domingo, 25 de março de 2012

Senador Pompeu – político no ofício da cultura

Thomaz Pompeu de Souza Brasil (1818-1877) mais conhecido como Senador Pompeu, destacou-se pela inteligência e cultura, no exercício de várias atividades: professor, bacharel em Direito, escritor, político, orador.  Fundador e primeiro diretor do Liceu do Ceará. Estabelecimento de ensino que serviu de base cultural para várias gerações de personalidades importantes do Ceará. Motivou através da análise social e de estudos específicos, o aprimoramento intelectual.  Graças a seus esforços, o Liceu tornou-se núcleo gerador de futuros estudiosos, atraindo até mesmo estudantes de outras províncias.

Prédio do Liceu do Ceará, instituição de ensino criada pelo Senador Pompeu (arquivo Nirez)

A primeira providência de Pompeu depois de assumir as funções no Liceu, como Inspetor-Geral da Instrução, foi fazer uma longa excursão pelo interior do estado, visitando as escolas primárias existentes nas diversas localidades da província.
Ao regressar do sertão, apresentou ao presidente, longo relatório no qual ressaltou as condições precárias daquele estabelecimento de ensino, sugerindo ao mesmo tempo uma indispensável reforma do sistema escolar dominante.  Acentuava que a simples escola de instrução, transmitindo apenas noções imperfeitas de cálculos, leituras e escrita, como vinha ocorrendo nas escolas primárias daquele tempo, estavam longe de atingir o ideal de verdadeira escola popular.
Para Thomaz Pompeu, a  escola deveria instruir, preparar o aluno, despertando-lhe as aptidões para o exercício de uma profissão útil no meio em que vivia. Achava o futuro senador do Império que o ponto básico da reforma estava antes de tudo, na preparação profissional do mestre, o qual a par de novos conhecimentos deveria possuir também condições para fazer da escola primária, estática e monótona, uma escola de trabalho, de atividades pré-vocacionais, que transformasse o estudante num homem do futuro, adestrado para viver e vencer no seu meio.  
Mas Pompeu não se restringiu apenas aos assuntos educacionais. Em 1864, na tribuna do Senado, falava sobre a defesa dos recursos naturais, exigindo a preservação das florestas, como também a construção de açudes para se vencer as consequências climáticas. Tal pronunciamento foi feito alguns anos antes da terrível seca de 1877 que se abateu sobre o Ceará, provocando a morte de milhares de sertanejos.
Entre seus trabalhos publicados destacam-se: Compêndio de Geografia Geral (1857);  Memória sobre o Clima e secas no Ceará (1877);
Sistema ou Configuração Orográfica do Ceará (1877), além de outros importantes estudos que servem até hoje como fontes de pesquisas.


Sede da Via-Férrea de Baturité, na atual Praça Castro Carrera, antigo Campo da Amélia (arquivo Nirez)

O Senador Pompeu participou da organização e criação da Companhia Cearense Via-Férrea de Baturité, em 1870, destinada à construção da estrada de ferro que se estenderia, muitos anos depois, até a cidade do Crato. Os maiores acionistas, além de Pompeu, foram os barões de Ibiapaba e Aquiraz, além de José Pompeu de Albuquerque Cavalcante e Henrique Brockehurst.
Estação Ferroviária de Maracanaú

Os trabalhos de construção do leito da estrada tiveram inicio no dia 20 de janeiro de 1872, pelo empreiteiro Jerônimo Luiz Ribeiro. Em novembro do ano seguinte, era iniciado o tráfego da estrada, com a inauguração da Estação de Arronches (atual Parangaba), e em 14 de janeiro de 1875, foi inaugurada a estação de Maracanaú.  Foi a última festa que contou com a presença do Senador Pompeu. A Estrada de Ferro de Baturité foi a primeira a ser construída na província.

