domingo, 5 de janeiro de 2014

Características Gerais da Região Metropolitana



 
Municípios

Fortaleza, Aquiraz, Cascavel, Caucaia,  Chorozinho, Eusébio, Guaiuba, Horizonte, Itaitinga, Maracanaú, Maranguape, Pacajus, Pacatuba, Pindoretama e São Gonçalo do Amarante.  
Foi criada pela Lei Complementar Federal nº 14, de8 de junho de 1973, que instituía, também, outras regiões metropolitanas no país.
 total de 15 municípios
população: 3.615.767 habitantes (IBGE censo 2010)
área: 5.795 km²
densidade: 623 hab/km²
 
Caucaia

Aspectos Físicos

A região metropolitana situada ao norte do Ceará totaliza uma área de 5.795 km². Apresenta temperatura média entre 27°C  e 35°C, exceto as zonas mais altas da serra de Maranguape com temperaturas médias mais baixas. As precipitações se concentram nos meses de fevereiro a maio com índices nunca inferiores a 900 mm anuais em média para todo o conjunto e com maior abundância no litoral, cujas médias anuais são sempre superiores a 1.400mm. 
 
Itaitinga - bairro Jabuti

Recursos naturais
 Solo

Na região predominam os solos com média e alta fertilidade natural, destacando-se os tabuleiros pré-litorâneos (grupo barreiras) em Caucaia, Fortaleza, Aquiraz e parte de Maranguape e Pacatuba.  Apresenta ainda solos profundos ou moderadamente profundos, de textura argilosa e bem drenados e solos rasos ou muito rasos pouco desenvolvidos, normalmente pedregosos. Os primeiros possuem alto potencial agrícola utilizado para culturas de subsistência, cultivo de cajueiro e algodão e com pastagem para pecuária. Os segundos são aproveitados primitivamente para culturas de milho, feijão e algodão. Nas margens dos cursos d’água e das lagoas há o predomínio dos solos de aluvião mais recentes e solos propícios ao desenvolvimento da carnaúba e criação de camarões em viveiros e que aparecem em manchas isoladas.

Maranguape

Vegetação

De maneira geral a cobertura vegetal caracteriza-se pela área de formações pioneiras, isto é, formação vegetal de influência marinha, sendo arbustiva, herbácea ou manguezais, destacando-se também a cobertura vegetal da região de serras com a presença de brejos. Notadamente a Serra de Maranguape apresenta três tipos distintos de cobertura vegetal, parte de características da planície sertaneja (caatinga), vegetação de pé de serra (matas altas) e finalmente os brejos.
 
Serra da Pacatuba

Minerais

O potencial mineral dessa região encontra-se associado aos terrenos de argila e areia na área litorânea, exploração de pedreiras e depósito de diatomitos. Ressalta-se  a ocorrência de calcário, dolomita e amianto que poderão ser aproveitados na indústria de aditivos agrícolas, fabricação de refratários, construção civil etc. 

Cascavel

Aspectos Econômicos

Setor Agrícola

As atividades agrícolas, embora não se caracterizem como predominantes nesta região,  mostram aptidões para o cultivo de caju, coco, banana e outras fruticulturas regionais, além da mandioca e culturas de subsistência através do milho, feijão e arroz.
Setor Industrial

Na região destaca-se, no setor secundário, o município de Maracanaú, que dispõe de um distrito industrial com preponderância nos segmentos alimentícios, confecções, minerais não metálicos, química e metalurgia. Caucaia caracteriza-se como importante polo industrial de processamento de minerais não metálicos e Maranguape como centro de confecções. A pesca industrial e a pesca artesanal são atividades de expressiva participação na economia da região, notadamente pela capacidade de geração de divisas e de empregos.
Turismo e Comércio

Igreja de São José de Ribamar, em Aquiraz

Destaca-se como principais atrativos da região o litoral de Aquiraz e Caucaia com belas praias e dunas e a zona serrana de Maranguape e Pacatuba, onde se destacam as fontes de águas naturais e o clima ameno. Aliado a isso, tem-se as atividades socioculturais onde se observa um rico artesanato, tais como labirinto, bordado, rendas e redes e expressivo acervo histórico com destaque especial à Casa de José de Alencar em Messejana, e o Museu Sacro São José de Ribamar, localizado em Aquiraz. 

