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terça-feira, 18 de março de 2025

A Fortaleza de 1810

 

Uma radiografia da futura cidade que surgia, como foram se projetando suas ruas, quando a urbanização não era cogitada. Fortaleza era a Vila da Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, a população contava com cerca de 1200 pessoas. Esse registro foi feito pelo jornalista João Brígido, com base nos apontamentos do antigo Senado da Câmara local, apesar da má letra, da tinta já sofrendo a ação do tempo e da péssima conservação dos arquivos da Província. Mas existem outros testemunhos da Vila naquela época, feitos por aventureiros e viajantes estrangeiros.

As edificações mais antigas são o quartel e Fortim de Nossa Senhora da Assunção, que recebeu o nome de Schoonenborch, em honra do governador holandês de Pernambuco. No Fortim residia o comandante do presídio que era a única autoridade da região. A construção dominava a barra do rio que eles chamavam de Marajaitiba, antes chamado de Ipojuca, Telha e por último, Pajeú. 



A edificação que seguia imediatamente depois do quartel, era a de Aldeota, povoação de índios, no sítio conhecido por esse nome, nas imediações do Pajeú. Mais tarde, portugueses e nativos começaram a construir pequenas casas de barro e telha, ou choupanas de carnaúbas, à margem direita do riacho Ipojuca. Na curva do regato, os índios colocaram sua igreja, no mesmo terreno onde hoje se encontra a catedral.


A província esteve sob a administração do português Luiz Barba Alardo Menezes, no período de 21 de janeiro de 1803 a 19 de março de 1812, que foi o tempo que a Vila conheceu algum desenvolvimento. O governador mandou estudar o porto de Fortaleza pelo capitão-de-fragata Francisco Antônio Marques Giraldes, que fez a perspectiva da povoação, vista do mar. Também fundou uma fábrica de louça vidrada no Outeiro, que não vingou por falta de consumidores. O período de governo de Barba Alardo coincidiu com a vinda da Família Real Portuguesa para o Brasil, em 1808, e a abertura dos portos às nações amigas.   

Em 1809 partiu de Fortaleza o primeiro navio com destino a Londres, a galera “Dous Amigos” levando produtos da terra e amostras de algodão. A este se seguiram muitos outros. Em maio de 1811 estabeleceu-se a primeira casa estrangeira de comércio direto, propriedade do irlandês William Wara.

As ruas e praças existentes eram: do Quartel (atual Rua General Bezerril); Praça do Conselho (atual Praça da Sé); Rua das Flores (atual Castro e Silva); Rua Direita dos Mercadores (parte da atual Conde D’Eu parte da Sena Madureira); Rua do Rosário (que mantém o nome original); Praça do Palácio (atual Praça General Tibúrcio, popularmente chamada de Praça dos Leões) Rua do Monteiro (desaparecida); Beco das Almas (atual Rua São José); Rua Boa Vista (atual Rua Floriano Peixoto); Rua da Fortaleza (atual Dr. João Moreira, à época, apenas uma linha de casas que corria paralela à fortaleza).

O matadouro estava localizado próximo ao Largo da Fortaleza, na Rua Formosa (atual Barão do Rio Branco); o Largo da Fortaleza, atual Passeio Público, era lugar de execuções e assim continuou até 1825. No mesmo local existia o Paiol da Pólvora, que foi mudado para o Morro do Croatá e depois foi removida para a Lagoa Funda, nos arrabaldes da vila, que mais tarde viria ser o bairro Jacarecanga.

Passeio Público no final do século XIX

A vila estava sempre marcada pela pobreza, e a Câmara, responsável pela subsistência pública, empregava todas as medidas em uso naqueles tempos, abuso de autoridade, violência e ignorância. Até a venda de farinha era regulada pela Câmara, que a tomava onde encontrasse. A carne era vendida ao povo por preço fixado pela Câmara, ora por derramas, ora por contrato.

A derrama era uma obrigação que impunha aos criadores de gado, de talhar a carne no açougue exclusivo da câmara, a preço fixo, em dias determinados. Todos os fazendeiros cumpriam as determinações do governo. Os descumpridores da lei, estavam sujeitos a pesadas punições.

As pescarias e o consumo de peixe, estava regulado de forma muito rígida, de forma que os pescadores ficavam em condições de subserviência diante da severidade das normas impostas. Um dos artigos da lei vigente, determinava que “todos os jangadeiros serão obrigados todos os dias a ir pescar com suas jangadas ao mar e isto a horas competentes, salvo quando o tempo for tal, que eles de força não possam ir ao mar, debaixo das penas de 30 dias de cadeia, cada um dos jangadeiros”.

Nenhum trabalho, arte ou ofício podia ser exercido sem permissão das autoridades. Determinação legal de 1912, ordenava que ninguém trabalhasse de carpina, pedreiro, sapateiro, ferreiro, alfaiate, marceneiro, e outros ofícios manuais, sem a devida licença, sob pena de multa. Só em dezembro de 1813 essas ocupações foram liberadas, continuando, no entanto, ainda por muito tempo, as corporações de ofício.