Thomaz Pompeu de Souza Brasil nasceu em Santa Quitéria, Ceará, a 6 de junho de 1818, filho do capitão de milícias Thomaz de Aquino de Souza. Aos dezesseis anos de idade foi para Sobral, estudar Latim com o tio Gregório Francisco Torres e Vasconcelos. Interessou-se pelos estudos, pois a família queria que seguisse a vida sacerdotal. Em 1841, recebeu as ordens sacras no Seminário de Olinda. Dois anos depois bacharelou-se em direito.
Em 1844, candidatou-se a deputado, sem conseguir ser eleito. É bem sucedido em 1846, logo se destacando no Partido Liberal, sendo depois seu grande líder no Nordeste.  Nas eleições gerais para a Câmara Geral em 1845, fica como primeiro suplente do padre José da Costa Barros, assumindo o cargo no ano seguinte com a morte do titular.  Ao mesmo tempo, Pompeu dirige o Liceu do Ceará.
Thomaz Pompeu projetou-se também no jornalismo, principalmente no “O Cearense”, dirigido por Tristão de Alencar Araripe (Conselheiro Tristão) e Frederico Augusto Pamplona. Com a saída dos diretores para ocupar cargos públicos, Pompeu assumiu o jornal, que serviu para projetar suas ideias políticas.
Faleceu em 2 de setembro de 1877, aos 59 anos de idade, em consequência de uma lesão cardíaca de que era portador.  Até seu falecimento, Pompeu residiu na Rua Senador Pompeu (que à época era a Rua Amélia), n° 98, vendida pelos herdeiros para nela se instalar a Padaria Palmeira. Em 1896, em homenagem ao ilustre político, a povoação de Humaitá passou a denominar-se Senador Pompeu, que em 1901, passou a categoria de cidade.
Thomaz Pompeu foi sem dúvida, um dos políticos mais atuantes de sua época. 

extraído do livro
A história do Ceará passa por esta rua, 
de Rogaciano Leite Filho

domingo, 18 de março de 2012

Sobre Cangaço e Cangaceiros

De acordo com folcloristas, cangaço vem da palavra canga, o conjunto de arreios usados para amarrar o boi ao carro – é provável que o termo tenha sido utilizado porque os bandoleiros usavam espingardas a tiracolo ou com correias cruzadas  no peito, lembrando o boi no jugo. Já em 1834, são registradas as primeiras descrições dos bandos que ficaram conhecidos por cangaceiros: chapéu de couro, clavinotes, cartucheiras de pele de onça pintada, longas facas enterçadas, batendo nas pernas, praticamente a mesma indumentária de Lampião.

 Virginio Fortunato vulgo Moderno (no centro) era cunhado de Lampião e liderou seu próprio grupo. Era casado com Durvinha, com quem teve dois filhos. 

Bandidos errantes sempre existiram por todo o país, desde o período Colonial – grupos de assaltantes de estradas que intranquilizavam os viajantes  e eram sistematicamente combatidos pelas autoridades. O cangaço, contudo, foi um fenômeno típico da região Nordeste. A expressão designava os grupos armados sob a liderança de um chefe, que se mantinham nômades e autônomos, vivendo de assaltos e saques e não se ligando permanentemente a nenhuma liderança politica ou latifundiário.

no furo das balas ou no corte das lâminas, vários foram o poder das armas. Serviram a cangaceiros, e coronéis do sertão, a pistoleiros e policiais. Acervo do Museu do Ceará (foto Fátima Garcia)

Há quem veja os cangaceiros como espécies de Robin Hood dos sertões, tirando dos ricos e dando aos pobres. Bandoleiros como Antônio Silvino, que se autoproclamava o “governador dos sertões”, quando assaltava uma localidade, na maioria das vezes dava um passeio  de braços dados com o prefeito ou o delegado de polícia, fazendo depois a bolsa, ou seja, coletava dinheiro entre os proprietários e comerciantes, ficando com a quantia da qual necessitavam e distribuindo o restante entre os populares.
Os cangaceiros obtinham apoio também pela coação e medo. Para os populares e coronéis as únicas alternativas eram ajudar os bandoleiros, ou então sofrer perseguições. Os bandos do cangaço eram extremamente brutais com quem os traía ou ajudava os inimigos. A simples suspeita já bastava para os atos de crueldade. Puniam não só os faltosos, mas também a família destes e até mesmo o povoado onde por acaso residisse. 

