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quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Construção e Tragédia do Açude Orós

O ano de 1958 foi mais um ano de seca no Ceará, a exemplo do que já havia ocorrido em 1915, 1919 e 1932. A população sertaneja sofria com a falta de água, alimentos e trabalho. Em setembro de 1958, a alma sertaneja ganhou um novo alento, quando a construção de um grande açude começou a ganhar formas. A obra na região centro-sul do Ceará, no município de Orós, era uma antiga promessa do DNOCS – Departamento Nacional de Obras contra as Secas – do que seria o maior reservatório do Nordeste, com 2 bilhões de metros cúbicos de água armazenada. 


Com o Orós surgiu a possibilidade de se represar as águas do Rio Jaguaribe e de se aproveitar o famoso boqueirão da região que na parte mais baixa tinha 75 metros de largura. A expectativa era captar toda a água do alto Jaguaribe e seus afluentes. A promessa também incluía energia farta, “que propiciaria extraordinário surto industrial”.

Desde 1911 que já se falava na existência do Boqueirão de Orós, garganta por onde passam as águas do rio Jaguaribe, local propício para receber uma enorme barragem de represamento e aproveitamento consequente das águas armazenadas. Mas alguns problemas de engenharia antecederam a obra: foi constatado que o projeto demandaria uma quantidade astronômica de cimento – para que se obtivesse todo o cimento necessário para a conclusão da obra, seria necessário que, uma composição ferroviária despejasse em Orós, 100 toneladas de cimento, todos os dias, durante três anos.


Após muitos estudos de viabilidade, um engenheiro de Porto Alegre, chamado Casimiro Munarsky, sugeriu fazer-se o açude com parede de terra e em forma de arco, um pouco antes do boqueirão. Com a nova engenharia, o açude deixaria de comportar 4 bilhões de metros cúbicos de água, inicialmente projetados, e passaria a comportar 2 bilhões. Obra realizada no governo de Juscelino Kubistchek, a construção do açude inundou alguns vilarejos próximos, dos quais o mais conhecido era Conceição do Buraco,  hoje Guassussê. A obra foi concluída em 1961.

Quando ainda estava em construção, em 1960, uma rachadura na parede do açude provocou uma grande inundação deixando várias cidades completamente alagados e sem comunicação. Na época, o Rio Jaguaribe, que abastece o açude, passou por uma grande cheia fazendo com que o Orós transbordasse e sofresse um arrombamento parcial. Nesse mesmo ano, o então presidente sobrevoou as áreas atingidas pelas águas, conforme relatam alguns pesquisadores. Por ordem dele, o trabalho de reconstrução foi iniciado imediatamente e, assim, o açude foi inaugurado um ano depois com o nome de Juscelino Kubitschek. 


 O rompimento da barragem

No dia 22 de março de 1960, notícias procedentes de Orós davam conta da situação em que se encontra a barragem do reservatório: que a mesma encontrava-se em boa situação, podendo acumular três vezes o volume d’água já retido; que chuvas em excesso caídas na região do Jaguaribe motivaram a maior enchente já verificada; que o Rio Jaguaribe se elevara 6 metros em menos de 15 horas.

 

No dia seguinte, os jornais começam a divulgar fotografias da barragem do Orós, prestes a ruir diante da pressão das águas. O DNOCS chama a atenção das populações dos arredores para que abandonem seus lares e busquem locais seguros, onde possam ficar a salvos do dilúvio que estava por vir. O bispo de Limoeiro, em reunião com as autoridades municipais trata das providências para evacuação da cidade; o governador do Estado se reúne com secretários a fim de acertarem medidas do plano de emergência para atender as populações do Baixo Jaguaribe. 

Panfleto original distribuído entre a população. Imagem cedida por Luís Antônio Saldanha, natural de Jaguaribe.

Os jornais trazem relatos de Orós e de Jaguaribe, adiantando que o açude não resiste mais nem por 24 horas. Correspondências da zona jaguaribana registram que as cidades se acham praticamente evacuadas. É tentada a operação lona que consiste na colocação de lonas sobre a superfície da barragem para evitar que as águas lavem a parede do açude. 

