terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Icó - A 3a. Vila do Ceará


No limiar do século XVIII, entre 1700 e 1710, eram profundas as divergências entre colonos e indígenas, principalmente às margens das ribeiras e dos grandes rios do Ceará colonial. Como era natural, os nativos se opunham aos desbravadores, fazendo-lhes guerra constante.
Das proximidades da Serra do Pereiro aos vastos sertões do Cedro se estende vasta planície, fértil e apropriada à agricultura, dada a excelência de suas terras. Formada de camadas aluvionais, amplia-se em pleno sertão, numa extensão de 20 quilômetros por 10 de largura. Este foi o local escolhido pelo então capitão-mor Gabriel da Silva Lago, para erguer uma paliçada que defenderia os moradores da ribeira do Rio salgado e que mais tarde seria transformada em Arraial Novo e, posteriormente, depois de lutas memoráveis, na cidade de Icó, sede do município e centro comercial de grande importância.

 Largo do Theberg - 1930

O padre João Matos Serra, ligado à história da colonização cearense, foi uma das figuras exponenciais na formação histórica de Icó, por isso que, como prefeito das Missões, coube-lhe a tarefa de pacificar os ânimos e restabelecer  a  concórdia entre sesmeiros, colonizadores, agregados e os indígenas, todos sob a proteção de Nossa Senhora do Ó, padroeira do pequeno arraial.
Das lutas que celebrizaram a vasta planície, cumpre ressaltar a dos Montes e Feitosas, famílias numerosas que desfrutavam de imenso prestígio na época, e que dominaram a ferro e a fogo vastas regiões.  Os Montes residiam nas cercanias do Icó e os Feitosas faziam moradia nos sertões dos Inhamuns. Numa das lutas registradas nas proximidades de Icó, o coronel Francisco Monte perdeu uma filha. A esposa do coronel sertanejo ficou penalizada em ver sua filha ser sepultada em pleno campo. Fez então doação de meia légua de terra e mandou erigir uma capelinha sob a invocação de Nossa Senhora da Expectação, a mesma que seria sede da matriz da freguesia, criada aos 6 de abril de 1764. 

 Igreja matriz de n. S. da Expectação, fundada em 1764

Cessadas as lutas iniciais, conquistada e dominada a terra, logo prosperou o novo Arraial, vendo-se aumentar rapidamente sua população. Efetivamente, a evolução de Icó se processou de maneira de maneira rápida e impressionante, tendo em vista os fatos ali verificados ao correr de mais de um século.
A Ordem Régia de 17 de outubro de 1735 elevou o povoado à vila, mediante proposta do governador de Pernambuco. A instalação da vila ocorreu aos 4 de maio de 1738, com sede na Vila de Icó. Foi a terceira vila criada no Ceará.  Em 1742 tomou posse o primeiro capitão-mor de ordenanças do Icó, que foi Bento da Silva e Oliveira. 

Teatro Ribeira dos Icós - com características neoclássicas, construído no século XIX (1860), pelo médico francês Dr. Pedro Theberge, então radicado no Icó. (foto de 1980, de Marcos Guilherme)

Ao tempo da República do Equador, em 1824, Icó foi teatro de lutas que tingiram de sangue as ruas da cidade. Aos 11 de julho de 1824, em agitada sessão, a Câmara recusou obediência à constituição. No mesmo dia, as mulheres de Icó dirigiram uma conclamação ao povo do Ceará, que está inscrita no n° 15 do Jornal “Diário do Governo do Ceará”, único que se publicava na província. 
Aos 25 de outubro é jurada a Constituição, ato que seria seguido de grande perseguição aos partidários de Tristão Gonçalves. Instalou-se então um governo provisório do qual faziam parte: Presidente – vigário Felipe Benicio Mariz;  Secretário – padre Manuel Felipe Gonçalves; Comandante das Armas – Amorim; e vogais João de Araújo Chaves, Henrique Luis Pedro de Almeida, e João André Teixeira Mendes. Este governo teve vida efêmera. A lei n° 244 de 25 de outubro de 1842, elevou a vila à categoria de cidade. 

 Centro da cidade - 1945

Um dos eventos mais curiosos de Icó foi o combate ali registrado ao tempo da abdicação de D. Pedro I. O padre Manuel Antônio de Sousa aliciou cerca de 5000 homens e juntou-se às tropas de Joaquim Pinto Madeira que fazia parte do Partido Restaurador e que dominara o Crato. Pretendiam os dois chefes a tomada da capital da província que tinha como presidente Francisco Xavier Torres. Uma destas colunas veio a Icó sob as ordens do padre conhecido por “Benze-Cacete”, pois costumava benzer suas tropas antes da luta. Houve muitas  lutas e muitas mortes em plenas ruas de Icó.
Atualmente o município é constituído de 6 distritos: Icó, Cruzeirinho, Lima Campos, Pedrinhas, São Vicente e Icózinho.


