segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Município de Cruz – Ceará

Monumento a São Francisco de Assis
Construído pelo escultor João Bosco do Vale, e inaugurada em 11 de março de 1990, se constitui em um dos patrimônios arquitetônicos do Município em homenagem ao Padroeiro São Francisco de Assis. Encontra-se localizado no Trevo de Entrada da Cidade

População - 22.687 (estimativa do IBGE para o ano de 2011)
População em 2000 – 19.779 (censo do IBGE ano 2000)
Área da unidade territorial – 334,121 Km²
Densidade demográfica – 67,28 hab/km²
Localização – Mesorregião – Noroeste do Ceará
Microrregião – Litoral de Camocim e Acaraú
Distância de Fortaleza – 235 km



 No local onde hoje se ergue a majestosa Igreja de São Francisco da Cruz, existiu anteriormente uma modesta capelinha erguida em 1884.  Uma grande reforma, entre os anos de 1934 e 1938, transformou a capela numa das mais belas e confortáveis igrejas do vale do Acaraú.

Histórico

O topônimo Cruz é uma alusão a fatos que aconteceram às margens do Rio Acaraú. Segundo a tradição oral, um povoado floresceu às margens do rio a partir de uma grande cruz fincada pelos moradores para homenagear um retirante que ali teria morrido durante a fuga da seca de 1825. Outra versão afirma que a cruz teria sido posta com o fim de indicar o lugar em que um homem fora assassinado, numa emboscada, armada pelo próprio sogro, por questões de honra.  Sua denominação original era São Francisco da Cruz, depois Croatá e desde 1965, Cruz.

  Praça Monsenhor Edson

Limites:
Norte – Acaraú e Oceano Atlântico;
Sul – Bela Cruz;
Leste –  Acaraú
Oeste – Jijoca de Jericoacoara

Açude da Prata
 (foto do site: http://www.panoramio.com/photo/17843425 -  por Cláudio Lima)
 Localizado em Poço Doce II, sua construção começou em 1954 e só terminou em agosto de 1955. Antes, na região onde o açude se encontra, só havia mata. Atualmente, o reservatório beneficia a comunidade em vários aspectos, a exemplo de diversão, lazer, alimentação e beleza natural.



Tamarineiro
foto do site http://eraumaveznacruz.blogspot.com.br/ 
Localizado ao lado da Igreja Matriz, com uma idade aproximada de 121 anos, a planta surgiu quando Alexandre Bernardino Albuquerque semeou o terreno onde hoje se encontra a Praça e a Igreja Matriz e deixou algumas plantas entre elas o tamarineiro que ainda pequenino , mais resistente servia como suporte de uma cerca construída pelo mesmo. Por ocasião da construção da Igreja Matriz a cerca foi retirada, mas ele permaneceu no lugar. O tamarineiro foi usado em fins do século 19 como barracão, onde a sua sombra animais eram vendidos;  servia também como matadouro, e além de embelezar a praça, era um dos pontos de referência para visitantes. O Tamarineiro já faz parte da paisagem turística da entrada de Cruz

Formação Administrativa

Distrito criado com a denominação de Cruz, pela lei estadual nº 4440, de 30-12-1958,  subordinado ao município de Acaraú. Elevado à categoria de município com a denominação de São Francisco da Cruz, pela lei estadual nº 6956, de 19-12-1963, desmembrado de Acaraú.
Pela lei estadual nº 8339, de 14-12-1965 é extinto o município de São Francisco da Cruz, sendo seu território anexado ao município de Acaraú. 
Em divisão territorial datada de 31-12-968, Cruz é distrito de Acaraú.
Elevado à categoria de município com a denominação de Croatá, pela lei estadual nº 11002, de 14-01-1985, desmembrado de Acaraú. 
Em divisão territorial datada de 17-I-1991, o município é constituído de 2 distritos: Cruz e Caiçara.
Alteração toponímica municipal
Cruz para São Francisco da Cruz alterado, pela lei estadual nº 6956, de 19-12-1963; de São Francisco da Cruz para Cruz alterado, pela lei estadual nº 8339, de 14-12-1965.

fotos de Rodrigo Paiva
fontes:
Wikipédia
IBGE
http://www.citybrazil.com.br/ce/cruz