Sobre toda a região soltaram panfletos que anunciavam a catástrofe, tida como certa. Os moradores que se retiraram de suas casas se amontoavam nos lugares mais altos, como Poço Comprido, São João do Jaguaribe, Ilha Grande, Quixeré e Tabuleiro Alto, em Russas. 

 


No dia 26 de março, a barragem se rompeu parcialmente. Precisamente às 10 horas um grande estrondo foi ouvido: as águas ultrapassaram o nível da barragem e invadiram toda a extensão do Vale do Jaguaribe, destruindo tudo que se encontrava pela frente, levando de roldão povoações, cultivos e criações, deixando um rastro de morte, miséria e desabrigo, causando prejuízos incalculáveis. 

Obra da engenharia nacional, a barragem do Orós suportou, embora em fase de construção, uma pressão muitas vezes superior ao seu nível de segurança. Todavia, parte da obra teve de ser sacrificada a dinamite, para evitar uma tragédia maior, que seria sua destruição total a um só tempo.
  

Fontes: 
DNOCS
Revista do Instituto do Ceará - datas e fatos para a história do Ceará

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Açude Orós

imagem: Dnocs
O nome oficial do reservatório é Açude Presidente Juscelino Kubitschek  de Oliveira, popularmente conhecido como Açude Orós, formado a partir do represamento das águas do Rio Jaguaribe.
A barragem – que está localizada no município de Orós – foi projetada e construída pelo DNOCS – Departamento Nacional de Obras Contra as Secas – a partir de 1958, sendo inaugurado em 11 de janeiro de 1961, pelo então Presidente da República. Juscelino Kubitschek (1956-1961). 
estátua de Juscelino Kubitscheck - imagem IBGE
Desde o tempo do Brasil Império e nas primeiras décadas da República, a barragem do Boqueirão do Orós já era motivo de análise. Porém, somente nos primeiros anos de funcionamento da IOCS foi estudado e concluído o anteprojeto da barragem, destruído pelo fogo antes de sua execução, no incêndio de 1912. No ano seguinte, o engenheiro inglês  Louis Philips procedeu a sondagens iniciais no local, verificando as possibilidades e as adequações necessárias à construção da barragem.
construção da barragem - imagem IBGE
 Em 1960, com as obras ainda em andamento, a população ribeirinha viveu momentos dramáticos, quando em decorrência de uma grande cheia o Rio Jaguaribe transbordou e provocou o arrombamento parcial do Açude Orós, provocando uma enchente capaz de inundar o Médio e o Baixo Jaguaribe.
 Logo a notícia logo se espalhou, e as cidades de Russas, Aracati, Itaiçaba, Jaguaribe, Limoeiro do Norte, Icó e o distrito de Alto Santo, de nome Castanhão,  foram evacuadas com o auxilio de tropas do exército.
Estima-se que cerca de dez mil pessoas, não tiveram tempo de fugir e ficaram  isoladas, e a sobrevivência passou a ser uma questão de sorte,  diante da aproximação rápida das águas enfurecidas do Rio Jaguaribe. Os moradores acuados se amontoavam nos lugares mais altos, como Poço Comprido, São João do Jaguaribe, Ilha Grande, Quixeré e Tabuleiro Alto, em Russas. Precisamente às 10 horas do dia 26 de março um terrível estrondo foi ouvido a grande distância, e as águas armazenadas no gigantesco açude ultrapassaram o nível da barragem e invadiram toda extensão do Vale do Jaguaribe.  A enxurrada  destruiu o que encontrava pela frente, levando de roldão povoações, cultivos, propriedades e criações deixando como rastro, a morte, a miséria e o desabrigo, que vitimaram mais de trezentas mil pessoas. 
construção da barragem - imagem IBGE
Obra da engenharia nacional, a Barragem Orós, suportou embora em fase de construção, a uma pressão de água em muitas vezes superior ao seu índice de segurança. Todavia, parte da obra teve de ser destruída com dinamite para evitar um dano maior, que seria a sua distribuição total a um só tempo. 
A barragem de Orós, que se mostrava como a redenção daquele solo ressequido foi parcialmente destruída. Mais uma vez o triste espetáculo dos retirantes famintos, repetia-se no sertão do Ceará. No entanto, não fugiam da seca e sim das águas. Juscelino Kubitschek providenciou ajuda para flagelados e com o final da temporada chuvosa, autorizou o reinício dos trabalhos.

fonte: