sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Camocim



População – 60520 habitantes (IBGE – estimativa para 2011)
Área da Unidade territorial – 1.139.206 km²
Densidade demográfica – 52,81 hab/km²
Localização – Mesorregião – Noroeste Cearense
Microrregião – Litoral de Camocim e Acaraú
Limites – ao Norte, o Oceano Atlântico;
Ao Sul – a cidade de Granja;
A leste – Jijoca de Jericoacoara e Bela Cruz
A Oeste – Barroquinha
Distância de Fortaleza – 350 km 


A região de Camocim permaneceu praticamente inexplorada até meados do século  XVI, quando se registraram as primeiras tentativas de aldeamento dos índios Tremembés, que dominavam a  costa cearense.  Em 1604, Pero Coelho de Souza passou por estas bandas,  rumo a Ibiapaba.

Os portugueses chegaram  à região, a partir da segunda metade deste Século  com vários objetivos, dentre os quais, o reconhecimento completo da área, a partir de Tutóia no Maranhão até os limites finais entre Ceará e Rio Grande do Norte.
Deste momento histórico existem várias cartas topográficas datadas dos séculos XVII, que já descrevem a barra do rio Camocim, que foi catalogada com o nome de Rio da Cruz. 
Depois da segunda metade do século XVII, os jesuítas tinham o Camocim como porto e porta de entrada para a Ibiapaba. Dessa época surgiu ainda por parte dos portugueses o projeto de construir o Forte em Camocim com a intenção de proteger os assentamentos portugueses dos ataques dos índios, e impedir que outros povos europeus fizessem escambo com os nativos indígenas. Este projeto não foi adiante. 
A região do Camocim era o centro de apoio para as ações militares e religiosas por parte dos portugueses.
Entre 1838 e 1873, diversas famílias, inclusive algumas imigradas do interior, fixaram-se na região, atraídas pelo litoral, onde esperavam encontrar terras férteis. Aos poucos, desenvolveu-se o primitivo núcleo humano. 


Avenida Beira Mar

O Rio Coreaú desaguá na Praia do Farol de Trapiá, em Camocim
  
Distrito criado com a denominação de Camocim, por ato provincial de 02 de setembro de 1873; 
Elevado à categoria de vila com a denominação de Camocim, pela lei provincial nº 1849, de 29 de fevereiro de 1879, desmembrado de Granja. Sede no núcleo de Camocim.  
Elevado à condição de cidade com a denominação de Camocim, pela lei provincial nº 2162, de 17 de agosto de 1889.
Em divisão territorial datada de 17 de janeiro de 1991, o município é constituído de 3 distritos: Camocim, Amarelas e Guriú.

prédio da antiga estação da Estrada de Ferro Sobral. O ramal de Camocim originalmente foi o trecho inicial da E. F. do Sobral (Camocim-Sobral), aberto nos anos 1881 e 1882. Em 1909, toda a E. F. de Sobral foi juntada com a E. F. de Baturité para a criação da Rede de Viação Cearense. Atualmente o prédio é utilizado pela Prefeitura de Camocim.

Praça da matriz com o Cruzeiro

Igreja Bom Jesus dos Navegantes, construída  no começo do século XX, no lugar onde já existia uma antiga capela erguida pelos jesuítas. 

Igreja de São Pedro. Construída pelos fiéis e inaugurada em 29 de junho de 1942 

Igreja de São Francisco 

Praça Severiano Morel, no centro da cidade

Avião Xavante doado à cidade de Camocim pela Força Aérea Brasileira em comemoração ao centenário do primeiro voo autônomo realizado por Santos Dumont a bordo do 14 BIS. Fica na Praça Pinto Martins 


Praça Pinto Martins, construída em homenagem ao aviador Euclydes Pinto Martins, filho de Camocim, em comemoração ao centenário de cidade, em 29 de setembro de 1979.

O Aeroporto Pinto Martins  foi reformado e ampliado recentemente. O equipamento conta  com pista de pouso e decolagem com 1.200 metros de extensão por 30 metros de largura, uma Seção de Combate a Incêndio e balizamento noturno. O investimento no novo aeroporto é de R$ 5,2 milhões 

Praia do Farol

Manguezal


balsas que fazem a travessia sobre o Rio Coreaú para a Ilha do Amor e entre Camocim e o município de Jijoca de Jericoacoara 

Lago Seco

Usina Eólica na Praia de Maceió

Praia de Maceió

Trecho do Rio Acaraú

As principais fontes de água de Camocim são: Baía de Camocim, Lago Grande, do Boqueirão, da Moréia, Lagoa Cangalha e Inhanduba, Córrego da Forquilha, Rio Coreaú, Trindade, P. Maceió, Imburava. 
As praias da Tatajuba, do Guriú, dos Remédios e do Xavier são pertencentes ao município de Camocim e não ao município de Jijoca de Jericoacoara como muitos supõem, pelo fato de terem localização geográfica próxima e também por Jericoacoara ter um fluxo de turistas intenso, que acabam fazendo também esta rota.

fotos de agosto de 2012 
por Raquel Vianna, Rodrigo Paiva e Fátima Garcia

fontes:
Wikipédia
IBGE

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

A Seca de 1979-1984


Entre os anos de 1979 e 1984 o Ceará conheceu a mais longa estiagem do século XX. Uma hecatombe sócio-econômica que arrasou a pecuária e a cotonicultura, que entrou em colapso a partir desse evento. Foi a primeira seca global, pois os novos meios de comunicação deram cores e realismo à situação dos sertanejos, antes só imaginada.
as emissoras de tevê apresentavam ao vivo o sertão cinzento e ensolarado, o gado morto de fome e sede, a população indigente, subnutrida e doente. Pessoas morriam de fome, enquanto outras apresentavam como único alimento diário, água barrenta com açúcar, uma xícara de café com farinhas ou ratos e urubus. 
Houve uma sucessão de saques e invasões em vários municípios cearenses - muitos comerciantes temendo os saques, distribuíam alimentos acalmando os famintos. o País ficou chocado. campanhas foram feitas arrecadando recursos e comida para "salvar" o Nordeste, enquanto milhares de pessoas migravam para Fortaleza, agravando ainda mais o abismo social da capital.

Milhões de cruzeiros (a moeda da época) enviados pelo governo federal e entidades privadas  para socorrer as vítimas, desapareciam nas mãos das elites e intermediários da ajuda. Muitos formaram fortunas, às custas da miséria de milhares de cearenses. 
O bispo de Crateús, Dom Fragoso, lançou em 1983 um documento condenando aquelas campanhas. Segundo o bispo, tais campanhas criam confusão, não chegando a todos que necessitam; com esmolas não se combate a miséria, mas com trabalho, terra e justiça. O documento critica ainda "os ricos da televisão, dos clubes e políticos ...que querem dar esmolas para enganar".

 em todo e qualquer período de estiagem, a providência oficial é sempre a mesma: a contratação de caminhões-pipas para distribuição de água. A medida só ameniza o problema por curtissimo espaço de tempo. A solução para o desabastecimento de água no sertão do Ceará, requer investimentos e vontade política. (imagem do site Crato notícias)

O governo enviou caminhões-pipa para distribuir água no interior e abriu frentes de serviços (construção de açudes, cacimbas, estradas, etc), para atenuar a tensão social e controlar os sertanejos, tentando mantê-los nos lugares de origem. Homens, mulheres e crianças trabalhavam duro, quebrando e carregando pedras sob um sol desolador, submetidos à arbitrariedade e à exploração dos encarregados pelas obras. Muitas pessoas desmaiavam ou passavam mal durante o trabalho. 

Em todo o Nordeste, mais de dois milhões e 600 mil pessoas foram alistadas nessas frentes, cujas obras beneficiavam os proprietários de terra. Os salários eram baixos e os trabalhadores recebiam modestas cestas básicas. O alistamento nas tais frentes era humilhante: multidões em desespero se concentravam nas cidade na esperança de conseguir uma vaga. Não raras vezes surgiam desentendimentos entre os sertanejos e confrontos com a polícia.  