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Canindé

Vista da Cidade de Canindé - a Basílica de São Francisco domina a paisagem
(foto do site: http://www.flickriver.com - by deltafrut)

População - 78.847 habitantes (IBGE estimativa 2011)
área da unidade territorial - 3.218.462
densidade demográfica - 23,14 hab/km²

Em meados do século XVIII, Canindé era um aldeamento de índios vindos dos sertões de Monte-Mor. Não passava, assim, de um pequeno núcleo, lugarejo inexpressivo. Habitam, todavia na vasta região alguns fazendeiros que se estabeleceram nas cercanias, vindos na sua totalidade das ribeiras do Jaguaribe e cujas terras lhe foram doadas por sesmarias. Praticavam o pastoreio e o trato da gleba.

vista antiga da Praça Tomás Barbosa, de acesso à Basílica e Alto do Romeiro
(foto do site:   http://www.santuariodecaninde.com)

Em 1775 senta moradia à margem do rio, situando grande fazenda de cria, o português Francisco Xavier de Medeiros, homem destemido e já afeito ao árduo labor de povoar regiões desconhecidas. Prestigiado nas redondezas, Xavier de Medeiros delibera erigir uma capelinha. Iniciados os trabalhos com ajuda dos moradores vizinhos, o pequeno templo já estava em meio, quando, em 1792, caiu sobre a região uma grande seca. Os trabalhos de construção foram suspensos e somente tiveram reinicio no ano de 1795. Não desanimando  diante da árdua tarefa, Xavier de Medeiros, depois de um ano de luta, vê terminada a capela dedicada a São Francisco das Chagas.

Antiga fachada do Santuário de São Francisco
 (foto do site:http://www.santuariodecaninde.com)
  
Um fato curioso iria concorrer muito para a prosperidade do novo povoado. Nas operações de reforma da igreja erguida por Francisco Xavier, tenente-general Simão Barbosa Cordeiro e demais fazendeiros vizinhos, um operário que trabalhava na torre despencou do alto da construção, gritando por São Francisco das Chagas, e sobreviveu ao acidente, salvando-se de morte certa e horrível.

 Interior da Basílica de São Francisco em Canindé - CE 
(foto do site mais uol.com.br)

 Canindé é um dos maiores centros de fé no Ceará, que recebe fiéis de todo o Estado, que em romaria, busca conforto e milagre na crença em São Francisco.
 (foto do site: http://www.santuariodecaninde.com) 
  
O fato foi considerado um autêntico milagre e célebre, correu o mundo afora na boca do povo. Até trovadores surgiram cantando o feito milagroso. E a fama do santuário se espalhou  pelos sertões, atraindo milhares de forasteiros de todas as paragens que vinham na busca de curas milagrosas.

sala dos ex-votos.ex-votos são testemunhos da fé do povo, que agradece pelas graças recebidas e oferece a seus intercessores,  uma escultura de madeira ou barro que represente a parte do corpo curada, ou ainda, uma imagem em cera, uma fotografia, uma peça de roupa, muletas, bilhetes, e uma série infindável de outros objetos. 
foto do site: http://www.panoramio.com/photo/265733

Iniciando o século dezenove, já eram tradicionais os festejos do santo franciscano. O povo de Canindé resolve, então, enviar uma súplica ao senado da Câmara da Vila de Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, no sentido de que, sem mais demora, fosse criada uma freguesia, logo foi nomeado primeiro Vigário, escolha que recaiu no virtuoso padre Francisco de Paula Barros, que já servia na capela. A aspiração da criação da vila veio aos 29 de julho de 1846.
Um dos fatos mais importantes da formação histórica da Canindé foi a permanência, durante muitos anos, dos Frades Capuchinhos na cidade. Vieram eles da Província de São Carlos de Milão, por contrato celebrado entre o Bispo do Ceará, Dom Joaquim José Vieira e o Superior da Missão Lombarda. Chegaram a Canindé em 1898, num grupo de oito, sendo Superior Frei David.

seguindo pela Rua Gervásio Martins, uma multidão se dirige à Igreja das Dores, em Canindé, Ce. (foto do site http://www.santuariodecaninde.com)

