIII, quando foram maiores as concessões de datas de sesmarias nas margens do curso inferior dos grandes rios cearenses, o Jaguaribe e o Acaraú principalmente, cresceram as disputas de terras entre os brancos, que não se entendiam sobre os limites de suas respectivas propriedades.

conflito entre índios e os invasores de suas terras - Rugendas
Tais contestações terminavam quase sempre, em vias de fato e apelo às armas, que frequentemente contavam com a participação de indígenas, sempre prontos a guerrear e eliminar seus opressores. Tomavam parte a favor de um e de outro dos contendores que os aliciavam por meio de promessas, ou de vantagens reais, que consistiam geralmente em bugigangas, objetos de pouco ou nenhum valor, com que se contentava a indiada. 

Diante desse quadro sinistro e da grande perspectiva de derramamento de sangue, El-Rei mandou ao Ceará o desembargador Cristóvão Suares Reimão para tombar e medir as terras da capitania, tarefa o que o desembargador cumpriu entre 1709 e 1713, quando foi então transferido para o Recife.

Os índios, ainda não catequizados e aldeados, estavam sempre dispostos a se levantarem e a guerrearam, e por todos os meios, se vingarem dos colonos, seus inimigos invasores. Os impostos reais sobre as fazendas de gado, acenderam outros estopins no sertão. Os índios massacravam os brancos, estes massacravam índios, uns e outros de parceria, brancos contra brancos, índios contra índios.

No final do século XVII a Capitania do Ceará ainda era um presidio militar, um covil de malfeitores e ladrões, fugidos das capitanias vizinhas, nômades que viviam do roubo de gado. Em 1708 restavam poucas opções aos indígenas: não queriam habitar as aldeias missionárias, expulsos que foram de suas terras. Rebelaram-se contra os colonos. Arrasaram fazendas, trucidaram quem encontrasse.

família indígena - Debret
A guarnição do presídio militar, da marinha, não pode socorrer a tempo a população do interior. O que dela restou foi acolher-se à sombra do forte, cheia de consternação. Nesse mesmo ano o governador de Pernambuco deu ordem ao capitão-mor do Ceará que movesse guerra visando o extermínio dos índios. O que foi, efetivamente, feito. 

A mortandade foi terrível no Ceará. Praias e sertões foram varridos pelos regimentos do Capitão João de Barros Braga, das cavalarias das várzeas do Jaguaribe. O massacre de índios da missão de são Mateus dos Inhamuns impressionou ao próprio Rei D. João V, que condenou, em carta, a ação dos milicianos às ordens dos governadores de Pernambuco e do Ceará. Perdurou tensa, durante anos, a situação entre colonos e nativos.


Extraído do livro 
O Clã dos Inhamuns, de Nertan Macedo 
imagens meramente ilustrativas  
    

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Sobral, a Princesa do Norte



Boulevard do Arco 
imagem: http://blogdafolha.blogspot.com.br/2012/07/sobral-real-e-distinta.html

A cidade de Sobral surge nas margens  do rio Acaraú, caminho natural das terras sem fim do vale do Acaraú, onde se ergueram, com o correr dos anos, na quadra da conquista do Siará Grande, arraiais, povoados e vilas, mais tarde transformadas em cidades.
Dizem os historiadores, baseados em documentação irrefutável, que a região foi povoada por famílias que vieram ter ao Ceará acossadas pelos atropelos  da guerra contra os holandeses. Um dos primeiros núcleos então formados foi localizado nas proximidades do riacho Guimarães, que em 1712, já possuía uma capela.
Em 1735 o Alferes Lourenço Guimarães de Azevedo, fundador do povoado, doava cem braças de boas terras ao patrimônio da capelinha, tendo em vista que o padre visitador, Lino Gomes Correia havia afirmado que, ou se doaria patrimônio à capela, ou a freguesia ficaria interditada.
Afora esse povoado, outro arraial, o de São José, se formou nas proximidades do local onde iria surgir a cidade de Sobral. Destes dois núcleos partiu o povoado de todo o vale do Acaraú, através do trabalho agrícola, do estabelecimento de fazendas de gado e da indústria da carne-de-sol (charque), muito comum nas redondezas. 

Rua de Sobral - 1924

De uma das grandes propriedades que se ergueu com cerca de pau a pique, enorme casarão e com centenas de empregados, nasceu a cidade de Sobral. Corria o ano de 1740. Em torno da casa grande da fazenda Caiçara, de propriedade do capitão Antônio Rodrigues Magalhães e sua mulher D. Quitéria Marques de Jesus, começou  a se formar o arraial. Foram surgindo pequenas casas de taipa.
Em 1742, o padre visitador vindo da povoação de São José, demorou-se na fazenda Caiçara e, diante da prosperidade do lugar, resolveu que ali deveria ser a sede do Curato de Acaraú, por ser mais ou menos o seu centro, sendo então edificada uma igreja.