(As corporações de ofício eram associações de profissionais de uma mesma profissão, que surgiram na Europa Medieval. Tinham como objetivo regular o processo produtivo artesanal e garantir a segurança dos seus membros.)

 

Fontes:

Ceará (Homens e Fatos)/João Brígido/Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2001

Fortaleza Velha: crônicas/João Nogueira/Fortaleza: Edições UFC/PMF, 1980  

Wikipédia/Google// imagens Pinterest

sábado, 13 de julho de 2024

o Riacho Pajeú e a Lagoa do Garrote

 A capital do Ceará nasceu em fins do século XVII, início do século XVIII à sombra dos muros do forte português fundado pelos holandeses, que defendia o grande maceió ou pocinho, formado na embocadura do riacho Pajeú. Os holandeses chamavam o riacho de Marajatiba e a fortaleza de Schoonemborch. Em memória desse pocinho, se chamava Beco do Maceió o prolongamento da antiga Rua do Chafariz, atual José Avelino.

Avenida Alberto Nepomuceno, por onde corria o riacho Pajeú

Entre as duas colinas em que se erguia a fortificação, corria o Pajeú, que vinha das matas da aldeota, divagando ao sabor do relevo. A cidade surgiu numa ala de pequenas casas perpendiculares à parte de trás do forte, a Rua do Quartel. Depois formou uma praça, a da Sé, localizada numa volta do riacho e se estendeu pelo seu tortuoso vale, acima e abaixo, formando a Rua Direita, que foi rua de Baixo, Conde D’Eu, e Sena Madureira. Mais tarde teve um trecho alargado, chamado de Alberto Nepomuceno.

Por esse tempo, dois córregos cortavam as colinas, cujo ponto culminante ficava na antiga Rua Formosa atual Barão do Rio Branco, onde se erguia o sobrado do Conselheiro Rodrigues Junior e hoje existe o Edifício Diogo. O primeiro desses córregos, vindo da parte norte da antiga Lagoinha, na avenida Tristão Gonçalves, fluía pelas ruas Senador Pompeu, Barão do Rio Branco,  Major Facundo e Floriano Peixoto, entre a travessa das Hortas, depois Senador Alencar e a Rua das Flores, atual Castro e Silva.

Praça da Lagoinha, já sem a lagoa que já havia sido aterrada

Justamente na sua passagem pela Rua Major Facundo, o negociante Pacheco construiu um grande sobrado, por volta de 1845 a 1847. Depois, empobrecido, suicidou-se em Paris. Depois, pertenceu ao Barão de Aquiraz. Esse imóvel foi vendido ao coronel José Gentil que o demoliu. Em frente a esse sobrado, ficavam as cocheiras e o quintal da residência do Dr. Rufino de Alencar, que dava para a Rua Floriano Peixoto. Descendo por esse quintal via-se a marca da continuação do leito. Esse ribeiro ia desaguar no Pajeú, na parte meridional da atual Praça da Sé.

Documentava o curso do segundo córrego o escoamento das águas pluviais no trecho da rua Barão do Rio Branco, além do sobrado do conselheiro Rodrigues Junior. Vinha do lado meridional da lagoinha, cruzava as ruas 24 de Maio, General Sampaio e Senador Pompeu, descia pela Pedro I e, na Major Facundo, na quadra que antecede a praça do Carmo, entrava por um bueiro no quintal da antiga residência do dr. Gil Amora, na rua Floriano Peixoto, e das residências da rua da Assunção, ajudado por uma nascente ali existente, ia formar a lagoa do Garrote, de onde sangrava para o Pajeú.

Lagoa do Garrote, antes da criação do parque 

Assim, esse curso d’água que foi vital para o surgimento da cidade, devia seu maior volume de águas ao tributo de duas lagoas, a Lagoinha e a do Garrote. Formavam-no sob os pés de cajueiros e jatobás do Outeiro e da Aldeota, vários ribeiros e as águas que corriam dos alagadiços e baixadas paralelos ao antigo calçamento de Messejana, atual avenida Visconde do Rio Branco.

Perto da lagoa do Garrote, e separado pelo calçamento de Messejana, o Pajeú foi represado num açude de alvenaria de tijolos com comportas, construído na seca de 1845, pelo presidente José Martiniano de Alencar, e restaurado mais tarde pelo Dr José Júlio de Albuquerque Barros, Barão de Sobral.

Dessa obra, que existiu até 1920, não existe mais nenhum vestígio. Por sua vez a Lagoa do Garrote também foi cercada para se tornar o lago central do jardim público que existia no local, no governo do coronel Luís Antônio Ferraz, com base em projeto do engenheiro Romualdo de Barros.

