terça-feira, 7 de junho de 2011

Praia da Quixaba Município de Aracati

 Igreja de Nossa Senhora Auxiliadora
 Rua Principal
 
 Praça
Encosta
 Falésias brancas




Quixaba é uma vila de pescadores localizada a cerca de 15 km de Aracati. Cercada de um vasto coqueiral a vila não possui infraestrutura para o turismo, a maioria de seus visitantes vem de praias próximas ou de Aracati. 
Apesar dos avisos dando ciência da proibição do tráfego de veículos na faixa de praia, avistamos alguns bugres e quadriciclos circulando pela areia, pondo em risco a segurança de banhistas.  

fotos
Rodrigo Alboim
Fátima Garcia

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Jijoca de Jericoacoara

População: 17.002 habitantes (IBGE-2010)
Área do Municipio: 204,792 km²
Densidade Demográfica: 83,02 hab/km²
Distância de Fortaleza: 294,9 km
Localização: microrregião de Camocim e Acaraú
Limites: Bela Cruz, Camocim e Cruz
Duna do por do sol - nos finais de tarde visitantes e moradores cumprem o ritual de subir ao topo da duna para apreciar o por-do-sol. Como se trata de uma duna móvel, esta se desloca constantemente e está indo de encontro ao mar.
Unidades de Conservação:
APA da Lagoa de Jijoca – Estadual
APA de Jericoacoara – Federal
Parque Nacional de Jericoacoara - Federal
Criado pela Lei municipal nº 94, de 29 de junho de 1923. A vila fica em uma enseada, no ponto mais setentrional da costa cearense, na qual, em 1614, Jerônimo de Albuquerque ergueu ao pé do serrote uma pequena fortaleza, com estacas de madeira, a qual foi batizada de Forte de Nossa Senhora do Rosário.
Pedra Furada - foto do livro Ceará Terra da Luz
No mesmo ano esse fortim foi atacado pelas forças de Du Prat, pirata francês, que desembarcou na enseada com uma tropa de 200 homens sendo repelidos e postos em fuga. Os invasores tiveram um saldo negativo de 12 homens mortos e cerca de 30 feridos, graças ao valor dos poucos defensores do forte, à frente deles o citado Jerônimo de Albuquerque e o capitão Manuel d'Eça.
O farol de Jericoacoara está localizado no ponto mais alto do Morro do Serrote e é movido a energia solar
A enseada é contornada de serrotes, no topo de um dos quais, a 120 metros do nível do mar, se acha instalado um farol inaugurado em 16 de novembro de 1952, tendo sido construído sob a direção do capitão Jorge Leite da Silva.
O topônimo, segundo Pompeu Sobrinho (Revista do Instituto do Ceará, v. 59, p. 186), foi registrado no começo do século XVII, mas provavelmente já existia desde o fim do século precedente.
Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Fátima
imagem do livro Ceará Terra da Luz
O pequeno santuário de Nossa Senhora do Rosário sobreviveu aos tempos, mas, em 1880, o agricultor Antônio Pereira Brandão tomou a si construir outra capela no lugar Caiçara, sob a invocação de São Francisco de Assis, templo que em 1914 Manuel Ferreira da Silva e outros reformaram, aumentando-o. Em 1955 o Padre  Expedito Silveira lançou a pedra fundamental de nova capela na sede do Municipio
  
Fontes:
IBGE
Anuário Estatístico do Ceará

segunda-feira, 30 de maio de 2011

As Irmandades Religiosas no Ceará

 
Foto do livro Ceará Terra da Luz 

No período colonial, as irmandades religiosas tinham uma grande influência na vida da população. Tendo origem nas confrarias da Europa medieval, consistiam em associações religiosas de leigos, cujo propósito era cultuar um santo através de procissões, festas, construção de templos, prática de caridade. 
Também se responsabilizavam pela assistência social e pelos enterros dos seus associados – que se davam no interior das igrejas.

