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segunda-feira, 7 de abril de 2014

Palmácia

  


Em lugar misto de sertão e serra se formou o povoado que primitivamente se chamou de Palmeiras, região das palmas e mais tarde mudado para Silva Jardim. O designativo atual Palmácia foi dado pela lei nº 1.153, de 22 de novembro de 1951. É de formação erudita, para traduzir região das palmas ou palmeiras. Com a denominação de Silva Jardim, foi instituído município pela lei nº 352, de 28 de julho de 1897, embora não tenha sido instalado.
Com uma grande seca que atingia  o Ceará e todo o Nordeste, os índios da etnia Baturité foram se refugiar na região serrana onde hoje é Palmácia, no primeiro indício de ocupação daquelas terras. No entanto, após a seca muitos dos Baturités voltaram para seu lugar de origem.  A fundação de Palmácia adveio da ocupação de sobras das sesmarias nas encostas da região do Maciço de Baturité.

   
O principal meio de transporte da época eram burros e jumentos e os tropeiros ou comboieiro, que viviam de fretes e eram os maiores desbravadores da serra.  À medida que os tropeiros avançavam nas regiões desconhecidas eram encontra novas trilhas usadas pelos índios.
Os tropeiros desbravaram a região ao encontrarem uma trilha que vinha da Aratuba,  que era usada pelos índios e tornava mais rápida a viagem a capital. Isso concorreu para que a cada dia essa rota fosse mais usada pelos tropeiros.  Logo vieram os cortadores de palmas que formaram  pequenos povoados. Estes povoados iam crescendo a com barracas de palhas e o povoado ficou conhecido pelo nome de Arraial das Palmeiras. 

 marco em comemoração ao centenário da educação formal de Palmácia - 1897 - 1997.
Com a chegada de Maria Amélia Perdigão Sampaio que foi a primeira professora pública da cidade, Palmácia deixou de ser lugarejo e tornou-se vila, pois para ser elevada a categoria de vila precisava de uma professora pública. A partir desse fato, tem início a Educação Formal em Palmácia.

  Praça Padre Perdigão Sampaio

Distrito criado com a denominação de Palmeiras, pelo ato provincial de 06 de novembro de 1862, e lei provincial nº 1778, de 23 de novembro de 1878, subordinado ao município de Maranguape.
Foi elevado à categoria de município com a denominação de Palmácia, pela lei estadual nº 3779, de 28 de agosto de 1957, desmembrado de Maranguape, com sede no antigo distrito de Palmácia e constituído de dois distritos: Palmácia e Gado. 

 Arco de São Francisco


Prédio do Paço Municipal

Anteriormente quando ainda pertencia à Maranguape, era denominado Arraial das Palmeiras. Como existiam várias cidades, vilas e distritos denominados Palmeiras, teve o nome alterado para Silva Jardim e mais tarde Palmácia. Sua fundação oficial foi decretada em 06 de novembro de 1862,embora haja indícios mais antigos da ocupação. Seu possível fundador foi Francisco de Queirós. Com o crescimento do povoado, foi iniciada a construção de um oratório, por iniciativa de Monsenhor Custódio. O oratório tornou-se uma capela que depois foi ampliada e é a atual igreja matriz. Ao redor da  igreja, a cidade floresceu.


Palmácia está localizada no Maciço de Baturité,onde concentra a última reserva de mata atlântica no Estado. Uma vegetação exuberante, onde samambaias, orquídeas e flores silvestre convivem com uma fauna nativa que inclui as mais diversas espécies de pássaros.O município é constituído de 3 distritos: Palmácia, Gado e Gado dos Rodrigues. 


 A Igreja Matriz existe desde 1880. A paróquia de Palmácia foi fundada em 6 de janeiro de 1943. O Padroeiro é São Francisco de Assis.
 
Solar da família Sampaio, antiga residência da Professora Maria Florinda Sampaio, atualmente habitado por seus herdeiros.  O Solar data do início do século XX e conta com um belo jardim de flores tropicais, um lago artificial com peixes ornamentais e um mirante onde tem-se uma vista privilegiada de toda a cidade e também das montanhas circunvizinhas. A propriedade possui ainda um extenso pomar e uma área preservada de mata atlântica com aproximadamente 2 hectares, sendo essa uma das poucas áreas de preservação dentro da zona urbana de Palmácia. 

Sobrado dos Linhares, na Fazenda do mesmo nome  em Água Verde, cuja família é herdeira de Máximo Linhares, irmão do Ex-presidente da República, José Linhares. Este casarão data do início do século, mais precisamente, de 1912, sendo constituído de dois pavimentos. Encontra-se abandonado e em péssimo estado de conservação. 


