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sábado, 15 de outubro de 2011

Rio Jaguaribe



O Rio Jaguaribe nasce na serra da Joaninha, no município de Tauá e deságua no Atlântico no limite dos municípios de Aracati e Fortim. É o maior curso de água do território cearense com 610 km de extensão. Como todo curso de água cearense, o rio sofre influência das precipitações pluviométricas, sendo suas descargas máximas observadas na época das chuvas (janeiro a julho), bem como das marés as quais impedem que o mesmo sofra uma interrupção no seu curso inferior durante a época da seca (agosto a dezembro).



Sua bacia hidrográfica está situada em sua quase totalidade dentro dos limites do Ceará, com ínfima parcela estendendo-se ao sul para o estado de Pernambuco, ocupando parte dos municípios de Exu, Moreilândia e Serrita.

 Pedra do Chapéu, que guarda alguns objetos que teriam pertencido ao Fortim de São Lourenço, erguido às margens do Jaguaribe no ano de 1603, por Pero Coelho de Sousa. 

As margens do rio, foram construídas várias mansões, com piers, decks, piscinas e até elevadores de lancha

A bacia tem uma forma bastante irregular, apresentando nos alto e médio cursos uma largura média de 220 km, enquanto que no baixo curso passa a ter uma largura de 80 km, diminuindo gradativamente até sua foz. Grosseiramente, poderia ser considerada como sendo triangular.

Ocupa cerca de 50% da área total do estado, o que equivale a, aproximadamente, 75.669 km². As cabeceiras de suas sub-bacias servem de limite entre o Ceará e os estados do Piauí, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.

A região vive de duas atividades principais: a pesca e o turismo

mansões construídas na beira do rio


Como se encontra em uma região sujeita a estiagem,  os braços rio Jaguaribe chegavam a desaparecer em épocas de seca, o que lhe rendeu o título de maior rio seco do mundo. Na estação chuvosa, o leito do rio renascia e crescia muito rápido em volume e extensão,  causando inundações e destruindo plantações e residências.
E com a ajuda do açude Orós, deixou de ser o maior Rio Seco do Mundo e passou a ser um rio perenizado.

Igreja Matriz de Nossa Senhora do Amparo, em Fortim, construída em 1912, tombada pela Prefeitura de Aracati . A igreja foi construída com a frente voltada para o rio, pois na época da construção a vila se estendia na beira do rio. A cidade cresceu e o povo começou a erguer suas casas atrás da igreja.

alguns pontos das margens apresentam forte processo de rosão


Área de Manguezal
Canal do Amor
Ponte sobre o Rio Jaguaribe

Principais Afluentes
Rio Banabuiú e Rio salgado
Outros:
Rio Cariús
Riacho do Sangue
Rio Palhano
Rio Jucá
Rio Conceição
Rio Figueiredo
Rio Quixeré

Fotos de Rodrigo Paiva e Fátima Garcia
Rio Jaguaribe no trecho entre Aracati e Fortim 

Fonte:
Wikipédia
Site Aracati Net 

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Redenção - Ceará


Localização: Na região do Maciço de Baturité, a 88 metros acima do nível do mar. 
Distância de Fortaleza: 55 kilometros
População: 26.415 habitantes (IBGE 2010)
Área do Município: 225,592km²
Densidade demográfica: 117,09 hab/km²

Histórico




A região do sopé do Maciço de Baturité e ao redor das margens dos Rios Acarape e Pacoti, habitada por diversas etnias como os Potyguara, Jenipapo, Kanyndé, Choró e Quesito, recebeu a partir do século XVII diversas expedições militares e religiosas.
Com a implementação da pecuária no Ceará no século XVII, as terras de Redenção também foram beneficiadas com a agricultura da cana-de-açúcar. A partir do século XIX, os engenhos de Redenção passaram a utilizar a mão de obra de escravos africanos. Desta forma senzalas e pelourinhos vieram a fazer parte da paisagem urbana.


O povoado que deu origem à vila foi um distrito policial criado em 1842, mais tarde, em 1868, desmembrado de Baturité com o nome de Acarape. 



A freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Acarape,  deve sua criação à lei provincial nº 1.242, de 5 de dezembro de 1868, instituída canonicamente por Provisão de 24 de agosto de 1869.
No mesmo dia da criação do município era assinada uma lei autorizando o Presidente da Província a despender, anualmente, a importância de quinze mil réis com a libertação de escravos de preferência do sexo feminino. O fato parece ter influenciado no ânimo da população, que começou a se manifestar em favor da abolição da escravatura. 
No ano de 1871 foi criada a Câmara Municipal da cidade.




Interior da antiga senzala no prédio do Museu Senzala Negro Liberto
Construído em 1873, o sítio Livramento abriga o Museu Senzala negro Liberto,  composto por engenho, casa grande e senzala. Atualmente, lá funciona uma fábrica de aguardente que mantém preservada sua estrutura colonial histórica. O local é aberto à visitação todos os dias.  Fica localizado na Avenida da Abolição

Em 8 de dezembro de 1882, surgiu a Sociedade Redentora Acarapense composta de abolicionistas fervorosos e dirigida por Gil Ferreira Gomes de Farias (presidente), Antônio da Silva Ramos (procurador), R. A. Gomes Carneiro (2º secretário), Henrique Pinheiro Teixeira (1º scretário), Padre Luís Bezerra da Rocha (tesoureiro) e Deocleciano de Menezes(delegado).
Decorridos apenas 23 dias da criação desta Sociedade, o Acarape lançou no Ceará, no dia 1º de janeiro de 1883 a campanha  da Redenção, com protesto solene à existência senzala, bradando para todo o Brasil:  Nesta terra não há mais escravos, um gesto pioneiro, heróico e entusiasta, que lhe valeu a consagração nacional e a admiração do povo brasileiro, expressas no designativo com que então a cidade foi batizada: Rosal da Liberdade.


 Painel instalado no Museu Memorial de Redenção

Painel instalado no Museu Memorial de Redenção
O museu  faz parte do centro cultural que também abriga biblioteca pública e ilha digital, tem, em seu acervo, documentos históricos e raros como livros de compra e venda de escravos, objetos ligados aos escravos – inclusive instrumentos de tortura – peças de antigos engenhos, mobília, objetos sacros, entre outros. Fica na rua José Costa Ribeiro, 102


Em data de 23 de janeiro, a ata de sessão da Câmara registra a solidariedade dos vereadores e a proposta e aprovação de telegrama dirigido pela Comuna ao Imperador D. Pedro II, comunicando-lhe a extinção da Escravatura no município de Acarape.
Pela Lei provincial de 17 de agosto de 1889, o nome do município foi alterado, de Acarape para Redenção.


 Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, concluída em 1868


 Altar mor

Formação Administrativa

O Distrito foi criado com a denominação de Acarape por ato provincial de 1803-1842 e por lei provincial ou Resolução provincial nº 1242, de 05-12-1968.

Elevado à categoria de vila com a denominação de Acarape pela lei provincial nº 1255, de 28-12-1968, desmembrado de Baturité. Sede no núcleo de Acarape. Instalado em 21-08-1871.

Elevado à condição de cidade com a denominação de Redenção pela lei provincial nº 2167, de 17-08-1889.

Em divisão territorial datada de 17 de janeiro de 1991, ficou estabelecido que o município é constituído de 4 distritos: Redenção, Antônio Diogo, Guassi e São Geraldo.


