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domingo, 15 de março de 2015

O Coliseu de Alto Santo

vista panorâmica da cidade de Alto Santo
imagem: http://www.altosantoenoticia.com

Alto Santo é um município Cearense localizado na microrregião do Baixo Jaguaribe, mesorregião do Jaguaribe. De acordo com a projeção do IBGE em 2014, o município contava com 16.823 habitantes. É uma cidade como tantas outras do Ceará, com as carências comuns aos pequenos municípios do interior. Mas Alto Santo ganhou um diferencial: o prefeito local resolveu presentear a população com um presente inusitado: Um estádio de futebol com as características que lembram o Coliseu!
 
A exemplo do Coliseu Romano, que foi construído sobre um lago, o de Alto Santo também foi construído sobre um açude, que foi aterrado para  esse fim (aterrar um recurso hídrico numa região de chuvas escassas como é o interior do Ceará, além de crime ambiental, é no mínimo, uma grande irresponsabilidade).


O Coliseu cearense, pode ser visto a partir da entrada da cidade de Alto Santo e, até o momento, tem apenas um quarto da estrutura das arquibancadas prontas. Com capacidade prevista para acolher 20 mil pessoas, o estádio vai superar o número de habitantes da cidade, que é de 16.823 pessoas, segundo o IBGE. O gramado foi o primeiro a ficar pronto, desde o início da obra e, mesmo sem uso, precisa ser mantido diariamente com irrigação e poda da grama.

O questionamento maior quanto à construção da Arena, é que em Alto Santo, não há gladiadores, nem cristãos para serem atirados às feras; não há sequer, um time de futebol:  o Alto Santo Esporte Clube foi desativado em 2009, depois de disputar a 3ª divisão do campeonato cearense em 2007 e 2008.




À época o ex-prefeito teve a ideia de construir o estádio, que ainda não tem nome, está com 60% das obras concluídas e não tem data para ser entregue, já que depende do repasse de verbas federais. No total, o investimento custará quase R$ 1,5 milhão. E o prefeito atual pretende concluir a obra assim que possível.

A população da cidade está dividida:  uns entendem que o equipamento pode ser um diferencial para Alto Santo, e atrair tanto eventos esportivos, quanto visitantes para a região; outros entendem que a cidade tem outras prioridades, como saúde e educação e esses recursos poderiam ser melhor empregados.

Em 2012, o Ministério Público Federal no Ceará (MPF-CE) instaurou inquérito civil público, com base em denúncia recebida pela Procuradoria da República em Limoeiro do Norte sobre possíveis irregularidades na execução das obras do Estádio Municipal de Alto Santo. Desde então, o MPF vem apurando o caso, por meio do acompanhamento, junto à Caixa Econômica Federal, da execução dos recursos provenientes de dois contratos firmados com o Governo Federal para financiamento da obra. 

Coliseu Romano
http://ultradownloads.com.br/

O Coliseu de Roma foi construído por ordem do imperador Vespasiano e concluído, durante o governo de seu filho Tito. É um dos mais grandiosos monumentos da Roma Antiga. Foi erigido sobre o lago da casa de Nero, a Domus Áurea e ficou conhecido como Coliseu porque ali foi achada a estátua gigante do imperador.
Era o local onde, para diversão do imperador e dos súditos, os gladiadores lutavam até a morte e os cristãos eram lançados aos leões. Suas arquibancadas tinham capacidade para 80 mil pessoas.
Para a inauguração, apenas oito anos depois do início das obras, no ano 80 da Era Cristã, as festas e jogos duraram cem dias, durante os quais morreram 9 mil animais e 2 mil gladiadores. As atividades do Coliseu foram encerradas no ano523, mas o espaço permanece como símbolo do Império Romano e principal atração turística da cidade eterna.  

fotos do Coliseu de Alto Santo: Portal Tribuna do Ceará
http://tribunadoceara.uol.com.br


  

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Crateús


 barragem do Rio Poti
  
As vastas terras que compõem o atual município de Crateús foram outrora, palmilhadas por Domingos Jorge Velho, o bandeirante que viveu erigindo vilas e vadeando rios, levando avante o povoamento de grande parte do Nordeste. 

