terça-feira, 4 de janeiro de 2011

O Encontro de Padre Cícero com Lampião

Um dos fatos mais pitorescos da passagem da Coluna Prestes pelo Ceará deu-se com o inusitado convite feito por Floro Bartolomeu ao cangaceiro Lampião – para combater os rebeldes e defender a legalidade. 
Ainda sediado em Campos Sales, com seus batalhões de jagunços, Floro teria enviado um mensageiro portando uma carta para o “rei do cangaço” – carta referendada e assinada também por Padre Cícero – pedindo a presença do cangaceiro em Juazeiro.  
Padre Cícero e Floro Bartolomeu - a união entre religião e política no sertão do Ceará
Lampião que, por ser devoto de Padre Cícero, evitava atacar o Ceará, ao receber o convite do padre apressou-se a atendê-lo, chegando a Juazeiro com cerca de 50 homens, no inicio de março de 1926, quando a Coluna já havia deixado o Estado.
Naquela cidade, num único e marcante encontro, Lampião, após ser aconselhado por Padre Cícero a deixar aquela vida de bandidagem, comprometeu-se a combater a Coluna Prestes, recebendo armas, fardamentos e uma patente de capitão do Exército.
Capitão Virgulino Ferreira
A presença de Lampião em Juazeiro provocou alvoroço. Uma multidão se formou para ver o famoso cangaceiro e seu bando. Lampião concedeu entrevistas, bateu fotos, ofertou esmolas à igreja local, recebeu visitas e foi agraciado com presentes, sem ser incomodado pela polícia. 
O bando deixou Juazeiro satisfeito, sobretudo porque o documento que dava ao chefe a “patente” de capitão – o que correspondia ao perdão de seus crimes e a não ocorrência de mais perseguições por parte da polícia – havia sido assinado a pedido de Padre Cícero pela única autoridade federal em Juazeiro, um agrônomo do Ministério da Agricultura, Pedro Albuquerque Uchoa. 
Conta-se que chamado mais tarde a Recife, para explicar tamanho absurdo, o agrônomo teria dito aos seus superiores que, naquelas circunstâncias, e com o medo que tinha de Lampião, ele teria assinado até a demissão do presidente Arthur Bernardes.
Lampião, contudo, não foi combater a Coluna Prestes. O cangaceiro, agora definitivamente nomeado Capitão Virgulino Ferreira, talvez tenha temido a fama de guerreiros dos tenentes, talvez tenha ficado irritado ao descobrir que a “patente” não tinha valor legal, portanto não valia nada. 
Virgulino ainda tentou falar com Padre Cícero, mas este se recusou a recebê-lo novamente. 
O patriarca de Juazeiro foi duramente criticado pela imprensa de Fortaleza, a qual usou o episódio como prova da proteção que o padre fazia a criminosos.
Apesar do acontecido, Lampião nunca perdeu o respeito nem a admiração que tinha por Padre Cícero. 
Padre Cícero Romão Batista
Em junho de 1927, Lampião voltou ao Ceará, após uma fracassada tentativa de saquear Mossoró, no Rio Grande do Norte. O bando ocupou Limoeiro do Norte, exigindo uma quantia em dinheiro como “resgate”. 
Dias após deixar Limoeiro, Lampião sofreu uma emboscada feita por 500 policiais, perdendo grande parte das provisões, munições e montarias. 
Com poucas armas, a pé na caatinga, os cangaceiros travaram em seguida outro tiroteio com a polícia, desta vez na Serra da Macambira, em Pernambuco. apesar da escassez de armamentos, os bandidos derrotaram centenas de policiais, fazendo aumentar nos sertões a lenda do “rei do cangaço”. 
Ajudados por coiteiros, os cangaceiros escaparam para os sertões de Pernambuco.    

A Outra Versão para o Encontro

Os fiéis juazeirenses até hoje reagem com indignação a esse relato do encontro entre Padre Cícero e Lampião. Segundo uma versão que veio a público em data recente, 
Lampião teria “ouvido falar” que Padre Cícero precisava de ajuda para combater os “revoltosos”, e compareceu espontaneamente a Juazeiro. 
O padre, pego de surpresa com a presença dos cangaceiros, e sem outras opções, viu-se obrigado a hospedar Lampião, por temê-lo e para evitar um confronto do bando com a população. 
Padre Cícero encontrou-se então, duas vezes com o rei do cangaço e não lhe teria dado nem as armas nem a “patente”, porque como prefeito, não tinha poderes para tanto. 
O secretário de padre Cícero Benjamim Abraão em fotos dos anos 1930 ao lado do bando de Lampião. O libanês registrou as únicas imagens fotográficas do cangaço.
Segundo ainda essa versão, foi o secretário de Padre Cícero, o libanês Benjamin Abraão, que teria sugerido, em tom de brincadeira, que a “patente” poderia ser dada pelo agrônomo. Vendo o interesse do cangaceiro, Abraão viu-se obrigado a convencer Pedro Uchoa a redigir o documento.  
Benjamim Abraão ao lado de Maria Bonita e Lampião 
Também teria sido sua a idéia de confeccionar e dar fardamentos dos ”batalhões patrióticos” aos cangaceiros. 
Essa versão exime totalmente tanto o Padre Cícero quanto Floro Bartolomeu de qualquer responsabilidade na contratação dos serviços do bando de Lampião. 

fonte:
História do Ceará de Airton Farias

15 comentários:

  1. Há quem diga que Lampião foi um herói, mas ele não passou de um bandido sanguinário, acusado de muitas mortes e estupros. Padre Cícero o respeitava porque o temia, assim como muitos proprietários de terras ricos, escapando de suas garras a troco de favores financeiros.