 O Punhal que pertenceu a Virgulino Ferreira, O Lampião, hoje faz parte do acervo do Museu do Ceará (foto Fátima Garcia)
punhais que pertenceram a cangaceiros, recuperados pelas volantes. Acervo do Museu do Ceará (foto Fátima Garcia)

Os cangaceiros eram mestres em sangrar pessoas, enfiando-lhes longos punhais entre  a clavícula e o pescoço. Marcavam mulheres com ferro quente, arrancavam os olhos, cortavam línguas, orelhas, castravam homens, violências iguais às cometidas pelos policiais e as volantes. Estes, na ânsia de saber o rumo dos cangaceiros, realizavam crimes hediondos contra a população rural. Muitos policiais, no entanto, chegavam a vender armas e munição  para cangaceiros ou se corrompiam, protegendo ou facilitando suas fugas. Sobre o comandante da expedição que matou Lampião em 1938, capitão João Bezerra, pesavam acusações desse tipo. 

 Cartaz do governo oferecendo 50 contos de reis de recompensa pela captura de Lampião. Uma pequena fortuna, na época. imagem do Blog do Nogueira disponível em 

Os grupos de cangaceiros eram, em geral, pequenos, com três a dez homens no máximo, embora  houvesse bandos maiores, como o do próprio Lampião, que chegou a reunir 100 componentes. Os grupos eram conhecidos pelo nome do chefe. Este selecionava os homens que entrariam no bando, armava-os, atribuía-lhes apelido e determinava as normas de comportamento. A palavra do chefe era inquestionável, sendo ele chamado de patrão. O chefe monopolizava os contatos com os coronéis, coiteiros,  e fornecedores, era quem ficava com a maior parte dos recursos produzidos nas ações criminosas.
Entrando para o cangaço, o individuo  dificilmente saía dele vivo. Mesmo o que se entregava, acabava morto por desafetos, parentes de suas vítimas ou pelos antigos companheiros, os quais temiam que os segredos do grupo fossem  revelados. Quando capturados os cangaceiros eram sumariamente fuzilados, só conduzia-se para a cadeia um ou outro nome mais conhecido, como aconteceu com jararaca – José Leite Santana – baleado e preso no dia seguinte ao assalto malogrado à cidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte. Depois de prestar minucioso depoimento, é levado para o cemitério e ali morto pela polícia. 
Os cangaceiros não deixavam que a polícia avaliasse o resultado dos combates. Conduziam os mortos ou, na impossibilidade, cortavam-lhes as cabeças, dificultando a identificação. Quando assassinados pela polícia, esta igualmente decapitava os mortos, para comprovar o fato e receber as recompensas pagas pelas autoridades. 
Foi o que ocorreu com o bando de Lampião. As cabeças do rei do cangaço e de mais onze companheiros foram colocadas em latas de querosene, cheias de sal grosso para conservá-las. Os corpos foram atirados num riacho seco. Mumificadas, as cabeças ficaram expostas no museu Nina Rodrigues, de Salvador, até 1969, quando familiares conseguiram autorização para fazer o sepultamento. 

Dadá e Corisco. 
Corisco sequestrou Sérgia Ribeiro da Silva, a Dadá, quando ela tinha apenas treze anos. Usou da força bruta para que a moça permanecesse com ele, e mais tarde o ódio se transformou em  um grande afeto. Corisco ensinou Dadá a ler, escrever e usar armas, e permaneceu com ela até no dia de sua morte. Os dois tiveram sete filhos, mas apenas três deles sobreviveram. 

Após a morte de Lampião em Angicos, em 1938, Corisco – Cristiano Gomes da Silva Clero – que não se encontrava naquela localidade e ocasião, assumiu a tarefa de vingar a morte do ex-chefe e amigo. Matou várias pessoas suspeitas de terem traído Virgulino Ferreira. Corisco chegou a enviar cinco cabeças num saco para o prefeito de Piranhas-AL.  No ano de 1940, Corisco foi ferido e morto pela polícia – a sua mulher Dadá, sobreviveu, perdendo uma perna – A morte do Diabo Louro simbolicamente significou o fim do cangaço.


