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quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Missão Velha

Em fins do século XVII o vale do Cariri era povoado por indígenas da nação homônima, oriundos do planalto da Borborema, refugiados da guerra da repressão que os portugueses moviam contra a coligação de tribos indígenas nordestinas, impropriamente denominada de 'Confederação dos Cariris' (1683-1713); efeito tardio da indisciplina e rebelião implantada durante o domínio holandês. Em defesa e, para a pacificação dos indígenas, ocorreram missionários de diversas ordens religiosas. Os jesuítas, agrupando-os sob sua autoridade eclesiástica em aldeias ou missões, criaram, entre outras no sítio Cachoeira, a de São José, que seria a célula-mãe do Município de Missão Velha.

Praça São José - imagem IBGE s/data

Nestas terras veio estabelecer-se, em 1707, um baiano emissário da Casa da Torre chamado João Correia Arnaud (descendente do Caramuru), com mulher, nove filhos, parentes e escravos, dando início à colonização da região. Em 28 de janeiro de 1748, sob a invocação de Nossa Senhora da Luz,
foi criado, desmembrado do curato de Icó, na região dos Cariris Novos, o Curato Amovível das Minas dos Cariris Novos. Por provisão do bispo de Olinda, de 3 de maio de 1760, foi autorizada a criação da Matriz de São José, no sítio da antiga capela do aldeamento indígena, passando o curato a denominar-se desde então, 'São José da Missão Velha do Cariri'.

Por volta de 1750, espalhou-se por todo o Nordeste, a notícia da suposta riqueza aurífera do vale do Cariri. A fim de que os serviços de mineração tivessem maior eficiência, foi organizada, em 1756, a Companhia do Ouro das Minas de São José dos Cariris, dois anos depois dissolvida, em vista da 'pouca utilidade que poderiam dar as ditas minas a quem as cultivasse'.

Feira da Rua D. Pedro II - foto IBGE s/data

Desaparecido o interesse do ouro, voltaram-se os habitantes para a agricultura. A fertilidade do solo caririense, suas fontes e rios quase perenes, a fartura de frutos silvestres. foram importantes fatores, que provocaram a afluência de renovadas ondas de povoamento.

Seus habitantes tomaram parte ativa na Confederação do Equador (1824) e na revolta de 1831, consequência da abdicação de D. Pedro I. Na crônica histórica de Missão Velha figuram vários e emocionantes episódios, inclusive a luta pela sua posse entre as tropas chefiadas por Pinto Madeira, o Padre Antônio Manuel de Souza, o célebre "benze cacetes" e as do Presidente da Província, José
Mariano de Albuquerque Cavalcante. Durante os combates, a então vila de Missão Velha mudou de mãos algumas vezes, culminando com a derrota das forças de Pinto Madeira, que era o líder da rebelião denominada "abrilada", porque defendia o retorno de Dom Pedro I, que abdicara no dia 7 de abril de 1831.

O Município de Missão Velha surgiu, desmembrado do de Barbalha, em 1864. Segundo alguns historiadores, o nome do município é devido ao fato de os jesuítas terem fundado outras missões na região, passando a primeira delas a ser denominada de Missão Velha.

Distrito criado com a denominação de Missão Velha em 1748 e elevado à categoria de vila com a denominação de Missão Velha, em 1864, desmembrado de Barbalha. Elevado à condição de cidade com a denominação Missão Velha, pelo decreto, nº 262, de 28 de julho de 1931. Atualmente o município é constituído de 4 distritos: Missão Velha, Jamacaru, Missão Nova e Quimami.


vista aérea - imagem Câmara Municipal de Missão Velha

Limita-se ao Norte com os municípios de Aurora e Caririaçu; ao Sul: Brejo Santo, Porteiras e Jardim; a Leste: com as cidades de Milagres e Abaiara; e a Oeste, com Juazeiro do Norte e Barbalha. Localizada na região do Cariri cearense, fica a cerca de 535 km da capital Fortaleza.
População do último Censo (2010) - 34.274 habitantes; 
População estimada (para 2018) - 35.662 habitantes.

Atrativos Naturais

Balneário Dr. João de Castro
Cachoeira de Missão Velha
Bica de Jamacaru
Gameleira do Pau
Fonte da Pendência
Recanto da Divina Misericórdia

Igreja Matriz de São José


foto IBGE-1983

Por provisão do bispo de Olinda, de 3 de maio de 1760, foi autorizada a construção da Matriz de São José, no sítio da antiga capela do aldeamento indígena passando a denominar-se desde então, “São José da Missão Velha do Cariri”.
O surgimento do povoado aconteceu primeiramente com a criação de uma pequena capela, ao redor da qual iam se instalando casas e fazendas, que atraíam novas moradores. E assim nasceu a maioria das cidades do Ceará, à sombra das igrejas católicas, sob o signo da cruz dos colonizadores e dos padres jesuítas que aqui chegavam pregando o catolicismo. Uma igreja e uma praça era regra geral nas povoações antigas. Os templos, seculares ou regulares, raramente eram sobrepujados em importância por qualquer outro edifício.

Cachoeira de Missão Velha

foto: g1-globo.com

Localizada no Sitio Cachoeira, a 3 km da cidade de Missão Velha, a região abriga uma das paisagens mais exuberantes do Cariri, com quedas d’água de até 12 m, formadas pelas águas do Rio Salgado. Considerado como a porta de entrada da colonização do Cariri, esse ecossistema, possui elementos históricos e culturais muito importantes. Próximo à cachoeira, encontra-se uma trilha que leva aos restos da casa de pedra do século XVII. Além disso, tal cenário já foi palco de encontros entre cangaceiros, no início do século XX. 

Foto Diário do Nordeste

A história do Geosítio Cachoeira de Missão Velha é relacionada ao contexto da escassez da água no Sertão, pois lá era um dos poucos lugares onde se podia encontrar água durante todo o ano. Como todo bom sitio turístico e cultural que se preza, o lugar, guarda consigo muitas lendas que foram passadas de geração a geração. Contam os mais velhos da existência de uma mãe d’água,  de voz misteriosa e mágica, que atraia os banhistas para locais perigosos, levando-os assim a morte. É raro o ano em que pessoas não morrem afogadas na Cachoeira de Missão Velha. 

Estação Ferroviária


foto do site estações ferroviárias

A Estação Ferroviária de Missão Velha foi inaugurada em 1925. Dali estava prevista uma ligação ferroviária que ligava a região a Petrolina, na divisa de Pernambuco com a Bahia, onde terminava a concessão da linha da antiga Leste Brasileiro. Atualmente está desativada.

A Missão Velha dos dias atuais apresenta 9.7% de domicílios com esgotamento sanitário adequado, 85.6% de domicílios urbanos em vias públicas com arborização e 2.2% de domicílios urbanos em vias públicas com urbanização adequada (presença de bueiro, calçada, pavimentação e meio-fio). Quando comparado com os outros municípios do estado, fica na posição 135 de 184, 118 de 184 e 120 de 184, respectivamente. Já quando comparado a outras cidades do Brasil, sua posição é 4388 de 5570, 1930 de 5570 e 4039 de 5570, respectivamente.

fontes:
IBGE
Anuário do Ceará
Prefeitura de Missão Velha
Geopark Araripe
Turismo no Cariri





terça-feira, 9 de setembro de 2014

O Mosteiro dos Jesuítas

 

Em fevereiro de 1922, os jesuítas decidiram abrir no Nordeste, uma escola apostólica, para formação dos seus padres e irmãos.  Na noite do dia 13 de abril de 1921, no Palácio Episcopal de Fortaleza, Ananias Arruda, jornalista de destaque, político de prestígio, agraciado pela Santa Sé com o título de comendador, em um encontro casual com o padre Jesuíta, Antônio de Oliveira Pinto, provincial da Companhia de Jesus no norte do Brasil, tomou conhecimento da intenção da Congregação de construir uma Escola Apostólica no Nordeste. 
O Padre Pinto encontrava-se em Fortaleza em trânsito para a cidade de Brejo das Bananeiras, no Estado da Paraíba, onde iria vistoriar um terreno destinado a referida construção. Então, Ananias Arruda o persuadiu a ir à Baturité e juntos visitarem o “Sítio Olho D’água”, local indicado por ele, para a construção da Escola.


A família do Comendador Ananias Arruda doou uma parte do Sitio Olho D’água ao Pe. Antônio de Oliveira Pinto, não só para realizar a construção, mas também para que os jesuítas pudessem tirar do cultivo da terra, o sustento dos seus, oriundos de famílias pobres do interior do Ceará, do Pernambuco e do Piauí.