Fotos:
Rodrigo Paiva e Fátima Garcia

Fonte:
IBGE
Wikipédia
Portal Redenção




quarta-feira, 1 de junho de 2011

Jijoca de Jericoacoara

População: 17.002 habitantes (IBGE-2010)
Área do Municipio: 204,792 km²
Densidade Demográfica: 83,02 hab/km²
Distância de Fortaleza: 294,9 km
Localização: microrregião de Camocim e Acaraú
Limites: Bela Cruz, Camocim e Cruz
Duna do por do sol - nos finais de tarde visitantes e moradores cumprem o ritual de subir ao topo da duna para apreciar o por-do-sol. Como se trata de uma duna móvel, esta se desloca constantemente e está indo de encontro ao mar.
Unidades de Conservação:
APA da Lagoa de Jijoca – Estadual
APA de Jericoacoara – Federal
Parque Nacional de Jericoacoara - Federal
Criado pela Lei municipal nº 94, de 29 de junho de 1923. A vila fica em uma enseada, no ponto mais setentrional da costa cearense, na qual, em 1614, Jerônimo de Albuquerque ergueu ao pé do serrote uma pequena fortaleza, com estacas de madeira, a qual foi batizada de Forte de Nossa Senhora do Rosário.
Pedra Furada - foto do livro Ceará Terra da Luz
No mesmo ano esse fortim foi atacado pelas forças de Du Prat, pirata francês, que desembarcou na enseada com uma tropa de 200 homens sendo repelidos e postos em fuga. Os invasores tiveram um saldo negativo de 12 homens mortos e cerca de 30 feridos, graças ao valor dos poucos defensores do forte, à frente deles o citado Jerônimo de Albuquerque e o capitão Manuel d'Eça.
O farol de Jericoacoara está localizado no ponto mais alto do Morro do Serrote e é movido a energia solar
A enseada é contornada de serrotes, no topo de um dos quais, a 120 metros do nível do mar, se acha instalado um farol inaugurado em 16 de novembro de 1952, tendo sido construído sob a direção do capitão Jorge Leite da Silva.
O topônimo, segundo Pompeu Sobrinho (Revista do Instituto do Ceará, v. 59, p. 186), foi registrado no começo do século XVII, mas provavelmente já existia desde o fim do século precedente.
Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Fátima
imagem do livro Ceará Terra da Luz
O pequeno santuário de Nossa Senhora do Rosário sobreviveu aos tempos, mas, em 1880, o agricultor Antônio Pereira Brandão tomou a si construir outra capela no lugar Caiçara, sob a invocação de São Francisco de Assis, templo que em 1914 Manuel Ferreira da Silva e outros reformaram, aumentando-o. Em 1955 o Padre  Expedito Silveira lançou a pedra fundamental de nova capela na sede do Municipio
  
Fontes:
IBGE
Anuário Estatístico do Ceará

quinta-feira, 26 de maio de 2011

A Ocupação Holandesa no Ceará


os fortes foram construídos para vigiar o oceano e defender o local de invasores estrangeiros

Entre 1630 e 1654 os holandeses dominaram o Nordeste. 
Seus objetivos, formulados pela Companhia das Índias Ocidentais eram, sobretudo, de controlar a região produtora de cana-de-açúcar, além de, explorar a terra em busca de outras riquezas. 
Assim, após fracassarem  na conquista da Bahia (1624-25), dominarem Pernambuco (1630), estenderam seus domínio para outras capitanias como Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. 
A ocupação do Ceará pelos flamengos visava igualmente ao estabelecimento de um posto de apoio logístico para conquista do Maranhão (que também despertava interesse dos holandeses), bem como a manutenção da capitania de Pernambuco, à medida que se afastavam cada vez mais os portugueses dos centros produtores de açúcar. 
Havia, ainda, interesses na extração de produtos minerais, principalmente sais, âmbar e especialmente prata, que supunham, fosse abundante no Ceará. 

enseada do Mucuripe, local de desembarque dos holandeses

Em outubro de 1637, 126 homens, comandados  por George Gartsman desembarcaram no Mucuripe, dirigindo-se para o forte do Siará em companhia de diversos índios, em plena animosidade com brancos portugueses.  
Os indígenas buscaram essa aliança com os holandeses como uma tática, para manterem suas terras, e se livrarem das opressões impostas pelos lusitanos. O forte português ocupado por apenas 33 soldados sob as ordens de Bartolomeu Brito, logo caiu, ante a força do ataque dos holandeses. 
Estava desfeito o império luso no Ceará, ainda que temporariamente.  
No forte conquistado, ficaram 45 homens liderados por Hendrick Van Ham, enquanto Gartsman conduzia os portugueses prisioneiros para o Rio Grande do Norte. Posteriormente, em 1640, o comando do forte passou para Gedeon Morris de Jorge, um dos grandes estrategistas da ocupação holandesa no Ceará. 