Fonte:
História do Ceará, de Airton de Farias  

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O Ceará antes de 1877


Um constante estado de isolamento e pobreza material seria uma das características principais da evolução histórica do Ceará. No contexto colonial, a então Capitania do Siará Grande se resumia, até meados dos anos 1700, num pequeno forte desguarnecido, esquecido pelas autoridades de Lisboa. Somente durante o século XVIII, quase dois séculos e meio depois da chegada dos portugueses à colônia, é que as primeiras vilas foram criadas. Até esse período, a vasta região sertaneja tinha sido palco de lutas sangrentas entre o colonizador branco e o nativo, num processo que culminou com a destruição do mundo indígena.

Aracati e o cruzeiro da matriz (arquivo Nirez) 
O Ceará ficou atrelado à Capitania de Pernambuco até 1799, quando então foi considerada capitania autônoma pela corte de Portugal. A leitura de antigos relatórios revela que essa autonomia não chegou a representar uma evolução significativa para a maioria da população. É verdade que algumas medidas chegaram a ser propostas pelos seus governadores, mas foram ignoradas pelo reino de Portugal.
A evolução econômica do Ceará foi marcada pela realização de dois ciclos de riqueza, os quais não se excluíam, antes apareciam como complementares: o do gado e do algodão. A pecuária foi a grande responsável pela expansão colonizadora pelo sertão e pela conquista avassaladora das antigas povoações ocupadas pelos indígenas.

 colheita do algodão (foto IBGE)

Até 1780, a grande riqueza da capitania vinha dos rendimentos das charqueadas, principalmente em vilas como Aracati e Granja. A cultura do algodão se intensificou no final do século XVIII, aparecendo como riqueza predominante no século seguinte. Todos esses ciclos de riqueza econômica só beneficiaram uma pequena minoria composta pelos proprietários de terras e donos de oficinas de charque. A maioria da população, para sobreviver, tinha que ficar sujeita a um desses proprietários, servindo como agregado, vaqueiro, parceiro, ou simples empregado. A população escrava, por sua vez, era diminuta.


O resultado é que boa parte dos habitantes do sertão não conseguia ser aproveitada nas atividades econômicas. Esse modelo socioeconômico excludente tinha sido estimulado pelas autoridades de Lisboa. Para garantir a colonização de áreas do Novo Mundo, a Coroa delegou aos fidalgos e outros membros da elite metropolitana a tarefa de conquistar o território. Em troca o rei distribuiu sesmarias e concedeu títulos e benefícios aos vencedores de batalhas contra os nativos. Dessa forma, grandes áreas do território cearense foram entregues a poucos indivíduos que, em pouco tempo, tornaram-0se potentados rurais, verdadeiros formadores de reinos particulares em regiões distantes do poder régio.
As camadas rurais, sem posses ou prestígio, ficaram cada vez mais dependentes da proteção de um senhor. Este, num primeiro momento, agiu praticamente sem a interferência da administração portuguesa, impondo com vigor suas leis e normas severas, dominando com mão de ferro a população subjugada. 
No decorrer do processo inicial de colonização, houve uma inquestionável supremacia do poder privado sobre o poder público. É verdade que a criação das vilas e o fortalecimento das instituições reais contribuíram para o enfraquecimento desse poder, mas mesmo assim, o chefe local continuaria como líder diante de um grande número de pessoas iletradas, pobres  e sem perspectiva.

 Casa de colono no interior do Ceará (foto IBGE)

Oferecendo proteção e abrigo a essas pessoas, e ao mesmo tempo exigindo fidelidade e lealdade, os senhores da terra reproduziram, nas longínquas áreas do sertão, o sistema paternalista e clientelista que já os tinha beneficiado no processo de aquisição de sesmarias, cargos e direitos reais.
A consolidação do modelo paternalista tornava as populações rurais cearenses meras coadjuvantes no processo histórico. A camada dominante, por sua vez, pouco se importava com grandes inovações econômicas, ou era avessa à difusão de ideias revolucionárias, não obstante setores da elite, terem adotado um discurso de inconformismo e repúdio ao poder centralizado. 
As lutas que sangraram o território cearense no período da Independência do Brasil e as que levaram à Confederação do Equador (1824) e à Sedição de Pinto Madeira (1832) se desenvolveram principalmente no seio das classes consideradas dirigentes ou foram impulsionadas por elas.

