domingo, 26 de fevereiro de 2012

São Benedito - Ceará


População – 44.178 habitantes (IBGE Censo 2010)
Área da unidade territorial – 338,243 km²
Densidade demográfica – 130,61 hab/km²
Localização – na Serra da Ibiapaba a 903 metros de altitude. São Benedito é um município localizado na Macrorregião de Sobral/Ibiapaba, na Mesorregião do Noroeste Cearense denominado Serra da Ibiapaba.
Limites
Norte: Mucambo e Ibiapina
Sul: Carnaubal e Guaraciaba do Norte
Leste: Graça
Oeste: Estado do Piauí
Distância de Fortaleza – cerca de 360 km.


a Praça da Nação Tabajara, também conhecida como Praça dos Índios, foi inaugurada em 1979. O local abriga um monumento em homenagem aos Índios Tabajaras, que eram grandes guerreiros de índole rebelde que dominavam outras tribos indígenas existentes.
A região de São Benedito, como todo o Planalto da Ibiapaba, era habitada pelos índios tabajaras (Senhor dos Aldeias) e outros, a exemplo de Anaces e Arariús.
No período de 1607/1721, os jesuítas tiveram dificuldade de catequizar devido a rebeldia dos Tabajaras. O aldeamento, como também a legalização das terras indígenas, só foi conquistado em 1720.
Como personagem principal da história de São Benedito, se destaca o chefe indígena Dom Jacob de Sousa, considerado o principal personagem de origem da cidade. 

Histórico e origem do Município de São Benedito

O lugar chamou-se primitivamente Rio Arabê ou das Baratas, segundo versão tupi, havendo como referência o riacho (Século XVII).  Nessa época, a terra era habitada pelos Tapuias, marcando um dos principais aldeamentos  indígenas.
As origens do município de São Benedito se confunde com a ocupação da Serra da Ibiapaba, a  contar do ano de 1604, quando Pero Coelho de Souza, após subjugar os Tabajaras da Ibiapaba, estendeu suas conquistas ao longo da Grande Serra da Ibiapaba, montando seu quartel-general nesse local.
Em 1759, quando da expulsão dos Jesuítas, da Ibiapaba, coube ao Índio Jacob reunir o contingente de sua obediência e buscar refúgio no referido Rio Arabê, instalando ali sua aldeia. Logo em seguida, grupos dispersos se acercaram do reduto, montaram seus acampamentos  e formou-se por essa via o povoamento. 


Rua de São Benedito
Santuário de São Francisco

O Santuário de São Francisco foi construído na década de 60 pelo pároco Otalício Carneiro de Vasconcelos, é considerada uma das obras de maior destaque na cidade de São Benedito.
A estátua, tida como um dos equipamentos mais valiosos da cidade, foi solenemente benta por Dom José Bezerra Coutinho, Bispo na Estância do Estado de Sergipe – SE.

Igreja Matriz de São Benedito
O povoado de São Benedito nasceu em torno de um nicho construído pelo índio Jacó de Sousa Castro em homenagem a São Benedito. Em 1941, Padre Felipe Benício, Vigário de Viçosa do Ceará, reconstruiu a capelinha no mesmo lugar no nicho de Jacó. Nova capela foi iniciada em 23 de agosto de 1950 no lugar onde hoje está a matriz, e inaugurada em 22 de dezembro de 1951. Em 06 de agosto de 1874, em virtude da lei provincial n° 1600, Dom Luís Antônio dos Santos criou a paróquia


Praça e Coreto ao lado da Igreja Matriz 
Santuário de Fátima da Serra Grande 



O Santuário de Nossa Senhora de Fátima da Serra Grande é um complexo religioso formado por um templo principal com capacidade para 1.500 pessoas, 3 capelas, hotel, restaurante, trilha do rosário, livraria e demais serviços afins.  

fotos: Ricardo Vianna e Fátima Garcia
fontes:
Wikipédia
IBGE
http://www.saobenedito.ce.gov.br

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A Pedra Santa de Independência – Ceará


Nessa região árida são comuns as formações rochosas que se espalham por vários pontos da serra, formando figuras e fendas. Uma delas lembra a imagem de uma santa.