A gleba forma um imenso vale que se estende numa faixa de 180 quilômetros de fundo por 120 de largo, grandemente beneficiado pelas ribeiras do Rio Poti. Ao final do século XVII, Dona Jerônima Cardim Frois, viúva de Jorge Velho, vendo que seu marido havia varado aqueles sertões, de lado a lado, reclamou em seu nome e no de outros pretensos herdeiros, vastas léguas de terra, conquistadas pelo famoso bandeirante.

Catedral Diocesana Senhor do Bonfim 

Em 1721, D. Ávila Pereira arremata o vale pela quantia de 4.000 cruzados. A posse lhe foi conferida na Fazenda Lagoa das Almas, distante 78 quilômetros do local onde hoje se ergue a cidade de Crateús. Propriedade tão grande não poderia perdurar por muitos anos. D. Luiza Coelho da Rocha Passos, baiana, descendente da célebre Casa da Torre, adquire a posse para fazenda de criação.

Praça João Afonso em 1972
 
Anos depois chega João Ribeiro Lima, novo administrador de D. Luiza, que mandou erguer uma capelinha sob a invocação do Senhor do Bonfim. A imagem veio da Bahia, mandada pela latifundiária. 

Durante muito tempo Crateús foi chamada de Piranhas devido a abundância desse peixe feroz que dominava os rios e riachos das redondezas. A Lei geral de 6 de julho de 1832 desmembra o território do município piauiense de Marvão e cria a vila com sede no povoado de Piranhas, com a denominação de Príncipe Imperial. 

 estação ferroviária 

Em 1833 foram realizadas as eleições da respectiva Câmara Municipal, sendo o período legislativo inaugurado em 11 de novembro daquele ano, instalando-se também a vila. Da mesma data da criação da Vila, foi a criação da freguesia do Senhor do Bonfim, fazendo parte do bispado do Maranhão. Esta foi inaugurada em 4 de outubro de 1834, tomando posse seu primeiro vigário o padre Francisco Serafim de Assis, na capela que serve de matriz, edificada desde 1792. 

De acordo com a Lei Geral n° 3012, de 22 de outubro de 1880, o território que compreendia a comarca de Príncipe Imperial, inclusive o termo da Vila de Independência, foi transferido para a Província do Ceará em troca do porto de Amarração, medida, aliás, já recomendada antes no Parlamento Imperial. Efetivada a troca, a Vila de Príncipe Imperial tomou a denominação de Crateús, pelo primeiro Decreto a ser baixado pelo governo republicano estadual. A Vila de Crateús foi elevada à categoria de cidade em 1911 (Decreto n° 1046, de 14 de agosto). 

estação ferroviária
 
A construção da estrada de ferro representou na vila municipal um marco de progresso. Partindo de Camocim, a ferrovia atingiu a cidade de Crateús em 1912, inaugurando-se a estação no dia 12 de dezembro.
Atualmente o município é dividido em treze distritos: Crateús(sede), Assis, Curral Velho, Ibiapaba, Irapuá, Lagoa das Pedras, Montenebo, Oiticica, Realejo, Santana, Poti, Santo Antônio e Tucuns.

As terras de Crateús fazem parte da Depressão Sertaneja, tendo no lado oeste do município a Serra Grande, com elevações próximas dos 700 metros. As formas de relevo a leste e maior porção do território são suaves e pouco dissecadas. 

 Coluna da Hora 

As principais fontes de água fazem parte da bacia do Parnaíba, tendo como principais rios Poti e Jatobá; e os riachos do Meio, dos Patos, Tourão, Capitão Pequeno, do Boqueirão, São Francisco, do Mato e do Besouro. O município possui diversos açudes, dentre os quais se destacam os de maior porte como os açudes: Carnaubal ou Grota Grande e Realejo. No momento esta sendo construído o Açude Fronteiras, no leito no rio Poti ao norte do município, um açude que terá capacidade de acumular 488.180.000 metros cúbicos de água. 

vista parcial 

O município de Crateús está localizado no sertão de Crateús e limita-se com as cidades de Poranga, Ipaporanga, Tamboril, Independência, Novo Oriente, e com o Estado do Piauí. Fica a cerca de 350 km de distância da capital Fortaleza. 
   