 fazenda no interior do Ceará (foto IBGE)

A Lei de Terras (1850) foi outro fator que contribuiu para consolidar o poder da minoria proprietária. Os índios, dispersos e misturados, no meio da população geral, foram definitivamente alijados dos seus direitos. O acesso à terra passou a ser controlado e forma rígida, evitando a apropriação pelos pobres, de áreas ainda sem aproveitamento. Ao mesmo tempo, os fazendeiros passaram a pressionar cada vez os governos provinciais, no sentido de garantir leis para inibir a vadiagem.
As relações sociais no Ceará do século XIX foram marcadas assim, por uma situação de intensa desigualdade. De um lado, o proprietário, senhor absoluto. De outro, o morador, o agregado, o escravo. Na fazenda de criação, o vaqueiro agia em nome do seu chefe, normalmente seu compadre e protetor. Nos algodoais, o sistema predominante foi o da parceria, prática bastante intensa da segunda metade do século.

Os grandes proprietários, naturalmente, também cobravam de uma forma ou de outra, pelo uso de benfeitorias existentes na terra, como os açudes, por exemplo. Desenhava-se assim, um quadro no qual ficava clara a vulnerabilidade da imensa maioria dos sertanejos. Pressionados pelos donos de fazenda, os agricultores tinham pouco tempo para dedicar-se às suas culturas de subsistência, chegando em certos momentos a depender diretamente dos mesmos, no que se refere à alimentação diária. O paternalismo e a rigidez dos latifúndios sufocavam o agregado, impossibilitando sua independência e a melhoria de sua situação econômica e a da sua família.

Extraído do livro de Cicinato Ferreira Neto
A Tragédia dos Mil Dias: a seca de 1877-79 no Ceará

terça-feira, 31 de julho de 2012

Maranguape

Rua de Maranguape. O primeiro imóvel à esquerda é o Solar Bonifácio Câmara, onde funciona a Biblioteca Pública do Município.

As origens do município datam do século XVII, quando a expedição holandesa, comandada por  Matias Beck, chegou ao Ceará no ano de 1649, conduzindo cerca de 298 homens, entre soldados, índios e negros escravos. O capitão holandês fundeou na  Enseada do Mucuripe, construindo o forte "Schoonenborch", nas cercanias do riacho Pajeú, em cuja volta se desenvolveu o povoado que mais tarde seria a vila de Fortaleza de Nova Bragança.
Os holandeses vieram em busca de supostas minas de prata, existentes na Serra de Itarema ,– próximo ao lugar onde acampavam e não muito distante da serra de Maranguape;  Os holandeses acreditavam encontrar esses tesouros no Ceará, numa daquelas serras que azulavam no horizonte.

Praça Capistrano de Abreu

A expedição batava à Serra de Itarema constitui a primeira exploração do homem branco nas terras do atual município de Maranguape, àquela época habitadas por índios potiguaras, que dilatavam seus domínios na faixa litorânea, desde o Rio Grande do Norte até a Barra do Ceará,  e daí ao Piauí.
As primeiras sesmarias foram concedidas no início do Século XVIII,  mas o povoamento, entretanto, só veio a se efetivar nos primórdios do Século XIX com a decidida atuação do português Joaquim Lopes de Abreu que, por doação do governo na metrópole, entrou no domínio de algumas sesmarias, incorporando-as a outras anteriormente compradas.
Em breve surgiu o arruado, à margem do riacho Pirapora, em torno de uma capelinha, construída para atender às necessidades religiosas dos moradores, que se ocupavam nas atividades agrícolas, especialmente na cultura do café. Em 1851-1852 a produção de café da província era obtida quase toda nas serras de Maranguape. Em 1875, Maranguape ecebe um grande impulso econômico com a inauguração da linha férrea da Estrada de Ferro Baturité, que funcionou até 1963, quando foi desativada.  Na segunda metade do século XIX, mais uma leva de portugueses iniciam mais uma atividade econômica, a plantação de cana-de-açúcar e a produção de cachaça.