 

O Padre Pinto voltou a Bahia sem nada decidir, mas logo mandou um telegrama com os seguintes dizeres: Aceito “Olho D’água”. Passados alguns dias o comendador Ananias recebeu uma procuração para assinar a escritura da doação do sítio e uma carta pedindo para assumir a construção da Escola.
Para o arrojado projeto da Escola Apostólica, foi contratado um renomado engenheiro de São Paulo que projetou sua construção numa área de terra de 110 metros de frente por 78 de fundos. A construção levou mais de 10 anos.
No dia 3 de dezembro do mesmo ano, foi benta a Pedra Fundamental por Dom Manuel da Silva Gomes, Arcebispo de Fortaleza na presença do Ministro da Viação, do Presidente do Estado, do Representante da Inspetoria de Secas, do representante da Rede de Viação Cearense, de jornalistas, religiosos e grande massa popular.



A Pedra Fundamental do mosteiro foi retirada das ruínas da antiga Igreja dos Jesuítas, na cidade de Aquiraz, no Ceará, demolida quando da expulsão dos jesuítas, no ano de 1748. Em uma cavidade preparada para abrigar a referida pedra foram colocadas, também, várias moedas em circulação, um exemplar do jornal “A Verdade”, e um precioso pergaminho no qual o Dr. Andrade Furtado, redator chefe do jornal “O Nordeste” lavrou uma ata histórica da cerimônia que foi assinada pelo Arcebispo, sua comitiva e muitos dos presentes.
Em 15 de agosto de 1927, concluída a parte lateral do prédio, foi a Escola Apostólica dos Padres Jesuítas de Baturité, solenemente inaugurada, com a benção de suas dependências pelo Arcebispo de Fortaleza, Dom Manuel da Silva Gomes, e uma missa campal com a participação de um grande número de pessoas.



fonte:
http://www.mosteirodosjesuitas.com.br/p/nossa-historia.html
fotos de Rodrigo Paiva e Ricardo Vianna
setembro/2014

domingo, 10 de junho de 2012

As Lutas dos Índios e a Distribuição das Terras

Depois da expulsão dos holandeses em 1654, os padres jesuítas voltaram a seus trabalhos de catequese dos indígenas, começando pela Ibiapaba, sob a direção do célebre padre Antônio Vieira, que ali foi dirigi-los em pessoa.
Em 1667, esses padres fundaram um hospício naquela serra e, em 1722, um outro em Aquiraz, o qual durou até a extinção da ordem.


Padre Antônio Vieira

Houve também outras missões no território cearense, sendo mais notáveis as de S. João e S. Matheus, na margem do Jaguaribe. A corte de Lisboa expediu diversas ordens e regulamentos para manter a liberdade dos índios, que eram capturados pelos colonos, e para adiantar a cristianização deles, em tudo submetidos ao regime dos padres.
Desconfiados e refratários à civilização europeia, perseguidos pelos colonos e divididos em tribos que se hostilizavam, eles viveram em continuas revoltas, perecendo ou internando-se pelos sertões. Em 1660, os tabajaras se revoltaram contra os jesuítas na Ibiapaba, e fizeram o missionário Antônio Ribeiro ir procurar abrigo no presidio do Ceará. 


ruínas do hospício fundado pelos jesuítas em Aquiraz, espécie de seminário que servia de abrigo e escola. ( foto scrapercity)  

Por ocasião da seca de 1692, os icós e cariris atacaram as fazendas de criação do alto Jaguaribe e obrigaram os colonos ao mesmo expediente. Em 1700, os jucás fizeram grande matança nos quixelôs, no arraial de São Matheus. Uma das revoltas mais sangrentas foi a dos annasés. Estes, unidos a outros, atacaram a Vila de Aquiraz em 18 de agosto de 1713. Em fuga, a população foi alcançada junto a Messejana, sendo mortas mais de 200 pessoas.


