terça-feira, 16 de maio de 2023

A Segunda Tentativa de Colonização do Ceará

 Mal Pero Coelho de Souza havia se retirado da região, derrotado pelos ataques indígenas e pela violenta estiagem que ainda assolava a capitania do Siará Grande, quando em janeiro de 1607, dois religiosos portugueses da ordem dos jesuítas, se assentaram na capitania, dispostos a conquistar os indígenas, não pela força das armas, mas pelos ensinamentos cristãos. Os padres Francisco Pinto e Luís Figueiras tinham o Maranhão como destino, onde pretendiam enfrentar os franceses e organizar uma missão religiosa da Companhia de Jesus, destinada a catequizar os nativos.




Vindos de Pernambuco e tendo desembarcado em Mossoró, os dois religiosos acompanhados de cerca de 70 índios cristianizados, caminharam até as dunas do Mucuripe, onde se estabeleceram depois de fazerem as pazes com um morubixaba de grande prestígio na região, o famoso chefe Amanai, nome que os historiadores traduziam por Algodão. Pregando habilmente os ensinamentos cristãos, converteram inúmeros selvagens e, auxiliados por eles, fundaram aldeamentos juntos às tribos dos Aratanhas, Caucaias e Parangabas, dando início ao núcleo de evangelização que serviriam de base para pequenos povoados nas imediações da futura cidade de Fortaleza.


Fundaram no seio das tribos das redondezas, que acampavam às margens de lagoas ou na aba das serras próximas, quatro aldeias ou reduções que ainda hoje figuram na toponímia local: Pitaguari, na Aratanha, Caucaia, Paupina e Parangaba, antigos aldeamentos, hoje integrados à Fortaleza ou à sua Região Metropolitana.


Os aldeamentos representaram uma forma diversa de violência, às vezes mais sutil, mas não menos prejudicial à integridade dos povos indígenas. Os missionários, imbuídos da necessidade de ensinar aos nativos a verdadeira religião cristã, escandalizavam-se com os hábitos e costumes locais, que incluíam as práticas pagãs, a nudez, a poligamia, encaradas como satânicas e pecaminosas. Deu-se então o inevitável confronto entre duas culturas desiguais.



Villa Nova de Arronches - antigo aldeamento da Parangaba
Gravura de José Reis de Carvalho que participou da Comissão Científica do Império, e visitou o Ceará entre 1859 e 1861.

Os jesuítas não entendiam que a relação dos nativos com a terra era bem diferente da visão mercantilista do mundo europeu. A maioria dos indígenas recusavam a delimitação da área do aldeamento, e ao trabalho de cultivar a terra, preferindo a liberdade natural de rios e matas.


Findos os trabalhos e deixando essas reduções funcionando, os dois sacerdotes deixaram essas reduções e continuaram sua marcha onde chegaram à Serra Grande ou Ibiapaba, reduto dos índios Ipus.


Depois subiram a serra e fizeram contato com os índios da nação dos Tabajaras, que os apelidaram abaúnas (homens pretos). Os jesuítas encontravam-se no seio da maior taba daquelas paragens, espécie de capital das nações indígenas, aliadas aos franceses que haviam enfrentado as tropas de Pero Coelho de Souza em 1604, e sido derrotados.


A indiada, ainda ressabiada com a derrota, recebeu-os com grande desconfiança, olhando com descrédito aqueles homens vestidos de preto e palavras mansas que lhe falavam de um Deus desconhecido. Alguns franceses que ainda permaneciam no meio dos gentios, os incitavam às escondidas contra os religiosos. Todavia, estes conseguiram com grandes esforços erigir uma capela, onde rezavam missa, pregavam e batizavam. 

 


chacina do Padre Francisco Pinto em 1608  
Por Michiel Cnobbaert - Biblioteca Nacional, Domínio público, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=17315678


Da mesma forma que ocorreu com Pero Coelho, a história não acabou bem para os dois jesuítas. Padre Francisco Pinto foi flechado e morto a golpes de tacape em janeiro de 1608, enquanto rezava uma missa na capela que ajudara a construir na Ibiapaba.  O padre Luiz Figueira escapou do ataque, e ajudado por alguns indígenas, varou os sertões inóspitos, alcançou as aldeias do litoral, onde o foi acolhido pelo chefe Algodão. O padre continuou sua missão evangelizadora até 1637, quando também foi morto por indígenas na Amazônia.



Fontes:

História urbana e Imobiliária de Fortaleza, de Lira Neto e Cláudia Albuquerque.

À Margem da História do Ceará, de Gustavo Barroso 

imagens da Internet   


domingo, 7 de maio de 2023

Pero Coelho de Souza, o Pioneiro

 A primeira tentativa de ocupação da capitania do Ceará ocorreu pouco mais de um século depois do descobrimento, em 1603, quando Pero Coelho de Sousa, resolveu, por sua conta e risco, organizar uma bandeira, tentando diminuir os prejuízos que teve em outras empreitadas. Ao então governador-geral Diogo Botelho (8º Governador -Geral do Brasil – 1602/1607), declarou como seus objetivos descobrir minas de ouro e prata, expulsar os franceses que invadiram o Maranhão e estabelecer a paz com os nativos.


mapa da costa do Ceará, autoria de João Teixeira Albernaz - 1629


A cruz assinala o lugar onde teria sido edificado o forte de São Tiago 

Pero Coelho saiu da Paraíba a pé rumo ao Maranhão, acompanhado de 65 soldados (dentre eles o jovem Martim Soares Moreno) e 200 índios pacificados, até atingir a foz do rio Jaguaribe. Prosseguindo, atingiu a Ponta do Mucuripe, depois seguiu até a Ibiapaba, quando travou combates com índios da tribo dos Tabajaras e comandos franceses. Venceu o combate com grandes baixas e pretendia retomar sua viagem ao Maranhão, mas em razão da escassez de alimentos e das más condições físicas dos seus homens, decidiu retornar ao Ceará.