Parque da Liberdade/Cidade da Criança onde funcionou um jardim de infância 
 
Há duas versões para o nome Garrote, dado à lagoa, e por extensão, durante certo tempo, ao bairro compreendido entre o Pajeú e a Rua da Assunção, a praça do Coração de Jesus, e a dos Voluntários. Uma das versões é a seguinte:

Perto da praça, na Rua do Cajueiro, atual rua Coronel Bezerril, ficavam os açougues da cidade. A área era semideserta e cheia de mato, o gado era abatido debaixo das árvores. Havia pequenos currais, onde o gado ficava confinado. Certa vez um garrote destinado ao abate fugiu de um desses cercados e se perdeu nos matagais das proximidades. Durante um tempo foi perseguido sem que ninguém conseguisse capturá-lo, apesar das batidas e da espera a beira da lagoa. Um dia, o laçaram e o mataram. Desse episódio veio o nome da lagoa. A outra versão é de que ali era o local de descanso dos comboieiros que, que conduziam gado e outros produtos pelas estradas do Ceará.


Extraído do livro: À Margem da História do Ceará/Gustavo Barroso/Imprensa Universitária do Ceará/Fortaleza:1962/publicação FortalezaemFotos. Fotos do Arquivo Nirez 


terça-feira, 2 de julho de 2024

O Forte Holandês

 

O comandante holandês Mathias Beck, tendo desembarcado na enseada do Mucuripe, decidiu estabelecer-se à margem esquerda de um riacho, que alguns nomeavam de Marajaitiba, outros chamavam de Pajeú, ali construindo um forte que chamou de Schoonenborch, em homenagem ao então governador de Pernambuco. O desenho do forte coube ao engenheiro Ricardo Caar, que tendo examinado as condições do forte levantado na Barra do Ceará, optou pela construção de um novo, em novo local, levando em conta que, em caso de cerco, o riacho próximo asseguraria o suprimento de água, o que não acontecia no forte da Barra do Ceará, que, ficando a alguma distância do rio, seria facilmente interceptável em caso de ataque.


 Forte de São Sebastião. Fonte: Montanus, 1671

A segunda ocupação holandesa no Ceará durou cinco anos, retirando-se em os invasores em 1° de junho de 1654, dando cumprimento ao tratado de paz celebrado entre Portugal e Holanda. Antes, o comandante Matias Beck fez a entrega do Schoonenborch ao capitão português Álvaro de Azevedo Barreto, no dia 20 de maio daquele ano.


planta do forte Schoonenborch depois Nossa Senhora da Assunção (imagem Internet)

O forte foi aproveitado pelos portugueses apenas com a modificação do nome e algumas obras de reparo, passando a ter o patrocínio de Nossa Senhora da Assunção. A nomeação do comandante Álvaro de Azevedo Barreto, fora confirmada por Ordem Régia de 23 de novembro de 1654, mas, em 13 de setembro do ano seguinte, o rei Dom João IV expediu patente a Domingos de Sá Barbosa para capitão da Fortaleza do Ceará, de onde se presume que tenha sido específica a nomeação de seu antecessor, restringindo-se a executar o tratado de paz com a Holanda, ao recebimento do forte Schoonenborch.

Depois o forte passou pelo comando de diversos capitães. Por essa época, os direitos sobre a Capitania do Ceará foram reclamados por João de Melo Gusmão, que se prontificou a povoá-la, e o rei Dom Afonso IV o nomeou para comandar o forte em 1660. Pode assumir o posto somente depois de três anos, e faleceu logo depois. Tendo sido o primeiro a trazer sua família, composta de mulher e três filhas para o Ceará, provavelmente com o propósito de aqui permanecer.

Para suceder ao capitão falecido, foi nomeado João Tavares de Almeida, que reconstruiu o forte, que se encontrava quase que em ruínas, atribuída à inexistência de comandante durante alguns anos; exerceu o cargo duas vezes , antes e depois de Jorge Correia da Silva, a quem coube combater , em princípios de 1672, os índios Paiacus.

Com a vacância devido ao falecimento de João Tavares de Almeida, o forte sofreu grandes avarias, sendo reedificado por Bento Correia de Figueiredo, comandante nomeado pelo governador e capitão-general de Pernambuco, mas preterido na escolha real, pelo homônimo Bento de Macedo de Faria, sobre quem recairiam acusações de conivência com contrabandistas holandeses, e por Sebastião de Sá, , este aliás, anteriormente, porém outra vez investido no comando, coube reconstruir o forte do Pajeú, inclusive a ermida.

Em seguida exerceu o comando Tomás Cabral de Olival, de cuja passagem pelo Ceará, pouco ou nada existe a assinalar. Merecendo, no entanto, maior relevância que Pedro Lelou, nomeado após ele, mas impedido de tomar posse, por estar sendo processado. Interinamente, Fernão Carrilho se saiu muito bem, vencendo os Paiacus e aldeando Anacés, e Jaguaribaras nas proximidades do forte.

Depois de empossado, Pedro Lelou não tardou que os moradores representassem contra ele, por excessos cometidos, e foi repreendido pelo próprio rei por ter criado postos no distrito do Ceará contra as ordens existentes. O maior serviço prestado por esse governante, foi ter escrito ao monarca em 1696 sugerindo a criação da primeira vila em território cearense.

