sábado, 21 de setembro de 2013

A Colonização dos Inhamuns

Capela de São Pedro em Parambu, anos 50

A história conta que a colonização do Ceará começou pelo litoral, entre os atuais limites de Fortaleza e de Aracati. O povoamento, porém, teve início no Cariri, na segunda metade do Século XVII, ampliando-se em direção aos Inhamuns já nos primórdios do Século XVIII. "O povoamento do Ceará começou pelo Cariri, em Municípios mais próximos da Capitania de Pernambuco (a mais importante daquela época) e pelo sertão dos Inhamuns, onde a pecuária encontrou ótimas condições para se expandir, desde as cabeceiras dos rios Trici e Carrapateiras, formadores do Rio Jaguaribe, até depois dos rios do Jucá e Umbuzeiro, também seus afluentes", destaca o memorialista Pedro Rocha Jucá.
Graças às fartas chuvas do inverno, à criação de gado consolidou a ocupação econômica e social dos Inhamuns, quase simultaneamente com o fértil vale do Cariri, onde já prosperavam os engenhos de rapadura e as casas de farinha que deram ao Crato a liderança política do Ceará colonial.


Praça da matriz em Parambu - anos 50

Segundo os historiadores, os coronéis Francisco Alves Feitosa e Lourenço Alves Feitosa chegaram ao sertão dos Inhamuns por volta de 1710 e ali estruturam a maior comunidade rural da Capitania do Ceará. O comissário Lourenço Alves Feitosa chegou a ter 22 sesmarias e com o seu irmão Francisco Alves Feitosa dominaram uma área de aproximadamente 30.000 quilômetros quadrados. 
Nessas propriedades floresceu o historicamente conhecido "Clã dos Inhamuns", uma das maiores parentelas da História do Ceará em todos os tempos. O coronel Francisco Alves Feitosa deixou considerável descendência, tornando-se o Patriarca da Família Feitosa nos Inhamuns.
O coronel Francisco Alves Feitosa fundou a sua primeira fazenda, a fazenda Barra do Jucá, na margem direita do Rio Jaguaribe, próximo a Arneiroz. O coronel Francisco Alves Feitosa viveu os seus últimos dias na fazenda Cococi, onde inaugurou uma capela em 1748, seguindo o modelo da igreja de Feitosa, em Portugal, que tem um altar lateral junto ao arco-mor.
Predestinada à pecuária, a região dos Inhamuns foi o segundo polo econômico da Capitania do Ceará, depois dos êxitos alcançados pela agricultura do fértil Cariri. Na "Revista do Instituto do Ceará", de 1907, consta que "o terreno de Inhamuns é mais seco e pedregoso, composto de pequenas serras e alquebradas, e que, contudo, não deixa de produzir abundantes pastagens, sendo os seus gados os mais propícios para fazerem longas viagens, por isto transportado quase sempre para a Capitania da Bahia".
A palavra Inhamuns deriva de Anhamum, que em tupi significa "Irmão (Mu) do Gênio Mau da Floresta (Anhan, de Anhaga)". Anhamun foi o principal cacique dos aguerridos índios Jucás. A história deles, conforme disse o pesquisador Carlos Studart Filho, foi "violenta e trágica". Vale citar que "Anhamum" é o título de um dos mais emocionantes capítulos do romance "O Sertanejo", de José de Alencar.
Toponímica
O sobrenome Feitosa é classificado como sendo de origem toponímica, isto é, pertence ao grupo de sobrenomes que deriva do nome do lugar onde nasceu ou possuía terras o progenitor da família. Deriva do lugar denominado Feitosa e localizado na Freguesia do Conselho e Comarca de Ponte do Lima, diocese de Braga, Porto, Portugal.
A família Feitosa era a mais importante e a mais numerosa dos Inhamuns desde o início do povoamento da região, onde se projetou graças à criação de gado, como a maior expressão econômica e política.

Cococi, a cidade fantasma dos Inhamuns 



"Lá estão as nossas raízes e também as de outras famílias aqui da região". As palavras do motorista Vital Feitosa denotam as hipóteses de historiadores, pesquisadores e curiosos sobre as origens da colonização no Estado pelos Inhamuns, iniciadas na antiga cidade de Parambu, e também que o processo de colonização da região dos Inhamuns passou por Cococi.
Descendente de uma das famílias que povoou a região, Vital se engaja junto com outros membros dessa nova geração para preservar as tradições locais, especialmente ligadas à "cidade fantasma". Extinta em 1968, Cococi começou como vila, passou a ser distrito de Parambu e depois foi emancipada após a instalação da família Feitosa naquela região.



A iniciativa e a boa vontade de Vital e outros jovens descendentes do "clã" que fundou Cococi ainda no século XVIII em preservar as tradições do lugar são relevantes e concretas, afinal, anualmente, muitos deles e a população vêm comemorar Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Cococi. No entanto, ao se visitar a antiga cidade, composta hoje somente por prédios em ruínas, mato invadindo os casarões abandonados e apenas duas casas de pé e habitadas, afora a Igreja, construída por volta de 1740, instantaneamente aflora um sentimento maior de preservação e conservação. Merece, portanto, atenções de órgãos que gerenciam o patrimônio histórico para que isso ocorra.