Ceará a partir do mapa de 1629, de Albernaz

Entretanto, ia se fazendo a divisão das terras conquistadas. Para a Coroa Portuguesa, a partir do “descobrimento” do Brasil todas as terras da Colônia lhe pertenciam como terras devolutas, podendo ser distribuídas como melhor entendesse. Não havia reconhecimento ao direito dos povos indígenas, habitantes primitivos das terras.  Os terrenos eram cedidos gratuitamente, bastando serem requisitadas as chamadas cartas de sesmarias às autoridades coloniais, ou seja, a concessão legal das terras devolutas, com a obrigação de torna-las produtivas em cinco anos. 


Antiga Cadeia de Aquiraz   

A partilha começou em 1663 pelas terras da vizinhança do forte de N.S. da Assunção, concedidas a Felippe Coelho, a começar do riacho Ipujuca (Pajeú), com três léguas para leste e para o sul. Procedeu-se a distribuição, porém, com tal confusão, que foram inúmeras as demandas por limites, e os combates entre famílias acarretaram maior perda dos índios.
Em consequência, mediante a profusão de terras concedidas, grandes latifúndios se formaram, pelo sistema de sesmarias.  Os terrenos variavam de tamanho, havendo os de 5, 10 e 20 léguas em quadra, que podiam ser concedidas a alguém  já beneficiado anteriormente. Só em 1753 foi proibida a concessão de sesmarias a quem já houvesse recebido outras anteriores.

Fonte:
Ceará (homens e fatos) de João Brígido
História do Ceará, de Airton de Fárias

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Viçosa do Ceará



Viçosa do Ceará é a primeira cidade da Serra da Ibiapaba, inicialmente habitada por índios Tabajaras. O município foi antiga aldeia de índios dirigida por padres da companhia de Jesus. Foi desbravado ao final do século XVI, quando do contato dos índios com os franceses, vindos do Maranhão.
Os franceses estiveram na região da serra da Ibiapaba entre 1590 e 1604, data em que foram expulsos por Pero Coelho de Sousa, quando este fazia tentativas de colonização portuguesa no Ceará.
Ainda em 1607, os padres Luís Figueira e Francisco Pinto, também da companhia de Jesus, estiveram na Ibiapaba, com o objetivo de catequizar os índios. Há ainda informações históricas de que o missionário Francisco Pinto fora trucidado por índios Tucurujus.
As missões, no entanto, não foram continuas, não havendo consequentemente, uma colonização regular na Ibiapaba.
O aldeamento na região ia aos poucos se estruturando com a presença  de moradias indígenas próximas à residência dos padres. 






Igreja de Nossa Senhora da Assunção, marco importante da história de Viçosa do Ceará. Conta-se que existem túneis subterrâneos embaixo da Igreja que dão acesso a várias casas antigas da Cidade. Estes túneis seriam usados pelos jesuítas para escapar dos ataques indígenas. Sua fundação data do ano de 1695. 

Marco importante da história de Viçosa do Ceará foi a construção da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção. Conforme informações do Padre Ascenso Gago, sua fundação data do ano de 1695. Naquela ocasião foi colocada a imagem de Nossa Senhora da Assunção, havendo naquele dia procissão, missa, danças e brincadeiras, além de exibição de lutas entre índios.
Nesse contexto, o dia 15 de agosto de 1700 deve ser tomado como marco da fundação oficial da aldeia da Ibiapaba, futura cidade de Viçosa do Ceará. O padre Ascenso Gago, como Superior da Aldeia da Ibiapaba, dirigiu todo o processo de formação da futura Vila. Foi o grande missionário da Ibiapaba. Mais tarde foi substituído pelo padre Francisco Lira.






Lagoa Pedro II
Antiga Lagoa de Mel Redondo que significa Ibiapaba, habitada primitivamente por índios da tribo Irapuã, foi construída por volta de 1800, numa época de seca. Os recursos foram dados pelo Pedro II, na época se região Império, daí o nome Lagoa Pedro II. 



Teatro Pedro II
O prédio de 102 anos, um dos teatros mais antigos do Ceará,  que passou quatro décadas fechado, foi restaurado pelo IPHAN em parceria com a Prefeitura de Viçosa. Além do restauro, foi adquirido mobiliário novo, como cadeiras da área de plateia e mezanino, equipamentos de iluminação, som e projeção.