Comandaram ainda o forte de Nossa Senhora da Assunção, em fins do século XVII, Fernão Carrilho e Francisco Gil Ribeiro. Os holandeses ao preferirem localizar o forte à margem do Marajaig, sobre o barranco ali existente, anteciparam-se aos portugueses no cumprimento de uma recomendação que o governador do Maranhão, Francisco Coelho fizera em carta de 6 de fevereiro de 1627, ao rei Felipe IV.


Extraído do livro “A Capital do Ceará”, de Geraldo da Silva Nobre.      

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Os caminhos Primitivos do Ceará Colonial

Vários caminhos foram abertos na capitania do Ceará nos tempos remotos de sua conquista e povoação pelos colonizadores europeus. Essas estradas foram a porta de entrada para as glebas sertanejas, mesmo as mais remotas, e foram utilizadas pelos pioneiros da truculenta civilização ocidental.

Com relação as estradas de ribeiras, cada riacho possuiu a sua, desde tempos imemoriais. O caminho seguia de perto o leito do curso d’água, ora por uma margem, ora pela outra margem, da foz às cabeceiras, e ao longo da qual de hábito se edificavam os currais, as casas dos vaqueiros e até casas senhoriais.


Para o historiador Pompeu Sobrinho, a origem reside no povoamento de sesmarias, que eram concedidas sucessivamente rio acima. Por esses caminhos andavam cavaleiros que percorriam os sertões comprando equídeos para os engenhos de Pernambuco e as boiadas que procuravam as grandes estradas que conduziam aos centros consumidores do litoral.

O mesmo autor defende que as estradas das ribeiras já existiam ao tempo em que estas terras estavam sob domínio apenas dos indígenas. É certo que os tapuias do sertão desciam às praias quando os cajueiros frutificavam; além disso, outras necessidades determinavam uma certa circulação dos sertões para o litoral e vice-versa. Este movimento se fazia ao longo das referidas estradas, cujo traçado, evitando o recesso das caatingas desprovidas de água fácil, se acostava aos leitos dos cursos de d’água onde o líquido precioso era encontrado com facilidade.    

Estrada Velha


A mais antiga alongava-se pelo litoral desde 1611, ligando o fortim de São Sebastião aos mais civilizados centros do Nordeste brasileiro. Percorrendo ora a praia, ora os tabuleiros, era a princípio, uma vereda mal definida, perceptível apenas aos olhos perscrutadores dos índios tupis, aos quais servira de trilha quando algumas de suas malocas haviam sido deslocadas para o Norte.


 Forte de São Sebastião - 1613 

Pela Estrada Velha transitavam certamente os mercadores portugueses, que já ao final do século XVI, acompanhados de nativos amistosos, percorriam nossas praias em busca do precioso âmbar gris (substância produzida pelas baleias cachalotes, de grande valor na Europa); também passou por ali Pero Coelho e os jesuítas Figueira e Francisco Pinto no rumo da Ibiapaba.

Transpondo o Jaguaribe pouco acima de sua foz, a estrada demandava Natal, passando por Amargoso e Guamoré nas costas de Macau; depois, costeando o Atlântico, alcançava a Paraíba. Até 1625, a estrada ainda não chegava à ilha de São Luiz, no Maranhão. Nas praias de Lençoes, a meio caminho entre a ilha e o forte de São Sebastião, viviam os Tremembés, exímios nas emboscadas, e cujas terras não se atravessava impunemente.

Nos primórdios da conquista do Meio Norte, chegava-se ao Maranhão através da Ibiapaba. Para atingir aquele distante platô, seguiam-se rudes itinerários traçados por Francisco Pinto ou pela bandeira afoita do primeiro capitão-mor do Ceará. Dessas veredas que durante anos serviram à intercomunicação das missões jesuíticas ali estabelecidas, não restaram registros do seu traçado. Entre a serra e a costa do Maranhão existiam ligações constantes e mais ou menos conhecidas, utilizadas pelos franceses no século XVI.

Os primeiros europeus que se encaminharam ao Maranhão pela zona marítima, foram os holandeses. Ávidos sempre de dilatar os domínios da Companhia das Índias Ocidentais, os batavos, senhores da fortaleza de S. Sebastião, contaram com a ajuda dos indígenas da região que atraíram com promessas e presentes.  
Estrada da Taquara


Foram os holandeses, novamente senhores do Ceará em 1649, que levados pela cobiça, estenderam rumo ao Monte da Itarema, uma das veredas de acesso às povoações indígenas da vizinhança do forte Schoonemborch. A lenda referia ali ter estado, anos antes, o capitão-mor Martins Soares em busca de minérios preciosos, e era isso quanto bastava para aguçar a avidez dos agentes da Companhia das Índias Ocidentais. 