procissão das candeias em Juazeiro do Norte 
(foto do livro Ceará Terra da Luz)
Uma das maiores preocupações do homem no período colonial era com a morte, pois as pessoas sem posses acabavam sendo sepultadas nos campos e areais, enquanto os membros das confrarias eram assistidos por seus pares, que davam assistência a órfãos e viúvas, cuidavam do funeral e rezavam pela alma do falecido.
Existiam irmandades apenas de brancos, as de brancos e pretos, outras de pardos e algumas, mais raras, só de pretos, compostas quase sempre de escravos e de ex-escravos. As reuniões das confrarias, contudo, acabavam sendo também espaço de congraçamento social, pois possibilitavam contatos entre as pessoas para conversar, rever e fazer amigos, inteirar-se das novidades, e praticar outras ações, que fugiam a rotina do dia a dia. 
As irmandades, em razão da escravidão e das diferenças sócio-econômicas, funcionavam como entidades de classe, no sentido do termo. Congregando de inicio, pessoas da mesma cor, havia as Irmandades nobres como a do Carmo, a de homens pretos como a do Rosário, e uma de São Francisco para os mulatos.


As Igrejas do Rosário e do Carmo são algumas da igrejas de Fortaleza construídas por Irmandades religiosas

No que tange às irmandades no Ceará, era também objetivo de quase todas, a assistência aos irmãos mal sucedidos nos negócios ou com problemas financeiros. Destas, a mais preocupada com a assistência social, teria sido a Irmandade do Santíssimo Sacramento da cidade de Aracati, que recomendava insistentemente a aquisição de meios para instituição de um Montepio que teria por fim socorrer de preferência as famílias dos confrades que venham a cair em indigência.
Algumas irmandades como a dos Homens Pretos eram abertas à participação de mulheres, enquanto outras, a exemplo da Irmandade do Santíssimo eram formadas apenas por homens. A devoção ao Rosário da Virgem Maria possivelmente chegou ao Ceará com os negros vindos com os primeiros colonizadores. Entre os templos erguidos por essas irmandades está a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, em Fortaleza.
A Irmandade mais antiga do Ceará, seria a da cidade de Russas, fundada em 1728.

Fonte:
História do Ceará, de Airton de Farias
As Irmandades Religiosas no Ceará Provincial, de Eduardo Campos         

quinta-feira, 26 de maio de 2011

A Ocupação Holandesa no Ceará


os fortes foram construídos para vigiar o oceano e defender o local de invasores estrangeiros

Entre 1630 e 1654 os holandeses dominaram o Nordeste. 
Seus objetivos, formulados pela Companhia das Índias Ocidentais eram, sobretudo, de controlar a região produtora de cana-de-açúcar, além de, explorar a terra em busca de outras riquezas. 
Assim, após fracassarem  na conquista da Bahia (1624-25), dominarem Pernambuco (1630), estenderam seus domínio para outras capitanias como Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. 
A ocupação do Ceará pelos flamengos visava igualmente ao estabelecimento de um posto de apoio logístico para conquista do Maranhão (que também despertava interesse dos holandeses), bem como a manutenção da capitania de Pernambuco, à medida que se afastavam cada vez mais os portugueses dos centros produtores de açúcar. 
Havia, ainda, interesses na extração de produtos minerais, principalmente sais, âmbar e especialmente prata, que supunham, fosse abundante no Ceará. 

enseada do Mucuripe, local de desembarque dos holandeses

Em outubro de 1637, 126 homens, comandados  por George Gartsman desembarcaram no Mucuripe, dirigindo-se para o forte do Siará em companhia de diversos índios, em plena animosidade com brancos portugueses.  
Os indígenas buscaram essa aliança com os holandeses como uma tática, para manterem suas terras, e se livrarem das opressões impostas pelos lusitanos. O forte português ocupado por apenas 33 soldados sob as ordens de Bartolomeu Brito, logo caiu, ante a força do ataque dos holandeses. 
Estava desfeito o império luso no Ceará, ainda que temporariamente.  
No forte conquistado, ficaram 45 homens liderados por Hendrick Van Ham, enquanto Gartsman conduzia os portugueses prisioneiros para o Rio Grande do Norte. Posteriormente, em 1640, o comando do forte passou para Gedeon Morris de Jorge, um dos grandes estrategistas da ocupação holandesa no Ceará. 