População: 115.465 habitantes - (estimativa 2011 - IBGE)
área: 590,886 km²
densidade demográfica: 192,19 hab/km²
distância de Fortaleza: 30 km
localização: Região Metropolitana de Fortaleza
Limites: 
Norte - Caucaia e Maracanaú
Sul - Palmácia, Caridade e Guaiuba
Leste - Maracanaú e Pacatuba
Oeste - Pentecostes e Caridade

 



Distrito criado com a denominação de Maranguape, por provisão de 1° de janeiro de 1760 e ato provincial de 18 de março de 1842, subordinado ao município de Fortaleza. Elevado à categoria de vila com a denominação de maranguape, pela Lei Provincial n° 533, de 17 de novembro de 1851, sendo desmembrado de Fortaleza. Sede no núcleo de Maranguape. Elevado à categoria de cidade em 1869.

Museu da Cidade




 O prédio que atualmente abriga o Museu da Cidade já funcionou como escola, cadeia, delegacia de polícia e instituto médico legal. A segunda utilização justifica as grades nas janelas, e paredes e portas reforçadas. O "x" pintado sobre a porta indicava o número da cela. Sua construção foi iniciada em 1877, empregando mão-de-obra de retirantes da grande seca iniciada naquele ano. Destinava-se inicialmente a ser uma escola pública, e como tal funcionou durante muitos anos. 



O acervo do museu é composto de material sobre o humorista Chico Anísio, um dos filhos mais ilustres de Maranguape, móveis, cadeiras e utensílios antigos doados por moradores e peças usadas no exercício da medicina.     

Igreja Matriz de N.S. da Penha




Igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha  

A Igreja principal da cidade foi fundada em 04 de agosto de 1849. A edificação preserva traços da antiga arquitetura religiosa do Estado. Maranguape tem uma peculiaridade de possuir dois padroeiros: Nossa Senhora da Penha e São Sebastião, este último foi escolhido pelo povo em Ação de Graças, devido à suposta intervenção do mesmo na grande epidemia de cólera ocorrida em Maranguape no ano de 1862. Os fiéis acreditam ter sido a partir da proteção de São Sebastião responsável pelo fim da epidemia.


Sítio Ipu, e a casa onde nasceu Chico Anísio 

 Chico Anísio nasceu em 12 de abril de 1931, no Sítio Ipu, em Maranguape. Viveu durante sete anos em Maranguape, quando mudou-se para Fortaleza com a família. Seu pai era presidente do Ceará Sporting Club e dono de uma empresa de ônibus. Em meados de 1940, a empresa de seu pai pegou fogo, e a 'riqueza' da família virou cinzas. Como Chico dizia, 'dormiu rico e acordou pobre'. Foi quando viajaram para o Rio de Janeiro. Lá começou a trabalhar com imitações, participando de shows de calouros. Ganhava todos que participava, no Rio de Janeiro e em São Paulo, chegando ao ponto de os organizadores o proibirem de participar dos shows. Foi quando ingressou na rádio Guanabara que suas imitações dos tempos de calouro o fizeram famoso. Logo ao chegar na rádio, inscreveu três programas humorísticos, que foram prontamente aceitos pela direção da emissora.


Em 1950, já na rádio Mayrink Veiga, nasceu o que chamou de seu 'primeiro gol': o professor Raymundo, seu personagem mais complexo e famoso. 
Em 65 anos de carreira criou 209 personagens,  publicou 21 livros e pintou cerca de 300 quadros. Como compositor tem 27 discos gravados e ganhou dois discos de ouro, quando fazia com Arnaud Rodrigues, a dupla  "Baiano e os Novos Caetanos".
Chico Anísio faleceu no dia 23 de março de 2012, no Rio de Janeiro.