Mapa elaborado pelos holandeses em 1649, com o forte Schoonemborch e o caminho que levava a Itarema 

Partindo da praia na direção sul, o caminho da Taquara cortava o Rio Pajeú, então denominado Marajaik, transpunha os ribeirões do Tipoig (Jacarecanga) e Piraoba, tangenciava as lagoas de Imboduaponga (Parangaba) e Monduig (Mondubim) para se bipartir pouco adiante do córrego de Itapoba. O braço oriental seguia para a Serra de Maranguape, onde naqueles sombrios tempos se fizeram escavações e sondagens; o braço ocidental, depois de cortar várias vezes o riacho Itarema Igevab, alcançava a Serra de Itarema, hoje Taquara.

Era uma simples picada traçada nas matas ralas do litoral, picada que o trânsito continuado dos artífices estrangeiros alarga e melhora. Jamais teve esse caminho valor histórico ou comercial. Muito frequentado durante a ocupação holandesa, ficou em completo abandono quando o Ceará se viu livre dos invasores pelo tratado de 1654.

Nosso solo, revolvido febrilmente pelas mãos dos estrangeiros, mostrou-se pouco generoso. A percentagem de prata contida no material extraído das minas era diminuta e não correspondia aos esforços e materiais empregados, deixando portanto, aos portugueses o trabalho de prosseguir com a mineração.

O tráfego da Estrada da Taquara só recomeçou muitos anos depois, em 1662, quando a pedido do padre Joacob Cochleo, as diferentes malocas tupis foram reunidas numa grande povoação situada perto da lagoa do Arronches e que tomou o nome de Aldeia do Bom Jesus de Porangaba.

A partir daí o movimento da Estrada da Taquara cresceu dia a dia no trecho Fortaleza-Porangaba. Por ela marcharam levas de prisioneiros de guerra, encaminhados ao fortim de N.S. da Assunção, pelos primeiros colonizadores lusitanos. Ecoam também por sobre seu leito, os passos apressados dos soldados do presidio, no desenrolar das sucessivas expedições guerreiras contra o elemento nativo.

Com o progressivo aumento da colonização, o ramal de Maranguape superou em importância o caminho da Taquara. De Porangaba partiria mais tarde a estrada tronco para Monte-Mor (atual Baturité) e sertões de Quixeramobim. 
  

Estrada Camocim-Ibiapaba


Aos Tabajaras que estabeleceram ligações numerosas entre seus domínios serranos e os costões arenosos do Atlântico, deve-se atribuir a abertura da estrada Camocim-Ibiapaba, uma das mais remotas vias de acesso rasgadas através das regiões setentrionais do Ceará.

Percorrida amiúde por bandos de nativos em seus deslocamentos periódicos, do platô para as praias, era sem dúvida, vereda já batida e tradicional no início do século XVII, quando marchou em demanda da Ibiapaba a expedição desbravadora de Pero Coelho de Sousa.

Brancos e índios dela se serviram para encaminhar ao embarcadouro da barra do rio da Cruz as madeiras e algodões de que se abasteciam os barcos piratas estrangeiros ali fundeados. Cada vez mais frequentada, à medida que novos colonos iam se fixando na bacia do Coreaú, a estrada Camocim-Ibiapaba atingiu o ápice de sua importância comercial com a fundação dos Saladeiros de Granja, a cujos produtos dava vazão. Seu tráfego decresceu notavelmente depois da seca de 1792.

Embora desconhecido, presume-se que seu traçado seguisse os mesmos rumos da estrada Viçosa-Granja, reconstruída no governo de Bernardo Manuel de Vasconcellos, e que de Granja para o norte, serpenteasse entre os carnaubais que acompanham o curso de Camocim, realizando assim o mais curto e seguro trajeto entre a serra e o litoral. 

Estrada Geral do Jaguaribe


Uma outra estrada foi constituída quando a bacia do Jaguaribe cobriu-se de fazendas e currais. Partindo da região do Aracati, rio acima, transpunha o Jaguaribe em Passagem das Pedras, atravessava os lugares onde hoje estão as cidades de Russas e Icó, subindo depois o Salgado até quase suas nascentes. 

Rio Jaguaribe - IBGE - anos 50 

Trilhada em alguns dos seus trechos já no tempo dos primeiros exploradores seiscentistas, que não dispondo de rios navegáveis, margeavam de preferência os leitos das ravinas, onde poços e cacimbas lhe forneciam água sofrível, a estrada atingiu cedo as terras meridionais da capitania.

Galgando o platô do Araripe e vencendo a caatinga rala dos sertões pernambucanos, chegou ao Rio São Francisco no início do século XVIII. Embora sujeita na última parte do seu curso, aos solos irregulares da serra, com suas longas travessias sem água e sem pastagem, a estrada avultou rapidamente em importância na economia do interior nordestino. Serviu de passagem ao gado e aos cavalos do sertão para a zona do médio São Francisco, de onde seguiam para os centros de mineração das Gerais.

Foi a mais notável via de penetração de todo o Ceará colonial. Por ela recebeu o Cariri os colonizadores vindos do baixo Jaguaribe, que foram os primeiros ocupantes daqueles rincões fronteiriços e também gente oriunda das margens do São Francisco. Foi também, até o advento da Ferrocarril, a mais importante via de intercâmbio entre o litoral e o interior cearense. Por ela entraram durante todo o período colonial os gêneros de primeira necessidade de que se abastecia o nosso interior e os distantes sertões do Piauí.