Barra do Ceará, local da construção do Forte de São Sebastião

Os holandeses, no entanto, logo perceberam a inexistência de atrativos econômicos na terra, ainda que tenham explorado áreas salineiras – usando mão-de-obra indígena escrava.  A reação indígena foi contundente diante dos maus tratos: em 1644 invadiram e destruíram o Forte de São Sebastião, trucidando todos os holandeses.
 Cinco anos depois os holandeses retornaram ao Ceará, agora sob o comando de Matias Beck. Essa segunda invasão ocorreu num momento de decadência  do domínio flamengo no Nordeste, verificando-se mesmo em Pernambuco, violenta insurreição. 
Portanto, necessitando de recursos, trataram de reconquistar o Ceará, novamente em busca das ricas minas de prata.
Matias Beck buscou uma reconciliação com os indígenas, dando-lhes muitos presentes. Mandou erguer na Colina Marajaitiba, às margens do Riacho Pajeú o Forte de Shoonenborch, cujo nome era uma homenagem ao governador do Brasil-Holandês. 
Os holandeses passaram os cinco anos seguintes procurando minérios em terras cearenses – em Itarema, na Ibiapaba e em Maranguape, mas não obtiveram sucesso com essa empreitada. 
Com a seca de 1651-54 e, principalmente, com a rendição holandesa em Pernambuco, o forte cearense ficou quase esquecido.  Os índios locais, incitados por nativos fugidos de Pernambuco, passaram a se indispor com os holandeses e a não mais aceitar a presença de qualquer branco na terra. 

Mapa de Matias Beck "Planta do Forte Schoonenborch da Bahia de Mucuriba e do Monte Itarema, situados no Ceará, aos 28 de abril de 1649. (arquivo Nirez) 

Por esse motivo, chegaram a matar alguns soldados e a sitiar o Forte Schoonenborch.  Finalmente, conforme o acordo de rendição entre flamengos e lusitanos, em 1° de junho de 1654, Matias Beck e seus soldados deixaram pacificamente o Ceará.  
Ao mesmo tempo os portugueses, através de um novo capitão-mor, Álvaro de Azevedo Barreto, retomaram a colonização, começando por mudar o nome do forte para Fortaleza de Nossa Senhora de Assunção.
Em 1656, o Ceará foi desligado do Estado do Maranhão, ao qual estivera sujeito desde 1621 e passou a ser subordinado a Pernambuco, situação que se manteria por 143 anos, até 1799, quando a capitania ganhou autonomia.  

fonte:
História do Ceará, de Airton de Farias
Geografia Estética de Fortaleza, de Raimundo Girão

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Colonização do Ceará: a Expedição de Martim Soares Moreno

Vista da Barra do Ceará vendo-se à margem do rio o Forte São Sebastião, desenho de 1645, de Frans Post.

Martim Soares Moreno nasceu em Portugal e chegou ao Brasil em companhia de Diogo Botelho, oitavo Governador-Geral do País.  Logo aprendeu a língua dos nativos e assimilou seu modo de viver, conquistou-lhes  a  confiança e por extensão, a amizade. 
 Tenente da guarnição do Forte dos Reis Magos,  Soares veio ao Ceará para combater os franceses, que estavam estabelecidos aqui.  Soares Moreno procurou garantir sua posição erguendo uma paliçada a titulo de fortificação. Corria o dia 20 de janeiro de 1612, quando batizou o forte com o nome de São Sebastião. 
Religioso, ergueu uma ermida em louvor a Nossa senhora do Amparo.  Um sargento e dezesseis soldados eram a guarnição do Forte. 
 Em 1613 foi convocado para combater a França Equinocial, no Maranhão, ao lado de Jerônimo de Albuquerque, que já havia se destacado na conquista do Rio Grande do Norte. Em Jericoacoara os portugueses construíram um forte de madeira que chamaram de Nossa senhora do Rosário, como base de operações, sendo Soares Moreno enviado para espionar as posições francesas no Maranhão.