Localização: Maciço de Baturité
Mesorregião Norte Cearense
Microrregião de Baturité
Limites: Norte -  Maranguape; Leste - Guaiuba; Sul - Redenção e Pacoti; Oeste -  Caridade 
Distância de Fortaleza - 60 quilômetros
População estimada em 2012 - 12.330 habitantes

Morro do Cruzeiro
 
O acesso a  partir de Fortaleza pode ser feito através da rodovia CE-065, também conhecida como Rodovia Senador Carlos Jereissati. Antes de chegar a Palmácia passa pelas cidades de Maracanaú e Maranguape. As demais vilas, lugarejos, sítios e fazendas de Palmácia são acessíveis  através de estradas estaduais, asfaltadas ou carroçáveis.

pesquisa:
IBGE
Wikipédia 
fotos Rodrigo Paiva e Ricardo Vianna 
abril/2014


quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Cenários do Maciço de Baturité


O Maciço de Baturité é uma formação geológica localizada no sertão central cearense, composta pelos municípios de Pacoti, Palmácia, Guaramiranga, Mulungu, Aratuba, Capistrano, Itapiúna, Baturité, Aracoiaba, Acarape, Redenção, Barreira e Ocara. São montanhas agrupadas em torno de um ponto culminante, o Pico Alto, o segundo mais alto do Ceará, com 1.115  metros de altitude.



O clima ameno, o solo umedecido pelo grande número de córregos, rios e regatos, com a fertilidade do húmus, protegido pela sombra  do arvoredo contra a incidência dos raios solares, fez com que na encosta  do Maciço de Baturité o café se sentisse em casa. A cultura do café impulsionou o progresso na região, especialmente após a inauguração da Estrada de Ferro de Baturité, que teve como principal motivação, o transporte do café, da serra para o Porto de Fortaleza. 

Redenção

Cachoeira do Paracupeba - Redenção

Igreja Matriz de Guaramiranga


Parque das Cachoeiras - Guaramiranga

Pico Alto - Guaramiranga


Pacoti 






fotos: Rodrigo Paiva e Fátima Garcia

sábado, 6 de agosto de 2011

Baturité - CE

Imagem de São João Nepomuceno, padroeiro da cidade de Baturité , localizada na Praça da Matriz, centro.

População: 33.321 habitantes (IBGE 2010)
Área do Município: 308, 579 km²
Densidade demográfica: 107,98 hab/km² 
Distância de Fortaleza: 106 km
Localização: microrregião de Baturité, aos pés do Maciço de Baturité, Mesorregião do Norte Cearense 



Antes da fundação da cidade de Baturité, os índios Jenipapaos e Canindés - os primeiros habitantes - adoravam uma pequena imagem de Nossa Senhora da Assunção. A denominação de Nossa Senhora da Palma foi criada em 08 de maio de 1758, mas só foi instalada em 19 de junho de 1762.  A construção da Matriz foi iniciada às custas dos cofres públicos sob a direção de Francisco Xavier de Medeiros. Construída no Século XVIII, apresenta características do Barroco. É a única Paróquia na Brasil com esta invocação.
Hoje, a Igreja Matriz, encontra-se bastante modificada no seu interior. As reformas não respeitaram suas características originais, mas a população orgulha-se de seu templo bicentenário. A edificação encontra-se em lugar privilegiado, no centro da cidade, na  Praça da Matriz.




Região habitada por diversas etnias como os Potyguara, Jenipapo, Kanindé, Choró e Quesito, recebeu a partir do século XVII diversas expedições militares e religiosas. Com a expulsão dos holandeses, a coroa portuguesa iniciou o processo de ocupação definitiva das terras cearenses que se intensificou através da ocupação missionária pelos Jesuítas, a doação de sesmarias, busca de metais preciosos e a implantação da pecuária do Ceará. Em 1755, Baturité, ou melhor, Missão de Nossa Senhora da Palma, surge como uma missão tendo como finalidade aldear os índios da região.
Em 1759, com a expulsão dos Jesuítas, a missão foi elevada a condição de Vila com o nome de Monte-Mor o Novo d'América. Em 1791, nesta vila foi reunido aos Kanindé, Jenipapo, que já viviam na região,  um contingente de índios oriundos de missões em conflitos, como: os Jucá da Vila de S. Mateus, os Paiacu da Vila de Montemor-o-Velho e da Vila de Portalegre.


Monumento comemorativo ao centenário da Estação Ferroviária de Baturité. Trata-se  da 1ª locomotiva a vapor a fazer o percurso Fortaleza-Baturité no ano de 1882, conhecida por Maria Fumaça.



A estação de Baturité foi inaugurada em 1882, permanecendo oito anos como ponta da linha. Era ela o objetivo inicial da ferrovia. 
Por causa do clima ameno e da água em abundância, Baturité e outros municípios vizinhos serviram de refúgio para populações sertanejas de cidades como Canindé e Quixadá, que ali se abrigaram durante a Seca dos Três Setes (1777 a 1793).