Fonte:
História do Ceará, de Aírton de Farias   
wikipédia      

domingo, 4 de março de 2012

A Chegada dos Protestantes ao Ceará

Fachada da 1ª Igreja Presbiteriana do Ceará, na esquina das Ruas Sena Madureira com Pedro Borges, no centro de Fortaleza (foto do jornal O Povo)

Ainda no século XIX verificou-se uma pequena expansão do protestantismo no Ceará, provocando a fúria da Igreja católica e de seus fiéis mais radicais, gerando uma disputa não só de fé, mas de espaços de poder. A exemplo do que aconteceu em outros locais do Brasil, os credos protestantes chegaram à província com os viajantes de origem estrangeira, fossem europeus, ou norte-americanos.
Os primeiros protestantes, pelo menos a princípio, não se empenhavam em divulgar o credo ou se manifestar publicamente sobre sua religião, talvez temendo represálias ou prejuízos em suas atividades profissionais, em face da tradição católica do povo cearense.  Possivelmente realizavam seus cultos no espaço doméstico, uma vez que faltavam em Fortaleza templos para aquele fim. Mas a presença protestante era evidente e até considerável, como demonstra a construção de um cemitério de ingleses.
Depois vieram os missionários, com a intenção de mostrar às populações locais outras práticas cristãs, e lógico, angariar seguidores. 


O prédio foi demolido em 1976, depois de ser vendido ao grupo C. Rolim. Hoje tem um edifício no local (arquivo Nirez)

O primeiro a chegar ao Ceará foi o reverendo presbítero De Lacy Wardlan em 1882, num programa missionário promovido pelas igrejas Presbiterianas do sul dos estados Unidos. No mesmo dia da chegada, em um hotel da Praça dos Mártires (Passeio Público), o pastor apresentava o culto aos anfitriões: o capitão do porto e senhora, o chefe dos correios um jornalista recém-convertido e alguns passantes.
Em que pese o culto em língua estrangeira, o americano batizou 13 novos adeptos em julho de 1883. Com isso foi fundada a primeira congregação protestante de Fortaleza, que em 1890, deu origem a Igreja Presbiteriana de Fortaleza, a mais antiga igreja evangélica da cidade e por muitos anos, a única.
Suas práticas litúrgicas públicas – não fazer culto a santos e a Maria, cantar hinos de louvor em português, difusão da Bíblia e folhetins, artigos na imprensa, comparecimento a enterros –  irritaram os meios católicos, sobretudo porque as leis do império proibiam as demais religiões de se manifestarem publicamente.
Os segmentos católicos usaram de todos os artifícios para intimidar o reverendo, de notas agressivas nos jornais a ameaças e agressões físicas; chamavam-no jocosamente de padre casado ou "amancebado". 
Quando das pregações públicas, não raras vezes, os evangélicos tinham que aguentar insultos, vaias, gritos, piadas e às vezes, até pedradas, sobretudo nas cidades do interior, onde a religiosidade católica era mais exacerbada. Chegou-se a jogar areia no prato de De Lacy quando de sua estada em Baturité. 


Cidade de Baturité (Arquivo Nirez)

Na época, foi aprovada uma lei pela Assembleia Provincial, aumentando escandalosamente os impostos pagos por comerciantes que vendessem livros não católicos. Os protestantes por outro lado, igualmente atacavam/reagiam aos católicos: maridos forçavam esposas e filhos a se converterem, evangélicos quebravam imagens de santos em público e acusavam os católicos de serem fanáticos, ignorantes, supersticiosos.
Apesar de tudo, De Lacy continuou com seu trabalho, voltando para os Estados Unidos apenas em 1901. Em pouco surgiram pela província os primeiros nativos convertidos.

Fontes:
História do Ceará, de Airton de Farias
Revista Fortaleza, fascículo 2

domingo, 26 de fevereiro de 2012

São Benedito - Ceará


População – 44.178 habitantes (IBGE Censo 2010)
Área da unidade territorial – 338,243 km²
Densidade demográfica – 130,61 hab/km²
Localização – na Serra da Ibiapaba a 903 metros de altitude. São Benedito é um município localizado na Macrorregião de Sobral/Ibiapaba, na Mesorregião do Noroeste Cearense denominado Serra da Ibiapaba.
Limites
Norte: Mucambo e Ibiapina
Sul: Carnaubal e Guaraciaba do Norte
Leste: Graça
Oeste: Estado do Piauí
Distância de Fortaleza – cerca de 360 km.