          Forte São Sebastião, na Barra do Ceará em 1612 
                                     
Enquanto isso, em Jericoacoara  os portugueses enfrentaram e resistiram  a ataques promovidos por índios  e por piratas franceses comandados por Du Pratz.  Este procurara também, sem sucesso, conquistar o Fortim de São Sebastião, na Barra do Ceará.  
Após vários incidentes,  Moreno voltou ao Ceará, desta vez em definitivo, em 1621, agora como capitão-mor, titulo dado pela coroa portuguesa em reconhecimento aos serviços prestados. Moreno reencontrou o forte de São Sebastião quase destruído. 
Os soldados maltrapilhos, com soldos atrasados, e sofrendo constantes ataques de índios hostis. Remodelou-se então o que foi possível, tentando-se dinamizar a economia local e dando inicio a criação de gado vacum e o cultivo de cana de açúcar. 
Nos anos seguintes tornaram-se constantes os apelos de Martim Soares Moreno às autoridades lusas no sentido de obter ajuda para viabilizar a colonização. Tudo em vão. 
Em 1631, terminando seu período de dez anos como capitão-mor, cansado da falta de recursos, e da pouca atenção da Metrópole, retirou-se definitivamente do Ceará. Foi para Pernambuco combater os holandeses que então ocupavam o Nordeste. Depois, em 1848, já velho, partiu para Portugal. 
Nunca mais retornou ao Ceará.


a escultura de Corbiniano Lins que se encontra na Avenida Beira-Mar, representa a união de Martim Soares Moreno com a índia Iracema

Mesmo assim Martim Soares Moreno é considerado por parte da histografia conservadora como o fundador do Ceará, sendo homenageado como o guerreiro branco Martim no livro Iracema, de José de Alencar, de 1865. A obra está ligada à corrente literária  do romantismo do século XIX  e ao processo de construção da identidade  nacional brasileira. No Romance – do amor de Martim e Iracema nasceu Moacir – o primeiro cearense – ou seja, o índio idealizado, aculturado, aliado do colonizador. 

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Cococi – Uma Cidade Fantasma no Sertão dos Inhamuns



O Sertão dos Inhamuns fica  na fronteira Oeste do Estado, em pleno semi-árido, na faixa sub-equatorial que serve de intervalo entre a Floresta Amazônica e a Mata Atlântica;  é reduto da cobertura vegetal da caatinga, tanto arbórea quanto arbustiva.
A região é geologicamente denominada de Depressão Sertaneja.
 É  formado pelos municípios de Aiuaba, Tauá,  Arneiroz, Parambu, Catarina e Saboeiro. 

vídeo feito pela Tv Jangadeiro


Cococi  é um distrito de Parambu distante 63 km da sede  e a cerca de 450 km de Fortaleza.
No século XVIII  foi onde se estabeleceu o clã dos  Feitosa, uma rica família vinda da bacia do Rio São Francisco. A cidade nasceu dentro de uma enorme fazenda da família, que doava os terrenos aos moradores.  Ainda hoje para chegar à localidade, é preciso abrir meia dúzia de porteiras.

antiga casa do Major Feitosa  (imagem: blog de altaneira)

Nos anos 50, Cococi passou de distrito a município, mas a administração da cidade teria cometido irregularidades na aplicação de verbas destinadas ao município.
Conta-se que durante a gestão do Major Feitosa, (no seu segundo mandato e o terceiro do Município),  o prefeito  teria recebido verbas para realizar investimentos na cidade, mas  utilizou o dinheiro para compra de gado.

imagem: camocimonline


O fato chegou ao conhecimento do governo federal, à época ditadura militar, que, em 1968, optou pela extinção do município, voltando a ser distrito. Revoltada com a decisão do governo, a família Feitosa decidiu deixar a cidade que acabou se tornando economicamente inviável. 
Pouco a pouco os outros moradores também foram se mudando para outros municípios.
Hoje apenas três casas ainda tem moradores, com 9 pessoas que vivem sem água, sem energia elétrica, isolados e esquecidos.

foto:blog amorsemlimite

A casa mais imponente, hoje, abriga só os morcegos. Mas, uma construção resiste ao tempo: a igreja. Uma vez por ano a Matriz é ponto de encontro dos antigos moradores e descendentes que chegam para celebrar a padroeira e relembrar o passado. 



 igreja matriz (foto: blog de altaneira) 


A solidão é ainda maior á noite, onde a total escuridão esconde as marcas de um passado que foi povoado de esperanças e apagam as lembranças de uma cidade que perdeu tudo, até mesmo sua identidade. 