Em 1824, Manoel Felipe Castelo Branco trouxe do Pará para Baturité, mudas de café, fato que trouxe transformações na atividade econômica e vida social local.
Na metade do século XIX, Baturité tinha como principal atividade econômica a cultura do café, chegando na época a deter 2% de toda a produção brasileira. Há relatos de que o café de Baturité era um dos mais apreciados nas cafeterias francesas. Com o crescimento da cultura do café surge a necessidade de uma via mais rápida de escoamento da produção para o porto de Fortaleza, que era feita via as precárias estradas da época.






Neste contexto, em 1870, um grupo de comerciantes lança a proposta de construir a primeira ferrovia no Estado,  que veio a ser a Estrada de Ferro de Baturité e um porto para Fortaleza. Em 1882, é inaugurada a estação ferroviária de Baturité, pela qual o café era transportado diretamente ao Porto de Fortaleza. Em 1921, com a expansão da estrada de ferro, o município recebe mais uma estação ferroviária, mais precisamente no povoado do Açudinho (hoje Alfredo Dutra). 


A cultura do café a partir de 1870 até a superprodução e a superoferta de café de 1929, impulsionou    a  economia e a vida social de Baturité, bem com a modernização da cidade. Na Belle Époque que Baturité vivenciou, que ainda é possível se ver na arquitetura colonial existente na cidade, foram inauguradas diversas obras. 




O prédio da antiga estação foi inaugurado em 1882, no governo de D. Pedro II

Após a desativação da linha férrea, as antigas dependências da Estação foram recuperadas e ocupadas: a estação de passageiros abriga o Salão de Artes Chico Sobrinho, com exposição e venda de peças de artesanato, enquanto no prédio da antiga administração - que segundo moradores, precisa de reparos - funciona o Museu da Cidade.

sites consultados:
IBGE
Wikipédia
http://www.baturite.ce.gov.br/home/index.php? 

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Antonio Diogo, Distrito de Redenção, Ceará

Igreja Matriz

O transporte ferroviário foi de fundamental importância para as localidades do interior do Estado. Enquanto ainda não era atravessado pelos trilhos, os lugarejos tinham sua imagem fortemente marcada pela ausência de uma dinâmica própria do desenvolvimento econômico, que chegaria mais tarde com o tráfego ferroviário.

A linha-tronco, ou linha Sul, da Rede de Viação Cearense surgiu com a Estrada de Ferro de Baturité, aberta em seu primeiro trecho em 1872 a partir de Fortaleza e prolongada nos anos seguintes. Quando a ferrovia estava na atual Acopiara, em 1909, a linha foi juntada com a E. F. de Sobral para se criar a Rede de Viação Cearense, imediatamente arrendada à South American Railway. Em 1915, a RVC passa à administração federal.

A linha chegou ao seu ponto máximo em 1926, atingindo a cidade do Crato, no sul do Ceará. Em 1957 passa a ser uma das subsidiárias formadoras da RFFSA e em 1975 é absorvida operacionalmente por esta. Em 1996 é arrendada juntamente com a malha ferroviária do Nordeste à Cia. Ferroviária do Nordeste (RFN). 



Estação de Canafístula, inaugurada em 1880, ao pé da Serra do Vento, entre Fortaleza e Baturité. Na década de 1940 o lugar passou a se chamar Antônio Diogo.    


Com a desativação da linha, o prédio da antiga estação, encontra-se atualmente com as portas lacradas, abandonado e cercado de mato rasteiro, esperando o momento certo de virar ruínas. O Distrito de Antônio Diogo está em vias de se tornar município,  uma vez que preenche os requisitos para tanto e o processo já está em andamento. Bem que os atuais gestores podiam começar pela preservação do patrimônio histórico e cultural da nova futura cidade.      


A Estrada de Ferro foi de grande importância para o desenvolvimento do Ceará e influenciou muito na criação das cidades por onde ela cruzava, não apenas fez surgir novos núcleos de povoamento, mas também fez surgir  novas ruas, novos traçados. 



A inauguração da Estação de Canafístula, movimentou o comércio local e todo tipo de mercadoria era trazido para se vender na chegada do trem, principalmente comidas típicas, frutas e peças de artesanato local, aproveitando a nova freguesia que chegava a bordo dos trens de ferro. As vendas feitas aos passageiros e visitantes, passaram a ser a principal fonte de renda de muita gente do lugar. Suas idas e vindas mexiam com tudo por onde passava, movimentava pessoas, cargas, lugares, vidas e sonhos.




Casas e ruas de Antônio Diogo, emolduradas pelo verde profundo da Serra do Vento, pertencente ao maciço de Baturité.

  Rua principal

Uma legítima bodega cearense, um dos últimos exemplares de um tipo de comércio que a modernidade tratou de banir da cena urbana.  

fotos: Rodrigo Paiva e Fátima Garcia 
foto da estação antiga: http://www.estacoesferroviarias.com.br