Distrito criado com a denominação de São Francisco das Chagas do Canindé, pela Resolução Régia, de 19-08-1817, Provisão de 03-09-1818 e Ato Provincial de 18-03-1842.
Elevado à categoria de vila com a denominação de São Francisco das Chagas do Canindé, pela lei provincial nº 221, de 29-07-1846, desmembrado de Fortaleza e Quixeramobim. Sede no núcleo de São Francisco das Chagas do Canindé. Constituído do distrito sede. Instalado em 05-07-1847.
Em divisão territorial datada de 2007, o município é constituído de 10 distritos: Canindé, Bonito, Caiçara, Pedro Sampaio, Esperança, Iguaçu, Ipueiras dos Gomes, Monte Alegre, Salitre e Targinos.
Alteração toponímica municipal
São Francisco das Chagas de Canindé para simplesmente Canindé alterado, pela lei estadual nº 1221, de 25-08-1914.

Limites:
Norte – Tejuçuoca, General Sampaio, Paramoti e Caridade;
Sul – Itatira, Madalena e Choró;
Leste – Irauçuba, Sobral e Santa Quitéria;
Oeste – Mulungu, Aratuba e Itapiúna.
Distância até Fortaleza – 115 km

fontes:
Wikipédia
IBGE

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

O Beato José Lourenço e a Sociedade do Caldeirão

Beato José Lourenço (acervo do Museu do Ceará em foto de Fátima Garcia) 

Aos vinte anos de idade chegava a Juazeiro o paraibano José Lourenço Gomes da Silva, em busca de orientação do Padre Cícero, então no auge dos acontecimentos milagrosos. O padre recomendou a José Lourenço que fizesse penitência durante um determinado período e voltasse à sua presença. 
No fim do tempo marcado, Padre Cícero dizendo ter para ele uma missão, mandou  que se estabelecesse no Sítio Baixa Danta, na qualidade de rendeiro. José Lourenço transformou com trabalho diligente e planejado, uma terra árida numa das propriedades mais férteis da região. 
Lavrador primoroso, nas cerimônias religiosas vestia um hábito de beato, carregando às costas uma cruz, conduzindo penitentes ou simples devotos em procissões. Solteiro, dividia o produto do seu trabalho com os mais necessitados. O padre mandava para Baixa Danta os romeiros mais desvalidos, os fugitivos de perseguições, os que precisavam ser reeducados no trabalho. 

 Beato José Lourenço e a Santa Cruz do Deserto em 1937 
(foto do site  http://www.onordeste.com)

Personalidade marcante pelo número de adeptos que o seguia em todas as decisões,  despertava entre a população regional, muito respeito ou muita inveja. Era da total confiança do Padre Cícero que o usava como mensageiro em missões que requeressem sigilo, além de lhe confiar o trabalho de doutrinação de muitos romeiros. Apesar de analfabeto é lembrado por seus seguidores como um grande conselheiro, alguém que nunca errou uma orientação dada a seu povo. 
Na década de 1920, o Padre Cícero entregou a seus cuidados um touro que recebeu de presente. José Lourenço que dispensava um carinho especial aos animais, desde seu cavalo até o vasto criatório de aves domésticas e pássaros de todas as plumagens, recebeu com redobrado cuidado o boi “mansinho”, que logo se tornou um belo espécime da raça guzerá. Muitos criadores pediam emprestado o touro para cruzar em suas fazendas. O povo do beato tratava com esmero o “boi do meu padrinho”.  
Em pouco tempo os jornais denunciavam a crença no Boi Ápis que se desenvolvia no Juazeiro. Os padres, do púlpito, pediam às autoridades para combater a “nefanda heresia”, que se estabelecera entre os seguidores de José Lourenço. 