Barra do Ceará, local da construção do Forte de São Sebastião

Os holandeses, no entanto, logo perceberam a inexistência de atrativos econômicos na terra, ainda que tenham explorado áreas salineiras – usando mão-de-obra indígena escrava.  A reação indígena foi contundente diante dos maus tratos: em 1644 invadiram e destruíram o Forte de São Sebastião, trucidando todos os holandeses.
 Cinco anos depois os holandeses retornaram ao Ceará, agora sob o comando de Matias Beck. Essa segunda invasão ocorreu num momento de decadência  do domínio flamengo no Nordeste, verificando-se mesmo em Pernambuco, violenta insurreição. 
Portanto, necessitando de recursos, trataram de reconquistar o Ceará, novamente em busca das ricas minas de prata.
Matias Beck buscou uma reconciliação com os indígenas, dando-lhes muitos presentes. Mandou erguer na Colina Marajaitiba, às margens do Riacho Pajeú o Forte de Shoonenborch, cujo nome era uma homenagem ao governador do Brasil-Holandês. 
Os holandeses passaram os cinco anos seguintes procurando minérios em terras cearenses – em Itarema, na Ibiapaba e em Maranguape, mas não obtiveram sucesso com essa empreitada. 
Com a seca de 1651-54 e, principalmente, com a rendição holandesa em Pernambuco, o forte cearense ficou quase esquecido.  Os índios locais, incitados por nativos fugidos de Pernambuco, passaram a se indispor com os holandeses e a não mais aceitar a presença de qualquer branco na terra. 

Mapa de Matias Beck "Planta do Forte Schoonenborch da Bahia de Mucuriba e do Monte Itarema, situados no Ceará, aos 28 de abril de 1649. (arquivo Nirez) 

Por esse motivo, chegaram a matar alguns soldados e a sitiar o Forte Schoonenborch.  Finalmente, conforme o acordo de rendição entre flamengos e lusitanos, em 1° de junho de 1654, Matias Beck e seus soldados deixaram pacificamente o Ceará.  
Ao mesmo tempo os portugueses, através de um novo capitão-mor, Álvaro de Azevedo Barreto, retomaram a colonização, começando por mudar o nome do forte para Fortaleza de Nossa Senhora de Assunção.
Em 1656, o Ceará foi desligado do Estado do Maranhão, ao qual estivera sujeito desde 1621 e passou a ser subordinado a Pernambuco, situação que se manteria por 143 anos, até 1799, quando a capitania ganhou autonomia.  

fonte:
História do Ceará, de Airton de Farias
Geografia Estética de Fortaleza, de Raimundo Girão

sábado, 14 de maio de 2011

Escravidão e Abolicionismo no Ceará - Parte 3/3 (Final)

A idéia emancipacionista começou a ganhar corpo a partir de 1879, quando os preços dos escravos estavam em baixa, e os proprietários andavam as voltas com as dificuldades e custos de manter os cativos, em conseqüências da seca que durara até aquele ano.  
Surgiu então uma forte campanha articulada por segmentos médios, intelectuais, burgueses e até oligarquias rurais, todos contagiados pelo ideal liberal e civilizado europeu, onde há décadas o capitalismo condenara o sistema escravagista.
Dessa forma, em 1879, em comemoração ao oitavo ano da Lei do Ventre Livre, surgia uma pequena organização chamada Perseverança e Porvir, fundada por jovens de boa condição financeira, quase todos ligados ao comércio de Fortaleza, como José do Amaral, Manuel Albano Filho, Alfredo Salgado e outros. 
No final de 1880, os membros da Perseverança e Porvir fundaram uma nova entidade a Sociedade Cearense Libertadora, a qual se juntaram como sócios João Cordeiro, Isaac Amaral, Antonio Bezerra, Pedro Artur de Vasconcelos, José Teles Marrocos, Justiniano de Serpa, Pedro Borges e outros. 
A Sociedade Cearense Libertadora lançaria em 1881 o jornal O Libertador, com o objetivo de mobilizar a opinião pública em prol da causa abolicionista. Os periódicos A Constituição, Pedro II e Gazeta do Norte passaram igualmente a simpatizar com a bandeira da abolição, enquanto o jornal O Cearense, a combatia.
O libertador foi fundado em 1° de janeiro de 1881 como órgão da Sociedade Cearense Libertadora. Surge em consequência de uma intensa campanha abolicionista que se desenvolve a partir do inicio da década e torna-se vitoriosa em 25 de março de 1884. Chamava a atenção por ser bem redigido e pela boa aparência gráfica.
 