Estrada Nova das Boiadas



Da bacia do Jaguaribe chegava-se aos campos criadores do Piauí pela estrada nova das boiadas, caminho difícil e alongado, que hoje, graças as indicações deixadas nos textos das sesmarias, pode ser reconstituído em grande parte.

Vinda de Pau dos Ferros pelo Pereiro, transpunha o Jaguaribe pouco acima da villa de Jaguaribe-mirim; ia em seguida pelo riacho do Sangue no rumo Nordeste; passava ladeando os campos de Uriá, cruzava o rio das Pedras, atingindo  Banabuiú em Laranjeiras; depois de beirá-lo algum tempo, serpenteava junto as margens do seu tributário mais importante, o Quixeramobim, até embocar na cidade do mesmo nome, onde se bipartia.

Um ramal seguia pelo Cavallo-Morto (Boa Viagem), Independência e Crateús, caminhava para o Piauí através do boqueirão do Poti. O outro, indo para o noroeste ia até Sobral, prolongando-se até a capital de Pernambuco, por Barriguda, e Tabuleiro Formoso.

Encurtando distância e desviando o trânsito do litoral para o sertão, a Estrada Nova das Boiadas concorreu grandemente para o isolamento em que muito tempo ficou a sede administrativa da Capitania, pequena e insignificante, enquanto outras vilas se desenvolviam. 
Estrada das Boiadas


Sua origem remonta ao início do século XVIII. Já em 1731 a via é citada em texto das sesmarias cearenses como “a estrada que passa para o Piauí”. Sete anos antes era denominada “caminho dos Inhamuns” ; Icó, Iguatu, São Matheus, Saboeiro, Arneiroz e Tauá balizam hoje em enorme trecho desse velho caminho de acesso às terras do médio Parnaíba.


De Tauá, antiga fazenda de José Alves Feitosa, seguia para o centro do Estado do Piauí pelo antigo riacho dos Camaleões (atual Carrapateiras), atingindo Vertentes e Crateús. Simples picada de tropeiros, a via Tauá-Piauí constitui-se m breve um caminho tradicional, que seguindo o riacho de Trici, encostas meridionais da serra da Joaninha, rumava Valença. Conhecida nas crônicas do Rio Grande do Norte e Paraíba, pelo nome de Estrada das Boiadas, aparece nos documentos cearenses do início do século XIX com a simples designação de “Estrada para Pernambuco”.

Em seu traçado primitivo a estrada passava pelos lugares hoje denominados S. João do Rio do Peixe, Sousa, Pombal e Patos, ia depois margeando o rio Pinharás, galgava a encosta oriental da Borborema, encontrando seis léguas adiante a lagoa do Batalhão, seguia as sinuosidades do rio Taperoá até a povoação de Milagres; alcançava a pequena ribeira do Santa Rosa para chegar a Campina Grande.

Dentre os complexos e numerosos fatores que influíram na formação e distribuição de núcleos povoados do interior cearense, as chamadas estradas das boiadas tiveram papel de maior relevância. 
Estrada da Caiçara


Varando os tabuleiros agrestes, por onde na estação das chuvas corriam para o mar as águas barrentas do Acaraú, alongava-se a Estrada da Caiçara. Ao tempo do desbravamento da zona norte do Ceará, era a única via de comunicação entre o litoral e os povoados da ribeira do Acaraú. Com o passar do tempo e a necessidade de intercâmbio comercial com outras localidades, as contingências geográficas da circulação orientam as ligações do interior cearense com Pernambuco e Paraíba.

O caminho da Caiçara prolonga-se assim pelas caatingas de Santa Quitéria atingindo Quixeramobim, onde passava a estrada nova das boiadas. Tomando essa antiga trilha, podiam os estancieiros das ribeiras do norte, transportar cavalos, boiadas ou tropas carregadas de couro ao Recife, com maior rapidez e sem o ônus dos pesadíssimos fretes marítimos. 

No início do século XIX construíram-se no Ceará novas vias de comunicação, e muitas das velhas estradas tradicionais foram melhoradas. Os caminhos, mesmos os mais utilizados na realidade não passavam de sendas, estreitas e tortuosas, traçadas pelos viajantes em peregrinação. Mal podiam vencê-las cavaleiros e peões. Excetuando talvez a Estrada Geral do Jaguaribe e a do Acaraú, nenhuma permitia a passagem de veículos de roda.   
  