Estabeleceu-se na Barra do Ceará, onde levantou o forte de São Tiago. A região do entorno chamou de Nova Lusitânia, formada por uma tosca paliçada de paus de quina e umas poucas casinhas de palha. Mas Pero Coelho decidiu se estabelecer ali. Seguiu para Recife para buscar sua mulher Maria Thomazia e seus cinco filhos. Voltou um ano e meio depois para constatar que o relacionamento entre índios e soldados estava deteriorado, resultado da rígida obediência que os portugueses exigiam dos nativos para impor autoridade. Essa atitude implantou o ódio e a discórdia.


Acuado pelos inimigos (indígenas e soldados franceses), decidiu abandonar o forte e mudar-se para a foz do Jaguaribe. Nos anos de 1605/1607, o Ceará enfrentou uma forte estiagem que coincidiu com a viagem de Pero Coelho para a região do Jaguaribe. No percurso os viajantes encontraram rios e lagoas naturais totalmente secos, a vegetação morta, produzindo um cenário de fome, miséria e desespero.


Para completar a visão apocalíptica, apareceu nos céus o cometa de Halley, que os índios chamavam de “tata-bebe” (fogo voador), misturando terror e misticismo, uma vez que a aparição de fenômenos no céu eram considerados de mau-agouro.


Seguindo em sua árdua caminhada Pero Coelho perdeu alguns de seus soldados e seu filho mais velho, que morreram de inanição. Sua mulher Maria Thomázia, chegou ao Jaguaribe em grave estado de desnutrição, transportada numa espécie de maca. Depois se recuperou. Do Jaguaribe, com pouco mais da metade dos 50 homens que tinham iniciado a viagem, o aventureiro desloca-se até o forte de Reis Magos, em Natal, e depois à Paraíba, onde embarcou de volta para Lisboa.


a região da barra do Ceará foi a primeira área ocupada pelos exploradores 
postal dos anos 70

Na Corte fez um relato dramático de suas andanças pelas inóspitas terras do Nordeste, na esperança de receber alguma compensação pelos seus serviços. Não sensibilizou ninguém, porque todos conheciam sua impetuosidade. Martim Soares Moreno, que fez parte de sua expedição, registrou em sua “Relação do Ceará”, sem identificar nomes, que houve muita importunação aos indígenas sem razão. Pero Coelho de Souza morreu sem receber nada.


Na Revista do Instituto do Ceará, o historiador Studart Filho, deixou registrada sua impressão sobre a primeira investida colonizadora no Ceará. “efêmera e sem brilho havia de ser a vida desse reduto, testemunho mudo dos sofrimentos e das misérias dos primeiros colonizadores do Ceará. Evacuado em 1605, depois de ter servido de refúgio aos expedicionários durante mais de 18 meses, caiu em ruínas, desaparecendo sem deixar vestígios”.


A tentativa seguinte de colonização também falhou. Era a dos padres jesuítas Francisco Pinto e Luiz Filgueira.


Fonte:

Caravelas, Jangadas e Navios – uma história portuária, de Rodolfo Espínola.

         

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Cem Anos do Rádio No Brasil

 A história da Radiodifusão no Brasil começa oficialmente no dia  7 de setembro de 1922, com a transmissão um discurso do então Presidente Epitácio Pessoa, em comemoração ao centenário da Independência do Brasil. Porém a instalação do rádio de fato ocorreu efetivamente alguns meses depois, em 20 de abril de 1923 com a criação da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. A existência do rádio foi possibilitada pela união de três tecnologias: a telegrafia, o telefone sem fio e as ondas de transmissão.



cartão de divulgação distribuído pela Rádio Iracema (imagem internet)

A emissora pioneira não tinha vínculos governamentais nem patrocinadores empresariais, legalmente, constituiu-se sob a forma de associação, reunindo inúmeros associados, popularmente chamados filiados, que contribuíam mensalmente com certa quantia monetária para mantê-la e cobrir as despesas normais de funcionamento.


Seus idealizadores foram intelectuais de diversas áreas, influenciados por Henrique Morize e Edgar Roquette-Pinto, e a emissora tinha uma proposta de caráter educativo, inclusive com aulas disciplinares na programação. Em fins dos anos 1920, surgiu uma outra emissora que revolucionou a maneira de fazer rádio no Brasil. Trata-se da Rádio Mayring Veiga, também no Rio de Janeiro, que se tornou a primeira emissora comercial do país e criou o rádio espetáculo, com apresentadores e cantores fixos, e programação que serviu de   modelo para diversas emissoras criadas no país naquele período.


