Mostrando postagens com marcador preservação ambiental. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador preservação ambiental. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Os Dez Mandamentos para Preservação da Natureza no Sertão

 milhares de retirantes ocupam a estação de Iguatu em 1877 (IBGE)

1 - Não derrube o mato, nem mesmo um só pé de pau.
2 - Não toque fogo no roçado nem na caatinga.
3 - Não cace mais, deixe os bichos viverem.
4 - Não crie o boi nem o bode soltos. Faça um cercado e deixe o pasto descansar para se refazer.
5 - Faça uma cisterna no oitão de sua casa para guardar a água da chuva.
6 - Não plante Serra acima nem faça roçado em ladeira muito em pé; deixe o mato protegendo a terra para que a água não arraste e não se perca sua riqueza.
7 - Represe os riachos de cem em cem metros, ainda que seja com pedra solta.
8 - Plante cada dia pelo menos um pé de algaroba, de caju, de sabiá ou de outra árvore qualquer até que o sertão seja um mato só.
9 - Aprenda a tirar proveito das plantas da caatinga, como a maniçoba, a favela e a jurema. Elas podem ajudar você a conviver com a seca.
10 - Se o sertão obedecer a esses ensinamentos, a seca vai aos poucos se acabando, o gado melhorando e o povo terá sempre o que comer. Se não obedecer, dentro de pouco tempo, o sertão vai virar um deserto só. 

Padre Cícero

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

A Ilha


Uma certa sociedade de humanos vivia numa ilha, sem nenhum tipo de contato com outras populações de humanos. A ilha oferecia todas as condições para sua sobrevivência. A alimentação era à base de carne de porco crua. 

imagem: http://www.jornaldehumaita.com/2011_08_18_archive.html

Esse hábito milenar era praticado sem nenhuma contestação. Um dia, por acidente, os porcos escaparam do curral e fugiram para o interior da floresta. Ali, um incêndio, também acidental, terminou matando-os queimados. Horas depois do incêndio, um morador adentrou a floresta e encontrou os porcos. Ao sentir cheiro de carne assada, achou agradável e experimentou.

A partir desse dia esses humanos passaram a consumir carne de porco assada. Para tanto, reuniam os porcos em currais no interior da floresta e ateavam fogo. Assim, durante muito tempo aquela população se alimentou de porcos assados à custa da queima e destruição das florestas.

Mais tarde, alguns problemas começaram a surgir. Os porcos fugiam durante os incêndios. Passaram então a construir currais cada vez mais eficientes. Surgiu até uma escola técnica de aperfeiçoamento de construção de currais à prova de fugas durante incêndios florestais induzidos.

Um dia alguém observou:

- estamos errados! O problema é outro!  Ocorre que este tipo de árvore demora muito a ser incendiada! 

Resultados de pesquisas avançadas indicavam que o problema poderia ser solucionado com um novo tipo de árvore, melhorada geneticamente, que apresentasse maior eficiência de combustão em suas folhas, galhos e troncos e, assim, pudesse assar os porcos mais rapidamente, retirando-lhes as chances de fuga.

Passado algum tempo, outro grupo de pesquisadores argumentou que todos estavam errados. Surgia um novo paradigma, uma nova escola de pensamento e ação. O problema residia no fato de os porcos terem pernas compridas, por isso fugiam com facilidade!

Experimentos genéticos levaram à criação de porcos com pernas mais curtas e com reduzida capacidade de percepção ao aumento de temperatura ambiente. As pesquisas foram se tornando cada vez mais sofisticadas, e com o tempo foram escritos livros, tratados e complexas descrições do processo. 

Além disso, foram criadas escolas, faculdades, universidades, cursos de especialização e pós-graduação e até uma fundação que apoiava as pesquisas que visavam a eficiência daquele modo de assar porcos na floresta.

Ocorre que a população humana dos ilhéus aumentou, e com ela aumentou a necessidade de assar mais porcos, queimar mais florestas, criar novos empregos, incentivar mais pesquisas, novas especializações, novos cargos, novas empresas, que juntos deveriam crescer e fomentar o progresso.

Mas um dia, alguém ousou contestar aquele modo de produção: 

- Não seria mais fácil assar o porco sobre algumas brasas, fora da floresta? 