Extraído do texto:
Vias de Comunicação do Ceará Colonial, de Carlos Studart Filho 
Revista do Instituto do Ceará - 1937
imagens da Comissão Científica do Império 1859-1861(meramente ilustrativas)             

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Como Estava o Ceará no início do século XIX



Com o fim da vinculação a Pernambuco em 1799, o Ceará passou a subordinar-se diretamente a Portugal, ganhando o direito de comercializar diretamente com a Metrópole sem intermediações. Assim, em vez de capitães-mores o Ceará passou a ser administrado por governadores nomeados pela Coroa Portuguesa.
Daquele ano até 1821, cinco governadores vieram para o Ceará – Bernardo Manuel de Vasconcelos (1799-1802); João Carlos Augusto D’Oeynhausen e Grwenbourg (1803-1807) Luis Barba Alardo de Menezes (1808-1812); Manuel Inácio de Sampaio ( 1812-1820) e  Francisco Alberto Rubim (1820-1821) – todos militares portugueses, vindos da decadente nobreza lusitana, com pouquíssima ou nenhuma experiência em administração pública.

Casa dos Governadores na na antiga Rua dos Mercadores atual Rua Conde d'Eu
 
Nesse período chama à atenção a modificação no modo de agir da Coroa Portuguesa, demonstrando aos senhores do sertão que o poder superior do rei, exercitado pelos governadores e seus prepostos, passaria de potência a ato, ou seja, o Estado cada vez mais passaria a coibir a grande autonomia apresentada pelos latifundiários, buscando centralizar o poder.
Uma demonstração desse poder deu-se no período de governo de João Carlos Augusto, que realizou pessoalmente a prisão de um latifundiário chamado Manuel Martins Chaves (de vínculos familiares com os Feitosas) na Vila Nova Del Rei (atual Guaraciaba do Norte). Este controlava vastas extensões de terras na porção norte da capitania e por anos manteve-se impune ante os crimes, os assassinatos e as ações violentas que cometia. 
Condenado à revelia pelo assassinato do juiz ordinário de Vila Nova Del Rei, Antônio Barbosa Ribeiro, em 1795, Chaves ficou impune porque ninguém ousava captura-lo. A prisão pelo governador e um grupo de dez homens acabou se realizando em 1805. Martim foi levado para o cárcere de Limoeiro, em Portugal, onde veio a falecer anos depois. 

 residência do Governador das Armas do Ceará, em 1824. Ficava na Praça da Sé, na atual Rua Sobral em frente ao Paço Municipal. 
 
Um outro elemento material e simbólico, que visava demonstrar o poder da autoridade metropolitana na capitania, foi a reconstrução, em alvenaria, na gestão do governador Inácio Sampaio, da fortaleza de N. S. da Assunção, (o antigo forte Schoonenborch) que se encontrava em avançado estado de deterioração.  O forte foi reconstruído com base em projeto do arquiteto Antônio José da Silva Paulet (vindo para o Ceará com o próprio Sampaio) e contou com inúmeras doações de latifundiários. Foi em torno do forte que se iniciara a colonização portuguesa na terra e dali sairiam as ordens às quais todos deveriam submeter-se.

 Planta do porto e Villa da Fortaleza, de autoria de Silva Paulet, feita em 1813

Num sinal do crescimento de Fortaleza, mas também constituindo-se uma evidência do poder da autoridade colonial, foi elaborado o primeiro plano urbanístico da capital cearense, em 1818, pelo mesmo Silva Paulet. Adotou-se para o povoado o traçado em forma de retângulos ou xadrez, com as ruas se cortando em ângulo de 90° o modelo dominante então, e que seria mantido em planos futuros. Desejava-se na verdade, disciplinar o crescimento da vila. Contudo, organizar e aformosear Fortaleza não podem ser dissociados de uma forma de mostrar a força dos governantes, afinal era da capital que emanavam as decisões que deveriam controlar a vida da população.
Dizer, por outro lado,  que o Estado tentava cada vez mais estar presente na vida cearense, não significa que isso tenha sido completamente alcançado. Na verdade, o poder e a autoridade dos senhores da terra continuavam fortes no interior. 
 
fotos do Arquivo Nirez
extraído do livro de Aírton de Farias 
História do Ceará

terça-feira, 31 de julho de 2012

Maranguape

Rua de Maranguape. O primeiro imóvel à esquerda é o Solar Bonifácio Câmara, onde funciona a Biblioteca Pública do Município.

As origens do município datam do século XVII, quando a expedição holandesa, comandada por  Matias Beck, chegou ao Ceará no ano de 1649, conduzindo cerca de 298 homens, entre soldados, índios e negros escravos. O capitão holandês fundeou na  Enseada do Mucuripe, construindo o forte "Schoonenborch", nas cercanias do riacho Pajeú, em cuja volta se desenvolveu o povoado que mais tarde seria a vila de Fortaleza de Nova Bragança.
Os holandeses vieram em busca de supostas minas de prata, existentes na Serra de Itarema ,– próximo ao lugar onde acampavam e não muito distante da serra de Maranguape;  Os holandeses acreditavam encontrar esses tesouros no Ceará, numa daquelas serras que azulavam no horizonte.