No Ceará, a primeira emissora oficialmente instalada, foi a Ceará Rádio Clube – PRE 9, inaugurada em 1934, iniciativa do comerciante José Demétrio Dummar, sírio que migrara para o Ceará em 1910. Dummar já vinha fazendo diversas experiências para instalar uma emissora de rádio local desde 1931. Mesmo ainda não tivesse emissoras no Ceará, os aparelhos de rádio podiam captar sinais de emissoras de outros estados e até do exterior.




Fachada do prédio da Ceará Rádio Clube, em 1936, no bairro Damas  (fotos Rádio Universitária)

Programa de auditório na Ceará Rádio Clube: a partir da esquerda: Keyla Vidigal (cantora); Barbosa (locutor-radioator); Nozinho Silva (cantor); Mirian Silveira (radioatriz); Ismy Fernandes (radioatriz); Guilherme Neto (cantor e produtor); João Ramos (locutor-apresentador); Maria José Braz (radio atriz); Laura Santos (radio atriz) e Marilena Romero (cantora).
do livro de Marciano Lopes - Os Dourados Anos


A PRE-9 começou a funcionar precariamente em 1933, sendo oficializada a 30 de maio do ano seguinte.  O número de aparelhos era reduzido – na verdade, era um artigo de luxo, acessível a poucas pessoas, da mesma forma que era o aparelho de TV na época da inauguração da televisão no Ceará, em 1960 – embora, depois tenha se popularizado.


Apenas em 1948 a PRE-9 ganharia uma concorrente, com a inauguração da Rádio Iracema de Fortaleza, iniciativa dos irmãos José e Flávio Parente, associados a José Josino da Costa. A nova emissora foi instalada no Edifício Vitória, na esquina das ruas Guilherme Rocha e Barão do Rio Branco, onde ocupava o segundo andar e a “terrace” da cobertura.


O rádio viveu seu apogeu nos anos 40 e 50, e ao final da década de 1950, Fortaleza é a sétima capital brasileira com cinco estações de rádio: Ceará Rádio Clube, Rádios Iracema, Uirapuru, Verdes Mares e Dragão do Mar. Entrevista personalidades e políticos, cobre partidas de futebol, transmite concursos de misses, encena grandiosas novelas,  populariza cantores, atores e locutores e conta, para quem está em casa, as tragédias e comédias das ruas.



Prédio da Rádio Uirapuru, no centro, na esquina das ruas Clarindo de Queiroz e general Sampaio (imagem Arquivo Nirez)


Não se efetivavam inaugurações ou comemorações oficiais sem a presença de microfones. O rádio está em toda a parte, fala dos estádios, dos teatros, do Palacio da luz, do Aeroporto; não falta nem às festas públicas nem às despedidas dos que se vão.



Auditório da Rádio Nacional no Rio de Janeiro (foto agência Brasil EBC)

Um capítulo à parte no rádio cearense, foram os programas de auditório, criados na Rádio Nacional, no Rio de Janeiro, e que aqui se tornaram célebres, com apresentadores e estrelas locais, apresentados nas dependências da Ceará Rádio Clube e Rádio Iracema de Fortaleza. Os auditórios eram frequentados por todas as classes sociais e até a chamada classe A comparecia, a prova eram os carrões da época estacionados em volta das sedes da PRE-9 e da Rádio Iracema: “Cadilaques, “Aero-Willys” e “Chambords”. Sem outras opções além dos cinemas e das sorveterias, os programas de auditório eram um convite à descontração e ao mais puro relax.

    

Nas palavras de Marciano Lopes, o rádio praticado no Ceará nas décadas 40 e 50, tinha o glamour que naqueles tempos coroava todos os acontecimentos relacionados com a arte. E se o rádio não tinha a magia da imagem, como o cinema e a já emergente televisão, possuía, por outro lado, o fascínio e mistério daquilo que não se vê, só se ouve.


O rádio foi o principal veículo de comunicação no Estado até 1960, quando a televisão se tornou uma realidade para os cearenses, dez anos depois de chegar ao Brasil, o que não impediu a criação de novas emissoras de rádio a exemplo da Rádio Assunção, criada em 1962.


A pegadinha de Orson Wells

 


O poder da rádio sobre o comportamento das pessoas ficou comprovado com o histórico episódio de "A Guerra dos Mundos", uma transmissão radiofônica feita nos Estados Unidos, por Orson Wells, em 1938. 

 

Na noite de 30 de outubro, a rede de rádio CBS interrompeu sua programação musical para noticiar uma suposta invasão de marcianos. A "notícia em edição extraordinária", na verdade, era o começo de uma peça de radio teatro, que não só ajudou a CBS a bater a emissora concorrente (NBC), como também desencadeou pânico em várias cidades norte-americanas. "A invasão dos marcianos" durou apenas uma hora, mas marcou definitivamente a história do rádio.


O programa narrou a chegada de centenas de marcianos a bordo de naves extraterrestres à cidade de Grover's Mill, no Estado de Nova Jersey. A adaptação, produção e direção da peça eram do então jovem e quase desconhecido ator e diretor de cinema norte-americano Orson Welles.


A dramatização, transmitida às vésperas do halloween (dia das bruxas), em forma de programa jornalístico, tinha todas as características do radio jornalismo da época, às quais os ouvintes estavam acostumados. Reportagens externas, entrevistas com testemunhas que estariam vivenciando o acontecimento, opiniões de peritos e autoridades, efeitos sonoros, sons ambientes, gritos, a emoção dos supostos repórteres e comentaristas. Tudo dava impressão de o fato estar sendo transmitido ao vivo.