Igreja de São Francisco


Igreja do Céu
Ponto mais alto da cidade com 900m de altitude, encravada no topo do morro uma capela fundada pelo Monsenhor José Carneiro da Cunha dedicada a Nossa Senhora das Vitórias.
No alto do templo surge a imagem do Cristo Redentor, esculpida pelo italiano Augustinho Odísio Balmes em 1937 e inaugurada pelo Bispo José Tupinambá da Frota, Bispo da Diocese Sobralense em 14 de agosto de 1938.



A igrejinha, construída em 1938, foi a única construção nesta parte mais alta da cidade durante quase sessenta anos, até que a prefeitura local, em fins dos anos noventa iniciou a construção do espaço cultural no entorno da igreja.
O Pólo Turístico dispõe de restaurante, telefone público, centro de convenções, biblioteca, banheiros, área de estacionamento, palco para shows, calçadão e boxes para venda de artesanato e as delícias da culinária local.


 Para chegar ao local a escolha fica a critério do visitante, de carro ou a pé pelos 334 degraus que dão acesso ao santuário.


População: 54.955 habitantes (IBGE - Censo Demográfico de 2010)
Área da Unidade Territorial - 1.311.620 km²
Densidade Demográfica - 41,90 hab/km²
Localização - microrregião da Ibiapaba, Mesorregião dos Nordeste Cearense
Distância de Fortaleza - aproximadamente - 349 km
Limites: 
Norte - Granja
Leste - Granja e Tianguá
Sul - Tianguá
Oeste - Cocal e Cocal dos Alves (ambas no vizinho estado do Piauí)

Em 1759, são abolidas, no Brasil, as missões da Companhia de Jesus, por determinação de Marquês de Pombal, ministro do rei de Portugal, D. José I. Com isso, também foram abolidas as aldeias que tinham o comando dos jesuítas, sendo as mesmas substituídas por vilas e povoados.
Á 7 de julho de 1759, a Aldeia da Ibiapaba foi elevada à categoria de Vila, recebendo o nome de Vila Viçosa Real da América, cuja instalação foi feita pelo o Ouvidor da Comarca de Pernambuco, Desembargador Bernardo Coelho da Gama Casco, que esteve na Vila para instala-la, em comunicado feito ao povo na Igreja Matriz.
Aos 14 de agosto de 1882, através da Lei 1.914, a Vila foi elevada a condição de Cidade, por proposta de Luís Januário Lamartine Nogueira, então Deputado Provincial, lei esta sancionada pelo Bacharel Sancho de Barros Pimentel, Presidente da Província do Ceará.
No ano de 1943, o Conselho Nacional de Geografia pretendeu mudar o nome de Viçosa para Ibiapaba. Alegava, para tanto o extravio de correspondências, por existir noutro Estado da Federação outra cidade com o mesmo nome de Viçosa.
Ante a inaceitável sugestão daquele conselho, para tão bizarra mudança, a comunidade viçosense insurgiu-se e, indignada, despontou o movimento liderado por Francisco Caldas da Silveira, inclusive contando com o prestígio do Jurisconsulto Clóvis Beviláqua e do Marechal Eurico Gaspar Dutra. Comungando as mesmas ideias e sintonizados nos anseios da população, sugeriram como solução definitiva acrescentar-se ao nome Viçosa a expressão "do Ceará" .
Pelo Dec. Lei nº 1144, de 30 de dezembro 1943, a tricentenária cidade de tantas memórias, recebeu o nome de Viçosa do Ceará.


fotos: 
Raquel Vianna
Rodrigo Paiva
Fátima Garcia
fontes:
IBGE
site Oficial da cidade de Viçosa do Ceará disponível em:
 http://www.vicosadoceara.ce.gov.br/turismo/
Wikipédia

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Parque Nacional de Ubajara

O atual Município de Ubajara era habitado primitivamente pelos índios tabajaras. A primeira incursão foi feita por volta de 1604, por Pero Coelho de Souza, que tentou conquistar as terras férteis da serra de Ibiapaba. Auxiliado pelos jesuítas Francisco Pinto e Luís Figueira, promoveu ele a pacificação dos índios e o desenvolvimento das aldeias que começavam a proliferar às margens do arroio Árabe.
A obra dos jesuítas foi interrompida com o trucidamento do padre Francisco Pinto, pelos índios tocarijus, durante uma cerimônia religiosa, no dia 11 de janeiro de 1608, no local onde hoje se ergue a cidade de Ubajara.