Fotos de julho/2012
por Rodrigo Paiva e Raquel Vianna
pesquisa:
IBGE
Wikipédia
e outras informações colhidas no local    

sábado, 14 de julho de 2012

Assaré, a Terra do Patativa

Vista parcial da cidade de Assaré (foto do site férias tur,  por Vânia Dias)

Até o ano de 1775, o local onde se assenta a cidade de Assaré era totalmente despovoado  num raio de 3 léguas, consistindo apenas em um campo nu de vegetação, à exceção de algumas carnaubeiras e moitas de "pereiros", uma ou outra oiticica às margens de pequenos regatos que sulcam o terreno e correm no inverno; e mais uma infinidade de pequenos olhos-d'água, nas encostas da serra, várias cachoeiras e a soberba pastagem nas várzeas e "escalvados", que tornavam-no apropriado para a criação em geral.
Naquele ano Alexandre da Silva Pereira,  adquirindo as terras do local e adjacências, veio estabelecer-se com a família, criação e escravatura, à margem do regato mais volumoso da região.


 Casa da Várzea
Construída por Alexandre Silva Pereira, passando depois para o coronel Francisco Gomes,  advogado e político do Assaré. O Cel. Gomes era também grande proprietário de terras do século passado. Pertencia às famílias Braga e Gomes de São Mateus dos Inhamuns.
A Casa da Várzea pertenceu em seguida ao Dr. Manuel Paiva, o primeiro juiz a fixar residência no Assaré. (foto: Assaré Net)

O fazendeiro logo se tornou  conhecido e respeitado, mesmo em zonas distantes, dada a facilidade de comunicação, porque ali  se cruzavam as mais movimentadas estradas da época: a Cariri-Inhamuns com a Piauí - Sertões do Baixo (Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte), resultando em pouso certo  e confortável para os transeuntes que aproveitavam a ocasião para transações, transformando a fazenda em entreposto comercial.
Visando o povoamento da região, o proprietário fez diversas doações de terras em torno da fazenda, tendo o cuidado de reservar uma parte para o patrimônio do orago da futura freguesia.


Igreja Matriz Nossa Sra. das Dores (foto de Vânia Dias) 
originalmente foi construída uma capela em terreno doado pelo fazendeiro  Alexandre Pereira da Silva, em 1775.  Esta permaneceria inalterada até a conclusão das obras da igreja matriz.  As obras da matriz foram iniciadas em 1842 e concluídas em 1850 , não no mesmo local da capela, mas na Fazenda Várzea, localizada um pouco ao Norte.

Em 1823, os independentes do Ceará Grande, organizando a expedição que foi conhecida por "Marcha de Caxias", a fim de sufocar os rebeldes do Piauí, transformaram o povoado em campo de concentração, ficando aí aquartelados, o que concorreu para melhorar as condições locais.



Açude Canoas (fotos do blog de Assaré e álbum picasa,  de Giseli Barros)
Concluído em 1999 o Açude Canoas é um lago artificial formado pela barragem do Riacho São Gonçalo, pertencente a bacia Hidrográfica do Alto Jaguaribe. Tem capacidade para armazenar 69 milhões de m³ de água. Fica no município de Assaré 

Em 1831 ia ser elevado a distrito de paz, quando a revolução de Joaquim Pinto Madeira irrompeu no Cariri, vindo estas terras a ser teatro de lutas entre liberais e corcundas.
A construção da igreja matriz começou em 1842 no local da primitiva capelinha. Em 1844, foi construído, a expensas da padroeira, o açude "Banguê", depois denominado "Açude de Nossa Senhora".
Assaré passou a sede de freguesia em 1850, com a nova denominação de Nossa Senhora das Dores.
Distrito criado com a denominação de Assaré, pela lei provincial nº 520, de 04-12-1850.
Elevado à categoria de vila com a denominação de Assaré, pela provincial nº1152, de 19 de julho de 1865, desmembrado de Saboeiro. Sede na povoação de Assaré. Constituído do distrito sede. Instalado em 11-01-1869.
Em divisão territorial datada de 17-I-1991, o município é constituído de 3 distritos: Assaré, Amaro e Aratama.