José Lourenço e alguns de seus adeptos (foto do site O Nordeste.Com)
 
Para acabar com a campanha de difamação, mesmo convencido da inocência do beato, Floro Bartolomeu mandou prender José Lourenço, matando o boi e tentando obriga-lo a comer de sua carne. Seus seguidores relataram que o beato resistiu dezoito dias na prisão, sem comer, ao final dos quais o Padre Cícero foi tirá-lo e mandou-o de volta a Baixa Danta.
Após a morte de Floro Bartolomeu, em 1927, o proprietário da Baixa Danta vendeu o sítio e José Lourenço perdeu todo o trabalho e os beneficiamentos feitos na terra. Padre Cícero então o desloca com toda a sua gente, longe dos olhos invejosos, para um grande terreno de sua propriedade, na Serra do Araripe – a Fazenda Caldeirão.

seguidores do Beato José Lourenço no Sítio Caldeirão. O massacre promovido pela polícia vitimou adultos e crianças (foto do quadro pertencente ao acervo do Museu do Ceará, por Fátima Garcia) 
No Caldeirão a obra de José Lourenço toma, em bem menores proporções demográficas, a dimensão social da comunidade religiosa de Antônio Conselheiro. Em pouco tempo, o Caldeirão torna-se fornecedor de mão-de-obra para as empresa agrícolas da vizinhança, além da fértil propriedade com engenho de rapadura, extensa plantação de cana, grande produção de gêneros alimentícios e algodão, além de diversificado criatório de gado vacum, caprino, ovino e suíno. Era o rico manancial de fartura a que seus sobreviventes se referem como ao “mundo de Deus que o pecado de Satanás fez desaparecer”.


Por testamento, Padre Cícero deixou a Fazenda Caldeirão para os padres salesianos. A partir da morte do padre, a Diocese do Crato tenta impugnar seu testamento com o objetivo de se apossar dos bens deixados por ele. Desenvolveu-se acirrada polêmica  com o bispo advogando o direito de confisco desses bens  para o patrimônio do bispado. 
A justiça brasileira fez cumprir as disposições testamentárias, entregando o espólio aos herdeiros nomeados, que assumiram o compromisso de respeitar a vontade do Padre, no sentido de construir um colégio em Juazeiro, proteger as romarias, e posteriormente, trazer a ordem de São Francisco para se estabelecer na cidade. 
Tomando posse de todas as propriedades que herdaram em 1936, os Salesianos, embora José Lourenço lhes pagasse fielmente a renda da terra e lhes trouxessem cargas e mais cargas de produtos do Caldeirão, deliberaram o despejo do beato e sua gente. Inicia-se então uma campanha de difamação contra ele, que era acusado de promiscuidade sexual, práticas diabólicas, dentre outras acusações. Dizia-se até que “aquilo ia ser igual a Canudos”. 

Moradores do Sítio Caldeirão 
(quadro do  acervo do Museu do Ceará em foto de Fátima Garcia) 
No dia 11 de novembro desse ano, o capitão do exército Cordeiro Neto, Secretário de Segurança do Ceará, fez uma primeira incursão à fazenda. O pretexto fora a informação de que José Lourenço havia recebido três caixas de armamentos e munições, que deveriam ser entregues ao governo. O beato mostra haver nas caixas apenas algumas imagens de santos. Não convencido dos propósitos pacifistas de José Lourenço, o secretário deixa no Caldeirão o tenente Germano, que lá permanece por um mês. Segundo os sobreviventes, ele ficou para fazer um reconhecimento da região e dos hábitos do povo, bem como arrolar todos os bens existentes na fazenda, que mais tarde seriam roubados pelas tropas.


Em 1937 o Caldeirão é atacado pelo oficial de Polícia José Bezerra. Diante da ferocidade do ataque-surpresa, o povo do Caldeirão reage, travando-se violento combate no dia 10 de maio, onde morreram José Bezerra, o filho, o genro e um cabo. Do lado do beato morreram quatro seguidores, entre eles Custódio Pereira Barros, valente romeiro paraibano, que vendo o beato em perigo, organizara a resistência, pagando com a vida sua fidelidade. Nesse embate repete-se a prática de cortar as cabeças dos inimigos mortos.

 ruínas da casa onde morou o beato José Lourenço (foto do Diário do Nordeste)
Fugindo para a serra, o beato já se dirigia com sua gente para o Estado de Pernambuco, quando foram alcançados pelas tropas, que desfecharam um ataque arrasador por terra e por ar, matando, e prendendo muita gente, no afã de prender José Lourenço  que se evadira. Os prisioneiros, apesar de torturados, não revelaram o paradeiro do beato. De 1937 a 1940 o governo persegue sistematicamente os ex-moradores do Caldeirão, que se dispersam por várias localidades. 
Com algumas pessoas, José Lourenço se estabelece na Fazenda União em Exu, Pernambuco, enquanto os policiais saqueavam o Caldeirão, incendiando o que não podia ser levado, e vendendo todos os bens móveis.