 Lagoa da Messejana - Fortaleza

No setor terciário a região detém fortes potencialidades na área de comércio e serviços, distinguindo-se a capital como entreposto comercial dos produtos agropecuários e industriais advindos do interior do estado, uma vez que possui uma infraestrutura econômica adequada para a expansão dessas atividades comerciais.
A perspectiva de expansão do comércio na região confirma-se pela influência que Fortaleza exerce em outros Estados do Nordeste, pela qualidade dos serviços e variedade de produtos ofertados, sendo caracterizado como importante centro de compras regional em Estados vizinhos como Piauí e Rio Grande do Norte. 

fonte:
O Ceará dos Anos 90 - Censo Cultural 
fotos: acervo do Blog 

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

O Jangadeiro


É o mais lírico dos tipos característicos cearenses.  Seu cavalo é a jangada. O mar concentra seu espirito.  A jangada é uma invenção nativa com aperfeiçoamento da arte náutica ibérica.    Descendente direto dos índios tupis, sua casa de palha de coqueiro é erguida na praia, sobre a areia solta. Veste calça e blusa de algodão tingido com cascas de árvores, como o cajueiro. Usa chapéu de palha de carnaúba, pintado de branco, com tinta impermeável. 




Embora não se aventure em viagens mais longas devido a fragilidade de sua embarcação, o jangadeiro passa a maior parte de seu tempo no mar. A vida social em terra o deixa pouco a vontade, para ele o mar é quase tudo. Amigo intimo, misterioso, e cheio de perigos, a um só tempo. O brilho do sol sobre a água salgada consome-lhe a vista muito cedo. 
Os peixes e outros seres marinhos tomam-lhe a imaginação, povoando-a de lendas e contos maravilhosos. 


Histórias de sereias, toninhas, baratas do mar, peixes voadores, grandes naufrágios e salvamentos miraculosos. Para o jangadeiro o mar é algo grandioso do qual ele se defende e que guarda sempre alguma coisa profundamente desconhecida. 
Se etnicamente o jangadeiro não pode negar sua herança índia, seu espírito revela muito do lirismo dos  navegadores lusitanos. Lirismo que aparece na Caninha-Verde, um dos seus folguedos preferidos, nas quadras românticas de suas canções, nos improvisos dos puxadores de coco e até nos folhetos de cordel dos seus poetas, como Zé melancia, poeta maior da vida praieira, falecido há alguns anos em Canoa Quebrada.  


O espírito lírico do jangadeiro reflete-se também em sua mulher, quase sempre artesã do labirinto ou da renda. Há todo um ciclo de contos tradicionais, envolvendo a angústia feminina na espera do homem que foi para o mar.


Extraído do livro
Ceará dos Anos 90 – censo cultural
fotos: acervo do IBGE  
Discovery (sereias)   

domingo, 1 de dezembro de 2013

Os Movimentos Messiânicos

Na segunda metade do século XIX cada vez mais pessoas pobres passaram a seguir lideres religiosos em movimentos messiânicos, chamados preconceituosamente pelas elites, cúpula do Estado e pela igreja, de fanáticos. Tidos como uma ameaça real à ordem estabelecida, logo vieram as perseguições e massacres.