Vistas de perto, parecem simples e grandes pedras acopladas naturalmente umas às outras. Um pouco mais distante e de ângulos específicos, as pedras tomam forma semelhante a uma imagem. De Nossa Senhora, dizem os fiéis. A formação rochosa  fica no distrito de Jandrangoeira,  município de Independência, sertão dos Inhamus.  A designação de Pedra Santa foi dada pelos antigos moradores da região incluindo a localidade de Antônio Bento, a mais próxima da Pedra Santa. Atualmente apenas duas famílias vivem em Antônio Bento.
Os pedidos mais comuns, segundo moradores, são alusivos ao inverno,  pedidos de chuva e água para a região. 
A escassez de água, a aridez do solo, os problemas climáticos e a falta de políticas públicas desfavoreceram o município ao longo da história. Independência se enquadra no polígono das secas e muito tem sofrido por esse motivo. 
De acordo com pesquisas científicas é um dos municípios mais áridos e com maior índice de desertificação do Estado.

Caminho até a Pedra Santa: difícil acesso

Para chegar até a Pedra Santa, é preciso percorrer quarenta quilômetros de estrada de terra, com muitas pedras. Ao todo, é preciso abrir e fechar dez cancelas. Além disso, é necessário andar cerca de 400 metros em um trecho cheio de pedras. A vegetação local é composta de chique-chique, favela, mandacaru e malva, resistentes à seca.
Conforme declaração de um morador, há mais de dez anos, fazendeiros que possuem propriedades na região, teriam pedido aos gestores municipais para não recuperarem as estradas, com receio de roubo de animais, o que acabou contribuindo para o isolamento do local. Hoje, poucos visitam a Pedra santa devido a dificuldade de acesso.
Para o padre Manoel Machado, da paróquia do município, a crença na Pedra Santa é conhecida, apesar de não saber da ocorrência de milagres ou procissões.  Conta ainda, que ali era uma região bem povoada, mas de uns 20 anos para cá, as pessoas começaram a se mudar. Hoje o distrito é tão desabitado que apenas uma festa religiosa ocorre na região, na Vila de Jandrangoeira, na Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

fonte: 
Diário do Nordeste

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Viçosa do Ceará



Viçosa do Ceará é a primeira cidade da Serra da Ibiapaba, inicialmente habitada por índios Tabajaras. O município foi antiga aldeia de índios dirigida por padres da companhia de Jesus. Foi desbravado ao final do século XVI, quando do contato dos índios com os franceses, vindos do Maranhão.
Os franceses estiveram na região da serra da Ibiapaba entre 1590 e 1604, data em que foram expulsos por Pero Coelho de Sousa, quando este fazia tentativas de colonização portuguesa no Ceará.
Ainda em 1607, os padres Luís Figueira e Francisco Pinto, também da companhia de Jesus, estiveram na Ibiapaba, com o objetivo de catequizar os índios. Há ainda informações históricas de que o missionário Francisco Pinto fora trucidado por índios Tucurujus.
As missões, no entanto, não foram continuas, não havendo consequentemente, uma colonização regular na Ibiapaba.
O aldeamento na região ia aos poucos se estruturando com a presença  de moradias indígenas próximas à residência dos padres. 






Igreja de Nossa Senhora da Assunção, marco importante da história de Viçosa do Ceará. Conta-se que existem túneis subterrâneos embaixo da Igreja que dão acesso a várias casas antigas da Cidade. Estes túneis seriam usados pelos jesuítas para escapar dos ataques indígenas. Sua fundação data do ano de 1695. 

Marco importante da história de Viçosa do Ceará foi a construção da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção. Conforme informações do Padre Ascenso Gago, sua fundação data do ano de 1695. Naquela ocasião foi colocada a imagem de Nossa Senhora da Assunção, havendo naquele dia procissão, missa, danças e brincadeiras, além de exibição de lutas entre índios.
Nesse contexto, o dia 15 de agosto de 1700 deve ser tomado como marco da fundação oficial da aldeia da Ibiapaba, futura cidade de Viçosa do Ceará. O padre Ascenso Gago, como Superior da Aldeia da Ibiapaba, dirigiu todo o processo de formação da futura Vila. Foi o grande missionário da Ibiapaba. Mais tarde foi substituído pelo padre Francisco Lira.






Lagoa Pedro II
Antiga Lagoa de Mel Redondo que significa Ibiapaba, habitada primitivamente por índios da tribo Irapuã, foi construída por volta de 1800, numa época de seca. Os recursos foram dados pelo Pedro II, na época se região Império, daí o nome Lagoa Pedro II. 



