sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Açude Orós

imagem: Dnocs
O nome oficial do reservatório é Açude Presidente Juscelino Kubitschek  de Oliveira, popularmente conhecido como Açude Orós, formado a partir do represamento das águas do Rio Jaguaribe.
A barragem – que está localizada no município de Orós – foi projetada e construída pelo DNOCS – Departamento Nacional de Obras Contra as Secas – a partir de 1958, sendo inaugurado em 11 de janeiro de 1961, pelo então Presidente da República. Juscelino Kubitschek (1956-1961). 
estátua de Juscelino Kubitscheck - imagem IBGE
Desde o tempo do Brasil Império e nas primeiras décadas da República, a barragem do Boqueirão do Orós já era motivo de análise. Porém, somente nos primeiros anos de funcionamento da IOCS foi estudado e concluído o anteprojeto da barragem, destruído pelo fogo antes de sua execução, no incêndio de 1912. No ano seguinte, o engenheiro inglês  Louis Philips procedeu a sondagens iniciais no local, verificando as possibilidades e as adequações necessárias à construção da barragem.
construção da barragem - imagem IBGE
 Em 1960, com as obras ainda em andamento, a população ribeirinha viveu momentos dramáticos, quando em decorrência de uma grande cheia o Rio Jaguaribe transbordou e provocou o arrombamento parcial do Açude Orós, provocando uma enchente capaz de inundar o Médio e o Baixo Jaguaribe.
 Logo a notícia logo se espalhou, e as cidades de Russas, Aracati, Itaiçaba, Jaguaribe, Limoeiro do Norte, Icó e o distrito de Alto Santo, de nome Castanhão,  foram evacuadas com o auxilio de tropas do exército.
Estima-se que cerca de dez mil pessoas, não tiveram tempo de fugir e ficaram  isoladas, e a sobrevivência passou a ser uma questão de sorte,  diante da aproximação rápida das águas enfurecidas do Rio Jaguaribe. Os moradores acuados se amontoavam nos lugares mais altos, como Poço Comprido, São João do Jaguaribe, Ilha Grande, Quixeré e Tabuleiro Alto, em Russas. Precisamente às 10 horas do dia 26 de março um terrível estrondo foi ouvido a grande distância, e as águas armazenadas no gigantesco açude ultrapassaram o nível da barragem e invadiram toda extensão do Vale do Jaguaribe.  A enxurrada  destruiu o que encontrava pela frente, levando de roldão povoações, cultivos, propriedades e criações deixando como rastro, a morte, a miséria e o desabrigo, que vitimaram mais de trezentas mil pessoas. 
construção da barragem - imagem IBGE
Obra da engenharia nacional, a Barragem Orós, suportou embora em fase de construção, a uma pressão de água em muitas vezes superior ao seu índice de segurança. Todavia, parte da obra teve de ser destruída com dinamite para evitar um dano maior, que seria a sua distribuição total a um só tempo. 
A barragem de Orós, que se mostrava como a redenção daquele solo ressequido foi parcialmente destruída. Mais uma vez o triste espetáculo dos retirantes famintos, repetia-se no sertão do Ceará. No entanto, não fugiam da seca e sim das águas. Juscelino Kubitschek providenciou ajuda para flagelados e com o final da temporada chuvosa, autorizou o reinício dos trabalhos.

fonte: 

2 comentários:

  1. Açude é sempre tão bonito e de tanta utilidade!
    Foi muito triste a tragédia descrita aí. Não lembrava desses acontecimentos. Quase sempre acontece alguma catástrofe, de menor ou maior proporção nesses grandes empreendimentos.
    Descconhecia que o nome oficial do Orós fosse o
    do Jucelino.....como é bom visitar um "blog" desse quilate e não que NÃOlate...rsrsrs..

    Não conheço o Açude Presidente Jucelino Kubitscheck....dos grandões, só conheço o Cedro, que deve vir por aí....

    Bom demais, Fátima!

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  2. obrigada Lúcia, por estar sempre nos prestigiando

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