 Igreja N. S. do Monte - construída no alto de uma pequena elevação, no século XVIII.

Limites: 
Norte: Jaguaribe e Pereiro; Sul: Umari, Lavras da Mangabeira e Cedro;
Leste: Rio Grande do Norte (São Miguel, Venha-Ver) e Paraíba (Bernardino Batista e Poço Dantas);  Oeste: Iguatu e Orós
Localização: Sertão do Salgado e do Alto Jaguaribe
Distância até Fortaleza:  375 km
População:  66.855 habitantes  (IBGE/2013)

fotos do IBGE e do Arquivo Nirez
fontes:
Enciclopédia dos Municípios Brasileiros - IBGE - 1959
Wikipédia              

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Os Dez Mandamentos para Preservação da Natureza no Sertão

 milhares de retirantes ocupam a estação de Iguatu em 1877 (IBGE)

1 - Não derrube o mato, nem mesmo um só pé de pau.
2 - Não toque fogo no roçado nem na caatinga.
3 - Não cace mais, deixe os bichos viverem.
4 - Não crie o boi nem o bode soltos. Faça um cercado e deixe o pasto descansar para se refazer.
5 - Faça uma cisterna no oitão de sua casa para guardar a água da chuva.
6 - Não plante Serra acima nem faça roçado em ladeira muito em pé; deixe o mato protegendo a terra para que a água não arraste e não se perca sua riqueza.
7 - Represe os riachos de cem em cem metros, ainda que seja com pedra solta.
8 - Plante cada dia pelo menos um pé de algaroba, de caju, de sabiá ou de outra árvore qualquer até que o sertão seja um mato só.
9 - Aprenda a tirar proveito das plantas da caatinga, como a maniçoba, a favela e a jurema. Elas podem ajudar você a conviver com a seca.
10 - Se o sertão obedecer a esses ensinamentos, a seca vai aos poucos se acabando, o gado melhorando e o povo terá sempre o que comer. Se não obedecer, dentro de pouco tempo, o sertão vai virar um deserto só. 

Padre Cícero

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Maracanaú


 O topônimo Maracanaú, vem do tupi, significando lagoa onde bebem as maracanãs . Sua denominação original era Vila de Santo Antônio do Pitaguary, e a  partir de 1890 adotou o nome atual. 


 Município criado em 4 de julho de 1983
População:  censo de 2010: 209.057 habitantes
Total de homens: 102.078 e 106.979 mulheres
População urbana: (2010) 207.623
População rural (2010) 1.434 moradores
estimativa 2012 – 213.404 habitantes 
Densidade demográfica: 1.877, 75 hab/km²
Área do município: 105,696 km²
Altitude: 48 m
 


Clima – tropical quente, subúmido, com chuvas de janeiro a maio
Relevo – tabuleiros pré-litorâneos
Bioma – caatinga
Vegetação – caatinga arbustiva densa, complexo vegetacional da zona litorânea, floresta subcaducifólia tropical fluvial e floresta subperenifólia plúvio-nebular

 

Hospital de Maracanaú ainda e construção e vista da fachada atual 
O hospital foi fundado em 4 de junho de 1952 como Sanatório de Tuberculose, vinculado ao Ministério da Saúde. Passou à condição de hospital geral em 1982. Na década de 90, recebe o nome de Hospital Municipal de Maracanaú. Em 2000, foi municipalizado e, em 2008, em homenagem a um de seus diretores, seu nome passou a ser Hospital Municipal Dr. João Elísio de Holanda.

Limites do município:
  ao Norte: Fortaleza e Caucaia; Sul: Maranguape e Pacatuba; Leste: Pacatuba e Fortaleza; Oeste:  Maranguape e Caucaia
Localização 
 Mesorregião –  região metropolitana de Fortaleza-Microrregião de Fortaleza
 São José é o padroeiro do município e da Matriz. O santo padroeiro foi homenageado com uma estátua de 15 metros de altura, inaugurada em 2009, na praça José Holanda do Vale, no centro da cidade.
Estátua representando o Padre Cícero juntamente com a do Monsenhor Murilo construída ao lado e de joelhos numa saudação genuflexa ao “Padim”. O monumento tem 15 metros de altura. O escultor é o juazeirense Franciné Diniz, também responsável pela construção das imagens de Nossa Senhora de Fátima no bairro de Fátima; de Nossa Senhora da Assunção na Barra do Ceará e de Santa Edwiges no bairro Moura Brasil, todas em Fortaleza. 