Jornal Pedro II que representava o Partido Conservador era  simpatizante da causa abolicionista
Em 1882, indivíduos que consideravam as práticas da Libertadora Cearense “radicais” e defendiam explicitamente a abolição “sem perturbação da ordem moral ou econômica no seio da família ou da sociedade”, fundaram o Centro Abolicionista, do qual faziam parte nomes como Guilherme Studart (mais tarde Barão de Studart), Júlio César da Fonseca e João Lopes Ferreira Filho.
Houve também um grupo só de mulheres, fundado em 1883, presidido pela sobralense Maria Tomásia Filgueira Lima. Os caixeiros (empregados do comércio) fundaram naquele mesmo ano o Clube Abolicionista Caixeiral, tendo à frente Antonio Papi Junior. Também em 1883, os estudantes do Liceu, Ateneu Cearense, Instituto Cearense de Humanidades e de outros estabelecimentos organizaram a Libertadora Estudantil.
No geral essas entidades promoviam reuniões as quais não passavam de encontros públicos de setores da sociedade, que através de festas, quermesses, e bailes arrecadavam fundos para alforriar cativos – a maioria mulheres e crianças, enquanto os homens permaneciam escravos em atividades mais pesadas – em pomposas cerimônias sob discursos e efusivos aplausos e pouco resultado prático.
A campanha abolicionista acabou atingindo os segmentos sociais mais humildes. A participação popular ficou evidente nos episódios do ano de 1881.
Sendo a condução dos negros escravos aos navios feita com o uso de jangadas, um grupo de abolicionistas – tendo à frente Pedro Artur de Vasconcelos e José do Amaral, arquitetaram o plano de convencer os jangadeiros a não mais realizar o trabalho. 
Obtiveram de imediato, a adesão do negro alforriado José Luis Napoleão e de Francisco José do Nascimento (o Dragão do Mar), figuras influentes entre os trabalhadores da praia.
Na manhã de 27 de janeiro de 1881, os jangadeiros se negaram a conduzir alguns negros cativos para o vapor Pará. 
Estátua de Francisco José do Nascimento no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura
A noticia se espalhou pela cidade e, logo mais de 1500 pessoas de todos os segmentos sociais afluíram ao porto. Os escravocatas, sob vaias, ofensas e muito irritados, usaram de todos os artifícios – desde ameaças até a oferta de dinheiro – para convencer os homens do mar a embarcar as “peças”. 
Mas os jangadeiros permaneceram irredutíveis. Os negociantes chamaram a polícia, mas esta pouco pode fazer, pois não podia obrigar homens livres a trabalhar. 
Três dias depois, em 31 de janeiro de 881, nova luta. O vapor Espírito Santo tenta levar 38 escravos para o Sudeste do Brasil. Mais uma vez os jangadeiros recusaram-se a fazer o embarque. Uma multidão agora de três mil pessoas presta-lhe apoio, com aplausos e incentivos. 
Jangada do Dragão do Mar - neste porto não embarcarão mais escravos - 1881 (arquivo Ah, Fortaleza!) 
Após muitas discussões, ameaças, vaias e palavrões, os negros não foram embarcados. Naquela noite os abolicionistas colocaram fogo onde estavam trancafiados os cativos e os ajudaram a fugir.
Em 30 de abril de 1881, negociantes interessados em reabrir o porto de Fortaleza para o tráfico interprovincial tentam embarcar alguns escravos, contando inclusive com um forte aparato repressor – 210 homens armados. 
Compareceu pessoalmente à praia o recém-nomeado chefe de polícia, Torquato Mendes Viana, o qual teria chegado a afirmar dias antes que ou os escravos embarcariam ou correria sangue!  Os abolicionistas soltaram panfletos intitulados Pois Corra Sangue, incitando os defensores da causa a impedirem o embarque. Cerca de seis mil pessoas se reuniram na praia, gritando o lema de não se embarcam mais escravos no Ceará.
Em outubro de 882, José do Patrocínio, então conhecido nacionalmente como Marechal negro ou Tigre da Abolição, veio do Rio de janeiro visitar o Ceará para incrementar a mobilização. Foi recebido festivamente, sendo dele a autoria da alcunha de Terra da Luz, atribuída à província.
Painel na entrada da cidade de Redenção - CE, primeiro núcleo urbano do país a libertar os escravos
A 1° de janeiro de 1883, com a presença de José do Patrocínio, Acarape, passou para a história do país como o primeiro núcleo urbano a libertar seus escravos. A vila, por isso, mudou seu nome para Redenção.
Desse modo, a 25 de março de 1884, no 60° aniversário da Constituição do Império e no dia da Anunciação da Virgem Maria – realizou-se em Fortaleza, uma grande festa  para celebrar oficialmente o fim da escravidão na província do Ceará. 
Fortaleza Liberta - quadro de autoria do cearense José Irineu de Sousa, retrata a solenidade de libertação dos escravos de Fortaleza em sessão realizada no salão nobre da Assembléia Provincial (acervo Museu do Ceará)
Livro de Prata  oferecido pelos portugueses residentes em Fortaleza e utilizado na sessão da abolição da escravatura (acervo Museu do Ceará)
Estima-se que existiam naquela data cerca de 16 mil escravos. Após os fogos de artifício, gritos, lágrimas e tiros de canhão, a multidão que compareceu à Praça castro Carrera (Praça da Estação), ouviu quando o presidente da província, Sátiro de Oliveira Dias, concluiu seu discurso anunciando que a província do Ceará não possuía mais escravos.  
O pioneirismo cearense teve imensa repercussão no Brasil, influenciando a campanha abolicionista do Amazonas e das fronteiras do Uruguai.