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  2. concordo com você, Lampião não era respeitado e sim temido. E nunca foi herói, era um bandido covarde que andava sempre com um bando.

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  3. Lampiao foi vitima das circunstancias viveu em epoca de miseria onde quem mandava era os coroneis, com total ausencia do estado se ele tivesse a oportunidade teria sido um aliado das forças nacionais, mas zombaram dele dando essa patente sem valor nenhum, pra mim foi um heroi desbravador nordestino

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  4. Ola Paulo, não concordo com suas colocações, mas as respeito, o blog é democrático. Obg por viistar o site, volte sempre.

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  5. Thiago Guedes

    Hoje em dia ainda existem mas bandido q atigamnete so q nao usam mas a força bruta e sim as palavras como Lampião usa pelo seu idela aquela era um epoca de guerra violencia onde quem mandava e tinha poder era os coroneis e onde nem o povo podia se espressar enao a unica maneira q Lampiao arrumou foi combater fogo com fogo ele era os dois heroi e bandido pois na guerra todos os lados sao um pouco de cada pois ambos defedem seu ideal e quem os apoias vai sempre achar q o seu lado sempre sera o heroi e o contra os bandidos..................

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  6. Valeu Thiago,
    obrigada pela visita ao blog.

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  7. Acho q lampião teve um pouco de eroi, por se tratar de um homem pobre que lutou contra os coronéis de sua época em busca de respeito, porém nada justifica os crimes que ele cometeu, então nessa história n tem claramente um bandido e um mocinho, e sim duas visões.

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  8. Olá Willian
    dizem que a história é contada do ponto de vista do vencedor, portanto, só tem um lado, o oficial. Mas no caso de lampião há muitos relatos de moradores, pessoas tão desassistidas quanto ele, tão pobres quanto ele, que se tornaram suas vitimas. Por isso não vejo heroísmo nas lutas de Lampião. Mas respeito seu ponto de vista. Obrigada pela visita, volte sempre.

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  9. Padre Cicero borrava as calças qdo via falar em Lampião, por isso o elogiava tanto como tal de-lhe e patente de capitão, que ridículo heim

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  10. Unknown
    a turma de cangaceiros + Lampião andavam fortemente armados, eram extremamente cruéis, não respeitava absolutamente ninguém, invadia, matava, roubava, sem critérios, sem motivos. Quem não teria medo de se confrontar com pessoas assim?
    Padre Cicero tinha medo sim, de Juazeiro ser invadida pelo bando, de ter confronto com os moradores e das consequências disso tudo.

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  11. nao sei se ele era certo ou errado quem sou eu para julgar,mas só deus sabe sabe o q ele passou quando viu as mortes dos pais e o q ele viveu.Nao compete a nos acha isso ou aquilo,aó quem sabe é Deus.

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  12. olá flavyana,
    nunca houve na história do Ceará uma figura mais controvertida do que o Padre Cícero. Cada um acha uma coisa. E todos estão certos.

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  13. A GENTE QUE É DE FORA, DE OUTROS ESTADOS NÃO SABEMOS VERDADEIRAMENTE A BIOGRAFIA DO PADRE CÍCERO, O QUE O POVO DAI DA REGIÃO DELE DIZE E PENSA SOBRE ELE, ALGUEM AI PODE ME DIZER DE FATO SE ELE É TÃO SANTO COMO AS PESSOAS MAIS IDOSAS DE OUTROS ESTADOS O ENDEUSAM? QUANDO NA VERDADE PELO POUCO QUE JA VI, PERCEBI QUE ELE MORREU EXCOMUNGADO DA PRÓPRIA IGREJA, OU SEJA: SEGUNDO A IGREJA CATÓLICA, SEM PERDÃO. COMO PODE SER?
    SE ALGUEM PUDER ME RESPONDER, FICO GRATO...UM BOM DIA A TODOS..

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  14. olá mercio,
    Essa questão da igreja ter excomungado Padre Cícero é no mínimo contraditória, porque todas as datas sobre o padre nos dias atuais (aniversário de nascimento, de morte) são celebradas com a participação da Igreja católica, e a a igreja N.S. das Dores, é o quartel general da veneração ao Pe. Cicero.
    No meu outro blog tem tem várias postagens sobre a biografia do padre, procure com o marcador Padre Cícero. o link é
    www.fortalezaemfotos.blogspot.com
    abs

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