a Praça da Nação Tabajara, também conhecida como Praça dos Índios, foi inaugurada em 1979. O local abriga um monumento em homenagem aos Índios Tabajaras, que eram grandes guerreiros de índole rebelde que dominavam outras tribos indígenas existentes.
A região de São Benedito, como todo o Planalto da Ibiapaba, era habitada pelos índios tabajaras (Senhor dos Aldeias) e outros, a exemplo de Anaces e Arariús.
No período de 1607/1721, os jesuítas tiveram dificuldade de catequizar devido a rebeldia dos Tabajaras. O aldeamento, como também a legalização das terras indígenas, só foi conquistado em 1720.
Como personagem principal da história de São Benedito, se destaca o chefe indígena Dom Jacob de Sousa, considerado o principal personagem de origem da cidade. 

Histórico e origem do Município de São Benedito

O lugar chamou-se primitivamente Rio Arabê ou das Baratas, segundo versão tupi, havendo como referência o riacho (Século XVII).  Nessa época, a terra era habitada pelos Tapuias, marcando um dos principais aldeamentos  indígenas.
As origens do município de São Benedito se confunde com a ocupação da Serra da Ibiapaba, a  contar do ano de 1604, quando Pero Coelho de Souza, após subjugar os Tabajaras da Ibiapaba, estendeu suas conquistas ao longo da Grande Serra da Ibiapaba, montando seu quartel-general nesse local.
Em 1759, quando da expulsão dos Jesuítas, da Ibiapaba, coube ao Índio Jacob reunir o contingente de sua obediência e buscar refúgio no referido Rio Arabê, instalando ali sua aldeia. Logo em seguida, grupos dispersos se acercaram do reduto, montaram seus acampamentos  e formou-se por essa via o povoamento. 

Rua de São Benedito
Santuário de São Francisco

O Santuário de São Francisco foi construído na década de 60 pelo pároco Otalício Carneiro de Vasconcelos, é considerada uma das obras de maior destaque na cidade de São Benedito.
A estátua, tida como um dos equipamentos mais valiosos da cidade, foi solenemente benta por Dom José Bezerra Coutinho, Bispo na Estância do Estado de Sergipe – SE.

Igreja Matriz de São Benedito
O povoado de São Benedito nasceu em torno de um nicho construído pelo índio Jacó de Sousa Castro em homenagem a São Benedito. Em 1841, Padre Felipe Benício, Vigário de Viçosa do Ceará, reconstruiu a capelinha no mesmo lugar no nicho de Jacó. Nova capela foi iniciada em 23 de agosto de 1850 no lugar onde hoje está a matriz, e inaugurada em 22 de dezembro de 1851. Em 06 de agosto de 1874, em virtude da lei provincial n° 1600, Dom Luís Antônio dos Santos criou a paróquia


Praça e Coreto ao lado da Igreja Matriz 
Santuário de Fátima da Serra Grande 



O Santuário de Nossa Senhora de Fátima da Serra Grande é um complexo religioso formado por um templo principal com capacidade para 1.500 pessoas, 3 capelas, hotel, restaurante, trilha do rosário, livraria e demais serviços afins.  

fotos: Ricardo Vianna e Fátima Garcia
fontes:
Wikipédia
IBGE
http://www.saobenedito.ce.gov.br

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A Pedra Santa de Independência – Ceará


Nessa região árida são comuns as formações rochosas que se espalham por vários pontos da serra, formando figuras e fendas. Uma delas lembra a imagem de uma santa.

Vistas de perto, parecem simples e grandes pedras acopladas naturalmente umas às outras. Um pouco mais distante e de ângulos específicos, as pedras tomam forma semelhante a uma imagem. De Nossa Senhora, dizem os fiéis. A formação rochosa  fica no distrito de Jandrangoeira,  município de Independência, sertão dos Inhamus.  A designação de Pedra Santa foi dada pelos antigos moradores da região incluindo a localidade de Antônio Bento, a mais próxima da Pedra Santa. Atualmente apenas duas famílias vivem em Antônio Bento.
Os pedidos mais comuns, segundo moradores, são alusivos ao inverno,  pedidos de chuva e água para a região. 
A escassez de água, a aridez do solo, os problemas climáticos e a falta de políticas públicas desfavoreceram o município ao longo da história. Independência se enquadra no polígono das secas e muito tem sofrido por esse motivo. 
De acordo com pesquisas científicas é um dos municípios mais áridos e com maior índice de desertificação do Estado.