Praça Capistrano de Abreu

A expedição batava à Serra de Itarema constitui a primeira exploração do homem branco nas terras do atual município de Maranguape, àquela época habitadas por índios potiguaras, que dilatavam seus domínios na faixa litorânea, desde o Rio Grande do Norte até a Barra do Ceará,  e daí ao Piauí.
As primeiras sesmarias foram concedidas no início do Século XVIII,  mas o povoamento, entretanto, só veio a se efetivar nos primórdios do Século XIX com a decidida atuação do português Joaquim Lopes de Abreu que, por doação do governo na metrópole, entrou no domínio de algumas sesmarias, incorporando-as a outras anteriormente compradas.
Em breve surgiu o arruado, à margem do riacho Pirapora, em torno de uma capelinha, construída para atender às necessidades religiosas dos moradores, que se ocupavam nas atividades agrícolas, especialmente na cultura do café. Em 1851-1852 a produção de café da província era obtida quase toda nas serras de Maranguape. Em 1875, Maranguape ecebe um grande impulso econômico com a inauguração da linha férrea da Estrada de Ferro Baturité, que funcionou até 1963, quando foi desativada.  Na segunda metade do século XIX, mais uma leva de portugueses iniciam mais uma atividade econômica, a plantação de cana-de-açúcar e a produção de cachaça.


População: 115.465 habitantes - (estimativa 2011 - IBGE)
área: 590,886 km²
densidade demográfica: 192,19 hab/km²
distância de Fortaleza: 30 km
localização: Região Metropolitana de Fortaleza
Limites: 
Norte - Caucaia e Maracanaú
Sul - Palmácia, Caridade e Guaiuba
Leste - Maracanaú e Pacatuba
Oeste - Pentecostes e Caridade

 



Distrito criado com a denominação de Maranguape, por provisão de 1° de janeiro de 1760 e ato provincial de 18 de março de 1842, subordinado ao município de Fortaleza. Elevado à categoria de vila com a denominação de maranguape, pela Lei Provincial n° 533, de 17 de novembro de 1851, sendo desmembrado de Fortaleza. Sede no núcleo de Maranguape. Elevado à categoria de cidade em 1869.

Museu da Cidade




 O prédio que atualmente abriga o Museu da Cidade já funcionou como escola, cadeia, delegacia de polícia e instituto médico legal. A segunda utilização justifica as grades nas janelas, e paredes e portas reforçadas. O "x" pintado sobre a porta indicava o número da cela. Sua construção foi iniciada em 1877, empregando mão-de-obra de retirantes da grande seca iniciada naquele ano. Destinava-se inicialmente a ser uma escola pública, e como tal funcionou durante muitos anos. 



O acervo do museu é composto de material sobre o humorista Chico Anísio, um dos filhos mais ilustres de Maranguape, móveis, cadeiras e utensílios antigos doados por moradores e peças usadas no exercício da medicina.     

Igreja Matriz de N.S. da Penha




Igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha  

A Igreja principal da cidade foi fundada em 04 de agosto de 1849. A edificação preserva traços da antiga arquitetura religiosa do Estado. Maranguape tem uma peculiaridade de possuir dois padroeiros: Nossa Senhora da Penha e São Sebastião, este último foi escolhido pelo povo em Ação de Graças, devido à suposta intervenção do mesmo na grande epidemia de cólera ocorrida em Maranguape no ano de 1862. Os fiéis acreditam ter sido a partir da proteção de São Sebastião responsável pelo fim da epidemia.


Sítio Ipu, e a casa onde nasceu Chico Anísio 

 Chico Anísio nasceu em 12 de abril de 1931, no Sítio Ipu, em Maranguape. Viveu durante sete anos em Maranguape, quando mudou-se para Fortaleza com a família. Seu pai era presidente do Ceará Sporting Club e dono de uma empresa de ônibus. Em meados de 1940, a empresa de seu pai pegou fogo, e a 'riqueza' da família virou cinzas. Como Chico dizia, 'dormiu rico e acordou pobre'. Foi quando viajaram para o Rio de Janeiro. Lá começou a trabalhar com imitações, participando de shows de calouros. Ganhava todos que participava, no Rio de Janeiro e em São Paulo, chegando ao ponto de os organizadores o proibirem de participar dos shows. Foi quando ingressou na rádio Guanabara que suas imitações dos tempos de calouro o fizeram famoso. Logo ao chegar na rádio, inscreveu três programas humorísticos, que foram prontamente aceitos pela direção da emissora.


Em 1950, já na rádio Mayrink Veiga, nasceu o que chamou de seu 'primeiro gol': o professor Raymundo, seu personagem mais complexo e famoso. 
Em 65 anos de carreira criou 209 personagens,  publicou 21 livros e pintou cerca de 300 quadros. Como compositor tem 27 discos gravados e ganhou dois discos de ouro, quando fazia com Arnaud Rodrigues, a dupla  "Baiano e os Novos Caetanos".
Chico Anísio faleceu no dia 23 de março de 2012, no Rio de Janeiro.

Fotos de julho/2012
por Rodrigo Paiva e Raquel Vianna
pesquisa:
IBGE
Wikipédia
e outras informações colhidas no local