 Matriz da Conceição, hoje Catedral da Sé 

Em 1746 o padre Antônio Carvalho Albuquerque dá início ao novo templo em louvor a N. S. da Conceição  e que seria a matriz do curato.  Em 1746 foi o padre Dr. João Ribeiro Pessoa, mandou edificar a Igreja matriz, hoje catedral, ao lado do antigo templo.  As obras foram iniciadas em 1778, com a mão-de-obra de índios tapuias, enviados de Viçosa.
A Carta-Régia de 22 de julho de 1776 determina ao governador geral de Pernambuco que se criasse mais uma vila no Siará Grande e que esta fosse localizada na povoação de Caiçara, que passaria a se chamar de Vila Distinta e Real de Sobral. A instalação ocorreu no dia 5 de julho de 1773, com território desmembrado de Fortaleza.  

     Câmara Municipal de Sobral

Sobral sempre participou dos movimentos cívicos e políticos de maior expressão  registrados no Ceará. Em 1817, quando o sul da província se agitava em torno das ideias republicanas, reflexo do levante pernambucano  de 6 de março, a Câmara de Sobral por seus membros, Francisco Joaquim de Sousa Campelo, Antônio José de Faria, Cristóvão Moreira Pontes, Custódio José Correia da Silva e Antônio Januário Linhares, dirigiu ofício ao governador da Capitania, Manuel Inácio de Sampaio, em que reafirmava os votos de fidelidade ao Império.
O movimento revolucionário que eclodiu em Pernambuco em 2 de julho de 1924, com o nome de Confederação do Equador , já havia lançado suas raízes no Ceará. Tanto é que, em Fortaleza, José Pereira Filgueira, comandante das armas, falando ao povo na Praça do Conselho (atual Praça da Sé), propusera a demissão do Presidente Costa Barros, que se retirou do governo após lavrar um protesto contra o acontecido. A escolha para seu substituto provisório recaiu sobre o tenente-coronel Tristão Gonçalves de Alencar Araripe.
Através de mensagens às Câmaras do Interior, Tristão Gonçalves  conclamava a população a aderir à ideia de formação de um governo confederativo das Províncias do Norte. Em Sobral, o Senado da Câmara se recusa a aprovar o projeto de constituição apresentado pelo Imperador, fazendo-lhe ver  que os cidadãos de todas as classes, decidiram não aceitar o projeto por contrariar os direitos e interesses do povo brasileiro. Aceitando a proclamação que Tristão Gonçalves fizera, a Câmara de Sobral a ela aderiu, voltando, entretanto, a jurar obediência ao imperador.


 prédio da Prefeitura em 1924

O presidente José Martiniano de Alencar chega a Sobral em 1° de dezembro de 1840, acompanhado de alguma força, com o objetivo de convencer o tenente- coronel  Francisco Xavier Torres e entregar o comando da força pública, a fim de evitar uma revolta das tropas ali sediadas para combater os balaios.  Na noite de 11 de dezembro o palacete do Senador Francisco de Paula Pessoa, onde se hospedara  José de Alencar, foi alvejado pela fuzilaria da tropa de Xavier Torres, entrincheirada no sobrado de Domingos José Pinto Braga, na mesma rua. Depois de várias horas de combate, triunfou a tropa governista, entregando-se o chefe do levante, Xavier Torres, a 10 de janeiro, nas proximidades de Baturité, ao coronel Antônio Barroso de Sousa, que o perseguia com numerosa tropa.



  Rua Senador Paula, durante a enchente de 1924 

A Vila de Sobral foi elevada à categoria de cidade em 12 de janeiro de  1841, com o título de Fidelíssima Cidade Januária do Acaraú (Lei 229 da mesma data sancionada pelo presidente José Martiniano de Alencar). O sucessor de Alencar, após um ano, mandou voltar o antigo topônimo Sobral (Lei 244 de 25 de outubro de 1842).
Sobral é sede de bispado desde 1915 instituído pela Santa Sé por decreto de 10 de novembro, sendo seu primeiro titular D. José Tupinambá da Frota, sobralense, sagrado em Salvador, Bahia, em 29 de junho de 1916.
Em divisão territorial datada de 2005, o município é constituído de 13 distritos: Sobral, Aprazível, Aracatiaçu, Bonfim, Caioca, Caracará, Jaibaras, Jordão, Patos, Rafael Arruda, Patriarca, São José do Torto e Taperuaba.  