Caminho até a Pedra Santa: difícil acesso

Para chegar até a Pedra Santa, é preciso percorrer quarenta quilômetros de estrada de terra, com muitas pedras. Ao todo, é preciso abrir e fechar dez cancelas. Além disso, é necessário andar cerca de 400 metros em um trecho cheio de pedras. A vegetação local é composta de chique-chique, favela, mandacaru e malva, resistentes à seca.
Conforme declaração de um morador, há mais de dez anos, fazendeiros que possuem propriedades na região, teriam pedido aos gestores municipais para não recuperarem as estradas, com receio de roubo de animais, o que acabou contribuindo para o isolamento do local. Hoje, poucos visitam a Pedra santa devido a dificuldade de acesso.
Para o padre Manoel Machado, da paróquia do município, a crença na Pedra Santa é conhecida, apesar de não saber da ocorrência de milagres ou procissões.  Conta ainda, que ali era uma região bem povoada, mas de uns 20 anos para cá, as pessoas começaram a se mudar. Hoje o distrito é tão desabitado que apenas uma festa religiosa ocorre na região, na Vila de Jandrangoeira, na Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

fonte: 
Diário do Nordeste

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Viçosa do Ceará



Viçosa do Ceará é a primeira cidade da Serra da Ibiapaba, inicialmente habitada por índios Tabajaras. O município foi antiga aldeia de índios dirigida por padres da companhia de Jesus. Foi desbravado ao final do século XVI, quando do contato dos índios com os franceses, vindos do Maranhão.
Os franceses estiveram na região da serra da Ibiapaba entre 1590 e 1604, data em que foram expulsos por Pero Coelho de Sousa, quando este fazia tentativas de colonização portuguesa no Ceará.
Ainda em 1607, os padres Luís Figueira e Francisco Pinto, também da companhia de Jesus, estiveram na Ibiapaba, com o objetivo de catequizar os índios. Há ainda informações históricas de que o missionário Francisco Pinto fora trucidado por índios Tucurujus.
As missões, no entanto, não foram continuas, não havendo consequentemente, uma colonização regular na Ibiapaba.
O aldeamento na região ia aos poucos se estruturando com a presença  de moradias indígenas próximas à residência dos padres. 






Igreja de Nossa Senhora da Assunção, marco importante da história de Viçosa do Ceará. Conta-se que existem túneis subterrâneos embaixo da Igreja que dão acesso a várias casas antigas da Cidade. Estes túneis seriam usados pelos jesuítas para escapar dos ataques indígenas. Sua fundação data do ano de 1695. 

Marco importante da história de Viçosa do Ceará foi a construção da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção. Conforme informações do Padre Ascenso Gago, sua fundação data do ano de 1695. Naquela ocasião foi colocada a imagem de Nossa Senhora da Assunção, havendo naquele dia procissão, missa, danças e brincadeiras, além de exibição de lutas entre índios.
Nesse contexto, o dia 15 de agosto de 1700 deve ser tomado como marco da fundação oficial da aldeia da Ibiapaba, futura cidade de Viçosa do Ceará. O padre Ascenso Gago, como Superior da Aldeia da Ibiapaba, dirigiu todo o processo de formação da futura Vila. Foi o grande missionário da Ibiapaba. Mais tarde foi substituído pelo padre Francisco Lira.






Lagoa Pedro II
Antiga Lagoa de Mel Redondo que significa Ibiapaba, habitada primitivamente por índios da tribo Irapuã, foi construída por volta de 1800, numa época de seca. Os recursos foram dados pelo Pedro II, na época se região Império, daí o nome Lagoa Pedro II. 



Teatro Pedro II
O prédio de 102 anos, um dos teatros mais antigos do Ceará,  que passou quatro décadas fechado, foi restaurado pelo IPHAN em parceria com a Prefeitura de Viçosa. Além do restauro, foi adquirido mobiliário novo, como cadeiras da área de plateia e mezanino, equipamentos de iluminação, som e projeção.