Imagem de Nossa Sra. das Dores no Bairro Moeda (foto do site férias tur)   

Memorial Patativa do Assaré (foto wikipédia)


População – Censo demográfico do IBGE/2010 – 22.445 habitantes
Área da unidade territorial –  1.116,325 km²
Densidade demográfica – 20,11 hab/km²
Limites –  Norte - Antonina do Norte e Tarrafas;
 Sul - Potengi e Santana do Cariri; 
Leste - Altaneira;  
Oeste- Campos Sales.
Distância de Fortaleza – 520 km
Localização –  mesorregião Sul Cearense
Microrregião Chapada do Araripe

Patativa o filho mais ilustre do Assaré

estátua de Patativa do Assaré no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza
Casa do Patativa na Serra de Santana (foto do blog poeta pernambucano)
Antônio Gonçalves da Silva, conhecido como Patativa do Assaré nasceu no dia 5 de março de 1909 e faleceu em 8 de julho de 2002. Foi um dos maiores poetas populares do Brasil. Cearense de Assaré, teve sua obra registrada em folhetos de cordel, em discos e livros. Aos 16 anos comprou sua primeira viola e começou a cantar de improviso. Com uma linguagem simples porém poética retratava a vida sofrida e árida do povo do sertão. Se projetou com a música "Triste Partida" em 1964, uma toada de retirantes, gravada por Luiz Gonzaga. Seus livros, traduzidos em vários idiomas, foram tema de estudos na Sorbonne, na cadeira de Literatura Popular Universal.

pesquisa:
IBGE
Wikipédia
blog paróquia de Assaré
site e-biografias net

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Siará Grande e a Fortaleza dos Candeeiros, Lamparinas e Velas


Quando  Henry Koster, português filho de ingleses, inicia suas impressões sobre a vila de Fortaleza, que visitou no período de 16 de dezembro de 1810 a 8 de janeiro de 1811, o governador da província era Luiz de Barba Alardo de Menezes,  a população era, em sua maioria, pobre e não alfabetizada, e havia apenas duas escolas primárias e uma para ensino de latim.
As impressões do visitante foram expressas na obra Travels in Brazil, sendo minuciosas  quanto ao ambiente e aos costumes da população e dos índios que habitavam as aldeias de Arronches, Messejana e Soure, respectivamente os atuais Distritos de Parangaba e Messejana e o município de Caucaia.


Planta de Fortaleza 1811

A capitania do Siará, doada ao fidalgo Antônio Cardoso de Barroso, nunca fora objeto de ação colonizadora, até uma primeira e malfadada tentativa da expedição do nobre açoriano Pero Coelho de Souza.  Depois, em 1612, novo esforço de colonização, dessa vez  com o também açoriano Martim Soares Moreno.
Quando Martim Soares Moreno deixou o Ceará em definitivo, no ano de 1631, a região voltou ao domínio dos indígenas, após o extermínio dos portugueses remanescentes. Em 1649, o Ceará é invadido pela expedição holandesa de Matias Beck que constrói o Forte Schoonenborch, à margem do Riacho Pajeú. 
Sitiado pelos portugueses comandados por Álvaro de Azevedo Barreto, em 1654, Beck se rende e o forte que construira é rebatizado com o nome de Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção.  
Por Carta Régia de 13 de fevereiro de 1699, a coroa portuguesa autoriza a criação de uma vila no Ceará. Depois de muitas discussões em torno da localização, a vila foi instalada em Aquiraz. Mas uma invasão dos índios Paiacus, Anassés e Jaguaribaras, resultou no massacre de 200 dos seus habitantes, provocando a debandada dos sobreviventes e dando motivo para a criação de uma segunda vila no Ceará.
Em consequência, a 13 de abril de 1726, junto ao forte, é instalada a Vila de Fortaleza de Nossa senhora de Assunção. E por quase um século a história narra um lento desenvolvimento que conduz ao povoamento desolado da primeira década do século XIX.

primitiva Casa dos Governadores na antiga Rua dos mercadores (atual Conde d'Eu) no local onde hoje se encontra o centro de referência do professor) 