Distrito criado com a denominação de Maracanaú, por ato, de 08 de janeiro de 1890, subordinado ao município de Maranguape. Elevado à categoria de município com a denominação de Maracanaú, pela lei estadual nº 4437, de 30 de dezembro de 1958. Pela lei estadual nº 8339, de 14 de dezembro de 1965, é extinto o município de Maracanaú, sendo seu território anexado ao município de Maranguape.  Elevado novamente à categoria de município com a denominação de Maracanaú, pela lei estadual nº 10811, de 04 de julho de 1983, desmembrado de Maranguape. Sede no antigo distrito de Maracanaú. Atualmente o município é constituído de dois distritos: Maracanaú (1983) e Pajuçara (1990).


Devido à expansão do perímetro urbano, e ao aumento populacional das duas cidades, Maracanaú e Fortaleza vivenciam um avançado processo de conurbação – unificação da malha urbana de duas ou mais cidades, onde os limites físicos entre os municípios desaparecem.  Por causa desse fenômeno, muitos moradores que habitam nas proximidades do que seriam os limites de municípios, sofrem com a indefinição de qual município estaria seu domicílio.Esse fenômeno foi destacado, inclusive, pela ONU, no estudo "Estado das Cidades da América Latina e Caribe", lançado em agosto de 2012. 
"A expansão urbana fez com que muitas cidades transbordem os limites administrativos de seus municípios e terminem absorvendo fisicamente outros núcleos urbanos mediante um processo de conurbação. O resultado foi a aparição de áreas urbanas de grandes dimensões territoriais, às vezes formalizadas em uma área metropolitana, integradas por múltiplos municípios e com uma intensa atividade econômica. É o que ocorreu com muitas das capitais latino-americanas e algumas grandes aglomerações, como Caracas, Fortaleza, Guayaquil ou Medellín", diz o estudo.  

 

 Atualmente Maracanaú além de ser o maior centro industrial do Ceará em razão do seu Distrito Industrial, é conhecida como a maior cidade dormitório do Ceará. Possui o segundo maior PIB do Estado, atrás apenas de Fortaleza e o terceiro maior produto interno bruto per capita do Ceará, estando atrás apenas dos municípios de Eusébio e São Gonçalo do Amarante. 

pesquisa:
Anuário do Ceará 2013
IBGE
wikipédia
O Povo
fotos de Raquel Garcia - jan/2014

domingo, 5 de janeiro de 2014

Características Gerais da Região Metropolitana



 
Municípios

Fortaleza, Aquiraz, Cascavel, Caucaia,  Chorozinho, Eusébio, Guaiuba, Horizonte, Itaitinga, Maracanaú, Maranguape, Pacajus, Pacatuba, Pindoretama e São Gonçalo do Amarante.  
Foi criada pela Lei Complementar Federal nº 14, de8 de junho de 1973, que instituía, também, outras regiões metropolitanas no país.
 total de 15 municípios
população: 3.615.767 habitantes (IBGE censo 2010)
área: 5.795 km²
densidade: 623 hab/km²
 
Caucaia

Aspectos Físicos

A região metropolitana situada ao norte do Ceará totaliza uma área de 5.795 km². Apresenta temperatura média entre 27°C  e 35°C, exceto as zonas mais altas da serra de Maranguape com temperaturas médias mais baixas. As precipitações se concentram nos meses de fevereiro a maio com índices nunca inferiores a 900 mm anuais em média para todo o conjunto e com maior abundância no litoral, cujas médias anuais são sempre superiores a 1.400mm. 
 
Itaitinga - bairro Jabuti

Recursos naturais
 Solo

Na região predominam os solos com média e alta fertilidade natural, destacando-se os tabuleiros pré-litorâneos (grupo barreiras) em Caucaia, Fortaleza, Aquiraz e parte de Maranguape e Pacatuba.  Apresenta ainda solos profundos ou moderadamente profundos, de textura argilosa e bem drenados e solos rasos ou muito rasos pouco desenvolvidos, normalmente pedregosos. Os primeiros possuem alto potencial agrícola utilizado para culturas de subsistência, cultivo de cajueiro e algodão e com pastagem para pecuária. Os segundos são aproveitados primitivamente para culturas de milho, feijão e algodão. Nas margens dos cursos d’água e das lagoas há o predomínio dos solos de aluvião mais recentes e solos propícios ao desenvolvimento da carnaúba e criação de camarões em viveiros e que aparecem em manchas isoladas.

Maranguape

Vegetação

De maneira geral a cobertura vegetal caracteriza-se pela área de formações pioneiras, isto é, formação vegetal de influência marinha, sendo arbustiva, herbácea ou manguezais, destacando-se também a cobertura vegetal da região de serras com a presença de brejos. Notadamente a Serra de Maranguape apresenta três tipos distintos de cobertura vegetal, parte de características da planície sertaneja (caatinga), vegetação de pé de serra (matas altas) e finalmente os brejos.
 