Escola Eufrásio Alves Feitosa

Além do prédio da Igreja, outra construção se destaca na paisagem antiga e deteriorada da "cidade fantasma": a Escola Eufrásio Alves Feitosa. O professor Leonardo Alves ensina de forma multisserial aos 14 alunos de diversas faixas etárias que são matriculados na unidade. A distância também é o grande desafio dos estudantes, devido ao tamanho do distrito. Boa parte deles saí de casa às 10 horas da manhã para assistir às aulas a partir das 13 horas. 
A distância, o isolamento, o silêncio e a bela arquitetura dos prédios e casarões chamam a atenção. Chegar ali após a distância, a abertura de inúmeras cancelas, paisagem desértica, dificuldade de acesso e curiosidade faz uma estranha sensação de alegria brotar no coração. A cidade de Cococi possuiu apenas dois prefeitos, o Major Feitosa e Leandro Custódio, ambos da mesma família. 



No recenseamento geral de 1950, o atual município de Parambu e seu distrito Cococi, eram ambos distritos de Tauá, do qual foram posteriormente desmembrados e suas populações totalizavam 15.458 habitantes. Já a projeção feita para 1° de julho de 1957, estimava uma população de 21.313 habitantes, sendo 17.960 em Parambu e 3.353 habitantes em Cococi. 92,54% dessa população residia na área rural. 


Construída em 1740 a igreja é o único imóvel realmente preservado em Cococi       

A história popular conta que o Major Feitosa, no seu segundo mandato (terceiro e último do Município), ao receber verbas para investimento teria utilizado indevidamente o dinheiro para compra de gado. Então surgiram os desentendimentos entre a própria família. O fato repercutiu no Estado e União. E a Ditadura Militar teria decidido extinguir o Município. Revoltados, a família Feitosa e seus moradores teriam abandonado a cidade, situação que permanece até os dias atuais.
Lendas e histórias de fantasmas e aparições permeiam o lugar. Em Parambu, quando se fala em Cococi, há admiração e um certo receio. A frase "você vai lá mesmo?" é expressa com frequência pelas pessoas nos órgãos, mercado e feiras.
O temor se explica pela distância e dificuldade de acesso, mas também pelas histórias. "Há muitas lendas e relatos de aparições no cemitério e até explosões em túmulos, mas nada devidamente comprovado. Os moradores da região comentam sobre a lenda da serpente", comenta Albetiza Noronha, do Museu de Parambu.


Foto de Thiago dos Passos disponível em http://www.panoramio.com/ 

Para a moradora Clenilda Lô, os fantasmas não passam de comentários sem fundamento. "As lendas e os fantasmas não existem. Moro aqui e nunca vi nada", garante.
O professor Leonardo, que mora há 15km de Cococi e vem todos os dias de motocicleta, também assegura que não existem fantasmas no lugar. Mas já teve medo. "Tinha receio de vir aqui no princípio. Depois, acostumei. Tudo isso são apenas comentários", acredita. E até arrisca uma explicação científica para a explosão do túmulo, a qual o imaginário popular atribui a fenômenos sobrenaturais. "Pesquisadores vêm aqui de vez em quando, desde esse acontecimento, e evidenciaram a existência de minérios de ferro, cobre e gás natural".
A "cidade fantasma" já foi tema de reportagem de várias redes de televisão e jornais e também serviu como locação de filmes, o que contribui para atrair curiosos.

fonte: 
Diário do Nordeste
Enciclopédia dos Municípios Brasileiros
fotos de Cococi: Diário do Nordeste

6 comentários:

  1. A història e formação de boa parte do Nordeste brasileiro tem substancial participação da FAMILIA FEITOSA. Muito já foi escrito e divulgado. Mas
    aquilo que ofende a honra e a moral de uma pessoa e da sua familia nunca
    poderá ser disseminado, sem uma pesquisa aprofundada, e mesmo assim
    é preciso muito cuidado e respeito em tocar no assunto, Aqui há um comentário incorreto sobre o MAJOR FEITOSA, que aqui, como neto e na busca de divulgar a verdade, comento o seguinte: O Major Feitosa foi um grande benfeitor, não cometeu nenhum abuso ou incorreção no trato da coisa pública. A prestação de contas das verbas sob a sua administração foi devidamente efetuada dentro dos preceitos legais. Na época vivia-se sob uma ditadura, muitas informações foram divulgadas de forma exageradas e distorcidas. Um exemplo, é o caso da morte do jornalista Vladimir Herzog, depois de tudo apurado, apòs vários anos, foi expedido outra certidão de òbito.

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  2. essa é a SUA verdade, Everardo Feitosa, as informações foram tiradas de várias publicações

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  3. essa é a SUA verdade, Everardo Feitosa, as informações foram tiradas de várias publicações

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  4. Que publicações? Pelas publicações quem descobriu o Brasil? Com certeza a
    resposta será PEDRO ÁLVARES CABRAL.
    Mas sugiro pesquisar sobre DIOGO PACHECO PEREIRA e teremos uma surpresa.PESQUISAR, PESQUISAR, PESQUISAR SEMPRE!!!
    Outra, as PUBLICAÇÕES sempre comentaram que a Imperatriz Dona Leopoldina, sofreu uma brusca queda, fruto de um empurrão aplicado por
    Dom Pedro I, inclusive causou-lhe fraturas. Recentemente foram abertos e
    analisados os restos mortais de Dona Leopoldina, Dom Pedro I e de Dona Amélia de Leuchtenberg. Quanto ao de Dona Leopoldina, após todas as pesquisas e testes, resultaram que o relato ao longo da história não estavam corretos. Não foi identificada nenhuma fratura. PESQUISA, PESQUISA, PESQUISA , SEMPRE!!!

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  5. esqueceram de falar da família Andrade

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  6. Cito o nome de minha tia MARIA DOLORES DE ANDRADE FEITOSA
    FILHA DE DONA ANAÍDE ANDRADE, para homenagear a família ANDRADE
    E PAULA PESSOA, pelo trabalho, ética, inteligência e capacidade de unir às pessoas pelo bem da comunidade.

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