A CBS calculou, na época, que o programa foi ouvido por cerca de seis milhões de pessoas, das quais metade o sintonizou quando já havia começado, perdendo a introdução que informava tratar-se do radio teatro semanal. Pelo menos 1,2 milhão de pessoas acreditou ser um fato real. Dessas, meio milhão teve certeza de que o perigo era iminente, entrando em pânico, sobrecarregando linhas telefônicas, com aglomerações nas ruas e congestionamentos causados por ouvintes apavorados tentando fugir do perigo.


O medo paralisou três cidades e houve pânico principalmente em localidades próximas a Nova Jersey, de onde a CBS transmitia e onde Welles ambientou sua história. Houve fuga em massa e reações desesperadas de moradores também em Newark e Nova York. O jornal Daily News resumiu na manchete do dia seguinte a reação dos ouvintes: Guerra falsa no rádio espalha terror pelos Estados Unidos”  

  

 

Fontes consultadas:

LOPES, Marciano. Coisas que o Tempo Levou. A Era do rádio no Ceará. Fortaleza, 1994.

Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Disponível em https://atlas.fgv.br/verbetes/radio-sociedade-do-rio-de-janeiro

Jornal Diário do Nordeste – edição de 22.12.2007

1938: Pânico após transmissão de Guerra dos Mundos. Disponível em https://www.dw.com/pt-br/1938-p%C3%A2nico-ap%C3%B3s-transmiss%C3%A3o-de-guerra-dos-mundos/a-956037


 

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

Feitosas X Montes - Os Poderosos rivais do Sertão dos Inhamuns

 Uma das várias versões para a origem da família Feitosa, é que o tronco do clã é um português de nome João Alves, nascido numa ilha chamada Feitosa. Daí que ficou conhecido como João Alves Feitosa que um dia deu com os costados em terras brasileiras; teria, supostamente, chegado ao Brasil na primeira metade do século XVII, casando-se com uma filha do coronel Manuel Martins Chaves, alagoano de Penedo. Tiveram dois filhos: o comissário Lourenço Alves Feitosa, casado com Antônia de Oliveira Leite, e o coronel Francisco Alves Feitosa, casado com Isabel do Monte.


As Sesmarias eram terrenos doados pelo governo português para exploração e povoamento. Eram preferencialmente instaladas próximas a cursos d'água,  como o Rio Jaguaribe (foto do IBGE nos 60) 

Residentes no Engenho Currais de Serinhaém, em Pernambuco, a família Feitosa, que se supõe haver-se comprometido em levantes ocorridos na província, e temendo sofrer perseguições, fugiu para o interior do Ceará, onde se fixou nas proximidades do Icó. Lourenço Alves Feitosa, o chefe da família, que aqui tomou o título de Alferes Comissário, deixou sua família em Pernambuco e veio em companhia do irmão, Francisco Alves Feitosa, do Coronel Pedro Alves Feitosa e de Manuel Ferreira Ferro. Lourenço se estabeleceu na Fazenda Cachoeirinha, que adquiriu no riacho Cariuzinho.


Francisco Alves Feitosa se casou com uma viúva irmã do Capitão- Mor Geraldo do Monte, e em pouco tempo os cunhados se desentenderam por questões de negócios e de posse de terras. Os coronéis Francisco Alves Feitosa e Lourenço Alves Feitosa ao chegarem ao sertão dos Inhamuns estruturam a maior comunidade rural da Capitania do Ceará. O comissário Lourenço Alves Feitosa chegou a ter 22 sesmarias e com o seu irmão Francisco Alves Feitosa dominaram uma área de aproximadamente 30.000 quilômetros quadrados.


A família da esposa de Francisco Alves Feitosa, era contemporânea dos Feitosas, cujo chefe era Geraldo do Monte, procedente da Vila de Penedo, que veio para a Capitania do Ceará trazendo consigo filhos, sobrinhos e outros parentes que se espalharam pelos sertões, adquirindo fazendas de criar gado, nos últimos anos do século XVII ou início do século XVIII.

 

Francisco do Monte, irmão de Geraldo, fixou-se no Icó, e lá perdeu uma filha, que para pesar de sua mãe, foi enterrada no campo por falta de uma igreja. Seu marido para a consolar, prometeu que os restos mortais da filha seriam transferidos para uma igreja, e para isto, tratou de estabelecer um patrimônio de meia légua de terras, no centro do qual edificou uma capela a Nossa Senhora da Expectação, ainda na primeira metade do século XVIII. Algum tempo depois a capela serviu de matriz à freguesia criada no Arraial do Icó.


Igreja N.S. da Expectação, em Icó, era originalmente uma pequena capela construída por Geraldo do Monte (imagem IBGE)


Francisco Alves Feitosa, receoso da fama de valente de seu cunhado Geraldo do Monte, retirou-se para uma fazenda que possuía na ribeira dos Bastiões, e durante sua estadia naquele sítio travou relações com o chefe da tribo dos índios Jucás, que o levou a um local onde assistiam na ribeira do riacho Jucá, um dos afluentes do Jaguaribe, que se lança nele, abaixo de Arneirós.


Os Feitosas foram informados por esse irmão da grande oportunidade que era essa ribeira para a criação de gado, e resolveram solicitar por sesmaria, mas não guardaram o devido sigilo, e Geraldo do Monte, informado das descobertas feitas pelos Feitosas, então seus inimigos declarados, antecipou-se ao cunhado e solicitou a posse dos terrenos de Jucá, no que foi atendido.