Teatro Pedro II
O prédio de 102 anos, um dos teatros mais antigos do Ceará,  que passou quatro décadas fechado, foi restaurado pelo IPHAN em parceria com a Prefeitura de Viçosa. Além do restauro, foi adquirido mobiliário novo, como cadeiras da área de plateia e mezanino, equipamentos de iluminação, som e projeção.


Igreja de São Francisco


Igreja do Céu
Ponto mais alto da cidade com 900m de altitude, encravada no topo do morro uma capela fundada pelo Monsenhor José Carneiro da Cunha dedicada a Nossa Senhora das Vitórias.
No alto do templo surge a imagem do Cristo Redentor, esculpida pelo italiano Augustinho Odísio Balmes em 1937 e inaugurada pelo Bispo José Tupinambá da Frota, Bispo da Diocese Sobralense em 14 de agosto de 1938.



A igrejinha, construída em 1938, foi a única construção nesta parte mais alta da cidade durante quase sessenta anos, até que a prefeitura local, em fins dos anos noventa iniciou a construção do espaço cultural no entorno da igreja.
O Pólo Turístico dispõe de restaurante, telefone público, centro de convenções, biblioteca, banheiros, área de estacionamento, palco para shows, calçadão e boxes para venda de artesanato e as delícias da culinária local.


 Para chegar ao local a escolha fica a critério do visitante, de carro ou a pé pelos 334 degraus que dão acesso ao santuário.


População: 54.955 habitantes (IBGE - Censo Demográfico de 2010)
Área da Unidade Territorial - 1.311.620 km²
Densidade Demográfica - 41,90 hab/km²
Localização - microrregião da Ibiapaba, Mesorregião dos Nordeste Cearense
Distância de Fortaleza - aproximadamente - 349 km
Limites: 
Norte - Granja
Leste - Granja e Tianguá
Sul - Tianguá
Oeste - Cocal e Cocal dos Alves (ambas no vizinho estado do Piauí)

Em 1759, são abolidas, no Brasil, as missões da Companhia de Jesus, por determinação de Marquês de Pombal, ministro do rei de Portugal, D. José I. Com isso, também foram abolidas as aldeias que tinham o comando dos jesuítas, sendo as mesmas substituídas por vilas e povoados.
Á 7 de julho de 1759, a Aldeia da Ibiapaba foi elevada à categoria de Vila, recebendo o nome de Vila Viçosa Real da América, cuja instalação foi feita pelo o Ouvidor da Comarca de Pernambuco, Desembargador Bernardo Coelho da Gama Casco, que esteve na Vila para instala-la, em comunicado feito ao povo na Igreja Matriz.
Aos 14 de agosto de 1882, através da Lei 1.914, a Vila foi elevada a condição de Cidade, por proposta de Luís Januário Lamartine Nogueira, então Deputado Provincial, lei esta sancionada pelo Bacharel Sancho de Barros Pimentel, Presidente da Província do Ceará.
No ano de 1943, o Conselho Nacional de Geografia pretendeu mudar o nome de Viçosa para Ibiapaba. Alegava, para tanto o extravio de correspondências, por existir noutro Estado da Federação outra cidade com o mesmo nome de Viçosa.
Ante a inaceitável sugestão daquele conselho, para tão bizarra mudança, a comunidade viçosense insurgiu-se e, indignada, despontou o movimento liderado por Francisco Caldas da Silveira, inclusive contando com o prestígio do Jurisconsulto Clóvis Beviláqua e do Marechal Eurico Gaspar Dutra. Comungando as mesmas ideias e sintonizados nos anseios da população, sugeriram como solução definitiva acrescentar-se ao nome Viçosa a expressão "do Ceará" .
Pelo Dec. Lei nº 1144, de 30 de dezembro 1943, a tricentenária cidade de tantas memórias, recebeu o nome de Viçosa do Ceará.


fotos: 
Raquel Vianna
Rodrigo Paiva
Fátima Garcia
fontes:
IBGE
site Oficial da cidade de Viçosa do Ceará disponível em:
 http://www.vicosadoceara.ce.gov.br/turismo/
Wikipédia

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Os Primitivos Governadores do Ceará



No Brasil colônia, as capitanias podiam ser de duas ordens: principais e subalternas, podendo estar as segundas subordinadas as primeiras. Paraíba, Rio Grande do Norte, Alagoas e Ceará eram capitanias subalternas a Pernambuco. As capitanias eram administradas por três autoridades: o capitão-mor, o ouvidor e a câmara de vereadores.  
Os capitães-mores governadores tinham entre suas funções garantir a defesa da capitania, inspecionar as câmaras e órgãos judiciais no cumprimento de suas funções, garantir o bom andamento dos aldeamentos indígenas, comandar as forças armadas da capitania, além de nomear os comandantes locais dos postos de ordenanças (geralmente latifundiários, que seriam depois confirmados pelo rei) e distribuir cartas de sesmarias.
Ao longo do tempo os capitães-mores revelavam-se verdadeiros soberanos absolutos, agindo de forma arbitrária e provocando inúmeros confrontos ao intervir e perseguir as demais autoridades e administradores.