Em 1877, acossadas pela seca e pela falta de viveres, várias famílias emigraram das zonas atingidas, instalando-se nos sítios Buriti, Pitanga e Pavuna.  Quando a grande seca as atingiu, deslocaram-se para o lado sul de uma lagoa, denominada Lagoa de Jacaré, ali organizando um arruado que se chamou Jacaré, primitivo nome do Município. O núcleo foi se desenvolvendo, até que, em 1884, um incêndio o destruiu, obrigando os moradores a passarem para as terras do lado oposto da lagoa. Em poucos meses reconstruíram o povoado. A principal atração de Ubajara, é o parque nacional, criado em 1959.


Considerado o menor parque nacional administrado pelo IBAMA, com  uma área de 563 ha e um perímetro de 9.050m o Parque Nacional de Ubajara foi criado pelo Decreto n° 45.954, de 30.04.1959 e alterado pelo Decreto n° 72.144 de 26.04.1973. Está localizado a noroeste do estado do Ceará, na região da Serra Ibiapaba, no município de Ubajara. 





De acordo com dados oficiais, o clima na Ibiapaba pode ser dividido em dois tipos, úmido e relativamente frio, de janeiro a junho, e seco e quente, que se prolonga de julho a dezembro. As temperaturas estão entre 20 e 22 °C na Serra da Ibiapaba e em torno de 24 a 26 °C na depressão periférica. Nesse dia especificamente, a temperatura no parque esteve em torno de 17°.  



Consta que a Gruta de Ubajara é conhecida desde o início do século XVIII, quando os portugueses realizaram expedições na região em busca de minérios, especialmente prata, sem lograrem sucesso.  O nome Ubajara  teria surgido da lenda de um cacique que, vindo do litoral, teria habitado a gruta por muitos anos. Algumas pessoas acreditam que a origem da gruta de Ubajara deve-se às escavações em busca de prata, somado a quase duzentos anos de intempéries. A origem e essência do Parque sempre foram a gruta de Ubajara.  O Parque conta com 11 grutas, mas apenas uma é aberta a visitação pública, as demais são de acesso exclusivo a estudiosos e pesquisadores.


Na década de 1940 e até meados da década de 1950, a gruta de Ubajara era utilizada pelos moradores para a realização de eventos de cunho religiosos, como casamentos e batizados. Como não existia ainda o teleférico, o percurso era feito a pé, pelas trilhas.
Nessa época foram feitas alguns desenhos e rabiscos, foram construídos degraus para facilitar o acesso e uma espécie de patamar, de onde o celebrante dirigia as funções religiosas.


Na década de 1990, foram instalados cabos de energia elétrica para iluminação da gruta


Em épocas anteriores, quando a consciência ambiental não estava integrada às atividades turísticas, a gruta de Ubajara foi bastante danificada, com a retirada de material pelos visitantes.


A imagem de Nossa Senhora foi deixada pelo último padre a celebrar ritos religiosos na gruta, na década de 1950
  

Também foram construídos corrimões para facilitar a locomoção de visitantes


O Relevo da Ibiapaba é composto por rochas variadas, que criam paisagens morfológicas diferentes. A Serra da Ibiapaba constitui uma das mais notáveis feições topográficas do Nordeste brasileiro pela extensão e continuidade da escarpa, que acompanha de perto os limites estaduais.


A caatinga é a vegetação predominante, mas outras três vegetações são encontradas na região: a Floresta Atlântica, a Floresta Subcaducifólia Amazônica e o Cerrado. A caatinga é constituída basicamente de árvores a arbustos espinhentos, que perdem as folhas na estação seca, de plantas suculentas espinhosas e de plantas herbáceas que se desenvolvem depois das chuvas.

A fauna é pobre em diversidade, o que é típico da região. Somente um estudo faunístico foi realizado constituindo-se em uma coleção de morcegos na gruta. O mocó é um roedor que pode ser encontrado na área habitando as rochas e escarpas, sendo muito caçado pela população regional que o utiliza como fonte de alimento. Pode-se observar também na região outros animais como o macaco-prego, o mico-estrela, o tamanduá-mirim, a cotia e mais de 120 espécies de aves.

fontes:
Wikipédia
IBGE
Informações fornecidas por guias

fotos:
Ricardo Vianna
Rodrigo Paiva
Fátima Garcia