Mas a concessão de sesmarias estava sujeita a prazos para ocupação, demarcação e medição das terras. Como esse prazo não foi cumprido, Francisco Alves Feitosa conseguiu, 6 anos depois, anular a concessão dada a Geraldo do Monte, obtendo a posse do território do qual fora descobridor, e providenciou a medição e ocupação.


Geraldo do Monte, despeitado com a atitude do cunhado, tentou de todas as maneiras evitar a posse dos terrenos. Depois de uma longa questão entre os dois poderosos rivais, estes acabaram lançando mãos das armas e deram início a um longo conflito entre as duas famílias. A partir dessa primeira desavença, houve uma série de confrontos que foram ficando cada vez mais mortíferos. Os chefes de uma e outra parte viviam incessantemente debaixo de armas e prontos a atender a qualquer demanda. Toda a capitania acabou sofrendo as consequências dessa luta. A população, refém, viu-se obrigada a pronunciar-se em favor de uma ou de outra parte, porque a neutralidade era vista como crime capital.


Os Feitosas abandonaram as imediações do Icó território dos inimigos e foram se aquartelar nas terras do vale do Jucá e do Alto Jaguaribe, cuja população se pronunciou a favor deles. Dos encontros sangrentos havidos entre os dois grupos, muitas localidades receberam denominações que ainda conservam, provenientes de algum episódio desta contenda. Na Ribeira do Salgado existem o Sítio das Emboscadas, Tropas, Arraial da Pendência; no Jaguaribe encontra-se o das Almas, dos Defuntos, dos Ossos, das Trincheiras, do Bom Sucesso, o Saco das Balas e muitos outros, celebrizados por algum incidente sinistro.


O conflito teve início em 1714 e terminou em 1724, depois de muitas intervenções do governo, que nomeou juízes, mediadores, ouvidores e até governadores para intermediarem a contenda. As mortes de indígenas, colonos, fazendeiros foram incontáveis, visto que não havia controle sobre os embates. Depois que o governador da capitania decidiu desarmar as duas famílias e sendo o coronel Feitosa avisado por um oficial, refugiou-se em sua fazenda Buriti, no Piauí. Já Geraldo do Monte foi forçado a abandonar sua fazenda das Cabaças, recolhendo-se ao Boqueirão, na margem do Jaguaribe, onde se supõe, terminou os seus dias.  


O comissário Lourenço Alves Feitosa, que foi o maior sesmeiro do Ceará, perdeu mulher e seu único filho, e quando faleceu deixou toda a sua fortuna para seu irmão Francisco Alves Feitosa, que passou a condição de maior latifundiário do sertão dos Inhamuns.



Sertão dos Inhamuns - imagem recente (fonte Diário do Nordeste)

Os descendentes dos Feitosas continuaram a ocupar a região, no sertão dos Inhamuns, onde fundaram a Vila de Cococi, situada dentro de uma grande fazenda. Depois foi elevado à categoria de Distrito, anexado ao município de Tauá. Em 1956, o distrito do Cococi passou a fazer parte do recém-criado município de Parambu. Pela lei estadual nº 3858, de 17 de outubro de 1957, o distrito de Cococi foi elevado à condição de município, desmembrado de Parambu.


No Censo demográfico realizado em 1960, o município do Cococi contava com 4.064 habitantes, 2.181 homens e 1.883 mulheres. Passados pouco mais de oito anos, uma nova lei estadual, a de n° 8339, de 14 de dezembro de 1965, extinguiu o município de Cococi que voltou a ser distrito subordinado a Parambu.



Casa abandonada no Cococi (imagem Pinterest)

Os motivos nunca ficaram claros: a versão mais conhecida conta que o prefeito teria cometido irregularidades como desvio de verbas destinadas ao município, o que teria desagradado ao Governo Federal, que teriam determinado a extinção. Mas podemos observar que a extinção de Cococi foi viabilizada por meio de uma lei estadual (8339), no Governo Virgílio Távora (1963-1966). Pelo mesmo instrumento legal, vários municípios cearenses foram extintos, sendo que a maioria teria essa condição revogada mais tarde, recuperando o status de cidades com autonomia administrativa. 

   

Na sua curta existência como município, Cococi teve 2 prefeitos, ambos da família Feitosa. O município estava instalado em terras particulares, de uma única família. À época da extinção, o prefeito, secretários e vereadores tinham todos o mesmo sobrenome Feitosa. Tinha uma boa estrutura, contava com prefeitura, câmara municipal, uma praça, hotel, cartório, posto fiscal, escola, amplas residências e uma igreja matriz.


Igreja de N. S. da Conceição, no Cococi, construída em 1771 pelo coronel Francisco Alves Feitosa. (imagem Diário do Nordeste)

A cidade e atual distrito do Cococi nasceu com a chegada dos Feitosas e morreu aos poucos, à medida que eles se foram. Dos velhos tempos, restaram a igreja matriz, uma meia dúzia de moradores, e quase nenhuma expectativa, a não ser a vinda de alguns curiosos, que de vez em quando visitam as ruínas e o velho cemitério, que paradoxalmente, são as maiores atrações do lugar.