 Seguidores do beato Antônio Conselheiro presos pelas tropas do Exército, no Arraial de Belo Monte, em Canudos (foto JB)

Misturando interpretações da Bíblia, tradições cristãs como o fim dos tempos e criação do paraíso, com mitos a exemplo do retorno de D. Sebastião, tais movimentos representavam, paradoxalmente, não uma fuga da realidade, mas uma crítica implícita, silenciosa, á estrutura socioeconômica vigente. Apegava-se aos céus porque a vida terrena era de sofrimento. O povo se voltava para a religião implorando dádivas e perdão dos seus pecados, os quais supunham serem os causadores do martírio que sofria, esperando a criação de um tempo novo, de paz, de prosperidade e de justiça, onde os pobres seriam abençoados e os ricos e perversos, castigados.

 ruínas da comunidade de Canudos, liderada por Antônio Conselheiro
 
Por essa época, o catolicismo praticado na maior parte do Nordeste, era produto de profundo sincretismo, decorrente da fusão do catolicismo português com as tradições indígenas e africanas. A esse catolicismo mestiço, diferente do praticado pelas altas hierarquias eclesiásticas, os historiadores chamaram de catolicismo popular. É uma espiritualidade repleta de benzedores, curandeiros, rezadeiras, milagreiros, crenças em talismãs, fórmulas mágicas, sacrifícios, penitências e coisas semelhantes.

seguidores do beato José Lourenço, no Sítio Caldeirão

No mundo profundamente místico sertanejo, escasseavam sacerdotes. Para se ter ideia, no início da década de 1860, para uma população de 720 mil habitantes, possuía o Ceará apenas 33 padres, dos quais mais de dois terços, tinham família constituída e cujo prestígio entre os fiéis era baixíssimo.
A falta de padres e o isolamento dos sertões faziam com que pessoas que se destacassem em suas comunidades, por conhecimento e piedade, rotineiramente se ocupassem das práticas religiosas mais comuns – pregar, batizar, rezar, encomendar os mortos. Algumas vezes esse verdadeiro clero laico chegou a celebrar arremedos de missas. Esse fenômeno foi comum no interior do Nordeste e mesmo no Sul. Nos sertões, esse clero laico tinha até uma hierarquia informal. Os beatos tiravam rezas, puxavam o terço, cantavam ladainhas, esmolavam para as igrejas; os mais informados e inseridos nas coisas sagradas eram conselheiros, os quais pregavam e aconselhavam os fiéis. Na maioria das vezes, os conselheiros possuíam sob sua influência um ou mais beatos.

 beato José Lourenço (centro) foto do blog Lampião Aceso

As pessoas de fé não eram tratadas como exóticas ou loucas pelos populares. Ao contrário, constituíam-se figuras comuns nas comunidades, com funções e atribuições aceitas e delimitadas. Assim, os sertões eram trilhados por dezenas de andarilhos que visitavam as localidades desprovidas de párocos e mesmo aquelas que os tinham. Por longo tempo houve um contato semioficial do clero com aquelas lideranças religiosas leigas. Sacerdotes cediam os púlpitos para beatos e conselheiros e alguns chegavam a incentivar tais formas de vida.
Esses homens e mulheres de Deus participavam da orientação social, política e ideológica do povo sofrido do interior nordestino. Traziam-lhe conforto espiritual e mesmo ajuda material. 

 Padre Cícero, o maior lider religioso que o Nordeste conheceu

Alguns desses lideres messiânicos eram extremamente carismáticos, apresentavam atributos extraordinários e sobrenaturais, e eram tidos como profetas ou portadores de uma nova mensagem de esperança e de um mundo melhor. Com esses atributos, fica fácil entender o que levava milhares de pessoas a ouvir e seguir líderes como Antônio Conselheiro, beato José Lourenço e mesmo integrantes da hierarquia católica que adotavam aquelas práticas de catolicismo popular, como Padre Cícero, Padre Ibiapina.

O Lendário Rei D. Sebastião, o Desejado



Dom Sebastião I de Portugal, nasceu em Lisboa, em 20 de Janeiro de 1554 e faleceu na batalha de Alcácer-Quibir em  4 de Agosto de 1578, com apenas 24 anos de idade. Foi o décimo sexto rei de Portugal, cognominado O Desejado por ser o herdeiro esperado da Dinastia de Avis, mais tarde nomeado O Adormecido. Foi o sétimo rei da Dinastia de Avis, neto do rei João III de quem herdou o trono com apenas três anos. A regência foi assegurada pela sua avó Catarina da Áustria e pelo Cardeal Henrique de Évora.
Aos 14 anos assumiu a governação manifestando grande fervor religioso e militar. Solicitado a cessar as ameaças às costas portuguesas e motivado a reviver as glórias do passado, decidiu a montar um esforço militar em Marrocos, planejando uma cruzada após Mulei Mohammed ter solicitado a sua ajuda para recuperar o trono. 