Imagem: http://www.camocimonline.com

População estimada 2014 - 74.188 habitantes
População censo de 2010 -  72.812 habitantes
Área da unidade territorial (km²)     2.985,143
Densidade demográfica (hab/km²)   24,39


fonte:
Enciclopédia dos Municípios Brasileiros - IBGE
Wikipédia
fotos do acervo do IBGE

  

quarta-feira, 13 de março de 2013

Farias Brito - Ceará


O Município de Farias Brito está localizado no sul cearense, microrregião de Caririaçu, distante de Fortaleza  em torno de 475 km. O nome Farias Brito é em homenagem ao filósofo Raimundo de Farias Brito. Antigamente o município era chamado de Quixará.


População (estimativa para 2012): 18.859  habitantes
Segundo o Censo Demográfico de 2010, a população do município era de 19.007 pessoas, dos quais 8.871 estavam na zona urbana e 10.136 na zona rural. 
Destes, 9.329 são homens e 9.678 mulheres. A projeção feita pelo IBGE para 2012, prevê  uma pequena redução no número de habitantes, que passaria dos 19.007 de 2010, para 18.859 habitantes em 2012. 
Área da unidade territorial: 503,622 km²
Densidade demográfica: 37,74 hab/km²
Cidades Limítrofes:  Crato, Caririaçu, Várzea Alegre, Cariús, Tarrafas, Assaré, Altaneira, Nova Olinda.


foto do site http://wikimapia.org
Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, com obras iniciadas em 1946 e concluídas na década de 1980. 

A área geográfica onde se localiza o atual município de Farias Brito, foi antigamente, campo de atividade da valente tribo Cariús, que habitava grande parte da zona sul do Ceará e sertão pernambucano.
O povoamento da terra teve início no primeiro quartel do século XVIII e se originou da concessão de datas de sesmarias a alguns pioneiros. Registro da crônica histórica dá conta que um dos vultos marcantes da formação da comuna foi o coronel Francisco Gomes de Oliveira Braga, chefe político muito influente que conseguiu que fosse o povoado elevado à categoria de vila em 1890. 

Praça Enoch Rodrigues, no centro de Farias Brito (foto Wikipédia)

O Distrito foi criado por ato de 22 de julho de 1873, e lei provincial n° 2042, de novembro de 1883, com a denominação de Quixará. Foi elevado à categoria de vila pelo decreto estadual nº 82, de 13 de outubro de 1890, desmembrado de Assaré.

Sítio Várzea (foto de Joilson Kariri)

Por lei estadual nº 1794, de 1920, é extinto a vila de Quixará, sendo seu território anexado ao município de Santana do Cariri. Em de 26 de julho de 1926, o distrito de Quixará deixa de pertencer ao município de Santana do Cariri, para ser anexado ao município de Crato. 

Rua Rita Maria do Carmo (foto de Cirlândio Brito)
   
Pelo decreto estadual nº 193, de 20 de maio de 1931, o distrito de Quixará deixa de pertencer ao município de Crato, sendo incorporado ao município de São Mateus. Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o distrito de Quixará, volta a pertencer ao município de Crato.

Distrito de Nova Betânia (foto de Joilson Kariri)
  
Elevado novamente à categoria de município com a denominação de Quixará, pela lei nº 268, de 30 de dezembro de 1936, desmembrado de Crato. Pela lei estadual nº 2194, de 15 de dezembro de 1953, o município de Quixará passou a denominar-se Farias Brito. 
O município é constituído de 4 distritos: Farias Brito, Cariutaba, Nova Betânia e Quincuncá.

fontes:
Wikipédia
IBGE


segunda-feira, 7 de maio de 2012

A Iluminação Pública nas Cidades do Interior do Ceará

Desde o século XIX, várias cidades cearenses que desfrutavam de maior relevância política, econômica e social, reivindicaram os melhoramentos decorrentes de avanços tecnológicos, que normalmente eram privilégio das capitais. O querosene, óleo mineral derivado do petróleo, importado dos Estados Unidos, tornou-se uma alternativa no Ceará desde a segunda metade do século. 
Sua comercialização em latas de 2 e 5 galões, em garrafas de 1 litro e no retalho, contribuiu para que se tornasse de uso corrente na iluminação residencial. Por demandar poucos investimentos, o querosene foi a solução adotada para a iluminação pública em algumas cidades do interior.