 das várias construções edificadas no Sítio Caldeirão para abrigar os camponeses participantes do movimento, restam a pequena capela de Santo Inácio de Loyola, relativamente conservada, e poucas casas em ruínas. Quanto à árida paisagem de entorno, esta permaneceu praticamente inalterada. (Foto Secult)

Com o fim das perseguições, em 1944, o beato tenta através do advogado Dr. Antônio de Alencar Araripe, uma ação judicial contra o Estado do Ceará, por agressão e furtos, solicitando uma indenização. O procurador do Estado declara a prescrição do seu direito de agir contra o Estado.
No dia 12 de fevereiro de 1946, José Lourenço morre de morte natural na Fazenda União. Seus seguidores atravessando a serra carregam seu corpo por treze léguas. Caminham por toda a noite e, ao raiar do dia chegam a Juazeiro, onde o beato é velado pelos romeiros.  José Lourenço foi enterrado no Cemitério do Socorro, bem ao lado da igreja onde se encontra o corpo de Padre Cícero.

fonte:
O Movimento Religioso de Juazeiro do Norte. Padre Cícero e o Fenômeno do Caldeirão.
de Luitgarde Oliveira Cavalcanti Barros 
(em História do Ceará, Coordenação de Simone de Souza)                 

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Herança Cultural Africana

O grande destaque dado à abolição, de certo modo ofuscou a importância dos elementos culturais de origem africana presentes na sociedade cearense, que são mais expressivos do que comumente se pensa.
Alguns municípios cearenses tem sua origem ligada a sítios e comunidades negras, a exemplo de Monsenhor Tabosa, antes chamado de Telha, que teve origem numa fazenda chamada Forquilha, pertencente a uma família de negros, os Teles.
Há o caso da comunidade quilombola de Conceição dos Caetanos, no município de Tururu, surgida em terras adquiridas em 1887 pelo forro Caetano José da Costa, saído de Pacoti – naquela comunidade, por décadas, até os anos 70, os negros casavam entre si, mantendo a tradição. 

 foto: Diário do Nordeste
No vocabulário cearense do dia-a-dia, há várias palavras de origem banto: angu, banguela, batuque, bambo, bunda, cabeça, cachaça, cachimbo, candomblé, moleque, e muitas outras.
Tem-se ainda manifestações artísticas, como o  Maracatu, de origem banto. Outras manifestações culturais negras locais perderam-se ao longo do tempo, como o samba de umbigada e a festa do Congo. No primeiro, os brincantes formavam uma roda, na qual um dançarino ficava a sambar no centro, depois de certo tempo ele se dirigia a um dos componentes da roda, dava uma pancada no umbigo como sinal para que o substituísse. 

 foto do site:http://girosdamocoronga.wordpress.com

A festa do Congo consistia num desfile ou procissão que reunia elementos das tradições de Angola e do Congo com influências ibéricas – entidades dos cultos africanos eram identificadas aos santos do catolicismo (daí  o porquê das festas serem aceitas pela igreja, autoridades e senhores proprietários).   
 Animada por danças, cantos e música, a procissão acabava numa igreja, em geral a da Irmandade de negros de Nossa senhora do Rosário, onde, com a presença de uma corte e seus vassalos, acontecia a cerimônia de coroação do Rei Congo e da Rainha Ginga de Angola – uma personagem da história africana. 
foto Diário do Nordeste

Mais recente são as festas em homenagem a Iemanjá, que reúne milhares de adeptos do candomblé, nas praias, no início do ano. Igualmente importantes são os cultos afro-brasileiros, tratados preconceituosamente até os dias atuais, por certos segmentos cristãos conservadores como macumba, e que por décadas foram reprimidos pela polícia.
Há de se ressaltar o papel de Mãe Júlia, líder de um terreiro no Benfica, em Fortaleza, que nos anos 1950 buscou organizar os adeptos de crenças afro-brasileiras em uma associação e negociou com as autoridades a liberdade de culto.

extraído do livro de Airton de Farias
História do Ceará