quarta-feira, 23 de março de 2011

Colonização do Ceará: A Expedição de Pero Coelho e os Padres Jesuítas

A Capitania do Siará existia desde 1535, mas ainda não havia sido explorada pelos portugueses.
Em 1603 houve a primeira tentativa oficial de colonização do Ceará, com o açoriano Pero Coelho de Sousa. Este obteve de Diogo Botelho – então governador-geral do Brasil – um título de capitão-mor e licença para organizar uma bandeira na intenção de conquistar as terras que ficavam ao norte, até o Maranhão, expulsar os estrangeiros e celebrar a paz com os índios.
Pero estava animado com a possibilidade de encontrar riquezas minerais. 
A costa brasileira em mapa do Séc. XVI 
Partindo da Paraíba, à frente de 200 índios aliados, e 65 soldados, Pero Coelho atingiu pelo litoral o Rio da Cruz (Coreaú) e seguiu para a Serra da Ibiapaba, onde travou combate contra índios tabajaras e alguns franceses, que estavam aliados naquela localidade.
Derrotando os adversários, Pero Coelho tentou seguir para o Maranhão, foco principal da presença francesa, mas só atingiu o Rio Parnaíba (Piauí), pois seus homens cansados, famintos e maltrapilhos, se recusaram a prosseguir viagem.
De volta ao Ceará, o capitão-mor determinou a fundação do Forte de São Tiago e o povoado de Nova Lisboa, às margens do Rio Ceará, batizando a capitania de Nova Lusitânia. Ficou ali pouco tempo. Os índios, revoltados com o comportamento brutal dos europeus, passaram a atacar o fortim.
O açoriano então se retira para o Rio Jaguaribe, erguendo nas margens deste o Forte de São Lourenço. No local do antigo forte, foi fundado o município de Fortim, nas margens do Jaguaribe.
No entanto, sofrendo os efeitos da seca de 1605 a 1607 – a primeira registrada pela historiografia local – abandonado por vários de seus soldados, sem receber a ajuda prometida pelo governo-geral e atacado pelos índios, Pero Coelho se viu obrigado a retirar-se do Siará, em dolorosa caminhada, na qual morreram de fome e sede alguns soldados e seu filho mais velho. 

Forte dos Reis Magos em Natal - RN
Dirigindo-se ao forte dos Reis Magos em Natal, no Rio Grande do Norte e depois Paraíba e Portugal, Pero Coelho morreu pobre em Lisboa, depois de demorada questão judicial, na qual foi mal sucedido, uma vez que não recebera autorização do governo para escravizar índios no Ceará. Fracassava assim, a primeira tentativa de colonizar o Siará Grande.
Diante disso, em vez de enviar uma força militar insuficiente e incapaz de resistir aos nativos, a Coroa optou por mandar uma missão jesuítica. Assim eram atendidos interesses do Estado e da Igreja: índios eram convertidos ao cristianismo e ao mesmo tempo eram convencidos a aceitar a presença portuguesa, afastando-os da influência estrangeira. Os religiosos escolhidos para a missão foram os Padres Francisco Pinto e Luis Figueiras.
Partindo de Pernambuco em janeiro de 1607, os padres dirigiram-se de barco, para a foz do Rio Jaguaribe, acompanhados de 60 índios, já catequizados. Desembarcando no Jaguaribe, seguiram pelo litoral, a pé, rumo à Ibiapaba, área importante para Portugal, devido a presença constante de franceses em aliança com os nativos.
Os religiosos iniciaram o trabalho de catequese, até que, em janeiro de 1608, foram atacados pelos índios Tacarijus. Francisco Pinto foi trucidado, enquanto Luiz Figueiras conseguiu fugir, sem que nada pudesse fazer.
Rio Ceará década de 1920 
Dirigiu-se então para a barra do ceará, onde fundou um aldeamento de nome São Lourenço, congregando os nativos da região. Em setembro de 1608, ante seu estado físico debilitado, optou por deixar o Siará, indo para o Rio Grande do Norte. Posteriormente, em 1609, na Bahia, relatou sua aventura em relação do Maranhão, o primeiro texto escrito sobre o Ceará.
Anos depois, em 1643, Figueiras foi vítima de um naufrágio nas imediações da Ilha de Marajó, foi capturado e devorado pelos índios Aruãs.
Em 25 de julho de 2004, na Barra do Ceará, foi inaugurada uma praça próxima ao local onde foi erguido o Forte de Santiago, a primeira construção do Ceará, o marco-zero da história da colonização. 
A nova praça foi batizada de Praça de Santiago de Compostela e, com o apoio do governo espanhol, ganhou um cruzeiro de 12 metros de altura em comemoração, na época, aos 400 anos da chegada dos espanhóis ao Ceará. 

Fonte:
História do Ceará, de Airton de Farias
Jornal O Povo 

Um comentário:

  1. Pobre Pero Coelho, tão empenhado e com tanto sofrimento,depois morrer no ostracismo, e só ter o seu nome numa pequena rua do antigo Pajeú...
    tenho pena do portuga!
    Este início da nossa história é muito interessante....e polêmica!
    Obrigada, pelo empréstimo, Fátima!
    Beijos!

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