Serra da Pacatuba

Minerais

O potencial mineral dessa região encontra-se associado aos terrenos de argila e areia na área litorânea, exploração de pedreiras e depósito de diatomitos. Ressalta-se  a ocorrência de calcário, dolomita e amianto que poderão ser aproveitados na indústria de aditivos agrícolas, fabricação de refratários, construção civil etc. 

Cascavel

Aspectos Econômicos

Setor Agrícola

As atividades agrícolas, embora não se caracterizem como predominantes nesta região,  mostram aptidões para o cultivo de caju, coco, banana e outras fruticulturas regionais, além da mandioca e culturas de subsistência através do milho, feijão e arroz.
Setor Industrial

Na região destaca-se, no setor secundário, o município de Maracanaú, que dispõe de um distrito industrial com preponderância nos segmentos alimentícios, confecções, minerais não metálicos, química e metalurgia. Caucaia caracteriza-se como importante polo industrial de processamento de minerais não metálicos e Maranguape como centro de confecções. A pesca industrial e a pesca artesanal são atividades de expressiva participação na economia da região, notadamente pela capacidade de geração de divisas e de empregos.
Turismo e Comércio

Igreja de São José de Ribamar, em Aquiraz

Destaca-se como principais atrativos da região o litoral de Aquiraz e Caucaia com belas praias e dunas e a zona serrana de Maranguape e Pacatuba, onde se destacam as fontes de águas naturais e o clima ameno. Aliado a isso, tem-se as atividades socioculturais onde se observa um rico artesanato, tais como labirinto, bordado, rendas e redes e expressivo acervo histórico com destaque especial à Casa de José de Alencar em Messejana, e o Museu Sacro São José de Ribamar, localizado em Aquiraz. 

 Lagoa da Messejana - Fortaleza

No setor terciário a região detém fortes potencialidades na área de comércio e serviços, distinguindo-se a capital como entreposto comercial dos produtos agropecuários e industriais advindos do interior do estado, uma vez que possui uma infraestrutura econômica adequada para a expansão dessas atividades comerciais.
A perspectiva de expansão do comércio na região confirma-se pela influência que Fortaleza exerce em outros Estados do Nordeste, pela qualidade dos serviços e variedade de produtos ofertados, sendo caracterizado como importante centro de compras regional em Estados vizinhos como Piauí e Rio Grande do Norte. 

fonte:
O Ceará dos Anos 90 - Censo Cultural 
fotos: acervo do Blog 

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

O Jangadeiro


É o mais lírico dos tipos característicos cearenses.  Seu cavalo é a jangada. O mar concentra seu espirito.  A jangada é uma invenção nativa com aperfeiçoamento da arte náutica ibérica.    Descendente direto dos índios tupis, sua casa de palha de coqueiro é erguida na praia, sobre a areia solta. Veste calça e blusa de algodão tingido com cascas de árvores, como o cajueiro. Usa chapéu de palha de carnaúba, pintado de branco, com tinta impermeável. 




Embora não se aventure em viagens mais longas devido a fragilidade de sua embarcação, o jangadeiro passa a maior parte de seu tempo no mar. A vida social em terra o deixa pouco a vontade, para ele o mar é quase tudo. Amigo intimo, misterioso, e cheio de perigos, a um só tempo. O brilho do sol sobre a água salgada consome-lhe a vista muito cedo. 
Os peixes e outros seres marinhos tomam-lhe a imaginação, povoando-a de lendas e contos maravilhosos. 


Histórias de sereias, toninhas, baratas do mar, peixes voadores, grandes naufrágios e salvamentos miraculosos. Para o jangadeiro o mar é algo grandioso do qual ele se defende e que guarda sempre alguma coisa profundamente desconhecida. 
Se etnicamente o jangadeiro não pode negar sua herança índia, seu espírito revela muito do lirismo dos  navegadores lusitanos. Lirismo que aparece na Caninha-Verde, um dos seus folguedos preferidos, nas quadras românticas de suas canções, nos improvisos dos puxadores de coco e até nos folhetos de cordel dos seus poetas, como Zé melancia, poeta maior da vida praieira, falecido há alguns anos em Canoa Quebrada.  


O espírito lírico do jangadeiro reflete-se também em sua mulher, quase sempre artesã do labirinto ou da renda. Há todo um ciclo de contos tradicionais, envolvendo a angústia feminina na espera do homem que foi para o mar.


Extraído do livro
Ceará dos Anos 90 – censo cultural
fotos: acervo do IBGE  
Discovery (sereias)