A derrota portuguesa na batalha de Alcácer-Quibir em 1578 levou ao desaparecimento de D. Sebastião em combate e da nata da nobreza, iniciando a crise dinástica de 1580 que levou à perda da independência para a dinastia Filipina e ao nascimento do mito do Sebastianismo.
D. Sebastião morreu na batalha de Alcácer-Quibir ou foi morto depois desta terminar. É provável que seu corpo tenha sido enterrado logo depois, em Ceuta, mas para o povo português, o rei havia apenas desaparecido.  Tornou-se então numa lenda do grande patriota português - o "rei dormente" (ou um Messias) que iria regressar para ajudar Portugal nas suas horas mais sombrias.
Já em fins do século XIX, no sertão da Bahia, no Brasil, camponeses acreditavam que o rei D. Sebastião, iria regressar para ajudá-los na luta contra a "república ateia brasileira", durante a Guerra de Canudos. O mesmo repetiu-se no sul do Brasil, no episódio da Guerra do Contestado.
(Não esquecer que Antônio Conselheiro era homem culto e monarquista e provavelmente, foi através dele, que os camponeses passaram a cultuar a lenda de D. Sebastião)  


Fonte:
História do Ceará, de Aírton de Farias
wikipédia

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Teatro São João

 
Juntamente com o teatro José de Alencar em Fortaleza, e com o Teatro da Ribeira dos Icós, o Teatro São João, em Sobral, forma o trio de teatros-monumentos existentes no Ceará. Obedecendo ao modelo dos teatros à italiana, em estilo neoclássico, seu projeto foi inspirado no mesmo Teatro Santa Isabel, de Recife,  e leva a assinatura de João José de Veiga Braga. Difere do pernambucano, por ter um pavimento a menos e também por não constarem as torrinhas ou geral. Situa-se na cabeça de uma ampla e bem urbanizada praça e seu prédio destaca-se pela beleza de linhas sóbrias e elegantes.

 
O teatro teve iniciada sua construção em 1875, sob os auspícios da União Sobralense, sociedade cultural organizada especialmente para tal fim. Entre os que tomaram a frente do empreendimento estão Rodrigues Júnior, Ministro de Estado e os escritores Domingos Olímpio e João Adolfo Ribeiro da Silva.


Foi preciso a mão-de-obra dos flagelados  da seca de 1877 para que o São João fosse levantado. Mesmo assim, em sua inauguração em 1880, grande parte do edifício ainda estava por ser concluído. As peças inaugurais foram a Honra de um Taverneiro, drama de Correia Vasquez, e Meia Hora de Cinismo, comédia de França Junior, ambas encenadas por um grupo de amadores sobralenses. A programação incluía ainda a apresentação de lindas sinfonias executadas por uma orquestra sobralense. No ano de 2004 o teatro foi restaurado e inaugurado no dia 29 de dezembro do mesmo ano pelo então ministro da Cultura Gilberto Gil. 

Extraído do livro O Ceará dos anos 90 – Censo Cultural
fotos do Diário do Nordeste e O Povo

sábado, 23 de novembro de 2013

Cego Aderaldo


Aderaldo Ferreira de Araújo, figura lendária da poesia nordestina e mestre de cantadores e violeiros, nasceu no Crato em 24 de junho de 1878. Tendo mudado desde cedo para Quixadá, é identificado com o sertão central cearense. Se para o acidente que causou sua cegueira existe mais de uma versão, sua carreira de menestrel popular é lenda do principio ao fim. Cego aos 18 anos, sem saber ler nem escrever, foi estimulado por sua mãe a cantar para ganhar algum dinheiro, o que fez depois de um sonho onde fazia os seguintes versos para São Francisco:


Oh Santo de Canindé
Que Deus deu cinco chagas
Fazei com que este povo
Para mim faça as pagas
Uma sucedendo as outras
Como o mar soltando vagas.


imagem: Diário do Nordeste - blog de cinema

Quando faleceu sua mãe, feito o enterro, Aderaldo pediu que lhe indicassem o lado do nascente. Tomou o rumo de Serra Azul, iniciando a caminhada pelos sertões em busca de fama. Cantou para as humildes populações sertanejas e para figuras como o Padre Cícero (de quem era afilhado), Lampião (de quem ganhou uma pistola de presente) e políticos como Ademar de Barros e Juscelino Kubitscheck.


imagem: Diário do Nordeste-blog de cinema

Rachel de Queiroz, que conheceu de perto o cantador, diz que mais que os desafios que o tornaram afamado, Aderaldo gostava de cantar modinhas, romances sertanejos e velhas xácaras portuguesas adaptadas ou deformadas. Em suas viagens carregava também um projetor manual, com o qual encantava as pessoas, mostrando e narrando velhos filmes mudos.
Um ano antes de morrer, sem mais poder cantar, teve certo dia um novo apelo:


Voltei de novo a cantar
Porque esta é a minha sorte
Minhas cantigas me dão
Roupa, comida e transporte
Deixarei este dever
Quando um dia receber
O beijo fatal da morte.

Morreu a 29 de junho de 1967 e foi conduzido ao cemitério por intelectuais, políticos e principalmente por seus amigos violeiros.


extraído do livro
O Ceará dos Anos 90 - Censo Cultural

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

A Lenda de Jericoacoara


Contam antigas lendas que, sob o serrote de Jericoacoara, ali onde o sertão adentra o mar, numa gruta ornada de tesouros e objetos mágicos,  vive encantada uma princesa moura. Prisioneira de terrível maldição expia a princesa tenebrosa pena, transformada em serpente, com cabeça e pés femininos. Dizem os adivinhos que, no momento em que algum ser natural ou sobrenatural, traçar no dorso da cobra, uma cruz com sangue humano, a princesa desencantará. Reza ainda lenda que, em torno da princesa encerrada na gruta, estende-se oculta uma cidade de muitas gentes. Conhecedor de tão inverossímil história, narra Joaquim Canuto, o contador de trancosos oficial do lugar, que um feiticeiro espanhol de nome Manoel Queiroz decidiu desfazer o encanto.


Corria o ano de 1938, quando o feiticeiro, fascinado pelos encantos da princesa, e querendo arrebatar sua beleza e riqueza, convocou os moradores do pequeno arruado para a empreitada. Em grande romaria, caminharam por sobre maravilhosas dunas de areias  alvas e finíssimas, contornadas por verdes coqueirais, onde o vento tocava uma música mágica, tangendo-lhes as palmas como se fossem cordas de uma sublime harpa.


Beirando a esmeralda cristalina do mar, deram de frente à gigantesca porta da gruta. Acenderam tochas para iluminar a trilha e os mais destemidos já se preparavam para adentrar o misterioso recinto, quando teve início uma grande controvérsia entre os circunstantes. O feiticeiro penhorava o sacrifício de alguém, pois só desse modo poder-se-ia libertar a cidade e desencantar a princesa. Porém, ninguém queria se apresentar como voluntário. Foi quando, após atordoante estrondo, surgiu no portão da gruta a horrenda serpente, na qual a princesa fora encantada. Alguns juram ter ouvido o alarido de animais e gentes da cidade.

Ninguém, entretanto, ousou enfrentar o monstro. O primeiro a fugir foi o feiticeiro, o que causou revolta no povo, que o conduziu a cadeia da vila mais próxima. Antes que a prisão se consumasse, desgostoso e desesperado, o espanhol Manoel Queiroz pulou do alto do penhasco que encima o serrote.

extraído do livro
O Ceará dos anos 90 - censo cultural
fotos de Jericoacoara - Ricardo Vianna