Transformações importantes viriam com o governador Manoel Ignácio de Sampaio, responsável pelo que seria o primeiro plano urbanístico de Fortaleza. Essa nova realidade marca decisivamente a vida local, ensejando possibilidades animadoras. E resulta no Decreto do Imperador d. Pedro I, a 17 de março de 1823, logo após a independência  do país do domínio português, elevando a antiga vila à cidade com o nome de Fortaleza de Nova Bragança, denominação não aceita pela população.
No ano seguinte, para efetivar a adesão da província à monarquia brasileira, chega à Fortaleza, a bordo da nau Pedro I, o almirante Lorde Thomas Cochrane, que cumpre seus objetivos políticos e não se esquece de oferecer sua contribuição à ambientação da cidade, plantando fileiras de árvores de ambos os lados das ruas. 
No entanto, o povo, movido talvez pela antipatia ao almirante ou por qualquer outro motivo, derrubou as árvores e arrancou-lhes as raízes, destruindo um melhoramento que teria sido de grande utilidade, dadas as altas temperaturas, o forte calor e fortes ventos que assolavam a capital.
Tempos depois outro visitante oferece uma narrativa mostrando a nova realidade e a perspectiva de soluções para alguns dos graves problemas de Fortaleza, então com 25.000 habitantes. 


A iluminação pública surgiu em Fortaleza a partir da segunda metade do século XIX. 

A. de Belmar, escreve no livro Voyage aux Provinces, suas impressões a respeito, de  Fortaleza, uma cidade nova, de aspecto europeu,  ruas alinhadas e alguns edifícios de notável elegância, dentre os quais estão o Palácio do Governo, um  quartel e a Catedral. 
Acrescenta que a cidade contava ainda com um liceu, uma junta de comércio, hospitais, e, nos arrabaldes, cerca de 1.500 casas de palhas que abrigavam os pobres. E que não restam dúvidas que o melhoramento do porto e outras medidas realizadas pelo governo acabarão de assegurar sua prosperidade.

Prédio da primeira Assembleia Provincial, esquina da rua Conde d'Eu e rua Sobral, na Praça da Sé

Evidencia-se que os recursos rudimentares da vela de carnaúba, de sebo ou de gordura animal de fabricação caseira, e os lampiões, candeeiros, ou lamparinas com azeite extraído da mamona, são de uso frequente  da população da primitiva vila e no período inicial da história da cidade de Fortaleza. 
Eram as soluções práticas para produzir iluminação residencial e os trechos fronteiriços das casas. Era comum ainda o uso de lenha de árvores resinosas como archotes, nas caminhadas nas noites escuras, e na queima nos fornos residenciais. 


   Uma verdadeira maravilha vegetal, particular a este terreno: é a carnaúba ou palmeira cerífera. As folhas são tapeçadas de uma espécie de cera ou sebo, de que os habitantes fazem pequenas candeias. (A. Belmar, em Voyage aux Provinces)

Carnaubeiras às margens do Rio Cocó - 1964
(imagem http://www.ibamendes.com)

Não se tem noticia de qualquer fluxo importador expressivo de produtos com fins de iluminação, o que pode comprovar a quase exclusiva utilização dos recursos regionais para suprir o consumo da população. O acesso fácil a plantas oleaginosas da região indicava a saída natural que a população de Fortaleza, a exemplo de toda a província, utilizava para a satisfação de suas necessidades de iluminação, cujas fontes, eram aparentemente inesgotáveis e de baixo custo.


As lamparinas à querosene ainda hoje são usadas em algumas localidades do interior do Ceará

Os candeeiros, lamparinas e velas constituem o padrão comum de artefatos geradores de iluminação nessa fase da vida provincial. Por volta de 1865, é comercializado também o querosene, que substituirá outros combustíveis na alimentação das tradicionais lamparinas. E somente quando surge uma classe mais culta e economicamente mais favorecida são introduzidos no cenário doméstico o requinte dos lustres de cristais ou castiçais ou candelabros de prata, por assimilação dos referenciais de elegância e riqueza próprios dos centros desenvolvidos.
fotos do Arquivo Nirez
Extraído do livro
História da Energia no Ceará,
De Ary Bezerra Leite