 Enchente do Rio Acaraú em 1924

Demografia:
População (estimativa 2012) – 193.134 habitantes
População (Censo 2010) – 188.233 habitantes em 59.981 domicílios
Total de homens (2010) – 91.462
Total de mulheres (2010) – 96.771
Densidade demográfica (2010) – 88,67 hab/km²
Geografia:
Área do território – 2.122,989 km²
Clima – tropical quente semiárido e tropical quente semiárido brando com chuvas de janeiro a maio. 
Relevo – planície fluvial, depressão sertaneja e maciços residuais

Limites: Norte: Alcântaras, Meruoca, Massapê, Santana do Acaraú,
Leste: Miraíma, Irauçuba,
Sul: Santa Quitéria, Forquilha, Groaíras, Cariré,
Oeste: Mucambo, Coreaú   
Distância até Fortaleza – 240 km

fontes:
Enciclopédia dos Municípios Brasileiros - IBGE/1957
Anuário do Ceará 2013
fotos do IBGE e Arquivo Nirez

domingo, 24 de março de 2013

Acaraú Ceara



Os primeiros habitantes da região do Acaraú eram pescadores vindos do Sul. Atraídos pela fartura dos barcos pesqueiros, instalaram-se inicialmente no lugar denominado Presídio, transferindo-se mais tarde para local mais seguro, ao fundo do delta formado pelo rio Acaraú.
Durante o longo período da guerra holandesa, o interior do Ceará começou a receber população de origem portuguesa. Muitas famílias tiveram de abandonar o litoral para viver nas matas, ocupando-se de plantações, ou no sertão, criando gado. 

 Rua de Acaraú

Fundaram-se então as primeiras fazendas de criação no alto sertão da Bahia, Sergipe, Pernambuco e Paraíba. Daí, os sertanistas foram seguindo até o alto Jaguaribe. O gado que sitiaram teve incremento espantoso. Procedia das ilhas portuguesas. Pelo litoral vieram também povoados para o Ceará, sendo quase que exclusivamente de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande. Desta origem são as famílias que primeiro se estabeleceram na bacia do Acaraú.
A esses pescadores  se juntaram os criadores que, em fins do século XVII e início do século  XVIII, se estabeleceram com seus rebanhos  na ribeira do Acaracu. Pescadores e criadores foram, portanto, os primeiros habitantes do Acaraú.

Praça Coronel José Filomeno em 1985 (foto jornal O Povo)

O primitivo núcleo da Barra do Acaraú servia de ancoradouro a pequenas embarcações, vindo a chamar-se Porto dos Barcos de Acaracu. Localizada à margem direita do rio, ficava a povoação encravada na légua de terra adquirida em 23 de dezembro de 1793 por José Monteiro de Melo ao padre Basílio Francisco dos Santos e seus irmãos, capitão Manuel José dos Santos e D. Maria Joaquina,todos moradores em Lisboa. Monteiro de Melo, ao morrer, em 1806, legou esse patrimônio a Nossa Senhora da Conceição, padroeira da freguesia, que nesse tempo pertencia a Sobral.


o Rio Acaraú Nasce na Serra das Matas, um dos pontos mais altos da região. Saindo de Monsenhor Tabosa, em pleno sertão, percorre 320 quilômetros. Corta Sobral uma das cidades mais importantes do Ceará. Banha 18 municípios e deságua no mar em Acaraú  

Almofala constituiu o primeiro aldeamento do Município de Acaraú, sede da antiga missão dos índios Tremembés, datando de 1608, época em que os jesuítas os aldearam nas praias dos Lençóis. Em Almofala fica a igrejinha que a Rainha D. Maria I de Portugal mandou construir para os índios, em 1712.
O núcleo da Barra do Acaraú é o marco inicial do que, mais tarde, viria a ser a cidade de Acaraú. 
No século XVIII, em 22 de setembro de 1799, o povoado foi elevado à categoria de distrito de Acaraú da vila de Sobral.

Paróquia de São João Batista no Distrito de Aranaú
foto panorâmio disponível em http://www.panoramio.com/photo/33238139

Já sua elevação à categoria de vila do Acaraú, com o distrito já desmembrado da jurisdição de Sobral, ocorreu segundo Lei 480, de 31 de julho de 1849.
A fundação do município de Acaraú data de 31 de julho de 1849. O título de município, já com a denominação atual de Acaraú, ocorreu segundo Lei 2 019, de 19 de setembro de 1882.
Em divisão territorial datada de 1-VI-1995, o município é constituído de 4 distritos: Acaraú  Aranaú, Juritianha e Lagoa do Carneiro.

Um castelo encantado em Acaraú: no local funcionam uma pousada e um restaurante

População:  57.551 habitantes (censo Demográfico de 2010)
Área da unidade territorial: 842,559 km²
Densidade demográfica: 68,31 hab/km²
Localização: mesorregião:  Noroeste Cearense
Microrregião: litoral de Camocim e Acaraú
Municípios limítrofes:  Cruz, Bela Cruz, Amontada,  Morrinhos, Marco e Itarema
Distância de Fortaleza: 253 km

fotos Rodrigo Paiva
fontes:
wikipédia
IBGE