Forte do Picão ou Forte de São Francisco da Barra foi erguido sobre um recife de pedra em 1614, para proteger o ancoradouro da região portuária, sendo demolido em 1910. 

Para se ter uma ideia, até 1700, quando se instalou a primeira vila no Ceará, todo o poder estava concentrado nas mãos do capitão-mor e não houve sequer normas escritas até o ano de 1705, pois o governante recebia apenas instruções verbais de Pernambuco. Nesse mesmo ano foi enfim estabelecido um regimento para orientar a conduta do capitão-mor governador, o que, em tese, permitia que os habitantes da capitania reclamassem  dos abusos praticados.
navios ancorados ao largo dos arrecifes da Bacia Portuária de Recife, por volta de 1910.

O primeiro capitão-mor do Ceará, após a saída dos holandeses foi Álvaro de Azevedo Barreto, que tomou posse da capitania em 20 de maio de 1654. As ações iniciais de Azevedo foram no sentido de construir uma capela em louvor a Nossa Senhora da Assunção, nome, aliás, pelo qual também passou a ser denominado o forte flamengo de Schoonenborch.  No fortim, todo de madeira e em péssimo estado de conservação, promoveu uma reforma  (só em 1812 a fortaleza passou a ser de alvenaria).


Engenho em Pernambuco, com casa grande e capela 

A área em torno da fortaleza não era a mais adequada para se pensar em colonização. Sem terras propícias à grande lavoura açucareira, ou sequer um grande rio, a capitania não despertava nenhum entusiasmo. Durante anos, até que se conquistassem os sertões com a pecuária, a presença europeia no Ceará, ficou restrita ao fortim do litoral. Era local de uma gente muito humilde, vivendo de atividades de subsistência.
Eram persistentes as queixas dos capitães-mores do Ceará a Portugal solicitando providência a qualquer sinal de problemas. As autoridades sequer os encorajavam a trazer as famílias para a Aldeia do Siará, pois entendiam não ser conveniente jogá-las em meio a mil percalços, num lugarejo perdido nos confins do Brasil.


Casa do capitão-mor em Aquiraz

A guarnição do forte era anualmente substituída por outra, enviada de Recife. Muitos desses soldados eram tidos como indisciplinados em Pernambuco, e punidos com o degredo no Ceará. Os soldados andavam descalços, quase nus, salvo um ou outro com camisas e ceroulas de algodão, confeccionados  na capitania. No mais, o que se via, era um bando de maltrapilhos, cujos soldos atrasavam comumente, o que ocasionava inúmeras deserções. O armamento consistia de meia dúzia de velhas carabinas, quebradas, consertadas com cordas, quase sem munição.
A pobreza da terra não impedia que navios estrangeiros viessem praticar contrabando, nos quais se envolviam até capitães-mores – a exemplo do governador Bento de Macedo de Faria (1682-84) acusado de negociar com barcos holandeses, cedendo madeiras, gado e cavalos em troca de fazendas e gêneros.


Casa do capitão-mor em Sobral

Prepotentes e autoritários, os governadores cearenses estavam sempre em atrito com os religiosos da terra. Em 1787, uma carta dos párocos das igrejas matrizes da capitania continha denúncias contra o capitão-mor João Batista de Azevedo Coutinho de Montauri (1782-89). A igreja se dizia vítima de arbitrariedade daquela autoridade, comparado a Nero e Diocleciano. Logicamente havia reações contra esses atos autoritários, com atentados, ameaças e assassinatos, como ocorreu em 1749 quando o capitão-mor Francisco de Miranda Costa (1746-49) foi morto a tiros, o que levou a o Conselho Ultramarino em Portugal, a dizer que a maioria dos habitantes do Ceará era formada por criminosos, e nem todos os homens tinham capacidade para ocupar aquele governo.

Fonte:
História do Ceará, de Airton de Farias