 

Fontes consultadas:

O Clã dos Inhamuns, de Nertan Macedo. Edições UFC, 1966

IBGE – Enciclopédia dos Municípios Brasileiros – 1959

O Ceará dos Anos 90, censo cultural.

A Memória dos Conflitos Territoriais entre Famílias na construção da Sociedade nos Sertões dos Inhamuns, de Cristiane e Castro Feitosa Melo. Disponível em  https://repositorio.ufc.br/bitstream/riufc/24857/3/2012_art_cecfmelo.pdf

  

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Leprosário, Colônia e Centro de Convivência Antônio Diogo


Quando o então padre Antônio Tabosa Braga – mais tarde Monsenhor Tabosa – criou o Leprosário Antônio Diogo, com o apoio financeiro do industrial Antônio Diogo de Siqueira, o fez com a melhor das intenções, uma vez que a lepra já se propagava pelo Estado, havia uma preocupação crescente por parte da população devido ao medo do contágio, e por amor aos doentes, que viviam pelas ruas, principalmente da Capital, sem assistência médica ou qualquer tipo de apoio. 

O religioso iniciou uma grande campanha sensibilizando a população para o problema dos hansenianos. Construiu então no Morro do Croatá um modesto abrigo, onde os doentes podiam ter algum descanso e ajuda espiritual. Um dos internos do que foi considerado o primeiro hospital hanseniano, conta que o religioso foi pessoalmente assistir a chegada dos doentes, e fazer a entrega solene da nova “cidade”, onde poderiam transitar normalmente, sem o risco de serem expulsos. E continuou assim, durante todo o resto de sua vida trabalhando infatigavelmente pelo leprosário, com o fim de proporcionar o necessário conforto a seus moradores.

Monsenhor Tabosa e Antônio Diogo de Siqueira

Para assegurar a estabilidade do estabelecimento, confiou a sua direção às Irmãs Capuchinhas, e nomeou capelão o padre Joaquim Severiano de Vasconcelos. No dia da inauguração, não contente de ter ido deixar os doentes na sua nova moradia, Monsenhor Tabosa cumprimentou um por um, passou com eles o dia inteiro, e se encarregou de armar, todas as redes e camas. 


O Leprosário de Canafístula foi inaugurado em 9 de agosto de 1928, no Distrito de Canafístula, atual Antônio Diogo, município de Redenção, nas dependências onde antes já funcionara a Colônia Cristina, que abrigara flagelados da grande seca de 1877/9. Depois que a Colônia foi extinta, em 1925, abrigou a primeira prisão agrícola do Estado, e por fim, o leprosário, a partir de 1928. Construída com a ajuda financeira do industrial Antônio Diogo de Siqueira, a instituição foi mantida por doações de populares e uma ajuda governamental até o início dos anos 40, quando passou a ser mantido pelo governo estadual. 
  

Colônia Christina

No Brasil, até meados do século XX, os portadores da hanseníase eram obrigados a se isolar em leprosários, uma política que visava o afastamento dos doentes por meio de internação compulsória em vez de um tratamento efetivo. 

Essa política do isolamento foi adotada no governo de Getúlio Vargas, durante a década de 1940. Pela lei, qualquer pessoa diagnosticada com a doença era imediatamente levada para os chamados hospitais-colônia. Os afetados ficavam confinados em pequenas cidades construídas para esse fim, no caso do Ceará, os leprosários situados em Redenção e Maranguape. Para os doentes, ingressar nos muros de uma dessas instituições significava deixar tudo para trás.

Leprosário Antônio Diogo

O leprosário denominado Colônia de Canafístula, teve duas inaugurações: a primeira, no dia 1° de agosto de 1928, somente com a presença de autoridades evitando o contato com os doentes, que só chegaram ao local no dia 09 do mesmo mês.

Os pacientes foram transportados de trem, partindo de Fortaleza. Foram embarcados nas proximidades da igreja dos Navegantes, com paradas previstas em estações intermediárias a fim de receber outros doentes que porventura houvesse nas localidades. Chegaram ao leprosário no dia 9 de agosto, em número de 44 pacientes, sendo 35 procedentes de Fortaleza e os demais de várias localidades. As instalações eram precárias: nenhuma mobília, nada de equipamentos, sem saneamento básico, água potável lavanderia ou energia elétrica. Os pacientes aglomeravam-se em redes estendidas e separadas apenas em ala feminina e masculina. O primeiro paciente a ser registrado naquele 9 de agosto de 1928 foi o agricultor Raimundo Gomes, de 32 anos. Ele não resistiu nem ao primeiro ano de internamento, faleceu no início do ano seguinte.


Mantido por doações e contando com uma ajuda financeira do Estado, o lazareto passava por muitas privações. Em abril de 1929, foi feito um apelo pela imprensa no sentido de se obter maiores recursos para manutenção do lugar. Como resultado, o governo aumentou o valor de sua contribuição. Em 1929, o Dr. Samuel Uchoa ao assumir a direção do Serviço de Saneamento Rural, resolveu priorizar investimentos no leprosário, e iniciou um movimento em favor dos filhos sadios dos pacientes, inaugurando a 29 de maio de 1930, a Creche Silva Araújo, que contava com dois dormitórios de 15 lugares cada um, para meninos e meninas. A exemplo do que já ocorria com o lazareto, a direção da creche também, foi confiada às Irmãs Capuchinhas.