terça-feira, 17 de maio de 2011

A presença da Igreja Católica no Ceará

A Igreja católica fez-se presente no Ceará desde as primeiras tentativas de conquistas da terra. Algo compreensível, afinal a colonização portuguesa era legitimada pelo Papa e estava ligada a necessidade de expansão da fé católica. É sintomático que uma das tentativas  de conquista do território cearense tenha sido encabeçada por dois jesuítas, Francisco Pinto e Luis Figueira, em 1607. 
Em 1611, outro colonizador – Martim Soares Moreno – trouxe consigo o padre Baltasar João Correia, erguendo ao lado do forte de São Sebastião, na atual Barra do Ceará, uma pequena ermida de taipa, dedicada a Nossa Senhora do Amparo. Sem muito êxito na sua missão, o religioso retirou-se por volta de 1615.
Eram poucos os clérigos - sobretudo nos momentos iniciais da colonização - que tinham interesse em vir para o Ceará, terra muito pobre, habitada por índios selvagens e homens rudes, muitos dos quais criminosos, todos vivendo maritalmente com as índias. Além disso, a remuneração era baixíssima. Sofrendo privações, mal pagos, e hostilizados pelos índios, colonos e militares, os padres passavam pouco tempo a frente da paróquia cearense.  
o mapa representa o contato dos silvicolas com a natureza primitiva, com árvores, rios, pássaros e o solo, antes da chegada dos europeus que mudaram a face desta terra. 
Uma das ordens religiosas que se fez presente no Ceará no período colonial foi a dos franciscanos, que passaram a entrar casualmente no Brasil a partir da segunda metade do século XVI, mostrando interesse pela catequese dos indígenas. 
Os frades franciscanos introduziram uma novidade em termos de trabalho missionário, as santas missões ou missões itinerantes, isto é, a ação religiosa realizada por padres que visitavam de tempos em tempos, as vilas e os povoados do interior para pregar, confessar, rezar missas, etc. Isso permitiu uma aproximação maior dos frades franciscanos com a população mais humilde, que passou a se identificar com eles.
A Ordem dos Jesuítas também fizeram presença no inicio da colonização. Catequizavam os índios para convertê-los ao cristinianismo.  
 Entre outras coisas, os franciscanos andavam a pé (e não conduzidos por escravos como normalmente faziam os demais religiosos), trabalhavam ao lado dos sertanejos nas construções comunitárias (como capelas, cemitérios), ainda que fossem acompanhados e servidos por cativos.  
Os franciscanos estabeleciam as santas missões em um local por cinco a doze dias. As viagens não eram previamente planejadas, os missionários iam para onde fossem convidados – pelo vigário da localidade, pelo capitão da vila, por um poderoso fazendeiro. 
Quem os convidasse deveria pagar a viagem, a alimentação (geralmente carne seca e farinha) e fornecer hospedagem para toda a comitiva. Tal forma de evangelização tornou-se um sucesso, fato comprovado pelo expressivo número de pessoas que, andando a pé ou a cavalo, cantando ladainhas e benditos, seguiam os padres nos deslocamentos de uma região para outra.
Nas santas missões os franciscanos ouviam confissões, faziam pregações, condenavam os amancebados, os hereges, os adúlteros, os protestantes, os judeus, as bebidas, e tudo que era contra as leis de Deus. 
Passavam uma ideia de conformismo ante as diferenças sociais. Os pobres deveriam aceitar sua situação como uma condição imposta por Deus e respeitar o alheio. Mas os homens de posse deveriam praticar a caridade para obter a salvação eterna. Havia uma grande insistência quanto a proximidade do fim do mundo e dos tempos – só aqueles que seguissem a Igreja católica se salvariam, pois os demais queimariam no fogo do inferno. 
Impunham ainda uma visão penitencial do mundo, da necessidade de sacrifícios e sofrimentos para purgar os pecados e alcançar a graça divina. Essa visão penitencial influenciou bastante o catolicismo dos sertões nordestino ao longo dos séculos. 
Curiosamente havia nas santas missões todo um clima de festa, desde a chegada dos missionários, recepcionados por grande número de cavaleiros em procissão, até a pomposa festa de encerramento, no último dia da missão. 
Os moradores de uma fazenda eram solitários, os vizinhos mais próximos viviam a quilômetros de distância, devido ao tamanho dos latifúndios. Por isso, a visita dos missionários possibilitava esses momentos de sociabilidade sertaneja, alegres encontros e atividades de lazer, fé e diversão. 

fonte: 
História do Ceará, de Airton Farias