Igreja de São Francisco


Igreja do Céu
Ponto mais alto da cidade com 900m de altitude, encravada no topo do morro uma capela fundada pelo Monsenhor José Carneiro da Cunha dedicada a Nossa Senhora das Vitórias.
No alto do templo surge a imagem do Cristo Redentor, esculpida pelo italiano Augustinho Odísio Balmes em 1937 e inaugurada pelo Bispo José Tupinambá da Frota, Bispo da Diocese Sobralense em 14 de agosto de 1938.



A igrejinha, construída em 1938, foi a única construção nesta parte mais alta da cidade durante quase sessenta anos, até que a prefeitura local, em fins dos anos noventa iniciou a construção do espaço cultural no entorno da igreja.
O Pólo Turístico dispõe de restaurante, telefone público, centro de convenções, biblioteca, banheiros, área de estacionamento, palco para shows, calçadão e boxes para venda de artesanato e as delícias da culinária local.


 Para chegar ao local a escolha fica a critério do visitante, de carro ou a pé pelos 334 degraus que dão acesso ao santuário.


População: 54.955 habitantes (IBGE - Censo Demográfico de 2010)
Área da Unidade Territorial - 1.311.620 km²
Densidade Demográfica - 41,90 hab/km²
Localização - microrregião da Ibiapaba, Mesorregião dos Nordeste Cearense
Distância de Fortaleza - aproximadamente - 349 km
Limites: 
Norte - Granja
Leste - Granja e Tianguá
Sul - Tianguá
Oeste - Cocal e Cocal dos Alves (ambas no vizinho estado do Piauí)

Em 1759, são abolidas, no Brasil, as missões da Companhia de Jesus, por determinação de Marquês de Pombal, ministro do rei de Portugal, D. José I. Com isso, também foram abolidas as aldeias que tinham o comando dos jesuítas, sendo as mesmas substituídas por vilas e povoados.
Á 7 de julho de 1759, a Aldeia da Ibiapaba foi elevada à categoria de Vila, recebendo o nome de Vila Viçosa Real da América, cuja instalação foi feita pelo o Ouvidor da Comarca de Pernambuco, Desembargador Bernardo Coelho da Gama Casco, que esteve na Vila para instala-la, em comunicado feito ao povo na Igreja Matriz.
Aos 14 de agosto de 1882, através da Lei 1.914, a Vila foi elevada a condição de Cidade, por proposta de Luís Januário Lamartine Nogueira, então Deputado Provincial, lei esta sancionada pelo Bacharel Sancho de Barros Pimentel, Presidente da Província do Ceará.
No ano de 1943, o Conselho Nacional de Geografia pretendeu mudar o nome de Viçosa para Ibiapaba. Alegava, para tanto o extravio de correspondências, por existir noutro Estado da Federação outra cidade com o mesmo nome de Viçosa.
Ante a inaceitável sugestão daquele conselho, para tão bizarra mudança, a comunidade viçosense insurgiu-se e, indignada, despontou o movimento liderado por Francisco Caldas da Silveira, inclusive contando com o prestígio do Jurisconsulto Clóvis Beviláqua e do Marechal Eurico Gaspar Dutra. Comungando as mesmas ideias e sintonizados nos anseios da população, sugeriram como solução definitiva acrescentar-se ao nome Viçosa a expressão "do Ceará" .
Pelo Dec. Lei nº 1144, de 30 de dezembro 1943, a tricentenária cidade de tantas memórias, recebeu o nome de Viçosa do Ceará.


fotos: 
Raquel Vianna
Rodrigo Paiva
Fátima Garcia
fontes:
IBGE
site Oficial da cidade de Viçosa do Ceará disponível em:
 http://www.vicosadoceara.ce.gov.br/turismo/
Wikipédia

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Os Primitivos Governadores do Ceará



No Brasil colônia, as capitanias podiam ser de duas ordens: principais e subalternas, podendo estar as segundas subordinadas as primeiras. Paraíba, Rio Grande do Norte, Alagoas e Ceará eram capitanias subalternas a Pernambuco. As capitanias eram administradas por três autoridades: o capitão-mor, o ouvidor e a câmara de vereadores.  
Os capitães-mores governadores tinham entre suas funções garantir a defesa da capitania, inspecionar as câmaras e órgãos judiciais no cumprimento de suas funções, garantir o bom andamento dos aldeamentos indígenas, comandar as forças armadas da capitania, além de nomear os comandantes locais dos postos de ordenanças (geralmente latifundiários, que seriam depois confirmados pelo rei) e distribuir cartas de sesmarias.
Ao longo do tempo os capitães-mores revelavam-se verdadeiros soberanos absolutos, agindo de forma arbitrária e provocando inúmeros confrontos ao intervir e perseguir as demais autoridades e administradores.