As reações foram violentas. A indignação geral: quem é você para contestar o sistema? Essa solução já não teria sido proposta pelos especialistas se ela fosse viável? E o que faríamos com as centenas de instituições, e os milhares de empregos?


imagem: O Globo

E o sistema continua até hoje, apesar de muitos já terem percebido que algo está errado:  as florestas estão acabando, os recursos da ilha se tornaram escassos, o clima está cada vez mais hostil, as pessoas estão angustiadas pela competição e pela incerteza no futuro da comunidade, diante do aspecto de devastação da ilha.

As outras espécies animais sumiram da floresta. Junto com o racionamento de água, vieram a miséria, violência, a insegurança e o desrespeito à dignidade humana.

Algumas pessoas, no entanto, acreditam que os processos precisam ser revistos com a máxima urgência, e que existiem formas mais coerentes de existência, com estilos de vida mais inteligentes.

Extraído do livro Pegada Ecológica e Sustentabilidade Humana
De Genebaldo Freire Dias

domingo, 15 de maio de 2011

Beberibe


O município de Beberibe localizado no litoral leste do Estado do Ceará, fica a cerca de 75 km da capital Fortaleza. Tem uma população de 49.311 habitantes (IBGE-2010) numa área de 1.624 km².
O Distrito foi  criado com a denominação de Beberibe, pela lei provincial nº 2051, de 24 de novembro de 1883, subordinado ao município de Cascavel. 
Foi elevado à categoria de município e distrito com a denominação de Cascavel, pela lei estadual nº 1153, de 22 de novembro de 1951, sendo desmembrado de Cascavel.
De acordo com divisão territorial datada de 18 de agosto de 1988, o município é constituído de 6 distritos: Beberibe, Itapeim, Parajuru, Paripueira, Serra do Félix e Sucatinga.







A cidade de Beberibe está localizada nas terras de sesmarias concedidas ao capitão Domingos Ferreira Chaves, Manuel Nogueira Cardoso, Sebastião Dias Freire e João Nóbrega pelo capitão-mor Tomás Cabral de Olival, em  16 de agosto de 1691.
Conta a tradição, pelo testemunho de seus antigos habitantes, que nos primeiros anos do século passado houve um naufrágio de uma embarcação portuguesa  naquelas paragens, da qual  era passageira dona Maria Calado.  Fervorosa devota da Sagrada Família, a portuguesa fizera uma promessa de que, se chegasse à terra com vida, nos destroços do navio que lhe serviam de sustentáculo sobre as ondas, mandaria levantar, no ponto em que aportasse, uma capelinha sob a invocação de Jesus-Maria-José.
A mulher aportou às praias do Morro Branco e ali adquiriu terras que confinam com a meia légua do rio Pirangi-norte-sul e ainda entre o rio Choró e a barra da lagoa do Uruaú.  Ali fixou  residência e mandou  construir a capelinha de sua promessa.
Mais tarde Lucas Brasileiro Ferreira de Araújo, neto de Baltazar Ferreira, dono do sítio Lucas, nome primitivo do distrito de Beberibe, quando da criação do município de Cascavel, levantou outra capela, sob o mesmo orago, em frente à sua residência na cidade de Beberibe.
Anos depois, o coronel Raimundo José Pereira Leite, homem rico de Cascável, sobrinho e genro de Baltazar Ferreira do Vale, do sítio Lucas, fez uma grande reforma na capela, que foi ampliada e transformada em Igreja Matriz. 

Igreja Jesus, Maria José



Cidade com forte apelo turístico,  extensa rede hoteleira e grande oferta de equipamentos de turismo e lazer, Beberibe atrai um grande número de visitantes, além de empreendedores interessados em se estabelecer comercialmente no local. Com estas características  necessita manter rígido controle no combate  a exploração desordenada de recursos naturais, a ocupação irregular de sítios e áreas protegidas, a gestão adequada do lixo e resíduos gerados por visitantes e turistas, dentre outras providências. 
  
 A retirada de areia das falésias para uso no artesanato é um dos problemas ambientais do local, assim como  as inscrições nas falésias decorrentes da atividade turística desordenada.
os passeios  em veiculos motorizados na área de dunas, utilizados em larga escala, prejudicam o ecossistema e representam uma ameaça a fauna  do lugar. 



O Estado do Ceará localizado no semi-árido, com sérios problemas de estiagem e secas periódicas,  tem como maior patrimônio (talvez o único) a sua bela paisagem natural.  A preservação ambiental não é uma opção, é uma questão de sobrevivência. 

Fonte: IBGE
fotos: arquivo do Blog