Apesar de as autoridades terem passado a dar mais atenção ao leprosário, a crise se aprofundava e a doença se alastrava. No início dos anos 30, a colônia de Antônio Diogo já abrigava mais de 200 doentes, além dos muitos que perambulavam esmolando pelas ruas de Fortaleza, que não eram recolhidos ao Leprosário por falta de vagas.

Nos anos 40 foi criado o Serviço de Profilaxia da Lepra, através do Decreto-Lei n° 686, de 13 de março de 1940, durante o governo do interventor Menezes Pimentel, o que deu novo impulso ao tratamento e controle da hanseníase no Ceará. O Serviço de Profilaxia encampou o Leprosário Antônio Diogo, que tornou-se instituição estadual subordinada ao Departamento Estadual de Saúde e passou a ser denominada Colônia Antônio Diogo. Em 12 de agosto de 1977, tornou-se Hospital de Dermatologia Sanitária Antônio Diogo, através do Decreto Estadual nº 12.435. Depois foi transformado no Centro de Convivência Antônio Diogo que congrega e assiste ex-pacientes e seus familiares, que não puderam ou não quiseram abandonar o local depois de curadas da hanseníase.


a Lei Federal nº 610, de 13 de janeiro de 1949, recomendava o isolamento compulsório dos pacientes em colônias, chamadas à época de leprosários. A mesma lei ordenava a entrega dos bebês de pais com hanseníase à adoção, o que levou à separação de milhares de famílias. Esta situação perdurou até 1986, quando os antigos hospitais colônias foram transformados em hospitais gerais.

Além do isolamento, até meados do século XX, os doentes tinham seus pertences queimados, uma política que visava muito mais ao afastamento dos portadores do que a um tratamento efetivo. Apenas em 1962 a internação compulsória dos doentes deixou de ser regra. No Ceará, até 1973, eles ainda eram segregados nos leprosários. 

O fim do isolamento compulsório decretou a libertação dos doentes que viviam confinados entre os muros da Colônia, possibilitando a reintegração no seio da família e da sociedade da qual foram compulsoriamente excluídos. Mas, boa parte dos antigos internos, não conseguiu se readaptar a essa nova vida, seja por terem perdido por completo o contato com os familiares, seja por ainda se acharem discriminados.  

Centro de convivência Antônio Diogo atualmente

Atualmente cerca de 100 pessoas moram nas dependências do Centro de Convivência, que completa 91 anos em 2019. A unidade abriga 42 pacientes remanescentes da Colônia de Antônio Diogo em dois pavilhões, e 65 casas, quase todas ocupadas por famílias de ex-internos. O equipamento atua com um serviço ambulatorial de dermatologia para atendimentos de pacientes da unidade e da região, promovendo reabilitação física e social.


Fontes: 
Feitosa, Adilia Maria Machado. A Institucionalização da Hanseníase no Ceará: do Leprosário de Canafístula ao Centro de Convivência Antônio Diogo. 2008. Dissertação de Mestrado em Políticas Públicas. Universidade Estadual do Ceará. 2008.
Leite Filho, Rogaciano. A História do Ceará passa por esta rua. Fortaleza, Fundação Demócrito Rocha, 1988.
Doentes ainda sofrem isolamento. Jornal Diário do Nordeste, edição de 19 de agosto de 2014
fotos: 
Brasiliana Fotográfica, Fundação Fiocruz e Centro de Convivência Antônio Diogo

   

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Missão Velha

Em fins do século XVII o vale do Cariri era povoado por indígenas da nação homônima, oriundos do planalto da Borborema, refugiados da guerra da repressão que os portugueses moviam contra a coligação de tribos indígenas nordestinas, impropriamente denominada de 'Confederação dos Cariris' (1683-1713); efeito tardio da indisciplina e rebelião implantada durante o domínio holandês. Em defesa e, para a pacificação dos indígenas, ocorreram missionários de diversas ordens religiosas. Os jesuítas, agrupando-os sob sua autoridade eclesiástica em aldeias ou missões, criaram, entre outras no sítio Cachoeira, a de São José, que seria a célula-mãe do Município de Missão Velha.

Praça São José - imagem IBGE s/data

Nestas terras veio estabelecer-se, em 1707, um baiano emissário da Casa da Torre chamado João Correia Arnaud (descendente do Caramuru), com mulher, nove filhos, parentes e escravos, dando início à colonização da região. Em 28 de janeiro de 1748, sob a invocação de Nossa Senhora da Luz,
foi criado, desmembrado do curato de Icó, na região dos Cariris Novos, o Curato Amovível das Minas dos Cariris Novos. Por provisão do bispo de Olinda, de 3 de maio de 1760, foi autorizada a criação da Matriz de São José, no sítio da antiga capela do aldeamento indígena, passando o curato a denominar-se desde então, 'São José da Missão Velha do Cariri'.

Por volta de 1750, espalhou-se por todo o Nordeste, a notícia da suposta riqueza aurífera do vale do Cariri. A fim de que os serviços de mineração tivessem maior eficiência, foi organizada, em 1756, a Companhia do Ouro das Minas de São José dos Cariris, dois anos depois dissolvida, em vista da 'pouca utilidade que poderiam dar as ditas minas a quem as cultivasse'.