Forte do Picão ou Forte de São Francisco da Barra foi erguido sobre um recife de pedra em 1614, para proteger o ancoradouro da região portuária, sendo demolido em 1910. 

Para se ter uma ideia, até 1700, quando se instalou a primeira vila no Ceará, todo o poder estava concentrado nas mãos do capitão-mor e não houve sequer normas escritas até o ano de 1705, pois o governante recebia apenas instruções verbais de Pernambuco. Nesse mesmo ano foi enfim estabelecido um regimento para orientar a conduta do capitão-mor governador, o que, em tese, permitia que os habitantes da capitania reclamassem  dos abusos praticados.
navios ancorados ao largo dos arrecifes da Bacia Portuária de Recife, por volta de 1910.

O primeiro capitão-mor do Ceará, após a saída dos holandeses foi Álvaro de Azevedo Barreto, que tomou posse da capitania em 20 de maio de 1654. As ações iniciais de Azevedo foram no sentido de construir uma capela em louvor a Nossa Senhora da Assunção, nome, aliás, pelo qual também passou a ser denominado o forte flamengo de Schoonenborch.  No fortim, todo de madeira e em péssimo estado de conservação, promoveu uma reforma  (só em 1812 a fortaleza passou a ser de alvenaria).


Engenho em Pernambuco, com casa grande e capela 

A área em torno da fortaleza não era a mais adequada para se pensar em colonização. Sem terras propícias à grande lavoura açucareira, ou sequer um grande rio, a capitania não despertava nenhum entusiasmo. Durante anos, até que se conquistassem os sertões com a pecuária, a presença europeia no Ceará, ficou restrita ao fortim do litoral. Era local de uma gente muito humilde, vivendo de atividades de subsistência.
Eram persistentes as queixas dos capitães-mores do Ceará a Portugal solicitando providência a qualquer sinal de problemas. As autoridades sequer os encorajavam a trazer as famílias para a Aldeia do Siará, pois entendiam não ser conveniente jogá-las em meio a mil percalços, num lugarejo perdido nos confins do Brasil.


Casa do capitão-mor em Aquiraz

A guarnição do forte era anualmente substituída por outra, enviada de Recife. Muitos desses soldados eram tidos como indisciplinados em Pernambuco, e punidos com o degredo no Ceará. Os soldados andavam descalços, quase nus, salvo um ou outro com camisas e ceroulas de algodão, confeccionados  na capitania. No mais, o que se via, era um bando de maltrapilhos, cujos soldos atrasavam comumente, o que ocasionava inúmeras deserções. O armamento consistia de meia dúzia de velhas carabinas, quebradas, consertadas com cordas, quase sem munição.
A pobreza da terra não impedia que navios estrangeiros viessem praticar contrabando, nos quais se envolviam até capitães-mores – a exemplo do governador Bento de Macedo de Faria (1682-84) acusado de negociar com barcos holandeses, cedendo madeiras, gado e cavalos em troca de fazendas e gêneros.


Casa do capitão-mor em Sobral

Prepotentes e autoritários, os governadores cearenses estavam sempre em atrito com os religiosos da terra. Em 1787, uma carta dos párocos das igrejas matrizes da capitania continha denúncias contra o capitão-mor João Batista de Azevedo Coutinho de Montauri (1782-89). A igreja se dizia vítima de arbitrariedade daquela autoridade, comparado a Nero e Diocleciano. Logicamente havia reações contra esses atos autoritários, com atentados, ameaças e assassinatos, como ocorreu em 1749 quando o capitão-mor Francisco de Miranda Costa (1746-49) foi morto a tiros, o que levou a o Conselho Ultramarino em Portugal, a dizer que a maioria dos habitantes do Ceará era formada por criminosos, e nem todos os homens tinham capacidade para ocupar aquele governo.

Fonte:
História do Ceará, de Airton de Farias