Sobral - Centro Comercial (acervo do IBGE)
A referência mais antiga é da cidade de Sobral, que o teria adotado por volta de 1884, com a utilização do querosene em combustores de madeira. Em 1893, Iguatu instala dois combustores na Praça da Matriz, por iniciativa do vigário Raimundo Hermes Monteiro, assegurando a despesa de manutenção com custeio aprovado pela Câmara Municipal.

 Crato - casas no centro (acervo IBGE)
A mesma modalidade de combustível é adotada no Crato em 1903, quando a Câmara Municipal autoriza a instalação do serviço de iluminação pública. Esta era composta de toscos postes de madeiras quadrilaterais, enfiados rentes com as calçadas sobre os quais assentavam lampiões, feitos com uma caixa de flandres, com quatro faces envidraçadas e cobertas também com flandres. Dentro desses lampiões eram colocados pequenos candeeiros, com mangas de vidros, cheios de querosene.  Todas as noites, via-se o empregado da Intendência, carregando uma escadinha de cedro, para acender os candeeiros, os quais, como os lampiões, eram fabricados por funileiros cratenses.

Iguatu (data não especificada) - arquivo Nirez
 
No final do século XIX o gás acetileno, introduzido no Ceará por importadores franceses, tornou-se o combustível alternativo, diante das boas possibilidades comerciais. Algumas cidades cearenses foram iluminadas por esse sistema: Aquiraz (1902), Tauá (1910),  Russas (1912), Lavras (1912). Nesse mesmo ano, a cidade de Iguatu adota também o acetileno em substituição ao querosene.  
O interesse de populações e líderes das cidades interioranas pela obtenção de modernos recursos para a geração de energia acompanha as transformações vividas na capital. Na virada do século, notadamente, começa a se expandir a busca por transporte coletivo e iluminação pública. 


Icó (entre 1910/20) - Arquivo Nirez
Pela lei n° 1057, de 23 de agosto de 1911, o Presidente do Estado autorizava as Câmaras Municipais de Messejana, Soure (Caucaia) e Redenção a contratarem  os serviços de transporte por tração elétrica. As cidades de Aracati, Icó e Iguatu obtêm, pela lei 1064, de 28 de agosto do mesmo ano, idêntica autorização para implantarem bondes de tração elétrica, ainda que não houvesse a menor condição do serviço ser implantado.
Quanto à implementação da iluminação pública por energia elétrica, leis sucessivas são sancionadas pelo presidente do Estado, autorizando a contratação desses serviços para os municípios que buscavam este melhoramento.  Em 1913 foram autorizados os municípios de Barbalha, Iguatu, Crato,  Ipu e Quixadá.  Três anos depois foi a vez dos municípios de Maranguape, Baturité, Camocim e Aracati.


Aracati, na foto, o cruzeiro da matriz (arquivo Nirez)
No ano de 1918, ainda no âmbito dos atos legais para contratação de usinas geradoras de energia elétrica, recebem a sanção do presidente do Estado os municípios de Cascavel, Lavras, União (atual Jaguaruana), Russas, Limoeiro, Crateús, Icó, Jaguaribe-Mirim e Tauá.
Em 8 de agosto de 1927 se encerra esse período de ação política, que se transforma em atos concessórios  para a contratação de serviços de luz e força, permitindo que qualquer Câmara Municipal no Estado buscasse a solução mais apropriada para sua comunidade.

Extraído do livro
História da Energia no Ceará, de Ary Bezerra Leite