Feira da Rua D. Pedro II - foto IBGE s/data

Desaparecido o interesse do ouro, voltaram-se os habitantes para a agricultura. A fertilidade do solo caririense, suas fontes e rios quase perenes, a fartura de frutos silvestres. foram importantes fatores, que provocaram a afluência de renovadas ondas de povoamento.

Seus habitantes tomaram parte ativa na Confederação do Equador (1824) e na revolta de 1831, consequência da abdicação de D. Pedro I. Na crônica histórica de Missão Velha figuram vários e emocionantes episódios, inclusive a luta pela sua posse entre as tropas chefiadas por Pinto Madeira, o Padre Antônio Manuel de Souza, o célebre "benze cacetes" e as do Presidente da Província, José
Mariano de Albuquerque Cavalcante. Durante os combates, a então vila de Missão Velha mudou de mãos algumas vezes, culminando com a derrota das forças de Pinto Madeira, que era o líder da rebelião denominada "abrilada", porque defendia o retorno de Dom Pedro I, que abdicara no dia 7 de abril de 1831.

O Município de Missão Velha surgiu, desmembrado do de Barbalha, em 1864. Segundo alguns historiadores, o nome do município é devido ao fato de os jesuítas terem fundado outras missões na região, passando a primeira delas a ser denominada de Missão Velha.

Distrito criado com a denominação de Missão Velha em 1748 e elevado à categoria de vila com a denominação de Missão Velha, em 1864, desmembrado de Barbalha. Elevado à condição de cidade com a denominação Missão Velha, pelo decreto, nº 262, de 28 de julho de 1931. Atualmente o município é constituído de 4 distritos: Missão Velha, Jamacaru, Missão Nova e Quimami.


vista aérea - imagem Câmara Municipal de Missão Velha

Limita-se ao Norte com os municípios de Aurora e Caririaçu; ao Sul: Brejo Santo, Porteiras e Jardim; a Leste: com as cidades de Milagres e Abaiara; e a Oeste, com Juazeiro do Norte e Barbalha. Localizada na região do Cariri cearense, fica a cerca de 535 km da capital Fortaleza.
População do último Censo (2010) - 34.274 habitantes; 
População estimada (para 2018) - 35.662 habitantes.

Atrativos Naturais

Balneário Dr. João de Castro
Cachoeira de Missão Velha
Bica de Jamacaru
Gameleira do Pau
Fonte da Pendência
Recanto da Divina Misericórdia

Igreja Matriz de São José


foto IBGE-1983

Por provisão do bispo de Olinda, de 3 de maio de 1760, foi autorizada a construção da Matriz de São José, no sítio da antiga capela do aldeamento indígena passando a denominar-se desde então, “São José da Missão Velha do Cariri”.
O surgimento do povoado aconteceu primeiramente com a criação de uma pequena capela, ao redor da qual iam se instalando casas e fazendas, que atraíam novas moradores. E assim nasceu a maioria das cidades do Ceará, à sombra das igrejas católicas, sob o signo da cruz dos colonizadores e dos padres jesuítas que aqui chegavam pregando o catolicismo. Uma igreja e uma praça era regra geral nas povoações antigas. Os templos, seculares ou regulares, raramente eram sobrepujados em importância por qualquer outro edifício.

Cachoeira de Missão Velha

foto: g1-globo.com

Localizada no Sitio Cachoeira, a 3 km da cidade de Missão Velha, a região abriga uma das paisagens mais exuberantes do Cariri, com quedas d’água de até 12 m, formadas pelas águas do Rio Salgado. Considerado como a porta de entrada da colonização do Cariri, esse ecossistema, possui elementos históricos e culturais muito importantes. Próximo à cachoeira, encontra-se uma trilha que leva aos restos da casa de pedra do século XVII. Além disso, tal cenário já foi palco de encontros entre cangaceiros, no início do século XX. 

Foto Diário do Nordeste

A história do Geosítio Cachoeira de Missão Velha é relacionada ao contexto da escassez da água no Sertão, pois lá era um dos poucos lugares onde se podia encontrar água durante todo o ano. Como todo bom sitio turístico e cultural que se preza, o lugar, guarda consigo muitas lendas que foram passadas de geração a geração. Contam os mais velhos da existência de uma mãe d’água,  de voz misteriosa e mágica, que atraia os banhistas para locais perigosos, levando-os assim a morte. É raro o ano em que pessoas não morrem afogadas na Cachoeira de Missão Velha. 

Estação Ferroviária


foto do site estações ferroviárias

A Estação Ferroviária de Missão Velha foi inaugurada em 1925. Dali estava prevista uma ligação ferroviária que ligava a região a Petrolina, na divisa de Pernambuco com a Bahia, onde terminava a concessão da linha da antiga Leste Brasileiro. Atualmente está desativada.

A Missão Velha dos dias atuais apresenta 9.7% de domicílios com esgotamento sanitário adequado, 85.6% de domicílios urbanos em vias públicas com arborização e 2.2% de domicílios urbanos em vias públicas com urbanização adequada (presença de bueiro, calçada, pavimentação e meio-fio). Quando comparado com os outros municípios do estado, fica na posição 135 de 184, 118 de 184 e 120 de 184, respectivamente. Já quando comparado a outras cidades do Brasil, sua posição é 4388 de 5570, 1930 de 5570 e 4039 de 5570, respectivamente.

fontes:
IBGE
Anuário do Ceará
Prefeitura de Missão Velha
Geopark Araripe
Turismo no Cariri