Fonte:
História do Ceará, de Airton de Farias 
Revista Fortaleza, fascículo 11

quinta-feira, 24 de março de 2011

Padre Cícero, 167 anos de nascimento

foto do blog Fortaleza em Fotos e Fatos

O dia 24 de março é o dia do aniversário do Padre Cícero Romão Batista, o patrono de  Juazeiro do Norte, e de toda a região do Cariri. 
Nascido no Crato, no ano de 1844, o padre está sendo festejado desde o último dia 18, quando teve inicio a semana de comemoração. A data tem também a marca especial do primeiro centenário de juazeiro. O tema da semana foi Juazeiro o Centenário, Terra de Oração e Trabalho.
Padre Cícero estudou no seminário da Prainha em Fortaleza, e foi ordenado sacerdote em 1870.  No ano seguinte foi convidado por colegas para passar uns dias em Juazeiro, uma vez que a localidade estava sem celebrante residente.  
A partir daí começou a história do padre e da futura cidade, uma história que mistura no mesmo caldeirão, fanatismo religioso, acusações de fraudes, milagres, proibições de exercer funções religiosas, perseguições, preconceitos, poder político, excomunhão, devoção.
Até hoje o milagre de Juazeiro gera polêmicas. 
Para os devotos de padre Cícero, não pairam dúvidas sobre sua autenticidade. A Igreja o recusa fortemente. 
Padre Cícero chegou a viajar para Roma, onde tentou recuperar suas funções na Igreja. Depois de uma longa espera, que durou nove meses, saiu a decisão do Santo Ofício: estavam mantidas as proibições de pregar, ministrar a confissão, aconselhar fiéis, etc. Mas lhe permitiram que voltasse para a sua cidade e  – dependendo do bispo cearense – poderia voltar a celebrar missa, menos em Juazeiro. 
Era uma tentativa para convencer o padre a sair da cidade, o que não aconteceu: Padre Cícero nunca abandonou o Juazeiro e a cidade nunca abandonou o Padre Cícero.
Nos últimos anos de vida o Padre vivia obcecado em recuperar os plenos poderes do sacerdócio, o que jamais conseguiu.
Oficialmente banido das hostes da Igreja Católica, que até hoje reluta em reabilitá-lo, a festa em comemoração ao 167° aniversário de nascimento, conta com a participação da igreja local, com missa e procissão em louvor ao santo de Juazeiro.

Para os milhões de fiéis devotos do Padre Cícero, provenientes de todo o Ceará e até de outros estados do Nordeste,  que inundam Juazeiro nessas ocasiões, não parece fazer muita diferença a questão hamletiana do ser ou não ser – que há anos atormenta a alta cúpula da  Igreja Católica.
Para o povo nordestino, o Padim Padre  Cícero é um Santo.
 Vox populi, Vox Dei.